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5 de março de 2020
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Bolsonaro põe comediante para responder sobre PIB


O dia foi de pibinho: em 2019, de acordo com anúncio feito pelo IBGE, o Brasil cresceu 1,1%. É menos do que nos dois anos anteriores, sob comando de Michel Temer. Perante a má notícia, como de praxe, o presidente Jair Bolsonaro tentou produzir uma distração. Em sua tradicional parada à porta do Palácio da Alvorada, quando deixa o carro e fala aos jornalistas perante uma claque de fãs, ontem não foi o presidente quem se apresentou. Foi o humorista Márvio Lúcio, contratado pela TV Record, conhecido como Carioca. Vestido de presidente e com faixa presidencial, tentou dar entrevistas a um grupo atônito de jornalistas. Como ninguém perguntou qualquer coisa, ele passou a distribuir bananas para repórteres, fotógrafos e cinegrafistas. Que tampouco foram aceitas. Bolsonaro assistiu a tudo rindo muito. E não respondeu a qualquer pergunta sobre o estado da economia. (Estadão)

A ideia de ironizar os jornalistas foi do próprio humorista. Carioca gravou com Bolsonaro uma entrevista na noite anterior, que será levada ao ar pelo Domingo Espetacular, na Record. Ele sugeriu dar a entrevista na manhã seguinte. (Veja)

Pois bem. A expectativa do mercado, em dezembro de 2018 e otimista com o governo que entrava, era de crescimento de 2,55%. É o terceiro ano consecutivo de uma economia que decepciona. (Folha)

Vida que segue, sugere o ministro da Economia Paulo Guedes. Sua aposta é de crescimento acima de 2% neste 2020. O otimismo não é compartilhado. Sem sugerir um número específico, o FMI diminuiu sua projeção internacional para este ano por causa do coronavírus. O fundo acredita que o PIB mundial será menor do que os 2,9% do ano passado. Para remediar, o FMI criou um financiamento emergencial de US$ 50 bilhões para os países com a doença. (Valor Investe)

Adriana Fernandes: “O PIB frustra não só porque o novo governo ganhou as eleições prometendo mais crescimento, mas também porque a trajetória de recuperação mais rápida da atividade econômica do Brasil não está contratada. Pelo contrário, as incertezas continuam pairando no ar — boa parte delas provocada pelo próprio governo. Os dois primeiros meses de 2020 foram marcados por tensão, que vêm de fora, é claro, com o avanço do coronavírus e outros fatores geopolíticos, porém, governo e Congresso parecem não entender que o país precisa avançar. A desordem é grande. Ela chegou também ao Ministério da Economia e à agenda econômica, que pareciam blindados e contavam com confiança dos agentes econômicos. A percepção é de que voltamos há um ano, nos primeiros meses do governo Bolsonaro, quando presidente e lideranças do Congresso se engalfinhavam em debates e brigas em torno da articulação política. Presidente e seus ministros tentam novamente constranger os congressistas com estímulo às manifestações de rua. A diferença agora que não temos uma reforma da Previdência ‘salvadora’ para liderar a agenda. A pauta de projetos econômicos é tão diversa e reúne tantas frentes de interesse que até agora ninguém sabe dizer o que é prioritário. O PIB de Bolsonaro mostrou que os problemas de baixo crescimento do Brasil são bem mais profundos.” (Estadão)

O gabinete de Eduardo Bolsonaro está ligado a ataques virtuais contra adversários do presidente. Após quebra de sigilo, descobriu-se que a página Bolsofeios foi criada em computador dentro da Câmara com email usado pela equipe do filho Zero Três. A conta também está ligada ao celular do secretário parlamentar de Eduardo. Os principais alvos da página são membros do Congresso, STF e imprensa. As informações foram obtidas pela repórter Constança Rezende, a partir de documentos enviados pelo Facebook à CPMI das Fake News. A investigação foi feita depois da denúncia de Joice Hasselmann de que Eduardo comandava o gabinete do ódio, um grupo que organiza um cronograma de ataques a pessoas consideradas inimigas da família. (UOL)

Aliás... Eduardo perdeu novamente para Joice a liderança do PSL na Câmara. O Zero Três, com outros 11 deputados, foi afastado pela Executiva Nacional do partido. O motivo foi a briga política entre Bolsonaro e seus aliados com Luciano Bivar, presidente do PSL. (Congresso em Foco)

Conforme esta edição do Meio fechava, a Polícia Federal estava nas ruas do Rio de Janeiro com pedidos de prisões, busca e apreensão em nova fase da Lava Jato. Ordens do juiz Marcelo Bretas. Entre os alvos está Astério Pereira dos Santos, ex-secretário nacional de Justiça no governo Michel Temer. (G1)

Marcos Nobre, cientista político: “Muita gente está muito assustada, mas não o suficiente para se mobilizar. Isso tem a ver com o fato de Bolsonaro não ter um projeto claro. Que ele é autoritário todo mundo já entendeu, mas as pessoas se perguntam o que vai fazer: não tem como colocar tanque na rua, fechar o Congresso ou o STF, fazer expurgo na universidade ou serviço público. Então, que tipo de autoritarismo é o seu? Esse é o perigo: nem o próprio Bolsonaro sabe o que quer fazer, a única coisa que tem é uma intenção autoritária. Ele está procedendo por etapas. A primeira é destruir as instituições democráticas da Constituição de 1988 – primeiro você destrói, depois pensa o que é possível fazer em termos de autoritarismo. Também temos que entender que o Brasil elegeu um presidente de extrema direita depois que vários outros países já o tinham feito – Hungria, Polônia, Filipinas, Índia, Estados Unidos. Bolsonaro vai olhando a situação internacional e vendo o que esses líderes autoritários estão fazendo em seus países para saber que rumo dar ao seu autoritarismo no Brasil. As pessoas ainda não estão suficientemente assustadas porque não está claro, para a sua maioria, que o Bolsonaro não tem pressa, é um sujeito metódico — e é difícil de entender porque o método dele é o caos.” (Agência Pública)


Michael Bloomberg saiu da corrida presidencial dos EUA. O ex-prefeito de Nova York declarlou apoio a Joe Biden depois de uma performance fraca na Superterça: sua única vitória foi no território Samoa Americana. Biden foi o grande vencedor e já conta com apoio dos ex-candidatos democratas Pete Buttigieg e Amy Klobuchar para ganhar a nomeação frente a Bernie Sanders. (Axios)

Cultura


A atriz Regina Duarte, que assumiu ontem a secretaria de Cultura, passou o dia sob ataques do olavismo de Twitter. Ela já sinalizou que deve demitir mais funcionários, nomes conectados ao escritor Olavo de Carvalho e ao deputado Marco Feliciano. De acordo com Mônica Bergamo, ela perdeu uma , já. Queria, mas não pode, demitir Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares. (Folha)

Não de forma discreta, cedo esta manhã, o ministro palaciano Luiz Eduardo Ramos respondeu aos ataques. “Regina Duarte dá início à transformação da Secretaria Nacional da Cultura. Com certeza a partir de agora não teremos mais ideologias e radicalismos de toda ordem, nesse importante setor da sociedade brasileira.” (Twitter)

O Genesis anunciou, após 13 anos, seu retorno aos palcos. Uma das grandes bandas do pop, especialmente lá nas décadas de 1970 e 80, informou que fará uma série de shows no Reino Unido no final deste ano. A turnê se chamará “The Last Domino? Tour”, em referência à música “Domino”, lançada no disco “Invisible Touch”, em 1986. No palco estarão Phil Collins, Tony Banks e Mike Rutherford, da formação original. Para os lugares de Peter Gabriel e Steve Hackett foram chamados Daryl Stuermer na guitarra e baixo e Nic Collins, filho de Phil, na bateria. Phil, como se sabe, está impedido de tocar bateria devido a um problema nos nervos.

Uma playlist da banda. (Spotify)

No Youtube, imperdível a entrevista com uma das principais DJs do País, Eli Iwasa. Ela completou 20 anos de carreira no ano passado e vai na contramão dos grandes DJs do momento, que investem cada vez mais pesado em apresentações com grande apelo visual. É claro que muita coisa mudou da época em que ela estreou no comando das pistas até os dias de hoje, mas a essência do que faz praticamente se manteve inalterada. Estudiosa da cena techno no País, ela vê o Brasil em patamar semelhante ao dos grandes centros, como o europeu e o norte-americano. Com uma diferença: o Brasil tem uma identidade bem visível.

Viver


Fotos. Fiéis participam de uma missa em uma igreja da Cidade do México, onde estátuas e imagens de santas foram cobertas com tecido roxo para protestar contra a violência de gênero. Mais fotos de manifestações contra o feminicídio em todo o país (Reuters).

O Brasil teve um aumento de 7,3% nos casos de feminicídio em 2019 em comparação com 2018, aponta levantamento feito pelo G1 com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal. São 1.314 mulheres mortas pelo fato de serem mulheres – uma a cada 7 horas, em média. Os estados com a maior taxa de feminicídios são Acre e Alagoas: 2,5 a cada 100 mil. Desde 9 de março de 2015, a legislação prevê penalidades mais graves para homicídios que se encaixam na definição de feminicídio – ou seja, que envolvam "violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher". Os casos mais comuns desses assassinatos ocorrem por motivos como a separação.

Sobre o coronavírus, até agora, pelo menos onze pessoas morreram nos Estados Unidos, sendo dez em Washington e um na Califórnia. Mais de 150 novos casos foram confirmados no país dentre os mais de 90 mil indivíduos infectados em todo o mundo.

Gavin Newsom, governador da Califórnia: “Nós, diante deste novo paciente na UTI que faleceu, entramos na fase seguinte que exige de mim nessas circunstâncias a proclamação do estado de emergência no estado da Califórnia”.

No Brasil, o Ministério da Saúde divulgou ontem o balanço mais recente. Os dados principais são: 3 casos confirmados, 1 caso aguarda contraprova, 531 casos suspeitos e 315 casos descartados.

CNN Brasil: veja quais programas já estão confirmados.

Cotidiano Digital


O Facebook está mudando os seus planos para sua moeda digital. A Libra vai deixar de ser o centro do projeto e vai se juntar a outras moedas em versões digitais. Enquanto a criptomoeda está em fase de desenvolvimento, a carteira digital Calibra agora vai suportar outras já regulamentadas, como o dólar e o euro. A ideia ainda é permitir que qualquer pessoa, com um smartphone, adquira e compre pelos aplicativos Messenger e WhatsApp. Mas o lançamento da carteira previsto para outubro foi adiado. As mudanças ocorrem por conta de críticas políticas e da pressão regulatória dos países, que questionam a influência do Facebook no projeto. A empresa chegou a criar uma organização com outras companhias para o desenvolvimento da moeda digital, mas não foi suficiente. Desde lá, os principais membros como Mastercard, PayPal e Visa saíram do grupo.

O “Stories” do Twitter foi lançado e o primeiro local escolhido foi o Brasil. Chamado de Fleets, tuítes com fotos, vídeos, gifs e textos podem ser apagados dentro de 24 horas. A nova função começará a ficar disponível essa semana. Mas a novidade parece que não agradou os usuários brasileiros. A hashtag #RIPTwitter ficou entre os assuntos mais comentados.

A lista anual das 100 startups de inteligência artificial foi divulgada pela CB Insights. A lista inclui negócios de desenvolvimento de voz sintética, machine learning quântico e modelagem de proteínas. Mais da metade das startups são americanas. E nenhuma do Brasil.





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