Assine o Meio: notícia confiável para quem não tem tempo de ler jornal.



13 de março de 2020
Consultar edições passadas

Prezadas leitoras, caros leitores —

Amanhã distribuiremos a edição de Sábado do Meio para todos os assinantes. Todos a receberão.

O tema não poderia deixar de ser coronavírus.

Não traremos nada de novo — será uma edição de Sábado diferente. Mas concentraremos, numa só edição, tudo o que é importante saber, tudo o que serve para compreender e recomendações das melhores leituras. Uma curadoria, algo que possa ser distribuído para amigos e familiares. Se você quer ler uma única coisa sobre a pandemia, será esta edição.

O Meio vive, em grande parte, de nossos assinantes premium. As chamadas para a edição de Sábado, que publicamos sempre às sextas, são nosso principal instrumento de venda. Sim: a de amanhã vai para todos. E, ainda assim, repetimos a vocês nosso pedido de sempre.

Assine o Meio. Não é caro e é importante.

Num ambiente de desmonte do jornalismo, oferecemos diariamente uma leitura concisa do que é importante. Uma arma de informação para a era digital num tempo em que tantos políticos, no mundo todo, decidiram transformar a mentira e a desinformação em ferramenta para vitórias eleitorais. É uma briga de todos nós, uma briga pela cidadania.

Fazer o Meio é nosso jeito de participar dela. Aos assinantes premium: obrigadíssimo. São vocês que nos mantém trabalhando.

— Os editores.


Bolsonaro pode ter coronavírus — Crise mundial aperta


O presidente Jair Bolsonaro espera, para hoje, o resultado de seu exame para saber se foi infectado com a nova cepa de coronavírus. Seu secretário de Comunicação, Fabio Wajngarten, contraiu o vírus e está em isolamento. Em pronunciamento à nação, Bolsonaro sugeriu que a população não vá às ruas no próximo domingo, como havia conclamado. “Os movimentos espontâneos marcados para o dia 15 atendem aos interesses da nação”, disse. “Demonstram o amadurecimento de nossa democracia presidencialista. Precisam, diante dos fatos recentes, ser repensados.” Nas horas anteriores, o presidente falou em sua tradicional live de quinta-feira. Lá, vestia máscara — como também vestiram máscaras a seu lado o ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, e a intérprete de libras. É o procedimento correto indicado para quem tem suspeita de infecção. (G1)

No Twitter, porém, logo após o pronunciamento, um grupo de militantes levou ao ar a hashtag #DesculpeJairMasEuVou.

Bernardo Mello Franco: “Dois dias depois de chamar a epidemia do coronavírus de ‘fantasia’, Bolsonaro apareceu de máscara. Só passou a levar a ameaça a sério quando a doença bateu à sua porta. O caso de Fabio Wajngarten ilustra os riscos de travar uma guerra permanente com os fatos. Na quarta, a colunista Mônica Bergamo informou que o secretário havia se submetido ao teste do vírus. Ele preferiu iludir a opinião pública e atacar o jornalismo profissional. ‘Agora falam da minha saúde. Estou bem, não precisarei de abraços do Drauzio Varella’, escreveu. Horas depois do tuíte, confirmou-se que está mesmo com o coronavírus. Ele ainda pode ter transmitido a doença a dois chefes de Estado. Além de viajar com Bolsonaro, participou de jantar com o presidente Donald Trump.” (Globo)

Meio em vídeo: A irresponsabilidade do presidente durante a semana.

A economia preocupa. Muito. O Ibovespa fechou em queda de 14,78%, a maior desde 1998. Foi acionado duas vezes o circuit breaker, mecanismo que interrompe as negociações em caso de queda acentuada. Duas paradas no mesmo dia não aconteciam desde a crise financeira global em 2008. O dólar passou de R$ 5, mas fechou em R$ 4,79. A agitação só foi diminuir o ritmo após o Banco Central americano anunciar um programa de injeção de liquidez no mercado americano de US$ 1,5 trilhão. O pessimismo não só é causado pelo coronavírus, mas também pela crise nos preços do petróleo e os impasses políticos entre Executivo e Legislativo. Neste mês, a bolsa já se desvalorizou 30,86%. (Globo)

No Congresso, a vendetta dos parlamentares contra o Planalto, que na quarta forçaram o aumento do Benefício de Prestação Continuada em um momento de caixa baixo, preocupa. Ontem, conta a Coluna do Estadão, líderes das duas Casas partiram para discutir a relação com deputados e senadores. Sua preocupação é que o Legislativo não entre de sócio num possível fracasso econômico do governo Bolsonaro. (Estadão)

Não quer dizer que a relação de Parlamento e Executivo esteja boa. Ontem, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, se queixava do ministro da Economia, Paulo Guedes. O governo não tem ainda qualquer plano para lidar com a crise do coronavírus. ““Guedes não tinha uma coisa organizada”, afirmou em entrevista. “O que preocupou os parlamentares é que certamente teremos impacto de curto prazo e que essas reformas de médio e longo prazo não vão resolver. São dois eixos: como impacta a saúde dos brasileiros e como impacta a vida econômica e social. São duas urgências. Essa primeira está bem organizada. Por outro lado, como o governo vai reagir em relação à queda da atividade e a algum risco de perda de emprego?” (Folha)

O Congresso aceitou pedido do governo e irá ceder R$ 5 bilhões de suas emendas para combater a disseminação. O valor será liberado por MP como garantia independente da disputa entre Executivo e Legislativo sobre o orçamento. (Congresso e Foco)

Pois é... As primeiras medidas, ainda tímidas, começam a surgir. O governo vai antecipar metade do 13º dos aposentados para abril, diminuir tarifas de importação de produtos médicos específicos e reduzir os juros máximos de empréstimos para beneficiários do INSS. (G1)

Míriam Leitão: “O mais preocupante da pandemia é o risco à vida. Mas também há o risco econômico. Os cancelamentos de eventos se acumulam. O setor de serviços, que concentra mais de 60% do PIB, é atingido fortemente. Sem o evento cancelado, não tem a viagem de avião, não tem a corrida do taxi nem o jantar no restaurante. Os diferentes segmentos deixam de faturar. A sucessão de eventos é o que mais preocupa na economia. A recessão vai atingir vários países da Ásia. A economia americana vai desacelerar. O pior nesse cenário é o setor produtivo deixar de pagar dívidas. Nos EUA, as empresas estão muito alavancadas. Uma onda de calotes, se ocorrer, vai atingir os bancos. O real é a segunda moeda que mais perde valor no ano, mais de 20%. A resposta do governo na questão econômica ainda é vaga. Não há projeto para melhorar a atividade, a sugestão é acelerar as reformas. Mas o diálogo com o Congresso é fraco.” (Globo)


Quem foi que pediu meteoro?

Tony de Marco

 
Corona-meteoro-noite

Viver


A Vacina de Cuba contra coronavírus é ficção. Cuba firmou parceria com China para curar pacientes com interferon alfa 2B, medicamento que já existia. A OMS indica que ainda não existem medicamentos ou terapias comprovadamente capazes de evitar a infecção pelo novo coronavírus.

Paolo Zanotto, virologista com doutorado pela Universidade Oxford e professor no Instituto de Ciências Biomédicas da USP: “Quantos brasileiros correm o risco de morrer? De acordo com o estudo australiano, no cenário mais conservador, seriam 257 mil. Precisa ser assim? De jeito nenhum. Mas, para evitar tal tragédia, precisamos agir agora. Por mais duro e difícil que pareça, um regime de distanciamento social amplo talvez seja o único caminho a seguir para evitar o mal maior. Enquanto a grande maioria de países tardou em responder no momento certo, Singapura, Japão e Hong Kong deram o exemplo e iniciaram a testagem molecular intensa (importantíssimo!) e o isolamento de portadores e seus contatos. Crucialmente, lá a curva de crescimento da doença tem demonstrado um comportamento ascendente moderado, porque medidas de contenção foram implementadas no momento correto. Estão conseguindo controlar o surto porque fizeram intervenções antes do crescimento exponencial da doença. Desta forma, conseguiram até agora impedir a saturação do sistema hospitalar. Ao contrário, países que não fizeram isso (Irã, Itália, França, Espanha e Alemanha, por exemplo) estão vendo o total de doentes dobrar a cada quatro dias. Perderam a oportunidade de barrar o avanço do surto antes da fase exponencial”.

A Disney decidiu fechar seus parques em Anaheim, o Disneyland Resort, em Orlando, o Disney World Resort, e a Disneyland, em Paris. Os parques fecharão no domingo, 15 de março, e permanecerão fechados até o final do mês. Parte dos resorts permanecerá aberta, incluindo experiências de varejo e gastronomia no Disney World Resort. Os hotéis do Disney World Resort e Disney Paris permanecerão abertos, por enquanto, de acordo com um comunicado da empresa. Paris, Anaheim e Orlando juntam-se aos parques e resorts em Xangai, Hong Kong e Tóquio. A empresa também está pedindo aos funcionários de todas as indústrias - Disney Studios, Disney Television, ESPN - que trabalhem remotamente se possível. É a primeira vez que a companhia fecha o resort da Disney em Anaheim desde o 11 de Setembro e a quarta vez que isso ocorre em 65 anos de história. Os parques na Califórnia, segundo a Reuters, atraíram 28,6 milhões de visitantes em 2018.

O jornal carioca O Globo está circulando um guia gratuito sobre o coronavírus. Em PDF.

Harvey Weinstein, ex-magnata de Hollywood, 67 anos, foi condenado a 23 anos de prisão. O tribunal penal do Estado de Nova York anunciou a sentença pelas duas acusações em que foi considerado culpado no final de fevereiro: um crime de primeiro grau (sexo oral forçado) e violação em terceiro grau (sexo sem consentimento expresso).

Aliás
, para quem não viu, o trailer do filme baseado no caso.

Uma manifestação durante o Dia Internacional da Mulher em São Paulo. Mais fotos da semana no mundo.

Cultura


Em São Paulo, o IAC – Instituto de Arte Contemporânea inaugura a sua nova e primeira sede própria neste sábado com a exposição Luzes da Memória, que apresenta projetos inéditos de artistas cujos acervos estão sob a guarda da instituição, como Carmela Gross e Antonio Dias. O Nublu Festival prossegue no Sesc Pompeia com shows do grupo de rap Slum Village, hoje, e do ex-Velvet Underground John Cale, amanhã, com abertura de Juçara Marçal. Mais uma semana inspirada na Casa de Francisca: hoje tem homenagem ao centenário de Elizeth Cardoso com a cantora Francineth e o violonista João Camarero. Hoje e amanhã, o pianista britânico Paul Lewis junta-se à Osesp para interpretar o Concerto nº 5 para Piano, de Beethoven. O MIS abre hoje a exposição John Lennon em Nova York por Bob Gruen, com cliques do célebre fotógrafo do rock realizados entre 1971 e 1980, período em que o ex-Beatle viveu na cidade americana.

No Rio, neste sábado, os irmãos Fernando e Humberto Campana celebram 35 anos de carreira com a maior exposição já realizada pela dupla, uma das principais assinaturas do design autoral brasileiro, no MAM. O projeto Ostra - Encontro de Compositoras realiza hoje seu segundo show na Audio Rebel e recebe Beatriz Pessoa e Silvia Autuori. No sábado, o cantor Siba faz a estreia carioca da turnê do disco Coruja Muda no Museu de Arte do Rio, que comemora 7 anos. A partir de hoje, o Vale das Videiras, em Petrópolis, recebe uma série de atividades que celebram o centenário de Lygia Clark. Hoje e amanhã, Zeca Pagodinho apresenta o show Mais Feliz no Vivo Rio. No sábado, Mart'nália canta Vinicius de Moraes na Cidade das Artes. Brahms, Wagner e Villa-Lobos estão no programa que o argentino Javier Logioia Orbe rege nesta sexta na Sala Cecília Meireles à frente da Orquestra Sinfônica Nacional.

Para mais dicas culturais, assine a newsletter da Bravo!

A NBC suspendeu a produção de seus dois principais programas noturnos - o The Tonight Show e o Late Night por um período de pelo menos duas semanas. Ambos planejavam continuar sem participação ao vivo, em estúdio, como aceno para os novos requisitos da vida nos tempos de coronavírus. Mas não deu. Outros programas noturnos do país também tomaram decisões semelhantes, o que significa que todo programa dos EUA, noturno, continuará sem um dos elementos fundamentais do formato - uma multidão que reage às piadas e influencia o tom do apresentador.

Cotidiano Digital


Com as crianças dentro de casa por causa do coronavírus, o tráfego da internet na Itália aumentou 70%. Isso porque elas têm passado o tempo principalmente jogando games online, como Fortnite e Call of Duty. Esses tipos de jogos demandam muita mais banda larga do que programas de teleconferência usados pelos adultos em home office. O aumento na demanda é um comportamento atual global: Telia Carrier, que opera uma das maiores redes intercontinentais de fibra do mundo, viu o seu tráfego crescer em 2,7% em fevereiro e prevê um aumento ainda maior em março.

E o PornHub liberou seu serviço de assinatura premium, sem custo, para todos os italianos.

Mas ... um pico nas conversas por vídeo e nas conexões domésticas à internet pode começar a afetar a capacidade da rede e diminuir a velocidade geral.





Bem-vindo ao Meio. A assinatura básica é gratuita, comece agora mesmo.



13 de março de 2020
Consultar edições passadas