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9 de abril de 2020
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Prezadas leitoras, caros leitores —

Nem parece, mas amanhã é Sexta-Feira Santa. Feriado. E nós, cá no Meio, tiraremos o dia para descanso. Como de praxe, voltamos com a edição diária na segunda-feira. A não ser, claro, que venha notícia grande. Neste caso, sai uma edição extra.

Mas sábado sai a edição dos assinantes premium. Nosso tema desta semana: hidroxicloroquina. O presidente da República não fala de outro assunto. Doentes, alguns médicos importantes parecem tê-la tomado. Enquanto isso, o CDC americano, responsável por controle da pandemia, diminuiu o tom da recomendação no uso da droga. A Suécia a suspendeu. Em testes com células humanas e o vírus no tubo de ensaio, o remédio parece mesmo eficaz. Pelo menos um estudo francês indica que ajuda no combate à Covid-19. Enquanto há estudos que sugerem não ter eficácia alguma. Afinal, que remédio é este? Por que a indecisão? O que de fato sabemos e quais os riscos?

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— Os editores


Bolsonaro lava as mãos e culpa governadores por isolamento


Após uma segunda na qual quase demitiu seu ministro da Saúde e uma terça-feira em silêncio irritado, o presidente Jair Bolsonaro voltou ontem à cadeia nacional de rádio e TV para reafirmar sua repulsa à quarentena. “Respeito a autonomia dos governadores e prefeitos”, ele disse. “Muitas medidas, de forma restritiva ou não, são de responsabilidade exclusiva dos mesmos. O governo federal não foi consultado sobre sua amplitude ou duração.” Apesar de jogar nas costas dos governadores as consequências do período de isolamento social, pela primeira vez Bolsonaro reconheceu que há impacto em vidas causado pela doença. “Sempre afirmei que tínhamos dois problemas a resolver, o vírus e o desemprego, que deveriam ser tratados simultaneamente. As consequências do tratamento não podem ser mais danosas que a própria doença.” O presidente também voltou a defender a aplicação de hidroxicloroquina como cura para a doença. “Há pouco, conversei com o doutor Roberto Kalil”, contou, “cumprimentei-o pela honestidade ao assumir que não só usou a hidroxicloroquina, bem como a ministrou para dezenas de pacientes. Todos estão salvos.” Kalil é diretor clínico do Instituto do Coração e esteve doente. Assista. (Poder 360)

De Carlos Carvalho, médico que tratou do diretor do InCor: “Não há como dizer que foi a cloroquina que ajudou o Kalil. Ele tomou outros remédios além dela. Eu mesmo tive coronavírus, tomei Novalgina e outros remédios e estou curado. Vou dizer que a Novalgina cura coronavírus?” (Folha)

Pouco antes de o presidente entrar na TV, o ministro Alexandre de Moraes definiu que Bolsonaro não pode derrubar decisões dos estados e municípios a respeito do isolamento social, restrições a escolas, comércio ou circulação de pessoas. Segundo o ministro do Supremo, as recomendações são endossadas pela Organização Mundial da Saúde, além de inúmeros estudos científicos. (G1)

Pois é... Enquanto batia nos governadores, Bolsonaro acenava com um acordo de paz para o Congresso. De acordo com o Painel, quem está próximo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, vê o pedido de trégua com ceticismo. (Folha)

Em sua tradicional coletiva de final do dia, o ministro Luiz Henrique Mandetta adotou um tom de respeito em relação ao presidente. Bolsonaro foi perguntado sobre o assunto. “Até em casa, a gente tem problema muitas vezes com a esposa, com o esposo, né?”, ele comentou. “É comum acontecer no momento em que todo mundo está estressado de tanto trabalho, eu estou, ele está. Mas foi tudo acertado, sem problema nenhum, segue a vida.” (Globo)

Conversas com o Meio: Na segunda edição do novo programa em vídeo, entrevistamos o professor Pablo Ortellado, da USP. Como é o perfil de quem apoia Bolsonaro? Como, exatamente, funcionou sua campanha por internet? Estes temas, assim como a origem das guerras culturais, no Brasil, estão entre os abordados. Uma aula. Assista.


O senador Bernie Sanders, do estado americano de Vermont, deixou ontem a corrida pela vaga de candidato à presidência do Partido Democrata. O ex-vice-presidente Joe Biden, portanto, é quem disputará com Donald Trump as eleições de novembro. “Bernie fez algo raro em política”, escreveu Biden. “Ele não tocou apenas uma campanha política, ele criou um movimento. Ele e seus eleitores mudaram o diálogo que temos na América.” (Medium)

Viver


O Brasil bateu um novo recorde de mortes decorrentes do novo coronavírus em um único dia. De ontem para hoje, foram 133 óbitos. No total, ao menos 800 pessoas foram vítimas da doença no país. O número de casos confirmados de covid-19 passou de 13.717 para 15.917, conforme os dados oficiais do Ministério da Saúde. Foram 2.200 novos casos notificados nas últimas 24 horas.

Foi a segunda vez, desde o início da pandemia, que mais de cem mortes pela covid-19 foram registradas em apenas 24 horas. Os Estados com maior número de casos são São Paulo (6.708), Rio de Janeiro (1.938), Ceará (1.291), Amazonas (804), e Minas Gerais (614). Especialistas projetam que, no Brasil, o pico da doença seja atingido entre o final de abril e o começo de maio.

Com 1.973 mortes, os EUA bateram novo recorde de mortes por coronavírus em 24 horas. País se aproxima dos números da Espanha, segundo lugar com mais mortes por Covid-19 no mundo, atrás apenas da Itália.

Na corrida para tratar pacientes com Covid-19, muitos — incluindo os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro — vêm recomendando a hidroxicloroquina, o que levou à escassez nos EUA da droga anti-malária. Em alguns casos, o remédio teve efeito e em outros, não. Medicamentos liberados para um objetivo e usados para outro também tem uma história trágica de danos graves aos pacientes. (Vox)

São muitas as controvérsias, mas o fato é que pesquisadores não têm evidências sobre sua eficácia contra a doença porque estudos científicos rigorosos não foram realizados. Na França, um estudo com 36 pacientes, publicado no dia 16 de março, indicou bons resultados. Já a Suécia parou de oferecer o remédio quando pacientes apresentaram convulsões. Um outro estudo na China apontou que o composto não fez diferença nos tratamentos. Os resultados preliminares de um estudo feito com a cloroquina pela Fiocruz e pela Fundação de Medicina Tropical também foram nesse sentido e mostraram que a letalidade no grupo de pacientes com Covid-19 testado, em estado grave, foi de 13%. A taxa de mortalidade verificada em pacientes em iguais condições que não usaram a droga é de 18%. A proximidade não permite afirmar, por enquanto, que a cloroquina possa fazer diferença fundamental no tratamento dos doentes infectados pelo novo coronavírus.

O Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA retirou do site as recomendações específicas sobre como aplicar cloroquina ou hidroxicloroquina em pacientes com Covid-19. Antes, a sessão intitulada ‘Informações para clínicos sobre opções terapêuticas para pacientes com Covid-19’ dizia que, “embora a dosagem e duração da hidroxicloroquina no tratamento para a Covid-19 sejam desconhecidas, alguns clínicos dos EUA têm reportado formas para prescrever o remédio”. Apesar da alteração, hospitais americanos seguem utilizando a substância em meio ao avanço da pandemia no país. (Folha)

Salto no número de enterros e jornada de trabalho mais longa. Quem vive a rotina dos cemitérios afirma que o ritmo em São Paulo mudou desde a semana passada. No maior cemitério paulista e um dos maiores da América Latina, o Vila Formosa, os espaços cavados na terra diariamente para abrigar caixões saltaram de 50 para 100. Depois de 20 anos trabalhando como agente sepultador, Manoel Norberto Pereira disse que a dedicação agora é "abrir cova".

Pois é... apenas 6% dos casos de Covid-19 foram detectados em todo o mundo. É o que indica um estudo da Universidade de Göttingen, na Alemanha. Isso quer dizer que dezenas de milhões de pessoas infectadas pelo novo coronavírus podem estar de fora das estatísticas das autoridades, o que ajudaria a explicar, ao menos em parte, por que a taxa de mortalidade do vírus varia tanto de um país para o outro. No Brasil, o número real de casos seria de cerca de 602 mil, enquanto o Ministério da Saúde registrava apenas 5.717 no dia 31 de março. Outro dado que varia muito entre os países é o tempo que decorre entre a detecção da infecção e a morte do paciente. Testes insuficientes podem explicar por que a Itália e a Espanha têm taxas de mortalidade muito maiores do que a Alemanha. Os cientistas estimaram que a Alemanha detectou 15,6% das infecções, enquanto a Itália detectou apenas 3,5%, e a Espanha, 1,7%. Segundo eles, as taxas de detecção são ainda menores nos EUA (1,6%) e no Reino Unido (1,2%).

Por aqui, cientistas da Unicamp estabeleceram um novo protocolo, utilizando e validando reagentes nacionais para o diagnóstico da Covid-19. Um exame mais barato e sem dependência de insumos internacionais em falta no mercado.

Nos EUA, americanos poderão fazer teste de covid-19 nas farmácias, o que amplia o leque de medidas para monitorar e combater a pandemia. O governo autorizou ontem que as farmácias realizem, além dos testes de detecção, o exame de anticorpos recentemente desenvolvido que revela se a pessoa já se recuperou da doença. (AFP)

O momento exato em que o novo coronavírus ataca e infecta uma célula saudável do corpo humano. O registro em microscopia eletrônica de transmissão, inédito no Brasil, foi produzido durante estudo sobre replicação viral no Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

Feijão fresquinho. Quem é acostumado com arroz e feijão no almoço todos os dias pode estar com dificuldade de dar conta dos preparos em casa. Parece complexo garantir o feijão fresquinho na mesa, mas com planejamento fica fácil. Dá para cozinhar uma vez por semana e garantir feijão a semana inteira (e variando os sabores). A estratégia detalhada está no post Como cozinhar feijão, do Panelinha, o site de receitas da Rita Lobo.

Cultura


Numa manhã de auto-isolamento, Natalia Goroshko notou que uma panqueca tinha assumido a forma de um dos relógios derretidos de Salvador Dali. Ela então posicionou três delas na cozinha, fotografou e postou sua criação em um grupo russo no Facebook, incentivando os membros a reproduzirem obras de arte famosas com itens encontrados em casa. Criado na semana passada, o "Izoizolyacia" - ou Art Isolation - agora tem mais de 300.000 membros e uma série de posts. É o caso de O Grito, de Edvard Munch, feito de chinelos e roupas. Outras iniciativas on-line semelhantes incluem uma conta holandesa no Instagram, com 155.000 seguidores. Na capital ucraniana de Kiev, Olesia Marchenko usou salsichas, couve roxa e folhas de espinafre para recriar Dance, de Henri Matisse. Com lentilhas e feijão, a moscovita Yulia Tabolkina fez sua versão de Mona Lisa usando o peitoril da janela como tela. Confira.

Um livro infantil e colaborativo será lançado hoje em meio à atual pandemia. Mais de 50 organizações que trabalham no setor humanitário, incluindo a Organização Mundial de Saúde e o Fundo das Nações Unidas para a Infância, participam do projeto. Com a ajuda de Ario, uma criatura mágica, Você é meu herói, como as crianças podem lutar contra o COVID-19! aborda também o confronto entre emoções e novas realidades. Disponível em seis idiomas.

No Youtube, Uma Mão Lava a Outra tornou-se o vídeo mais visto do canal O Show da Luna!, animação brasileira produzida desde 2014 pela Pinguim Content em parceria com o Discovery Kids, e exibida em mais de 90 países. O programa infantil mostra, de forma lúdica, a importância da pesquisa científica, despertando para temas ligados a astronomia, física, química e biologia.

E 30 momentos icônicos para celebrar os 30 anos de Twin Peaks.

Cotidiano Digital


Pela primeira vez, a China ultrapassou os EUA no número de registros internacionais de patentes. A Huawei foi a que mais fez pedidos em 2019. Em relatório de 2017, a Nikei afirmou que a China reinaria em nove categorias na próxima década, entre elas inteligência artificial e veículos autônomos. Com as empresas Baidu e Alibaba como os principais inovadores. Mas o relatório apontava que a quantidade chinesa ainda não significava necessariamente qualidade: 64 das 100 maiores empresas globais em termos de qualidade de patente ainda eram americanas.

Em tempos de quarentenas, qualquer um está se tornando produtor de conteúdo. Padres, personal trainers e artistas são alguns que têm usado plataformas digitais para continuar com os seus serviços. Enquanto outros usam apenas para passar o tempo. Em março, a plataforma para artistas Patreon teve mais de 30 mil novas inscrições. O crescimento médio de pessoas que se inscrevem para pagar por conteúdo nos EUA, Reino Unido, Canadá, Alemanha, Austrália e Itália aumentou 36,2% no mês em comparação a fevereiro. O download do TikTok também cresceu 5% pelo mundo de um mês para outro. Na Itália, um dos países com mais tempo de quarentena, a alta foi de 14%.

Quer ficar bem no vídeo? Câmera no nível dos olhos e alguns truques para criar uma boa iluminação, segundo o estilista e diretor, Tom Ford.





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