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11 de maio de 2020
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Celso de Mello libera para alguns vídeo de reunião no Planalto


O ministro Celso de Mello, do STF, deu permissão para que o ex-ministro Sérgio Moro, o procurador-geral da República Augusto Aras e a delegada da Polícia Federal Chistiane Corrêa assistissem ao vídeo com a íntegra da reunião em que o presidente Jair Bolsonaro teria pressionado Moro a respeito de trocar o comando da PF. Através da Advocacia Geral da União, o Palácio do Planalto entregou o vídeo ao Supremo na noite de sexta-feira. Ao menos no primeiro momento, o decano do STF tomou a decisão de mantê-lo sob sigilo. Como Moro é quem acusa o presidente de interferir, o PGR deverá decidir se apresenta denúncia contra o presidente ou não, e é a delegada quem fará os interrogatórios, Mello decidiu que os três deveriam assistir. Os depoimentos já começam hoje. (Poder 360)

Hoje vão depor os delegados Ricardo Saadi e Carlos Henrique Souza, ambos ex-superintendentes da PF no Rio e, segundo Moro, vítimas da pressão de Bolsonaro. Falará também o diretor-geral Maurício Valeixo, cuja demissão por Bolsonaro disparou a demissão de Moro. Na terça-feira, falam simultaneamente porém separados os generais-palacianos Augusto Heleno, Walter Braga Netto e Luiz Eduardo Ramos. O objetivo de falarem ao mesmo tempo é evitar que combinem versões. E, na quinta-feira, conta o que sabe à polícia a deputada federal Carla Zambelli. Ela tentou convencer o ministro a não se demitir prometendo que, em troca de Moro permitir ao presidente que mudasse o comando da organização no Rio, ela tentaria promover sua candidatura ao Supremo. (Folha)

A exibição do vídeo foi marcada, em uma única sessão, na terça-feira, dentro da Polícia Federal em Brasília. Sérgio Moro virá de Curitiba pela primeira vez desde que deixou a capital. (CNN Brasil)

Os depoimentos são chave para que o procurador-geral Augusto Aras decida se fará ou não a denúncia do presidente da República. Há suspeitas, dentro do Ministério Público, de que ele esteja alinhado com o Planalto. Segundo Andreia Sadi, o PGR as rechaça. “Se não quisesse investigar, não teria pedido a abertura do inquérito.” (G1)

Pode ser. Mas Lauro Jardim informa que nove entre dez integrantes da equipe de Aras estão convictos de que ele não denunciará Bolsonaro. Se assim for, Celso de Mello não terá alternativa que não arquivar o processo. (Globo)

O ministro da Saúde Nelson Teich foi o primeiro membro do governo a comentar a morte de dez mil pessoas, os contabilizados oficialmente como vítimas da Covid-19 no país. “Hoje amanhecemos com uma enorme dualidade de sentimentos”, ele escreveu no Twitter no domingo dia das Mães. “Quero falar principalmente pra aquelas mães que hoje choram a perda de seus filhos e para os filhos que hoje não podem comemorar o dia com suas mães. Para esses, deixo aqui meus sentimentos e meu compromisso de fazer o meu melhor para que vençamos rápido essa terrível guerra.” (Twitter)

O ministro, que entrou no lugar de Luiz Henrique Mandetta, vem nomeando militares para os cargos-chaves. Muitos destes têm substituído servidores de carreira da Saúde. Internamente, estas trocas são mal recebidas por funcionários da pasta, que percebem hesitação e atrasos provocados por falta de experiência com os temas. (Globo)

Pois é... O secretário-executivo do Ministério da Saúde é o general Eduardo Pazuello. Vem sendo descrito lá dentro como espaçoso e autoritário. E é quem está no comando. (Globo)

Viver


Coronavírus. O Brasil chegou a mais de 11 mil mortos registrados. Simulações feitas por um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) voltado para identificar quando o país atingirá o pico de infecções apontam que o número de mortes poderá dobrar nos próximos 20 dias e o de infectados alcançar cerca de 400 mil até o dia 5 de junho, caso não sejam tomadas medidas de contenção da transmissão do vírus.

Com mais de 12 internações e 4 mortes por hora no Estado de São Paulo, a interiorização acelerada de casos da Covid-19 colocou em alerta autoridades e profissionais de saúde, que não descartam colapso geral da rede de atendimento hospitalar, com a possibilidade de um pico da doença e a aproximação do inverno. Das 645 cidades paulistas, 412 já têm pelo menos um caso confirmado, e há um ou mais óbitos em 177 municípios. Hoje, são mais de 9,8 mil pacientes internados em SP, sendo 3.909 em UTI e 5.938 em enfermaria.

Cada pessoa infectada no Brasil, hoje, transmite a Covid-19, em média, para outras duas. Quanto mais gente circulando, mais a doença se espalha. Nesses casos, segundo os especialistas, o lockdown é a única saída. Entenda como funciona. (Fantástico)

A médica sanitarista Cristiani Vieira Machado, vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, acredita que é preciso fazer o lockdown no Estado do Rio —isolamento radical com bloqueio de estradas e circulação reduzida— para impedir a interiorização do novo coronavírus e recuperar o sistema de saúde. Um levantamento feito pela Fiocruz prevê a lotação das UTIs no estado fluminense a partir da próxima quarta-feira (13). Segundo a análise, baseada em uma projeção da evolução da epidemia e da disponibilidade de leitos, só seria possível contar com vagas nessas unidades a partir de 22 de julho.

Ainda sobre o Rio, o bairro de Copacabana, na zona sul, se tornou o local com o maior número de mortes e casos confirmados de Covid-19 na cidade. De acordo números divulgados pelo painel de monitoramento da Secretaria Municipal de Saúde, a região concentra 411 contaminações pelo coronavírus e 71 óbitos decorrentes da transmissão. O levantamento é da última sexta-feira (8). O bairro já liderava a estatística sobre o número de contaminações confirmadas da doença. Porém, ainda ficava atrás do bairro de Campo Grande, na zona oeste, no que dizia respeito ao número de mortes. Campo Grande, no entanto, foi o primeiro bairro do Rio de Janeiro a receber o "lockdown parcial", na última quinta-feira (7).

O número de casos confirmados da Covid-19 pelo mundo ultrapassou a marca de 4 milhões, como mostra o levantamento da Universidade Johns Hopkins. O milionésimo caso foi registrado no dia 2 de abril. Ao todo, mais de 282 mil pessoas morreram após contraírem o novo coronavírus.

Nesta segunda-feira, alguns países europeus iniciam reabertura, entre eles a França, onde há 40,3 mortes por 100 mil habitantes (7ª maior taxa). As escolas devem começar a receber de volta os alunos do ensino fundamental com turmas que terão a metade do número anterior. Também será possível sair de casa sem precisar de uma justificativa por escrito, mas cafés, restaurantes e museus continuam fechados até pelo menos 2 de junho. A saída da quarentena no país dependerá do controle da doença em cada região. Paris e todo o nordeste francês estão na zona vermelha, onde o relaxamento será mais lento, com parques ainda proibidos de abrir.

No Reino Unido, Boris Johnson falou sobre a possibilidade de impor quarentena aos visitantes. A taxa de transmissão do coronavírus (R) atualmente está entre 0,5 e 0,9. “Para evitar contágios do exterior, já estou avisando que em breve chegará o momento, quando a transmissão for baixa o suficiente, de impor uma quarentena a todos aqueles que chegarem ao país por via aérea”, disse em um discurso televisionado.

Boris Johnson: “Embora tenhamos progredido em satisfazer pelo menos algumas das condições que eu dei (para a reabertura), de modo algum cumprimos todas elas. E, portanto, não, não é o momento de simplesmente encerrar o confinamento nesta semana”.

Já se fala de uma segunda onda. Na Alemanha, a transmissão do coronavírus se acelerou depois que algumas medidas da quarentena foram relaxadas. O Instituto Robert Koch para o Controle de Doenças divulgou ontem que o número de pessoas para quem cada doente transmite o coronavírus (R) é agora de 1,1, ou seja, na média, cada 10 infectados transmitem a doença para 11 pessoas.

A China registrou cinco novos casos de coronavírus na província de Hubei, no centro do país, informou a agência estatal de notícias da China. Todos os casos de Covid-19 foram transmitidos domesticamente na capital da província, em Wuhan, epicentro original da doença.

Segundo levantamento, o Brasil enfrenta uma alta de 200% no número de mortos quando comparada a situação do país com a de sete europeus —Portugal, Espanha, Itália, França, Holanda, Alemanha e Reino Unido.

As inscrições do Enem 2020 começam hoje. Os candidatos devem fazer o cadastro no site oficial da prova até 22 de maio. Neste ano, as provas presenciais vão ocorrer em 1 e 8 de novembro. A primeira versão digital do exame será em 22 e 29 de novembro.

Cultura


Little Richard, fotos. Aos 87 anos, o músico, que é um um dos pioneiros do rock'n'roll, morreu de câncer nos ossos. O seu estilo extravagante que ia do visual à música, inspirou uma geração que sem ele não teria trilhado o caminho da liberdade pregado pelo rock n’roll. Os Beatles o imitavam muito antes de gravaram Long Tall Sally, de autoria de Richard. E o rock de Elvis Presley colocou Tutti Frutti entre os clássicos do rock'n'roll. Little Richard acreditava que o espírito do rock and roll estava nos primeiros segundos da voz e não da guitarra, como pregava Chuck Berry, e levou o acento funk do aprendiz James Brown para a sua base rítmica. Uma playlist.

O escritor carioca Sérgio Sant'Anna morreu aos 78 anos, em decorrência da Covid-19. Vencedor de três prêmios Jabuti, autor era considerado um dos mestres do conto. Uma de suas coletâneas de contos mais celebradas, o livro O concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro (1983)— vencedor do prêmio Jabuti — apresenta a escrita de Sant'Anna em seu esplendor, como no conto-título, que mescla música, literatura e teatro ao recriar toda a mística de ruído e silêncio que havia em torno da figura do pioneiro da bossa nova.

Livros essenciais de Sant'Anna.

A Revista Piauí abriu para todos os leitores o perfil do Sérgio publicado em 2015.

E a cantora norte-americana Betty Wright, de 66 anos, faleceu em sua casa, em Miami. Ela estava com câncer, mas a causa da morte ainda não foi divulgada.

A classe artística reagiu com muitas críticas à entrevista em que a secretária especial da Cultura, Regina Duarte. Ela minimizou a ditadura militar brasileira, a tortura praticada no período e as mortes de nomes como o do cantor e compositor Moraes Moreira, do escritor Rubem Fonseca, do compositor Aldir Blanc e do ator Flávio Migliaccio. Um manifesto com assinaturas de 512 artistas foi divulgado sábado em repúdio. Entre escritores, atores e músicos estão nomes como Luis Fernando Verissimo, Rita Lee, Caetano Veloso e Miguel Falabella.

O artista plástico Abraham Palatnik morreu, na manhã deste sábado, aos 92 anos, vítima de Covid-19. Palatnik foi pioneiro na arte cinética, que experimentava o movimento a partir de obras que uniam cores, luzes e elementos mecânicos.

Homenagem a Abraham Palatnik

Tony de Marco

 
Palatinik

Cotidiano Digital


A OMS está desenvolvendo um app global para os países que ainda não criaram os seus próprios ou não têm recursos. A ideia é que a plataforma fique pronta até o final do mês e ofereça informações sobre a Covid-19 e até rastreamento da geolocalização. Esta última função deve ser feita em parceria com a Apple e Google. A big techs estão desenvolvendo um sistema descentralizado que mantém os dados anônimos para a localização.

Por aqui, metade dos Estados aderiram ao mapa de calor criado pelas teles. 12 Estados já estão aptos a usar e outros 15 estão na fila. A plataforma, feita pela Claro, Vivo, TIM e Oi, apura a taxa de isolamento da população.

E o Facebook liberou para todos os países o dark mode no desktop. A nova versão, além de inverter a tela colocando o fundo em negro com letras brancas, também mudou o design do feed.





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11 de maio de 2020
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