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23 de julho de 2020
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Prezadas leitoras, caros leitores —

O que aprendemos sobre a Covid-19 muda a cada semana. Mas o que não sabemos ainda é muito. Não sabemos se nos lugares em que está em retrocesso é porque o fim se aproxima ou se uma segunda onda se ergue traiçoeira. Não sabemos se uma vacina funcionará. Ou quanto duram os anticorpos. Seja no relato diário de dados, nas experiências pessoais ou na percepção particular de mundo, parte de nosso desafio é fazer a leitura correta de uma realidade em constante mudança sem normalizá-la. E é difícil. Às vezes parecem só números que vão crescendo um dia após o outro.

Os números têm significado. São vidas perdidas, tragédias pessoais que jamais serão entendidas completamente quando não estamos inseridos nelas. Mas, em meio ao clima de normalização de mortes, às vezes símbolos se impõem. É o caso da imagem que, esta semana, comoveu o mundo. Jihad Al-Suwaiti, palestino de 30 anos fotografado observando a mãe pelo parapeito de uma das janelas altas do hospital em Hebron, na Cisjordânia. Hospitalizada com o novo coronavírus, ela não resistiu e morreu. As fotos de Jihad dizem muito.

A pandemia não acabou. Não está acabando. No Brasil, segundo um estudo do Imperial College divulgado ontem, a transmissão de novos casos de coronavírus está crescendo e ainda não foi controlada. Registramos, também ontem, novo recorde: 65.339 infecções nas últimas 24 horas.

Se parece que o normal está voltando, infelizmente, é só ilusão. Precisamos nos manter atentos.

— Os editores.


Brasil bate novo recorde diário de Covid-19 e pandemia avança


O Brasil registrou novo recorde de novos casos diários: 65.339 infecções nas últimas 24 horas. O número de mortes se manteve acima de mil: 1.293. Com isso, os óbitos chegaram a 82.890. Para se ter uma dimensão da tragédia, o acidente com o avião da TAM, que chocou o país em 2007, matou 199 pessoas. É como se fossem cinco acidentes como aquele, todos os dias. O número superou, também, as 82.356 mortes registradas em 2019 por homicídios e por acidentes de trânsito em todo o país.

A média móvel de novas mortes nos últimos 7 dias foi de 1.052 óbitos, uma variação de 1% em relação aos dados registrados em 14 dias. Acompanhe a variação nos Estados.

Segundo dados da Fiocruz, os números de internação de pacientes com insuficiência respiratória grave voltaram a subir de forma preocupante em estados que vinham registrando queda consistente.

Vale lembrar que o país está sem ministro da Saúde desde o dia 15 de maio. E o presidente, Jair Bolsonaro, continua com Covid-19 segundo exames.

Aliás, dois novos estudos publicados na Nature mostram que a cloroquina e hidroxicloroquina são ineficazes no combate à doença.

A marca de 15 milhões de casos confirmados do novo coronavírus no mundo foi atingida ontem, segundo levantamento da universidade americana Johns Hopkins. Em apenas quatro dias, os números da pandemia subiram em mais de 1 milhão de infectados, elevando o total de 14 milhões para o consolidado de 15.239.806 milhões. Ao todo, mais de 600 mil pessoas morreram em todo o planeta por causa da Covid-19. Segundo a última atualização, 623.658 vítimas. Dados atualizados às 6h30 de hoje.

Em número total de infecções, os países mais afetados são Estados Unidos, Brasil, Índia, Rússia e África do Sul. Em relação às mortes, os países que lideram o ranking continuam sendo os dos presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro: 143 mil e 82 mil, respectivamente. Depois, vêm Reino Unido, México e Itália.

O que mais está por vir? Segundo a OMS, o número de casos do novo coronavírus no continente americano é mais do que o dobro da segunda região mais afetada, a Europa. Sobre as vacinas, o chefe do programa de emergências da OMS, Mike Ryan, disse que, apesar dos progressos feitos, seu uso só deve ser esperado para o início de 2021.

Enquanto isso, os Estados Unidos fecharam um acordo com as farmacêuticas Pfizer e BioNTech para comprar, ainda em 2020, 100 milhões de doses da vacina contra a Covid-19. As empresas informaram que não devem conseguir produzir mais do que isso neste ano. Detalhe: a vacina ainda está em desenvolvimento.

E trecho de uma entrevista com Pedro Folegatti, médico infectologista, único brasileiro atuando na linha de frente do principal laboratório de produção da "vacina de Oxford", no Reino Unido. “O fato de uma pessoa escolher não se vacinar ou não usar uma máscara não é uma escolha individual e repercute de forma bastante significativa na sociedade como um todo. Essas coisas se traduzem em aumento de custos no sistema de saúde e fundamentalmente em milhares de vidas perdidas”.

Uma análise feita por pesquisadores do King's College, em Londres, identificou 6 "tipos" de Covid-19, cada um caracterizado por um conjunto específico de sintomas. A gravidade da doença e a necessidade de auxílio respiratório em caso de hospitalização variam conforme o tipo de vírus, segundo os cientistas. Os 6 grupos de sintomas foram divididos assim:

1. Gripe sem febre: enxaqueca, perda de olfato, dor muscular, tosse, dor de garganta, dor no peito, sem febre.
2. Gripe com febre: enxaqueca, perda de olfato, tosse, dor de garganta, rouquidão, febre, perda de apetite.
3. Gastrointestinal: enxaqueca, perda de olfato, perda de apetite, diarreia, dor de garganta, dor no peito, sem tosse.
4. Grave nível um (fadiga): enxaqueca, perda de olfato, tosse, febre, rouquidão, dor no peito, fadiga.
5. Grave nível dois (confusão): enxaqueca, perda de olfato, perda de apetite, tosse, febre, rouquidão, dor de garganta, dor no peito, fadiga, confusão, dor muscular.
6. Grave nível três (abdominal e respiratório): enxaqueca, perda de olfato, perda de apetite, tosse, febre, rouquidão, dor de garganta, dor no peito, fadiga, confusão, dor muscular, dificuldade respiratória, diarreia, dor abdominal.

O estudo completo.

Ferramentas de pedra esculpidas que datam de 25.000 a 30.000 anos foram encontradas dentro da caverna de Chiquihuite, no México. Evidências muito anteriores ao que se conhecia e que apontam para a presença humana na América por mais que o dobro do que o estimado anteriormente.

E a China lançou hoje a espaçonave que orbitará Marte em fevereiro de 2021, na primeira missão desse tipo realizada pelo gigante asiático, informou a televisão estatal chinesa CGTN. A primeira missão de exploração da China no Planeta Vermelho, Tianwen-1, visa orbitar, pousar e explorar sua superfície.

Hora de Panelinha no Meio. E o tema é macarrão. Rita Lobo dá todas as dicas, de medir e escolher o tipo à como cozinhar para que não grude e fique no ponto certo. De quebra, uma receita rapidíssima de espaguete com manteiga, limão e parmesão. O episódio faz parte da série Rita, Help! Me ensina a cozinhar na quarentena.

Política


O alerta é de Bernard Appy, economista que talvez seja o maior especialista no sistema tributário brasileiro. A discreta reforma tributária apresentada pelo ministro Paulo Guedes pode terminar por elevar a carga de impostos. “O governo não apresentou os cálculos para mostrar como chegou a esse resultado”, comentou Appy. Uma das constatações é de que bancos pagarão menos enquanto o setor de serviços, mais. (CBN)

Pois é... Com um aumenta de alíquota que salta dos 4,5% de PIS/Cofins e vai para 12% com o novo CBS, o setor quer travar a reforma. (Estadão)

A recepção não foi boa. A manchete do Estadão impresso de ontem já seguia por esta linha: Proposta do governo prevê imposto menor para bancos. Hoje, o editorial do Globo bate duro.

O Globo: “Faz mais de ano o Executivo anuncia que divulgaria em questão de dias sua proposta de reforma tributária. Além de tardia, foi tímida. Na ‘primeira etapa’ — outras três estão previstas —, propõe apenas a unificação de PIS e Cofins num só imposto, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). É pouco. Duas propostas que tramitam na Câmara e no Senado preveem simplificação maior, reunindo entre cinco e sete tributos num só. Em vez de trabalhar pela convergência das duas, o Executivo preferiu seguir o caminho aparentemente mais fácil que unifica apenas os dois impostos, provavelmente acreditando que apresentar algum avanço seria melhor do que nada. Seria mesmo, se avanço houvesse. A proposta enviada ao Congresso representa, contudo, um risco concreto de retrocesso. As alíquotas propostas para a nova CBS promovem desequilíbrio entre setores econômicos. Igrejas, partidos, entidades de classe e a Zona Franca ficariam isentos. Bancos, seguradoras e instituições financeiras pagariam alíquota de 5,8%. As demais empresas, 12%, mais que a maior parte das alíquotas praticadas hoje. Segundo, porque a proposta pune alguns dos setores mais atingidos pela pandemia, em especial os intensivos em mão de obra, que não geram créditos para compensar no modelo adotado pelo novo imposto. É o caso de hotéis, restaurantes, hospitais, empresas aéreas, de telecomunicações, segurança ou educação. O efeito seria particularmente nefasto para os negócios já ameaçados pelo novo coronavírus.”

E uma errata: ontem chamamos Appy de Robert. Caramba. É Bernard.

O presidente Jair Bolsonaro é pior avaliado entre os brasileiros de maior renda (61% dos que ganham mais de dez salários o desaprovam) e maior escolaridade (68% dos com nível superior). Os números são do Data Poder360. Sua popularidade anda pior na região Nordeste (54% de rejeição) e Sudeste (51%). Ela é melhor no Norte (53% o aprovam) e Centro-Oeste (49%). No conjunto, 46% dos entrevistados o desaprovam e 43% o aprovam. Nos últimos quinze dias, sua avaliação positiva teve alta de três pontos percentuais — uma alta que coincide com o silêncio do presidente e a diminuição de conflitos. Bolsonaro é mais popular entre homens (49%) do que entre mulheres (aprovação de 37%). Dentre os entrevistados, 43% consideram seu governo ruim ou péssimo, 30% ótimo ou bom e, 23%, regular. (Poder360)

A deputada Bia Kicis não é mais vice-líder do governo no Congresso Nacional. O fato de ela ter votado contra o Fundeb quando o governo já orientava no sentido contrário pesou. Mas a decisão, diz Natuza Nery, tem a ver também com um pedido do Centrão, que deseja moderar a pauta governista. Kicis é próxima do grupo ideológico bolsolavista. (G1)

Meio em Vídeo: Na entrevista da semana, o semioticista Paolo Demuru, aluno de Umberto Eco, analisa como Jair Bolsonaro e o italiano Matteo Salvini usam símbolos e linguagem para atrair seus eleitores.

Cultura


À medida que as estátuas de homens como Robert E. Lee e Jefferson Davis caem, os debates se intensificam sobre outros monumentos públicos racistas na América. A National Portrait Gallery, por exemplo, não tem planos de retirar retratos de figuras com histórias tóxicas, seja do general confederado dono de escravos, Robert E. Lee, ou de qualquer um dos 10 presidentes dos EUA que possuíam escravos ou apoiavam a escravidão.“As histórias dessas figuras ainda fazem parte da história de nossa nação e são importantes para preservar em museus nacionais, que são locais educativos dedicados a fornecer um contexto histórico e contemporâneo”, explica Gwendolyn DuBois Shaw, diretora do museu.

No Metropolitan Museum of Art, a tarefa de dar nuances às obras de arte "se tornou muito mais urgente nos últimos meses", disse Sylvia Yount, chefe da ala americana do museu. “Nosso trabalho agora é realmente garantir que a interpretação seja robusta e honesta”. Nos últimos anos, a reavaliação das narrativas do Met envolveu os quartos de época nos quais o luxo obscurecia a realidade do comércio transatlântico de escravos. Essa atenção crítica pode se estender aos móveis individuais, como uma cômoda de mogno feita na Rhode Island colonial. “Não é apenas importante falar sobre a beleza da madeira, mas também de onde vem o mogno e o que está envolvido na colheita do mogno. O que significa ter esse símbolo de status em sua casa, quando você constrói sua riqueza com a escravidão?”.

O papel da imprensa na hora de moldar a opinião pública em torno de crimes é apenas um dos temas de Condenados pela Mídia, série documental da Netflix. O espectador pode se escandalizar com os vereditos, aplaudir a falta de escrúpulos dos advogados ou observar a mídia tratando julgamentos como espetáculos. Assista.

Cotidiano Digital


O OLX e o eBay vão se juntar e formar a maior plataforma de anúncios classificados online. A transação de US$ 9,2 bilhões tornará o eBay o maior acionista da Adevinta, dona do OLX. A fusão deve ser concluída no 1º trimestre de 2021 e está sujeita à aprovação de acionistas da Adevinta e de autoridades regulatórias.

Novidades do Spotify. A plataforma agora suporta podcasts em vídeo. Por enquanto, a funcionalidade está disponível em apenas alguns programas que podem ser visualizados pela maioria dos usuários. Mesmo assim, esse novo recurso coloca o Spotify como rival do YouTube em podcast. O streaming ainda fechou parceria com a maior gravadora do mundo, a Universal Music. O negócio deve aumentar ainda mais o seu catálogo e resultar em novas ferramentas.

O TikTok continua se organizando para agradar o governo americano e evitar ser banido dos EUA. A empresa anunciou que planeja abrir 10 mil vagas no país nos próximos três anos. Recentemente, contratou o CEO americano Kevin Mayer e confirmou que sua controladora ByteDance está considerando uma reestruturação societária, na qual os fundos americanos General Atlantic e Sequoia Capital devem aumentar o controle na empresa. Sob pressão da Casa Branca, o TikTok ainda ampliou sua equipe de política e lobby no Congresso americano.





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