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30 de julho de 2020
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Brasil chega aos 90 mil mortos por Covid


O Brasil registrou 1.554 mortes nas últimas 24 horas. É o maior número num único dia. E é assim, um dia antes do esperado, que cruzamos a marca das 90 mil mortes causadas por Covid-19. O aumento foi impulsionado pelo estado de São Paulo, que voltou a divulgar o seu balanço após dificuldades técnicas. A média móvel de novas mortes nos últimos 7 dias foi de 1.043 óbitos, uma variação de -4% em relação aos dados registrados em 14 dias. No total, 6 estados apresentaram alta de casos fatais: RS, SC, GO, MS, RR e TO.

Temos 90.188 óbitos devidamente computados. Não entram na conta aqueles cujas mortes ocorreram sem confirmação da doença por falta de testes. São também 2.555.518 brasileiros confirmados por terem sido infectados com o novo coronavírus desde o começo da pandemia. Destes, 70.869 confirmados no último dia.

O total de mortes diárias equivale à queda de três grandes aviões comerciais lotados. Conforme o site Our World in Data, o Brasil está na faixa das mil mortes diárias há seis semanas, desde meados de junho. Os EUA permaneceram nessa condição por oito semanas, a partir de meados de abril. Nenhum outro país ficou nesse patamar por tanto tempo. “É como se estivéssemos anestesiados frente ao grande número de mortes”, avalia o sociólogo Rodrigo Augusto Prando, da Universidade Mackenzie. “Depois de um período de crise, todos clamam pela volta do normal e, até como sentido de autodefesa, a pessoa para de olhar o número de mortes. Cansadas, tristes, chegam à conclusão de que a vida tem de seguir, daí o termo novo normal. Estamos vivendo a normalidade dentro da anormalidade”. (Estadão)

Segundo o Imperial College, o Brasil completou três meses com transmissão acelerada. Desde a semana de 27 de abril, o país tem taxa de contágio acima de 1. Na semana que começou neste domingo (26), o índice chamado de Rt, subiu de 1,01 para 1,08. Isso quer dizer que cada 100 infectados contaminam outros 108, e assim sucessivamente. O índice, no entanto, varia por região do país. Dos 25 países que apresentavam transmissão sem controle no começo de maio, 13 controlaram o contágio. Na América do Sul, estão nesse grupo o Chile (0,91) e o Equador (0,90). Enquanto Brasil, Argentina (1,42), Colômbia (1,26) e Peru (1,04) se mantiveram acelerados. (Folha)

Mesmo assim, o governo federal decidiu reabrir as fronteiras aéreas para a entrada de estrangeiros, que estava proibida desde março. (Globo)

A Rússia disse que daqui a duas semanas aprovará sua vacina, com produção prevista para outubro. A substância está sendo desenvolvida pelo instituto estatal Gamaleya. Mas tem levantado preocupações sobre sua eficácia, já que o país não divulgou nenhuma informação científica e ainda não fez teste em larga escala. Mesmo assim, os Estados brasileiros Paraná e São Paulo já demostraram interesse pela vacina. (G1)

A transmissão varia de acordo com o estado do paciente. Estudos preliminares da OMS, ainda não revisados, apontam que pessoas em quadro grave podem transmitir o vírus por até três semanas após início dos sintomas. Enquanto para pacientes com a forma leve ou moderada é de até nove dias. (Estadão)

Para a OMS, os jovens que têm causado a segunda onda na Europa. Especialistas avaliam que, com fadiga psicológica causada pelas medidas de isolamento, as novas restrições não têm sido mais suficientes para conter millennials e a Geração Z, que em sua maioria estão fora do grupo de risco.

Essa fadiga, segundo a pesquisadora chilena Isabel Behncke, faz com que os seres humanos se comportem como animais em cativeiro. Ela passou três anos na selva da República Democrática do Congo estudando os bonobos, que, ao lado de chimpanzés, são nossos parentes evolutivos vivos mais próximos. “Quando observamos os animais enjaulados, sejam cetáceos (baleias e golfinhos), cavalos, elefantes, papagaios, primatas ou grandes predadores, o que vemos são os chamados comportamentos repetitivos, como se coçar até provocar lesões ou dar voltas nas jaulas. Então, quando vejo como começamos a fazer scroll nas redes sociais, sem interagir, simplesmente de maneira passiva, repetitiva, o que observo são humanos em cativeiro. Não é muito diferente dos papagaios enjaulados, que começam a arrancar as (próprias) penas.” (BBC Brasil)

Menor, com distanciamento social e sem poder tocar a Caaba, a peregrinação à Meca começou com restrições. Em fotos.

E recomeça hoje a temporada da NBA, também com novas regras. Todos os confrontos serão sem torcida e disputados no complexo da Disney, o ESPN Wide World of Sports, em Orlando (FL). Os atletas das 22 equipes estão em quarentena desde o começo de julho. Durante os jogos ainda não poderão realizar atividades comuns, como cumprimentar os adversários, cuspir, limpar o nariz, mexer no protetor bucal e usar o uniforme para secar a bola.

Um avanço na pesquisa de Alzheimer. Pesquisadores desenvolveram um novo exame de sangue que pode detectar a doença 20 anos antes dos sintomas. O estudo foi publicado na revista científica Journal of Experimental Medicine e apresentado na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer em Chicago. Para ser usada clinicamente, a técnica desenvolvida precisa de mais pesquisas e testes. Mas a estimativa é de que esses exames possam estar disponíveis em até três anos. (New York Times)

Hora de Panelinha. Quem mora sozinho conhece o drama de querer um bolinho, mas não encarar assar uma receita completa para uma pessoa só. E se está difícil resolver café da manhã, almoço e jantar, quem é que vai ter tempo de bater bolo no meio da tarde? Para resolver esses dramas e garantir um bolo quentinho para o café da pausa do trabalho, a Rita Lobo mostra o preparo de um bolo de caneca que é assado no micro-ondas em três minutos! É na medida para matar a vontade de um docinho.

Política


A Lava Jato está sob ataque de todos os lados, puxada pelo procurador-geral da República, Augusto Aras. No caso de Aras, suas críticas partem das ações contra os gabinetes do senador tucano José Serra e da deputada petista, Rejane Dias. “Agora é a hora de corrigir os rumos para que o lavajatismo não perdure. Mas a correção de rumos não significa redução do empenho no combate à corrupção”, afirmou em live. “Estamos falando da transparência. Todo o MPF, no seu sistema único, tem 40 terabytes. Curitiba tem 350 terabytes e 38 mil pessoas com seus dados depositados. Ninguém sabe como foram escolhidos, quais os critérios, e não se pode imaginar que uma unidade institucional se faça com segredos.” (G1)

Pois é... O relator de um dos casos que envolve o procurador Deltan Dallagnol, no Conselho Nacional do Ministério Público, deve pedir abertura de processo para removê-lo da força-tarefa, de acordo com o Painel. (Folha)

Enquanto isso... O presidente do Supremo, Dias Toffoli, deferiu liminar na quarta suspendendo toda a investigação que envolve Serra. Ele e sua filha, Verônica, estavam para se tornar réus ontem mesmo. A decisão atinge a denúncia, pela Operação Revoada, de que o senador é responsável por lavagem de dinheiro. (Estadão)

Thaís Oyama: “Em live feita para seletíssima plateia, o procurador-geral da República esculhambou a Lava Jato. A operação que levou 293 pessoas à prisão e resultou em 253 condenações, a maior parte delas por corrupção, é, para Aras, uma ‘caixa de segredos’ com ‘50 mil documentos sob opacidade’. O procurador também vituperou contra o fato de a força-tarefa de Curitiba ter reunido 350 terabytes de informações ‘que ninguém sabe como foram colhidos’. Nada disso deveria provocar tanta inquietação no procurador. Ele não explicou direito o que entende por ‘opacidade’ (seriam documentos clandestinos? Secretos? Obtidos ao arrepio da lei? Ou apenas arquivos cuja existência ele desconhecia?). Mesmo assim, se o caso é de preocupação, bastava deixá-lo entregue à Corregedoria-Geral da Procuradoria-Geral da República, que está lá para isso mesmo: apurar eventuais irregularidades de procedimentos por parte de procuradores. Aras certamente sabe que não cabe ao procurador-geral sair por aí levantando suspeitas sobre o órgão que chefia. A plateia de Aras era formada pela fina flor dos advogados criminalistas do país, daqueles que só topam se sentar para conversar a partir de sete dígitos. Para os causídicos das bancas de ouro, a fala do procurador-geral caiu como um som mavioso, quase tão agradável quanto o tilintar de moedas, dado que quase todos eles têm clientes pendurados na Lava Jato — além de estarem em guerra aberta com Sergio Moro.” (UOL)

Míriam Leitão: “Quando se divulgou a gravação na qual o então senador Romero Jucá falava em “estancar a sangria”, foi um escândalo. Mas hoje o que o procurador-geral da República faz é o que Jucá tinha em mente. De um lado, Augusto Aras realiza a sua explícita ofensiva contra Curitiba e a Lava-Jato, de outro, enfraquece a Polícia Federal. Aras estimula o temor da existência de um Estado policial montado no MP, quando o perigo real está sendo instalado no Ministério da Justiça com sua lista de monitorados. Aras aproveita uma preocupação da sociedade brasileira de que a Lava-Jato teria ultrapassado os seus limites. É um sentimento legítimo. Na democracia não se pode admitir a quebra de regras nem para o mais justo dos propósitos. Mas essa supervisão tem que ser feita pelo sistema judiciário, sem se subverter a natureza do Ministério Público. O MP não convive com a centralização que Aras tenta impor, porque ele não é órgão da burocracia que tenha hierarquia explícita. O procurador-geral é chefe do MP, mas não pode tirar a autonomia dos procuradores. Não é o comandante de uma tropa. Mas é o que está tentando ser.” (Globo)

O Banco Central anunciou que fará circular uma nota de R$ 200. É a primeira cédula nova de real em 18 anos e terá, na face, a imagem de um lobo-guará. (G1)

Para quem tem memória dos tempos da hiperinflação, a notícia não bateu bem. Ainda mais em um cenário de ampla desvalorização da moeda. “O próximo passo será cortar zeros e chamar de ‘Real Novo’”, brincou alguém nas redes. (UOL)

Cotidiano Digital


Os deputados da Comissão de Justiça da Câmara dos EUA passaram mais de cinco horas fazendo perguntas aos CEOs de Facebook, Amazon, Google e Apple. Foram duros e, em sua maioria, pareciam convictos de que as quatro gigantes da tecnologia estão envolvidas em práticas anticompetitivas. A compra de empresas como o Instagram e ameaças a outras, como ao Snapchat, por parte do Facebook, foi um dos focos dos parlamentares. Ou então a ameaça de domínio de todo o varejo eletrônico pela Amazon. Muitas vezes, os executivos recorreram a não-respostas, alegando desconhecer detalhes. Os deputados republicanos trouxeram à mesa outra questão — sua desconfiança de que as companhias do Vale limitam espaço para vozes conservadoras. Foi a audiência mais agressiva já feita no Capitólio com estas gigantes do digital no centro. Uma ação antitruste pode estar próxima.

A Huawei ultrapassou a Samsung e se tornou líder mundial em vendas de telefones celulares, no segundo trimestre que se encerrou. A posição foi garantida, principalmente, pelo aumento de vendas no mercado interno chinês. É a primeira vez que a empresa chega ao topo do ranking.

Cultura


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30 de julho de 2020
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