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31 de março de 2021
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Crise desgasta Bolsonaro com comando militar


Nunca antes na história: os comandantes do Exército, Edson Pujol, da Marinha, Ilques Barbosa, e da Aeronáutica, Antonio Carlos Bermudez, foram sumariamente e simultaneamente demitidos por ordem do presidente Jair Bolsonaro. O trio decidira entregar os cargos em solidariedade ao general Fernando Azevedo e Silva, demitido na véspera do Ministério da Defesa por, supostamente, não dar o apoio militar que Bolsonaro desejava. Walter Braga Netto, o novo ministro, convocou-os para uma reunião na manhã de ontem. Parecia que era para tentar dissuadi-los. Mas já chegou com as ordens de demissão. (Folha)

O tom da reunião pegou de surpresa os comandantes. O encontro foi marcado por frases duras e tapas na mesa. Braga Netto disse que as mudanças eram para o “realinhamento” das Forças Armadas com Bolsonaro e a manutenção do apoio ao governo, o que irritou ainda mais os demitidos. O mais exaltado, segundo participantes, foi o almirante Ilques, considerado justamente o gentleman do trio. (Estadão)

Cresceu na ativa o desgaste de Braga Netto por ter aceitado o cargo. Por ser mais jovem com quatro estrelas, pula etapas e quebra a hierarquia. Os militares temem que incentive a exploração política das Forças Armadas. (Folha)

Para o ex-ministro e general da reserva Alberto Santos Cruz, não há “explicação plausível” para a substituição do comando militar. “Os comandantes das Forças estavam cumprindo com as funções deles, de acordo com a Legislação. Isso é um desrespeito, uma ofensa ao Exército, à Marinha, à Aeronáutica.” (Globo)

A substituição, especialmente de Pujol, não é tão simples. A praxe é que comandante seja escolhido entre os três generais de quatro estrelas há mais tempo na corporação. O favorito do Planalto para o Exército é o chefe militar do Nordeste, Marco Antônio Freire Gomes, o quinto mais antigo. (Folha)

A demissão sumária também repercutiu no meio político, especialmente na oposição. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, lamentou a inquietação militar junto a uma crise econômica e à pandemia, enquanto o governador paulista João Doria se solidarizou com os demitidos. Já o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), botou água na fervura dizendo ter confiança na preservação do Estado Democrático de Direito. (G1)

Militares bolsonaristas estão tentando construir nas redes uma narrativa que joga a responsabilidade pela crise sobre o Centrão. Segundo eles, a mudança no Ministério foi provocada pela necessidade de acomodar um representante do grupo político, a deputada Flávia Arruda (PL-DF), na Secretaria de Governo. A demissão de Azevedo e Silva teria sido resultado dessa acomodação, apurou Juliana Dal Piva. (UOL)

Ainda por cima... Hoje faz 57 anos que um golpe civil-militar apeou do poder João Goulart, em 1964. A data, que voltou a ser celebrada no governo Bolsonaro, terá a leitura de uma Ordem do Dia escrita pelo novo ministro da Defesa, o general Walter Braga Netto. Mais moderada que a de anos anteriores, o texto procura contextualizar o golpe no clima da Guerra Fria e diz que ação buscou “pacificar o país” e “garantir as liberdades democráticas que hoje desfrutamos”, conta Tales Faria. (UOL)

Meio em vídeo. Não é simples dar um golpe de Estado em 2021 — em 1964 era mais fácil. Numa edição extra do Ponto de Partida, explicamos por que Jair Bolsonaro teria muita dificuldade. Assista. E, na edição desta semana do Conversas com o Meio, Ricardo Rangel, colunista da Veja, ajuda a compreender o impacto da reforma ministerial e os últimos movimentos no cenário político. Confira no YouTube.

Enquanto as atenções se dividiam entre a tensão militar e horror da pandemia, o líder do PSL na Câmara, Major Vitor Hugo (GO), tentou emplacar um projeto dando poderes especiais ao presidente da República. O parlamentar queria incluir “crises na saúde pública” entre as situações em que o Executivo poderia decretar “mobilização nacional”, prevista hoje para casos de invasão estrangeira. Oposicionistas classificaram a iniciativa como tentativa de golpe, e o projeto não entrou na pauta. (G1)

Carlos França, novo ministro das Relações Exteriores, vai mudar o discurso belicoso de Ernesto Araújo em relação à China e melhorar as relações bilaterais com os EUA, avaliam especialistas. Mas a ala ideológica, comandada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), não vai ficar ao relento. Para agradá-la, França deve manter a postura ultraconservadora em relação a questões de comportamento, como tratados sobre direitos reprodutivos. (Folha)

Míriam Leitão: “De um diplomata com aquele humor típico da Casa de Rio Branco falando do novo ministro: ‘O França é um sujeito tranquilo, discreto. Ele só não se interessa muito por esse negócio de política externa’.” (Twitter)

O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Marco Aurélio, marcou ontem para 5 de julho sua aposentadoria – uma semana antes de completar 75 anos, data-limite para a permanência de um ministro na Corte. (Poder360)

O mais cotado para substitui-lo é André Mendonça, que está trocando o Ministério da Justiça pela AGU, embora haja resistência de parte do Centrão a seu nome. (Globo)

A edição de sábado do Meio, exclusiva para assinantes premium, vai além de um tema principal e mergulha em outros assuntos como tecnologia, música e literatura. Quer um exemplo? Já falamos do impacto do ano 1959 na história do jazz, dos rituais diários de artistas, do fotógrafo que popularizou o slogan Black is Beautiful, e até mesmo sobre Computação Quântica. É uma edição feita para ser curtida com calma, no fim de semana. Assine você também.

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O Mundo transformado pelo 5G


Vacinas contra o coronavírus podem implantar chips 5G dentro de nossos corpos? A radiação das antenas da nova rede de telecomunicações pode causar câncer, covid e matar passarinhos? O 5G com seus milhões de aparelhos conectados será um campo fértil para os hackers invadirem nossas contas e roubarem nossos dados? Como toda nova tecnologia, a quinta geração da telefonia e internet móvel vem cercada de mitos, alarmes e fake news. Na edição de hoje, o jornalista Heinar Maracy enfrenta cada uma das dúvidas frequentes. Leia.

E em vídeo: Considere o automóvel movido por motor a combustão. Uma tecnologia de quase 200 anos que dominou o século 20 e moldou cidades de acordo com sua necessidade. Com o 5G, nas próximas décadas, o cenário deve mudar drasticamente. O carro elétrico vai assumir, com menor impacto ambiental. O veículo autônomo colocará as empresas de tecnologia no gigantesco mercado automobilístico. E o carro voador? O drone de passageiro estará cada vez mais próximo de se concretizar. A expectativa é que até 2030 a ficção se torne realidade. Assista como o mundo está prestes a se transformar.

Viver


O Brasil já tem um novo recorde de mortes por Covid-19 em um único dia: 3.668, segundo dados apurados pelo consórcio de veículos de comunicação. Para se ter uma ideia, segundo o Worldmeter, os Estados Unidos, país com segundo maior número de óbitos, teve ontem 873 vítimas. Já são 317.936 mortos pelo coronavírus no Brasil. A média móvel de 2.728 óbitos em sete dias também foi recorde. (G1)

E, para piorar, todos os estados e o Distrito Federal estão com “nível crítico” nos estoques de medicamentos para intubação, fundamentais para manter vivos os pacientes em estado mais crítico. (UOL)

À exceção do Amazonas, que viveu o caos no início do ano, todos os estados tiveram recorde na média de mortes em março. (UOL)

A situação é tão grave que cemitério de Vila Cachoeirinha, o segundo maior da capital paulista, suspendeu os novos enterros devido à falta de vagas. Somente enterros de crianças e de pessoas cujas famílias têm jazigos estão mantidos. Para receber novos corpos, será necessário fazer exumações. (G1)

Mais necessárias que nunca, as vacinas enfrentam problemas. Somente 4,5 milhões de doses da CoronaVac têm entrega garantida em abril – a expectativa era de 15,7 milhões. Responsável pela produção do imunizante, o Instituto Butantan informou que depende da chegada de insumos da China para confirmar o restante do lote. (Globo)

A aprovação da vacina indiana Covaxin no Brasil sofreu um revés pesado nesta terça-feira. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) negou ao laboratório Bharat Biotech, responsável pelo imunizante, a Certificação de Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos, exigida para a importação de um medicamento. Segundo a agência, foi constatado descumprimento de regras sobre documentos, métodos de análises e integridade de recipientes, entre outros. A Precisa Medicamentos, que representa o Bharat no Brasil, disse que vai recorrer, até por já ter um contrato com o Ministério da Saúde. E, por conta da decisão da Anvisa, o Paraguai colocou 100 mil doses da Covaxin em quarentena. (UOL)

E a Fundação Oswaldo Cruz anunciou que vai pedir à Anvisa autorização para testar a vacina de Oxford/AstraZeneca em crianças. Atualmente, o imunizante está liberado somente para aplicação em maiores de 18 anos. Veja como são os testes em menores. (G1)

Enquanto isso... A USP está estudando um fenômeno que intriga especialistas: pessoas que têm convívio direto com portadores de Covid-19 e não adoecem nem desenvolvem anticorpos. A grande dúvida é como esses indivíduos responderão às vacinas, cujo objetivo é desenvolver no organismo esse tipo de imunidade. (Estadão)

Lembram dos empresários e políticos que pagaram R$ 600 cada para serem vacinados clandestinamente em Minas? A Polícia Federal encontrou soro e ampolas na casa da enfermeira responsável pela aplicação e trabalha com a possibilidade de os “espertos” terem recebido uma vacina falsa. (Folha)

Entre 2016 e 2020 a área registrada irregularmente dentro de terras indígenas na Amazônia cresceu 55%, segundo dados do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). Isso indica uma pressão maior de grileiros sobre as reservas. Em outro dado, o território ocupado pelas tribos na região foi o que registrou o menor índice de queimadas e desmatamento no período. (Globo)

Cultura


Pela primeira vez em cinco décadas, a TVB, principal emissora de TV de Hong Kong, não vai exibir a cerimônia do Oscar. Embora a TVB alegue que a decisão é “puramente comercial”, ela vai na linha da orientação do governo chinês de boicote ao Oscar devido a duas indicações incômodas. Uma é o documentário norueguês Do Not Split (Youtube) sobre protestos por democracia em Hong Kong. A outra é a vencedora do Globo de Ouro Chloé Zhao, favorita ao Oscar de Melhor Direção pelo aclamado Nomadland (Youtube). Nascida na China, ela entrou no índex de Pequim ao dizer em entrevista que no país “há mentiras por toda a parte”. (Globo)

Morreu ontem de câncer em São Paulo, aos 72 anos, o psicanalista, escritor, articulista e roteirista Contardo Calligaris. Nascido em Milão, estudou em Paris e nos EUA, onde também clinicou. Radicou-se em São Paulo nos anos 1980, onde clinicou, estudou (e vivenciou) a mente brasileira. Era colunista da Folha, roteirista da série Psi e autor de 13 livros, tanto de sua área quando de literatura em geral. (Folha)

Cotidiano Digital


Mais um se movimentando contra o Clubhouse. O Spotify comprou a desenvolvedora de aplicativos Betty Labs, responsável pela rival Locker Room. Sem divulgar o valor na negociação, a ideia do app de streaming é tornar podcasts mais interativos com salas de áudio ao vivo e criar uma função de salas de conversas como acontece no Clubhouse. O Locker Room é focado em conversas com fãs de esportes, mas os novos donos disseram que nos próximos meses irá expandir o público.

O movimento do Spotify não é isolado. Com o sucesso do Clubhouse, Twitter, Facebook e ByteDance já anunciaram que estão desenvolvendo os seus próprios apps de áudio.

O BC liberou transferências bancárias por meio do WhatsApp. Depois de ter sido bloqueado em junho logo após o seu lançamento, o novo serviço funcionará como “iniciador de pagamentos”. Em parceria com as bandeiras de cartão Visa e Mastercard, eliminará intermediários, permitindo que o consumidor dê a ordem para que a instituição financeira em que é correntista realize o pagamento diretamente ao lojista, sem a necessidade de acessar o aplicativo. A função de compra, porém, ainda não foi liberada e segue em análise pelo BC, que deve aprovar em breve segundo a instituição.

Enquanto… As criptomoedas chegaram no PayPal. Os consumidores nos EUA poderão usar bitcoin, ethereum e litecoin para pagar suas compras virtuais. Segundo a empresa, a nova funcionalidade vai ser estendida para todos os comerciantes nos próximos meses. O lançamento do PayPal acontece menos de uma semana que a Visa anunciou que permitirá uso de criptomoeda para pagamentos e a Tesla disse que começaria a aceitar pagamentos de bitcoin por seus carros.





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31 de março de 2021
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