Ainda não é assinante? Assine. Não custa nada.



24 de dezembro de 2021
Consultar edições passadas



Prezadas leitoras, caros leitores —

Feliz Natal.

Como é de praxe para nós, cá no Meio, vamos tirar folga de uma semana. Hoje, 24 de dezembro, é a última edição regular da newsletter deste ano de 2021. No dia 3, segunda-feira, voltamos com tudo.

Os assinantes premium recebem amanhã sua última edição e, como também é nossa tradição, falaremos do Natal. Já contamos a história do Papai Noel, do Jesus histórico ou mesmo das origens pagãs da festa.

Este ano, voltamos ao presépio e contaremos sobre Maria. Da senhora que, diz a tradição, teve um filho cujo aniversário celebramos anualmente nesta data. Cá no Meio, claro, temos ateus, agnósticos, e gente de muitas devoções — inclusive cristãs. Mas não será uma história religiosa que contaremos, não propriamente.

Contaremos a História de Maria, ou do tanto quanto podemos saber dela.

No Velho Testamento, por exemplo, uma profecia conta que o Messias nascerá de uma ‘almah’. Em hebraico, ‘mulher jovem’. Que, na tradução para o grego, virou ‘parthenos’ — ‘jovem nunca tocada’. É possivelmente por este erro de tradução que, em apenas um dos livros do Novo Testamento, aparece a ideia de que a mãe de Jesus seria virgem.

Nos primeiros dois séculos do cristianismo ela mal aparecia, era uma figura secundária. Aí, no terceiro, começaram a aparecer orações dedicadas, ela passa a ser compreendida como uma Santa capaz de interceder perante Deus.

O que houve? O que sabemos — o que dá para saber sobre Miriam, mãe do rabbi Yeshua ben Youssef?

O assinante premium não recebe apenas a edição de Sábado. Recebe, também, todo dia uma editoria especial de economia. Está entre os primeiros a receberem o Meio, ali por volta das 7h.

Ano que vem teremos eleição presidencial — uma eleição na qual vai ser pesada a campanha de desinformação. Assinar o Meio, e sai por tão pouco, ajuda muito neste combate. Financia o trabalho de informar gratuitamente que tocamos todos os dias.

Assine.

E até ano que vem. =)

— Os editores


Auditores da Receita entram em greve


Em protesto contra os cortes no orçamento do fisco e a previsão de reajuste salarial apenas para a área de segurança, os auditores fiscais da Receita Federal optaram por entrar em greve. Numa assembleia que, segundo o sindicato da categoria, reuniu mais quatro mil auditores, eles decidiram, entre outras medidas, adotar a chamada “meta zero”, ou seja, a deixar sem conclusão ações de fiscalização e não preencher relatórios. Também ficou acertado que nenhum auditor aceitará substituir os mais de 600 colegas que entregaram seus cargos de chefia. Eles querem que o governo regulamente o bônus de eficiência da categoria e recue nos cortes de orçamento previstos. Segundo o sindicato, a Receita foi uma das áreas que perderam recursos para que fosse incluída no Orçamento da União da previsão de R$ 1,7 bilhão que serão destinados a reajustes salariais da área de segurança, como a Polícia Federal, base de apoio do presidente Jair Bolsonaro (PL). (Poder360)

Lauro Jardim: “Os 32 servidores da Receita Federal que atuam em cargos de chefia e supervisão na corregedoria do órgão pediram demissão coletiva hoje. No pedido, eles se disseram ‘cada vez mais perplexos com o descaso do governo federal’ em relação ao fisco.” (Globo)

O movimento dos auditores pode ser o começo de uma rebelião contra o reajuste exclusivo para policiais e agentes penitenciários federais. Rudinei Marques, presidente do Fórum Nacional das Carreiras de Estado (Fonacate), disse que a ação de Bolsonaro pode levar as categorias da elite do funcionalismo a uma greve tão grande quanto a que atingiu o governo Dilma, em 2012. As carreiras de Estado incluem, além da Receita e da área de segurança, áreas como o Itamaraty, o Banco Central e o Ministério Público Federal. (Folha)

E a insatisfação não se restringe ao Executivo. A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que representa juízes de todo o país, criticou a concessão de reajuste a “um único órgão às vésperas do ano eleitoral”. A entidade cobrou do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, uma “efetiva atuação” contra o que consideram violação das leis e da Constituição. (CNN Brasil)

Ao pressionar o Congresso para aprovação do reajuste a policiais, Bolsonaro ignorou os alertas do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que isso acarretaria pressão de outras categorias. (UOL)

O grupo político ligado a Luciano Huck, ainda organizado, fez circular ontem um documento em que lista 22 propostas para um futuro governo brasileiro. Pesa, na visão, a política ambiental — incentivos à bioeconomia e à agricultura sustentável com um esforço para tornar a diplomacia do país uma referência mundial nas pautas climática e agroambiental. Ampliar demarcação de reservas indígenas, travar regularização de grilagem, premiar quem preserva. Inclui fixar um programa de assistência social com foco em distribuição de renda e um cadastro nacional aperfeiçoado, botar foco particular na primeira infância, estimular ação afirmativa. Digitalizar de vez o governo e integrar neste ambiente uma plataforma social, uma carteira de identidade única, dar transparência a todas as despesas públicas. Fim da reeleição para cargos no executivo. (Poder360)

Meio em vídeo. O PT passou os últimos anos contando duas histórias. Uma é de que a Lava Jato foi uma operação antipetista para tirar Lula da corrida eleitoral. A outra, que Dilma Rousseff sofreu um golpe de Estado. A primeira história será um dos motes principais da campanha presidencial. A segunda? Pano rápido. Confira no Ponto de Partida. (YouTube)

Após 13 dias fora do ar devido a um ataque hacker, o aplicativo Conecte SUS, onde o usuário pode acessar seu certificado de vacinação contra a covid-19 voltou a funcionar, embora com instabilidade devido ao número de acessos. O sistema do Ministério da Saúde teve seu sistema invadido no dia 10. E, em mais um sinal de fragilidade dos sistemas de órgãos públicos, o mesmo grupo que tirou o Conecte SUS do ar atacou ontem os Correios. Com o site da empresa desativado, usuários não puderam, por exemplo, rastrear a entrega de encomendas. Diferentemente do Ministério da Saúde, o sistema dos Correios foi restabelecido ainda no final da manhã. (Poder360)

Depois de todos os demais países da América do Sul, o Brasil finalmente enviou cumprimentos a Gabriel Boric, eleito presidente do Chile no domingo. Em sua live semanal, o presidente Jair Bolsonaro disse ter mandado o Itamaraty dar os cumprimentos formais ao “tal do Boric”. Numa nota curta, o governo brasileiro fez ao eleito “votos de êxito no desempenho” e reafirmou “a solidez dos laços de amizade e cooperação” entre os dois países. (Folha)


Para quem viveu aquela época, ainda parece algo irreal. Amanhã completam-se 30 anos que a União Soviética, a temida antagonista do “Mundo Livre” na Guerra Fria, deixou de existir. Uma sucessão de fatos ao longo da década de 1980 ajuda a entender o colapso da superpotência. (Globo)


Empreendedorismo

Orlando Pedroso

Rena 72

Está difícil acompanhar as notícias, não é? Anda tudo muito rápido, muito dinâmico e barulhento. O Meio te ajuda a separar o que é importante. Aos sábados, uma edição especial em que te oferecemos um contexto sobre grandes temas do momento. Assine o Premium e não perca tempo no seu dia.

Viver


O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou ontem que o governo exigirá prescrição médica e autorização por escrito dos pais para aplicação de vacina contra covid-19 em crianças entre cinco e 11 anos, já autorizada pela Anvisa. Essa exigência não é feita em qualquer outra imunização infantil. E, embora a covid-19 tenha sido a segunda maior causa da morte de crianças nessa faixa no país em 2021, o ministro minimizou esses números ontem. “Os óbitos de crianças estão dentro de um patamar que não implica em decisões emergenciais”, disse ele, ressaltando que lamenta todas as mortes. (Poder360)

A opinião do presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, é oposta. “Eu entendo que o ministério precisa apresentar à sociedade a justificativa do porquê de nós mantermos inalterada uma estatística macabra”, diz ele. “Nós temos 301 crianças mortas na faixa de 5 a 11 anos desde a chegada da covid até o início de dezembro, praticamente uma a cada dois dias.” (Globo)

A pandemia de covid-19 não acabou, e um sinal de alerta vem de São Paulo. Segundo a plataforma de monitoramento da USP e da Unesp, o número de internações em leitos para a doença na região metropolitana da capital já é o maior em dois meses, provocando superlotação em algumas unidades de saúde. A suspeita é que a ocupação desses leitos se deva à nova variante do coronavírus, a ômicron, e ao aparecimento da nova cepa da gripe H3N2 (darwin). É impossível precisar qual por conta do apagão nos sistemas do SUS. (UOL)

E o governador da Bahia, Rui Costa, anunciou nessa quinta-feira que não haverá carnaval no estado em 2022. “Hoje temos 2,4 milhões de baianos com a vacina contra a Covid em atraso. Além disso, estamos lidando com uma epidemia de gripe, que tem sobrecarregado o sistema de saúde”, disse o governador. (g1)

Enquanto isso... A AstraZeneca divulgou ontem um estudo da universidade de Oxford indicando que três doses da vacina desenvolvidas pelas duas instituições oferecem “níveis altos de anticorpos” contra a variante ômicron, que vem se espalhando pelo mundo. (CNN Brasil)

Um dos maiores dramas da educação brasileira, especialmente entre os mais pobres, é a evasão escolar. Jovens e crianças que, pelos mais diversos motivos, abandonam as salas de aula e comprometem seu futuro. E, claro, a pandemia elevou o problema a níveis inéditos. Para tentar reter os estudantes, estados implementam programas como auxílio financeiro, adicionais para monitores (alunos que ajudam os outros com mais dificuldades nas matérias) e alimentação reforçada. Não é gasto, é investimento. Se seguir no ritmo atual, alerta a especialista Anna Helena Altenfelder, a evasão escolar fará o Brasil retroceder quase 20 anos nos indicadores de educação. (UOL)

Depois de 30 anos de espera e sete anos de atraso, o James Webb, maior e mais potente instrumento de observação já construído, será lançado no próximo sábado ao espaço, onde irá explorar as origens do Universo e exoplanetas parecidos com a Terra. Concebido em 1989, o desenvolvimento do telescópio, feito com a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Agência Espacial Canadense (CSA), foi marcado por muitos problemas que adiaram o lançamento e quadruplicaram os custos iniciais, chegando a US$ 10 bilhões. O aparelho foi fabricado nos Estados Unidos e deve subir a bordo de um foguete Ariane 5 em Kourou, na Guiana Francesa, por volta das 9h20 (horário de Brasília). (UOL)

Cultura


“Tudo o que me assusta atrai meu interesse”, diz o ator americano Peter Dinklage sobre seu novo filme, Cyrano (trailer), versão musical da peça Cyrano de Bergerac (1897), do francês Edmond Rostandes (1868-1918). Dinklage não se considera um cantor, e duelos com espadas estão longe de sua especialidade — seu imortal Tyrion Lannister, de Game of Thrones, era mais de beber e saber coisas. No original de Rostandes, Cyrano, baseado num importante escritor e militar do século 17, é um nobre, poeta e aventureiro francês com um nariz anormalmente grande, o que o faz ter vergonha de cortejar sua prima Roxanne. Em vez disso, ele abastece o favorito dela, o belo e estúpido Christian, com as palavras que a seduzem. Foi a mulher de Dinklage, Erica Schmidt, que adaptou e dirigiu nos palcos a nova versão, trocando o narigão original pelo nanismo do marido. Para o ator de 52 anos, há um forte paralelo entre o estratagema de Cyrano e o catfishing das redes sociais, onde pessoas criam perfis que não correspondem a quem elas realmente são. O filme estreia no Brasil em março. (The New York Times)

Notícia triste para os fãs do Coldplay (Spotify). Na noite de quarta-feira o vocalista Chris Martin anunciou, em entrevista à BBC, que a banda inglesa vai lançar seu último álbum em 2025. “Depois disso, acho que só faremos turnês”, disse ele. Martin não descartou também a colaboração do grupo com outros artistas. Em outra entrevista anterior, o vocalista afirmou que o Coldplay gravaria somente 12 álbuns. Como Music of the Spheres, de 2021, foi o nono, a banda terá de lançar três álbuns até 2025 para cumprir as duas promessas. (Rolling Stone)

Morreu ontem nos EUA, aos 87 anos, a escritora e jornalista Joan Didion, vítima da doença de Parkinson. Considerada uma das precursoras do jornalismo literário, foi uma ensaísta ferina da realidade americana no pós-guerra. Autora de livros consagrados, como Rastejando até Belém e Álbum Branco, Didion conseguia se inserir nas próprias narrativas, mesmo sem se tornar um personagem. Foi também autora de ficção e roteirista de filmes de sucesso como Os Viciados (1970) e a versão de 1976 para Nasce Uma Estrela. (Folha)

Cotidiano Digital


Então… Um pesquisador japonês desenvolveu um protótipo de tela de TV “lambível”, capaz de imitar os sabores dos alimentos. O dispositivo, chamado Taste the TV (“experimente a TV”, em tradução livre), contém dez tubinhos na parte superior com diferentes tipos de sabores, como amargo, doce, azedo e apimentado. Dessa forma, os sabores são pulverizados em uma “película higiênica” que é colocada sobre a tela para que o espectador possa experimentar. Segundo o criador do produto Homei Miyashita, da Universidade Meiji, a ideia da tecnologia é possibilitar que as pessoas possam ter a experiência de comer em um restaurante do outro lado do mundo, mesmo estando em casa. (BBC)

 

Depois de Amazon, Twitter, Meta, entre outras gigantes de tecnologia, foi a vez de a Intel anunciar que não participará de eventos presenciais na Consumer Electronic Show (CES) 2022, em Las Vegas, por causa do coronavírus. A companhia, que normalmente é uma das maiores presenças na feira, encorajou o público a se juntar à experiência virtual que ela proporcionará em janeiro. (TecMundo)

Por falar em Intel, a companhia se desculpou ontem com o governo da China após dizer aos fornecedores que não comprassem produtos ou mão de obra de Xinjiang. A região tem sido alvo de críticas por desrespeito aos direitos humanos contra minorias. Vale lembrar que diversas big techs têm enfrentado dificuldades em estabelecer mercados na China, devido a uma série de regras do governo. (Yahoo!)





Bem-vindo ao Meio. A assinatura básica é gratuita, comece agora mesmo.



24 de dezembro de 2021
Consultar edições passadas