Ainda não é assinante? Assine. Não custa nada.



29 de julho de 2022
Consultar edições passadas..



Prezadas leitoras, caros leitores —

Quando o presidente Epitácio Pessoa abriu a grande exposição mundial com sede no Rio para celebrar o centenário da Independência, em 1922, o Brasil ambicionava se apresentar ao mundo. E o fez. Foi o primeiro grande evento internacional desde o fim da Primeira Guerra e os países do mundo estavam atentos. Exposições cuidadosamente planejadas ao longo de dois anos apresentaram o melhor da indústria, da engenharia, das artes, da saúde, da educação, dos esportes. O Brasil republicano tinha o que mostrar de si. Treze países foram convidados também a participar — e construíram prédios inteiros para se apresentar aos brasileiros. O que a França ergueu é hoje a Academia Brasileira de Letras. Portugal também construiu um edifício luxuoso e, depois, o transferiu inteiro para Lisboa. O palacete americano é ainda um dos mais belos da Zona Sul carioca.

O contraste com as celebrações do bicentenário não poderia ser maior. Se naquele ano de 1922 o Brasil ambicionou se mostrar grande ao planeta, pedir licença e ganhar presença no cenário internacional numa celebração que mobilizou várias nações, o que há hoje é o oposto. O principal marco do Sete de Setembro é uma manifestação golpista improvisada que vem recebendo condenações internacionais às pencas. O país está cada vez mais isolado do mundo. E é justamente porque o contraste é tanto que o Meio deste sábado voltará àquele centenário para lembrar como é que uma nação celebra a si mesma.

Algo que soubemos fazer e, em nossa pequenez recém-adquirida, perdemos.

Enquanto isso, as campanhas presidenciais estão oficialmente lançadas e, como cartão de visitas sonoros, vêm os jingles. Os presidenciáveis apresentaram os acordes de seu discurso. Além de analisar o que cada jingle está revelando das estratégias, papeamos com Lázaro do Piauí sobre os mais de 800 jingles que já compôs. Ele conta causos de quando criou a trilha para campanhas dos ex-presidentes Lula, Collor e Dilma e para outros políticos e dá a receita para a criação de um jingle “chiclete”.

E, para encerrar, melodia. Uma homenagem ao gigante Luiz Melodia, que morreu há cinco anos.

A Edição de Sábado é um conteúdo exclusivo para assinantes premium. Por R$ 9,90 mensais, além dela você recebe o Meio Político, às quartas, e as edições diárias mais cedo no seu e-mail. E ainda pode participar de uma conversa com Pedro Doria, Mariliz Pereira Jorge e Christian Lynch depois das entrevistas do #MesaDoMeio.

Assine!

— Os editores


Datafolha aponta vitória de Lula no 1º turno


Se a eleição presidencial fosse hoje, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceria no primeiro turno, de acordo com a pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira. Ele manteve os mesmos 47% do levantamento anterior, enquanto o presidente Jair Bolsonaro (PL) passou de 28% para 29%, dentro da margem de erro de dois pontos. Entretanto, Lula tem cinco pontos a mais que a soma dos adversários: além de Bolsonaro, Ciro Gomes (PDT), com 8%; Simone Tebet (MDB), com 2%; e André Janones (Avante), Pablo Marçal (PROS) e Vera Lúcia (PSTU), com 1% cada. A reprovação de Bolsonaro chegou a 48%, o pior nível de um presidente concorrendo à reeleição nesse ponto da campanha já registrado pelo Datafolha, embora menor que os 53% registrados em dezembro do ano passado. Chamou a atenção na pesquisa que Lula subiu quatro pontos, de 44% para 48%, na preferência dos homens, enquanto Bolsonaro saltou de 21% para 27% entre as mulheres. Num eventual segundo turno, o petista venceria o presidente por 57% a 34%. (Folha)

Lauro Jardim: “O dia D do calendário eleitoral para as campanhas de Lula e de Bolsonaro é um só: 9 de agosto, data em que começa a ser pago o Auxílio Brasil turbinado de R$ 400 para R$ 600. O QG de Bolsonaro espera que comece aí o momento da virada nas pesquisas. O de Lula, por sua vez, quer trabalhar a comunicação do partido para mostrar que nada disso altera de fato a situação econômica do brasileiro.” (Globo)

Enquanto isso... Em evento na Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Lula disse que talvez seja necessário deixar de lado uma reforma tributária ampla. “Quem sabe a gente pega os pontos cruciais e, ponto por ponto, a gente consiga fazer com que aconteça no Brasil um modelo de tributação que possa satisfazer a todos”, argumentou. (Terra)

A equipe de campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) está, ao menos nos bastidores, muito alarmada com o manifesto em defesa da democracia lançado pela Faculdade de Direito da USP, conta o colunista Tales Faria. Não só pelas centenas de milhares de assinaturas, mas pela adesão de entidades como a Febraban e a Fiesp. Na avaliação dos auxiliares do presidente, o governo perdeu o apoio da elite. Eles já haviam desistido do Nordeste e tinham poucas esperanças nos mais pobres, mas imaginavam contar com a indústria paulista e com o setor financeiro fora da Faria Lima. Não mais. E a afirmação enfática da democracia no continente feita pelo secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd J. Austin III, foi mais um balde de água fria, já que, diz Faria, os militares brasileiros não embarcariam numa ruptura sem o apoio da Casa Branca. (UOL)

Então... Em menos de dois dias, o manifesto da USP, intitulado Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito! ultrapassou as 300 mil assinaturas. Estava prevista para ontem uma versão em inglês, devido ao grande número de acessos vindos dos EUA e do Reino Unido. Em mais uma prova de que o documento está incomodando, já passam de 2.500 as tentativas de ataques por hackers. (g1)

Os números, tanto de adesões quanto de ataques, pegaram de surpresa Celso Campilongo, diretor da Faculdade de Direito da USP. Em suas estimativas mais otimistas, ele esperava cerca de 200 assinaturas. “É uma inflexão, uma manifestação muito vigorosa. É um aviso: a sociedade civil está muito alerta”, diz. (Estadão)

Leia a íntegra do manifesto em defesa da democracia.

Nos últimos dois anos o presidente Jair Bolsonaro (PL) vem mantendo uma série de reuniões sigilosas com a vice-procuradora-geral da República, Lindôra Araújo, revela Guilherme Amado. As duas primeiras, em 2020, foram intermediadas pelo ex-deputado federal Alberto Fraga. Desde então, os dois se falam com frequência via WhatsApp e pessoalmente. Lindôra assinou os pareceres contra a investigação de Bolsonaro no caso do “gabinete paralelo” no MEC e pelo arquivamento das denúncias da CPI da Pandemia. O presidente teria prometido nomeá-la para o cargo do procurador-geral Augusto Aras num eventual segundo mandato. (Metrópoles)

Pois é... Passada a eleição de outubro, a oposição pretende pedir o impeachment de Aras. Segundo o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Pandemia, o procurador-geral “tem se comportado como cabo eleitoral do presidente”. (UOL)

Meio em vídeo. Existe uma crítica recorrente, feita de muitas formas diferentes, que às vezes ganha tons de patrulha para aqueles que desejam votar em Ciro Gomes ou Simone Tebet. Mas há argumentos perfeitamente legítimos e fortes para defender o voto em um dos dois. Argumentos em defesa da democracia. Confira a análise de Pedro Doria no Ponto de Partida. (YouTube)


O presidente chinês Xi Jinping deixou de lado a sutileza em conversa por telefone ontem com seu colega americano Joe Biden. Falando sobre o apoio dos EUA a Taiwan, que Pequim considera uma província rebelde, Xi foi direto: “Quem brinca com fogo acaba queimado. Espero que os Estados Unidos vejam isso claramente.” (CNN)


A democracia está em jogo

Tony de Marco

A-Democracia-em-jogo

Quer receber o Meio mais cedo? O Meio fecha diariamente às 7h. Os assinantes premium são sempre os primeiros a receber. Faça sua assinatura. Você ainda passa a receber nossa edição especial dos sábados, menos noticiosa e com mais análise e dicas, além de ter acesso ao Monitor, a ferramenta interna que usamos para fazer a curadoria do Meio.

Cultura


Chegou nesta madrugada às plataformas de streaming e às lojas que ainda restam Renaissance, primeiro álbum de Beyoncé em seis anos. Parte 1 de uma trilogia, o novo trabalho da cantora tem 16 faixas e a participação de artistas como a veterana Grace Jones, o rapper Jay-Z (marido da artista, aliás) e Pharrell Williams, entre outros. Precedido pelo single Break My Soul, Renaissance chega embalado por uma polêmica. Na quarta-feira, fãs publicaram fotos do CD supostamente sendo vendido em lojas, e arquivos de alta qualidade sonora com as faixas circularam nas redes sociais. (Rolling Stone)

Mundialmente famosa pelo livro O Conto da Aia, que inspirou a série homônima, a escritora canadense Margaret Atwood lança em março do ano que vem a coletânea de contos Old Babes in the Wood (Garotas Velhas na Floresta, em tradução livre). Segundo a editora, é o que ela já escreveu de mais pessoal. O texto que dá título ao livro, já publicado na revista New Yorker, por exemplo, fala de duas irmãs idosas isoladas numa casa. A coletânea é o primeiro lançamento de Atwood desde O Testamento, de 2019, continuação de seu best seller sobre uma ditadura religiosa num futuro próximo onde mulheres férteis, as Aias, são estupradas para gerarem os filhos da elite teocrática. (Folha)

Morreu ontem, aos 72 anos, o bailarino e coreógrafo gaúcho Rubens Barbot, considerado uma das mais importantes referência da dança negra no Brasil. Barbot começou os estudos de dança nos anos 1960, em Porto Alegre, e passou pela Escola de Ballet Contemporâneo, em Buenos Aires, antes de se fixar no Rio de Janeiro, em 1989. Foi quando criou a Companhia Rubens Barbot de Teatro e Dança, considerada a primeira companhia negra de dança contemporânea do Brasil. Com a saúde debilitada desde 2019, o bailarino não resistiu a uma parada cardíaca. (Globo)

E os fãs de Doctor Who estão de luto com a morte, aos 93 anos, do ator e comediante inglês Bernard Cribbins. Entre 2007 e 2010, ele interpretou na série o personagem Wilfred Mott, o avô de Donna, vivida por Catherine Tate. Ao longo de mais de sete décadas de carreira, Cribbins participou de filmes como Frenesi (1970), de Alfred Hitchcock, mas conquistou o Reino Unido em papéis voltados para o público infantil, como na série Jackanory. A causa da morte não foi divulgada. (Omelete)

Viver


Uma ação conjunta envolvendo seis órgãos públicos resgatou 337 pessoas de trabalhos análogos à escravidão em 22 estados mais o Distrito Federal. Entre as principais funções a que as vítimas eram submetidas estão serviços em colheitas em geral, plantações de café e criação de gados de corte. Em áreas urbanas, trabalhadoras domésticas foram resgatadas em cinco estados, enquanto outros estavam em clínicas de recuperação para dependentes químicos. Entre os resgatados, ao menos 149 também foram vítimas de tráfico humano. A Operação Resgate 2, que teve início no dia 4 deste mês e segue em andamento até esta sexta, contou com 49 equipes de fiscalização e foi a maior do tipo já realizada no Brasil. Em 2021, a primeira edição resgatou 136 pessoas em situações semelhantes. (g1)

Meio em vídeo. É gentil um homem pagar a conta num encontro? Sim. É obrigação? Não. O episódio que envolveu o ator Caio Castro não é sobre a conta do jantar, é sobre igualdade de direitos, de divisão de papéis, de emancipação feminina, de poder, de autonomia. Veja o que diz Mariliz Pereira Jorge na coluna De Tédio A Gente Não Morre, que vai ao ar às 11h. (YouTube)

Que os recursos da natureza são limitados, todo mundo já sabe, mas esta quinta-feira marca o Dia da Sobrecarga da Terra, data criada para sinalizar que a partir desse momento, tudo o que nosso planeta pode produzir em um ano já foi consumido pelos seres humanos. Ou seja, em sete meses, gastamos tudo o que o meio ambiente poderia gerar até o final de 2022. A primeira vez que essa conta foi realizada, em 1971, demoramos até o dia 25 de dezembro para o esgotamento desses bens. O cálculo é feito pela Global Footprint Network, dividindo a capacidade de produção dos recursos da Terra em um ano pela demanda humana no mesmo período e multiplicando o valor por 365 dias. (Folha)

Um novo projeto utilizando aprendizado de máquina é capaz de prever com até três meses de antecedência surtos de doenças como dengue, zika e chikungunya em bairros específicos de um município. Utilizando dados abertos de diferentes bases da cidade do Rio de Janeiro, pesquisadores alimentaram o algoritmo que calcula as possibilidades de uma possível epidemia, a partir de indicadores como números de casos entre bairros e dados demográficos, espaciais e ambientais. A ideia do grupo é adaptar o modelo adotado para ser utilizado em outras cidades. Apesar de a covid e a varíola dos macacos serem o centro das atenções no momento, o número de mortos por dengue até o meio de junho é mais que o dobro do registrado em todo o ano passado. (Estadão)

Para ler com calma. Com incêndios florestais em diferentes países e mortes causadas pelas altas temperaturas chegando aos milhares, a Europa está se tornando o centro das ondas de calor no planeta. Além do aquecimento global, cientistas apontam outros motivos para o fenômeno, como mudanças na corrente de ar, na circulação da atmosfera e do oceano. (Estadão)

Cotidiano Digital


Após reações dos usuários, o Instagram, que vinha se aproximando do formato do rival TikTok, voltou atrás e vai reverter mudanças feitas recentemente no aplicativo. Segundo o CEO Adam Mosseri, o algoritmo da rede social será reajustado para voltar a mostrar mais publicações de perfis e páginas seguidas pelo usuário, e não sugestões de conteúdos novos. O chefe do Instagram também prometeu abandonar os testes internos com fotos e vídeos em tela inteira - outra inspiração no aplicativo chinês. (Estadão)

Meio em vídeo. Já dizia o Velho Guerreiro: na vida “nada se cria, tudo se copia!”. E parece que Mark Zuckerberg, CEO da Meta, tem levado essa máxima ao pé da letra. Pedro Doria e Cora Rónai falam sobre os caminhos que o Instagram tem tomado ao deixar as fotos de lado para tornar-se uma plataforma de vídeo, sobre a possibilidade de uma nova rede social de fotos surgindo na China e o que as Kardashian tem a ver com isso tudo. (YouTube)

Seguindo a temporada de balanços das gigantes de tecnologia, o desempenho da Apple no segundo trimestre foi puxado pelo iPhone 13 e pelos serviços de streaming da companhia. A big tech teve receita recorde, de US$ 82,9 bilhões - acima dos US$ 82,8 bilhões esperados pelo mercado. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o lucro da Apple caiu de US$ 21,7 bilhões para US$ 19,4 bilhões. Além dos problemas na cadeia de suprimentos, outros obstáculos ainda serão desafiadores para a empresa nos próximos meses, tais como inflação e custos. Recentemente, a Apple anunciou que vai diminuir o ritmo de contratações e reduzir orçamentos de equipes. (CNBC)

Um novo jeito de ficar por dentro dos principais assuntos da semana é acompanhando as análises e comentários críticos, mas com leveza, de Mariliz Pereira Jorge no programa De Tédio a Gente Não Morre. Toda sexta às 11h da manhã no nosso canal do Youtube. Veja.





Bem-vindo ao Meio. A assinatura básica é gratuita, comece agora mesmo.



29 de julho de 2022
Consultar edições passadas