Relator do caso Master recua e deve suspender inspeção no BC

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O relator do caso Master no Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Jhonatan de Jesus, deve recuar e suspender a inspeção presencial no Banco Central (BC) autorizada por ele próprio para apurar a condução da liquidação do banco de Daniel Vorcaro. A paralisação ocorre após uma onda de reações negativas do mercado, do governo e da autoridade monetária. Nos bastidores, o ministro relator já assegura a colegas que não pretende, em nenhuma hipótese, reverter a liquidação decretada pelo BC em novembro. A sinalização é interpretada como um esforço para arrefecer a tensão acumulada nas últimas semanas, inclusive entre investidores estrangeiros. Integrantes da Corte avaliam que qualquer mudança na decisão do BC só poderia ser tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente da Corte de Contas, Vital do Rêgo, reforçou essa leitura ao afirmar que o TCU tem “o dever de fiscalizar o processo de liquidação”, mas que “quem liquida é o Banco Central”. (Folha)
Antes de o Banco Master ser liquidado, o banqueiro Daniel Vorcaro e empresas ligadas a ele gastaram ao menos R$ 2 bilhões na compra de mansões, apartamentos, jatinhos e carros de luxo, segundo levantamento do UOL, com 85% dessas aquisições feitas a partir de 2024. Apenas 1% dos bens está no nome de Vorcaro como pessoa física, o restante foi comprado por sociedades anônimas fechadas e offshores ligadas a ele, muitas com estrutura societária sigilosa. A Polícia Federal investiga se parte do dinheiro captado pelo banco foi desviada para benefício pessoal dos executivos, em apuração que corre no STF. (UOL)
Enquanto isso, a indicação de Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), publicada ontem em edição extra do Diário Oficial, explicita uma derrota do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que tentou segurar o nome. O presidente Lula (PT) cedeu à pressão do Senado, liderada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), no contexto das negociações para a aprovação de Jorge Messias à vaga aberta no STF. Diretor da autarquia e presidente interino desde julho do ano passado, Lobo é apadrinhado por Joesley Batista e, aprovado em sabatina, será o primeiro presidente da CVM escolhido por critérios puramente políticos. (Globo)
Marcos Lisboa: “É surpreendente a reação de alguns órgãos de controle à intervenção no Banco Master. O Brasil enfrentou casos de descontrole em bancos privados com sucesso nos últimos 30 anos, e eu nunca assisti a uma reação como essa. Nesse período, a ação bem realizada pelo Banco Central evitou crises bancárias graves. É muito surpreendente a gente assistir a essa reação descontrolada de órgãos que deveriam ser de controle e não estão sendo”. (Estadão)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu vetar integralmente hoje o projeto de lei aprovado pelo Congresso reduzindo as penas dos envolvidos na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Segundo auxiliares, o veto será assinado durante a cerimônia para lembrar os ataques às sedes dos três poderes em 8 de janeiro de 2023. (Globo)
A condução do atendimento ao ex-presidente Jair Bolsonaro após uma queda na cela em que cumpre pena na Polícia Federal, em Brasília, provocou reação do Conselho Federal de Medicina (CFM), que informou ter determinado a abertura de uma sindicância para apurar denúncias sobre o tratamento prestado a Bolsonaro. Pouco depois, porém, o ministro do STF Alexandre de Moraes anulou a medida e determinou que a Polícia Federal colha, em até dez dias, o depoimento do presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo. Moraes alegou que o conselho não tem competência correicional sobre a PF, apontou desvio de finalidade e ressaltou que a equipe médica atuou de forma correta. (g1)
Bolsonaro foi submetido a exames na cabeça ontem no hospital DF Star com autorização de Moraes. Os médicos confirmaram um traumatismo craniano leve, mas descartaram qualquer lesão intracraniana. Concluídos os procedimentos, Bolsonaro retornou à cela. (UOL)
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que Washington delineou um plano de três etapas para a Venezuela após a deposição do presidente Nicolás Maduro. Inicialmente, a estratégia prevê a “estabilização” do país, para evitar “que a situação descambe para o caos”. Em seguida, viria a supervisão da recuperação econômica, com a garantia de acesso “justo” de empresas americanas e ocidentais ao mercado venezuelano. “Ao mesmo tempo, iniciaremos o processo de reconciliação nacional na Venezuela, para que as forças de oposição possam ser anistiadas e libertadas das prisões ou repatriadas, e para que se comece a reconstruir a sociedade civil”, disse. “E a terceira fase, claro, será a de transição.” Rubio não mencionou a realização de novas eleições nem detalhou como se daria a transição de poder. A estabilização passa pelo isolamento de Caracas do mercado internacional, em uma “quarentena”, e pela apreensão de petroleiros, afirmou Rubio. (New York Times)
Mais cedo, as Forças Armadas americanas interceptaram dois navios petroleiros ligados à Venezuela. Um deles, o Marinera (antigo Bella 1) navegava sob bandeira russa no Atlântico Norte. O outro, o M/T Sophia, sem bandeira, operava no Caribe e foi acusado pelos EUA de realizar “atividades ilícitas”. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, escreveu no X que “o bloqueio ao petróleo venezuelano, tanto o autorizado quanto o ilícito, permanece em pleno vigor — em qualquer lugar do mundo”. A apreensão do Marinera provocou reação de Moscou, que acusou os EUA de violar o direito marítimo e citou a Convenção da ONU sobre o Direito do Mar. De acordo com o Wall Street Journal, o navio havia recebido escolta de um submarino russo nos últimos dias, o que eleva o risco de escalada entre Washington e o Kremlin. (Guardian e Wall Street Journal)
O anúncio de que até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano, antes destinados à China, seriam entregues aos EUA e vendidos sob controle direto da Casa Branca pressionou os preços globais do petróleo ontem. O barril recuou cerca de 1% nos principais mercados, diante da expectativa de aumento da oferta. A China acusou Washington de intimidação, alegando que o uso da força para controlar recursos energéticos venezuelanos viola normas internacionais. (Folha)
Donald Trump conversou ontem por telefone com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, no primeiro contato entre os dois após uma escalada de ataques públicos. O teor da conversa não foi divulgado e os líderes ainda não comentaram o telefonema. Uma fonte do gabinete de Petro, no entanto, descreveu a ligação, que durou mais de 30 minutos, como “cordial” e “respeitosa”. No domingo, o republicano afirmou que uma operação militar contra a Colômbia “soava bem”. Petro reagiu dizendo que Trump tem um “cérebro senil”. (UOL)
Depois de a Casa Branca admitir que discute caminhos para assumir o controle da Groenlândia, Trump afirmou que os EUA “sempre apoiarão a Otan”, mas disse duvidar que a aliança militar faça o mesmo por Washington. Já o secretário Marco Rubio informou que se reunirá com líderes dinamarqueses na próxima semana e disse que a intenção é comprar a Groenlândia, e não invadi-la. (g1 e UOL)
Pedro Doria: “Donald Trump representa a ruptura com o modelo liberal do mundo. Com a ideia de que os EUA se dão bem com livre-comércio. Com a ideia de que a ordem liberal é melhor para todos. Pode parecer com outras ações americanas no passado, mas o que guia a ação é outra coisa. Trump não acredita que mais democracias são melhores para os americanos. Não acredita em nada do que todo presidente americano do século 20 acreditava. Ele acredita em império, em tomar, em crescer assim”. Confira a análise completa no Ponto de Partida. (Meio)
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Viver
O Brasil assinou um contrato com o Banco dos BRICS no valor de R$ 1,7 bilhão para lançar o primeiro hospital inteligente do Sistema Único de Saúde (SUS) no futuro Instituto Tecnológico de Emergência do Hospital das Clínicas da USP. Também será implementada uma rede nacional de serviços de saúde de alta precisão em 14 unidades de terapia intensiva (UTIs) inteligentes em hospitais nas cinco regiões do país. O novo hospital, com 800 leitos e 305 UTIs, deve ser inaugurado em 2029, unindo tecnologias avançadas como IA, internet das coisas, telessaúde, ambulâncias conectadas por 5G e sistemas de gestão preditiva. (Globo)
Após 30 anos desde os primeiros relatos sobre o ET de Varginha, um inquérito das Forças Armadas concluiu que o suposto alienígena visto por três jovens na cidade mineira era, na verdade, um homem com transtornos mentais que perambulava pelo local visto frequentemente agachado. O caso foi apurado pelo Superior Tribunal Militar (volume 1 e 2 do inquérito), para investigar boatos sobre um suposto envolvimento de militares e viaturas do Exército na apreensão e transporte do alienígena. (Migalhas)
Panelinha no Meio. Se você é daqueles que torcem o nariz ao ouvir falar em moela de galinha, prepare-se para mudar de opinião. Feita na panela de pressão com tomates e um belo refogado, essa receita clássica conquista até os mais implicantes.
Cultura
Ditadura e cinema (crítico) são sempre inimigos. Um dos destaques nas estreias da semana, Águias da República trata do Egito, mas foi produzido (em segurança) pela Suécia. O filme retrata um ator famoso transformado a contragosto em garoto-propaganda do governo — e ele consegue tornar a própria situação ainda mais complicada. Há ainda um olhar excessivamente gringo sobre as mazelas da Amazônia e uma comédia surreal sobre uma namorada que também é eletrodoméstico. Confira todas as estreias no site do Meio.
Sem Wagner Moura ou qualquer menção ao longa O Agente Secreto, o Actors Awards, anteriormente conhecido como SAG Awards, anunciou seus indicados nas categorias de cinema e televisão. Entre os filmes, Uma Batalha Após a Outra lidera a lista de nomeações, com sete, seguido por Pecadores, com cinco, ambos da Warner Bros. Na categoria de televisão, O Estúdio, da Apple TV, lidera as indicações, com cinco. Os vencedores serão conhecidos em cerimônia no dia 1º de março transmitida pela Netflix. (Deadline)
Após sete anos de liderança do sertanejo no ranking das músicas mais tocadas no streaming brasileiro, o grupo de pagode Menos É Mais emplacou, em 2025, duas faixas no top 3, com P do Pecado (Ao Vivo), em parceria com Simone Mendes, liderando as reproduções e Coração Partido (Corazón Partío) (Ao Vivo) na terceira posição. Tubarões (Ao Vivo), da dupla sertaneja Diego & Victor Hugo, ficou na segunda posição. (Folha)
Cotidiano Digital
O conselho da Warner Bros Discovery rejeitou por unanimidade a proposta hostil da Paramount Skydance para comprar o estúdio, avaliada em US$ 108,4 bilhões, ao considerar o plano uma aquisição excessivamente alavancada e arriscada para os acionistas. Segundo a empresa, o negócio deixaria a compradora com cerca de US$ 87 bilhões em dívida e pouca garantia de execução, além de impor restrições operacionais ao estúdio. A decisão mantém a Warner Bros no caminho para o acordo com a Netflix, avaliado em US$ 82,7 bilhões, visto pelo conselho como financeiramente mais sólido, apesar de envolver uma multa de rescisão bilionária. (Reuters)
A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu um processo administrativo para investigar a Microsoft por supostas infrações à ordem econômica nos mercados de software corporativo e computação em nuvem no Brasil. A apuração se baseia em uma recomendação técnica inspirada em um relatório da autoridade antitruste do Reino Unido, que apontou efeitos negativos das políticas de licenciamento da empresa sobre a concorrência. Segundo o Cade, há indícios de que práticas semelhantes possam estar afetando a capacidade competitiva de rivais como AWS e Google. (UOL)
Falando em regulação, autoridades chinesas iniciaram uma análise preliminar para avaliar se a compra da startup de inteligência artificial Manus pela Meta, anunciada em dezembro por cerca de US$ 2 bilhões, violou regras de segurança nacional ou de exportação de tecnologia. Embora a empresa hoje tenha sede em Cingapura, a revisão se concentra na tecnologia desenvolvida quando a Manus ainda operava na China, o que pode abrir caminho para exigências adicionais ou até atrasar o negócio caso surjam irregularidades. (Bloomberg)
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