BBB: Big Business Brasil
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BBB: BIG BUSINESS BRASIL
Quando estreou, em 2002, o Big Brother Brasil era um reality que mostrava a superconvivência de pessoas que não se conheciam e tinham perfis e personalidades distintas. O mote do programa eram as provas de resistência, brigas por cama, comida e tarefas individuais que impactavam o grupo inteiro, como manter a organização dos quartos e limpeza do banheiro.
Chegando agora a sua 22ª edição, o BBB se transformou em um programa muito além de um experimento social com câmeras disponíveis 24 horas por dia para o telespectador. O conceito de reality show mudou e se apresentou como uma alternativa midiática para propagandas. Anunciantes esperam uma temporada de Big Brother para investir parte do budget anual de publicidade. E o programa tem chamado a atenção de especialistas em mídias e anúncios por ter se tornado um “negócio por trás do negócio”.
Uma marca percebe o valor de mercado de um participante de acordo com a temperatura de engajamento de redes sociais dos brothers & sisters. Uma marca pode escolher atrelar sua imagem à uma personalidade do momento e esta pessoa, que antes era anônima, ganha uma relevância fenomenal, arrastando milhões de pessoas para acompanhar suas vidas além da TV.
Mas tudo tem um preço e a visibilidade pode sair bem cara. Uma marca que escolhe anunciar com uma pessoa que não tem traquejo midiático corre riscos maiores de se envolver em polêmicas que não passariam pela diretoria da empresa, por exemplo.
Segundo o jornalista Ricardo Feltrin, especialista na cobertura de TV, já se percebeu que as redes sociais têm um comportamento peculiar. “A pessoa ‘pisa na bola’, é preconceituosa, mas a quantidade de seguidores só aumenta”, explica. Há um risco de imagem, mas ele seria menor que os potenciais ganhos financeiros com o engajamento nas redes sociais. “O que ela vai ganhar de cachê lá (no BBB) é pouco para uma pessoa que já é rica, mas o ego fala mais alto. Ela precisa aparecer, e o Big Brother tem grande visibilidade”, diz Feltrin.
Negócio do negócio
Não há cancelamento que dure para sempre, tampouco há chances de boicotar uma grande marca. As notas de repúdios sempre estão à postos para apagar incêndios e fogo no parquinho. O famoso “pulo do gato” está nas diversas possibilidades de fazer dinheiro.
“Além do prêmio de R$ 1,5 milhão, o participante pode ganhar prêmios dentro do programa ou pode não ganhar nada e se tornar querido aqui fora”, diz Feltrin. “Nesse caso, as marcas vão querer dar uma chance para essa pessoa. Ou seja, ela saiu ganhando de qualquer forma”, diz Feltrin.
Os anunciantes só têm a ganhar com as famosas “tretas”, ainda mais quando há inversão de valores que acendem discussões intermináveis na internet. No fundo, tudo se resume a métricas e engajamento. Na visão de Feltrin, os participantes se submetem ao jogo, porque veem uma oportunidade de mudar de vida com o dinheiro que podem ganhar do prêmio ou da visibilidade que afaga o ego, “mas sempre com data de validade. Depois essas pessoas voltam a ser o que eram.”
Com a instauração da ala “Camarote” onde famosos e subcelebridades são inseridas em uma realidade com pessoas “normais”, ou o chamado “time Pipoca”, existe uma ideia de que todos tentam criar uma persona para compor a casa, alguém que não é inteiramente ele mesmo e nem é um extraterreste. Às vezes essa persona pode ser composta de carisma, piadas, benevolência ou qualquer outra atitude que dê leveza e gere a empatia do público e até mesmo dos outros participantes da casa. Alguns entram com a ideia de ser “100% o que sou lá fora”, enquanto outros se esforçam para tentar “evoluir diante do público”, ou até mesmo “limpar a barra”, que já está suja aqui fora, como é o caso do ator e cantor Arthur Aguiar e da cantora sertaneja Naiara Azevedo.
“Quando você entra no Big Brother Brasil, você não consegue ser você mesmo e não consegue interpretar um papel por três meses. É impossível continuar sendo você mesmo, acaba surgindo uma sombra na personalidade”, diz Feltrin. O jornalista não acredita, por exemplo, que a Karol Conká fosse preconceituosa como seu comportamento na edição anterior do programa indicava.
A prova de que não há uma maneira certa de competir ou se comportar pode ser observada nos ex-BBBs que ficaram que construíram carreiras artísticas sólidas após o programa, como a apresentadora Sabrina Sato e da atriz Grazi Massafera. Nenhuma delas ganhou o reality show e ainda assim se tornaram maiores do que suas edições. O “fenômeno Juliette” também é raro, pois apresenta uma pessoa nova no front que ganhou atenção de famosos, marcas, anunciantes e cidadãos comuns.
O Big Brother Brasil é assim: você pode trocar o reality por um livro, mas não vai se safar de topar com a cara dos integrantes após o jogo. Eles vão estampar os jornais e revistas que você lê, estarão nos canais que você assiste e até mesmo na boca dos autores que você gosta. Da casa mais vigiada do Brasil, os participantes se tornam os vigilantes do que você consome de entretenimento, roupas, acessórios e alimentos. É impossível não comentar, ainda que seja para criticar.






























