Uma seleção de argumentos

Quando o Qatar estrear neste domingo (20) contra o Equador, uma pelada que provavelmente terminará em derrota dos donos da casa (olha o bolão!), o Brasil estará diante de uma inédita Copa do Mundo com dois presidentes: um que abraça o passado e outro no qual muitos futuros são projetados, como numa caixinha de surpresas. Qual deles vai dar o tom da nação, e como os jogadores responderão a eles? Esse é só o primeiro dos debates curiosos aos quais a Copa do Mundo vai nos convidar.

Essa situação — provocada pelo deslocamento da Copa do Mundo para o fim do outono do Hemisfério Norte — pode trazer alguns perigos para a democracia brasileira. Afinal, há por aí, acampados diante de quartéis, alguns milhares de patriotas verde-amarelos com camisa da seleção. O que é no mínimo diferente de 2018, quando não tivemos o velho costume de decorar ruas com painéis e caricaturas dos craques: o Brasil das redes sociais parecia estar conectado com ansiedades mais curtas, não fazendo mais sentido o hábito que tantos suburbanos consagraram. Será interessante ver como esse sentimento difuso golpista se comportará no momento em que o hino tocar nos televisores. Montarão telões de led, bancados por empresários? Comemorarão seus gols ao som de salvas de canhão? Seria divertido — se não fosse trágico — ter flashes ao vivo na porta dos quartéis e salões presidenciais, competição dos acampamentos mais animados respondendo ao chamado de Galvão Bueno. Bolsonaro certamente sairá de sua caverna digital, postando coisas em busca da lealdade de um ou outro jogador, pode esperar.

Mas o que mais me interessa é a dissolução do sentimento golpista num sentimento maior (e mais tradicionalmente amarelo e verde) de nação.

O certo é que muita gente preocupada com a democracia vai fazer as pazes com seu velho uniforme Nike e confraternizará com amigos e parentes, naquele que é o único ritual que se replica uniformemente por todo o Brasil. De quatro em quatro anos, a nação traja costumes folclóricos, se reúne em torno de TVs e torce por sete churrascos. Magistrados decretam meio expediente em dias de jogos do grupo da Argentina, aulas são piedosamente mortas e pontos obrigatoriamente facultativos se multiplicam por todo país. Tenho amigos que farão churrasco já neste domingo, vendo Qatar x Equador. Pervertidos, claro.

Como sempre, a Copa do Mundo não é algo que nos passe despercebido. Todos se envolvem com o Mundial, alguns pelos motivos mais chatos. “Como podemos aceitar que um torneio desses seja disputado num país tão ditatorial e negligente com os direitos humanos quanto o Qatar?”, afirmaram aqueles que, com certeza, desconhecem a performance dribladora de Gabriel Martinelli no Campeonato Inglês. E tudo bem, o delicioso da Copa do Mundo é que ela deixa inúmeras portas abertas para que as pessoas entrem.

A controvérsia a respeito do Qatar é interessante, mas algo tardia. Bom, o país foi escolhido sede do Mundial há doze anos. A monarquia absolutista dos Al Thani não é, de fato, o regime mais interessante para quem é, como você e eu, apóstolo da democracia liberal. A questão, para mim, é que quem aposta nesse tipo de conversa nunca está muito a fim de debates profundos.

Caso houvesse disposição, poderíamos, por exemplo, questionar qual o tamanho das “brechas teológicas” para a ideia de estado laico e democrático. Começaríamos propondo uma comparação entre o surgimento do Cristianismo — uma religião de caráter marginal, abraçada desde os primeiros séculos pelo último degrau social do Império Romano e só depois adotada por um imperador sem qualquer obrigação de conversão — com o ethos do Islã, que nasceu com vocação de estado já em seus primeiros anos, quando o profeta Muhammad liderava seu exército em saques e conquistas no sétimo século até se tornar califado. Investir nesses debates nos levaria obviamente a situações muito mais tensas que o bolão do Grupo H (Portugal, Uruguai, Gana e Coreia do Sul — onde, aliás, acho que a Coreia do artilheiro Son Heung-min, destaque do Tottenham, pode roubar uma vaga), ao mesmo tempo em que seríamos obrigados a reconhecer que o cristianismo mais ruidoso do presente começa a vedar perigosamente a tal brecha teológica, em países como Brasil e os Estados Unidos. Já ficou desanimado? Eu também.

Para entreter o amigo que descobriu uma causa pela qual lutar apenas e a propósito da Copa, poderíamos afirmar categoricamente que, de fato, a Copa do Mundo não é para si. Não nos faltam exemplos de Mundiais que foram disputados em meio a controvérsias democráticas — e, neste ponto, a malversação de recursos para a realização da Copa de 2014 no Brasil soa como um dos episódios mais suaves.

Quatro anos se passaram desde a Copa da Rússia, e a noção do sportswashing empreendido por Vladimir Putin só se torna mais cristalina. O mundo já tinha sido bastante benevolente com a autocracia de Moscou, que, à época, já menosprezava tanto os direitos da população LGBTQIA+ quanto a integridade do território ucraniano na região do Donbass. Álcool, no entanto, havia à vontade. No Qatar, a experiência de bebemorar promete ser bastante tortuosa. Primeiro, os copos de cerveja já custariam inacreditáveis R$ 73; depois, a uma semana da abertura, o emir Tamin Al Thani exigiu a ocultação das propagandas da Budweiser, patrocinadora oficial do evento. Agora, a dois dias do pontapé inicial, o governo decidiu proibir a venda de cerveja dentro e no entorno dos estádios, liberando somente a versão sem álcool nessas localidades. Nas fan zones, ao torcedor ainda poderá encontrar seu oásis etílico, mas estará sujeito a longas filas e com acesso somente depois da ultima reza muçulmana, para não dar vexame na terras do emir.

Os exemplos recentes saltam aos olhos; no entanto, Copas do Mundo convivem com autoritarismos dos mais diversos desde sua primeira década. Foi em 1934, primeiro ano de governo fascista de Benito Mussolini na Itália, que a Squadra Azzurra obteve seu primeiro título. Em 1978, a sanguinária ditadura da Argentina mal tentou fazer uma enorme operação de RP na Copa do Mundo vencida por Mario Kempes y companía. Mesmo no Brasil de 1950, o governo do presidente (e general liberal) Eurico Gaspar Dutra já se encontrava em fase de recrudescimento, com perseguição franca ao Partido Comunista Brasileiro e seus apoiadores.

Nada disso alivia demais a barra do Qatar, país com legislação absolutamente revoltante no trato com imigrantes e que foi gradativamente trocando o tom amistoso por posições irredutíveis, conforme o torneio se aproximava. Se era mentira que 6.500 operários morreram nas obras da Copa (uma conta enfática demais, produzida por ONGs emocionadas e já desmentidas), é preciso reconhecer que trazer as verdades do Qatar será uma tarefa muito obstruída pelas autoridades locais. Nesta quarta, um repórter da TV dinamarquesa foi grosseiramente abordado enquanto estava ao vivo, numa situação sem justificativas. Veremos mais situações assim nos próximos 30 dias.

A única coisa com a qual não concordo é que tenhamos que sacrificar nossas ansiedades e alegrias com o esporte que amamos por conta disso, e espero não soar muito simplista quando digo isto. Cabe o alerta de que meu argumento se tornará, pouco a pouco mais emotivo, talvez até com certo pendor ao piegas. Mas, se isso ocorrer, é porque não se conhece outra maneira de defender a alegria, enquanto direito. Se ética e moral servem desavergonhadamente à defesa do estado reflexivo, da angústia perante as injustiças do mundo, fazendo da compaixão um tributo que a tristeza paga à humanidade, a alegria e o entusiasmo dificilmente terão perto de si um argumento igualmente racional que nos obrigue a sermos [ou melhor, ficarmos] felizes.

A história do Brasil é algo que começa a se redimir para dentro e para fora de seus territórios a partir do futebol. Por melhores que tenham sido os esforços de gente valorosa que residiu e pisou por aqui desde 1500, a verdade é que apenas o futebol codificou um orgulho brasileiro em escala nacional que pudesse ser reconhecido pelas demais nações. O que o Brasil fez com o esporte mais amado do planeta, a partir do surgimento da Copa do Mundo em 1930, deu estatura e relevância a 8,51 milhões de quilômetros quadrados que, até então, tinham poucas realizações honrosas. O analfabetismo grassava, a instabilidade política estava na ordem do dia e a escravidão, abolida havia menos de 50 anos, ainda ecoava seus efeitos nefastos.

Quando digo “O que o Brasil fez”, não quero inferir aqui, de forma inocente, qualquer ideia de um grande projeto nacional top-down, ou de qualquer visionarismo de gabinete. As coisas simplesmente aconteceram, como costumam ocorrer na maior parte do tempo. Leônidas da Silva se tornou o Diamante Negro em 1938, Pelé foi apontado príncipe ainda aos 17 anos, em 1958, e coroado rei em 1970. Mesmo dentro da CBD (a antiga CBF), as teses mais racialistas foram derrubadas pela percepção de que era melhor ter Garrincha contra os europeus do que não tê-lo. Pouco a pouco, os quartos de meninos e meninas foram se enchendo de pôsteres e recortes de ídolos negros que inspiravam respeito porque tinham inventado os motivos de orgulho de um triste trópico. Didi, o príncipe etíope; Nilton Santos, a Enciclopédia; Jairzinho, o Furacão da Copa. Todos eles recriaram, à maneira brasileira, o conceito do self-made man, o garoto que brincava na rua e seguiu brincando até ter o mundo a seus pés. A grandiloquência do jornalismo de outrora, com Nelson Rodrigues à frente, viu a grandeza deles e os cristalizou numa grande tradição oral. Aí está nosso mito fundador.

Mas os intelectuais dirão, com bastante razão, que hipervalorizar o papel dos negros como astros do esporte (ou da música) é sintoma de uma sociedade que lhes obstrui o caminho em todos os outros campos. É verdade. Contudo, é de se imaginar o que teria acontecido caso não tivéssemos vencido nem isso. Imagine um Brasil sem títulos mundiais de futebol, sem um Pelé vitorioso, sem essa mescla de identidade e orgulho que o futebol injetou na nação entre os anos de 1958 e 1970. Pessoalmente, tendo a imaginar que seria um país infinitamente mais triste e profundamente mais racista, uma ilha de depressão lusófona, uma grande coleção de exílios, fossem eles europeus, africanos e ameríndios, sem uma cola que justificasse a bandeira. Inventaríamos alguma outra coisa? Pode ser. Mas não sei se seria melhor do que o que nos foi dado pelo futebol.

Se pudermos agora falar de bola, vale ter a certeza de que a Copa do Mundo será bastante diferente de tudo que já vimos, e que considero o Brasil favoritíssimo, graças, justamente, a essas mudanças. E mesmo em campo, há discussões que não vale a pena debater com visões de outrora.

A principal razão se dá pelo fato de que o técnico Tite conseguiu reunir a maior coleção de pontas das últimas décadas, numa era que reabilitou os pontas. Ao Qatar, o Brasil levará nove atacantes que ocuparão quatro lugares no time titular. O que muda o jogo, no entanto, são as cinco substituições, incorporadas ao futebol por ocasião da pandemia.

Ao menor sinal de fadiga, Neymar, Raphinha, Vini Jr. e Richarlison poderão ser substituídos por Gabriel Martinelli (um dos maiores dribladores da Premier League), Antony, Gabriel Jesus, Pedro e/ou Rodrygo. Isso significa uma intensidade no ataque absolutamente assombrosa, em que velocidade e técnica poderão fazer miséria, se aliadas a trocas de posições bem ensaiadas. Não existe nada parecido com isso na Inglaterra, uma equipe talentosa, mas coordenada sem brilho pelo técnico Gareth Southgate.

Essa coleção de pontas e atacantes muda bastante aquilo que sempre foi o jogo do Brasil, porque o papel dos laterais mudou. Se antes estávamos acostumados à agressividade esplendorosa de gente como Jorginho, Cafu, Roberto Carlos, Maicon, Marcelo e Daniel Alves, subindo ao ataque e voltando à defesa, é preciso reconhecer que o futebol não funciona mais assim. Primeiro, porque o corredor encurtou: defesa e ataque trabalham atualmente muito mais próximos, imprensando os adversários. Os espaços no futebol diminuíram a tal ponto que a lendária matada no peito, aquela em que a bola escorre pelo corpo do jogador por quase três segundos, se tornou uma impossibilidade prática. É justamente essa situação que permite que a seleção possa levar um Daniel Alves meio baleado — lembrando que há outros três jogadores no grupo capazes de fazer uma lateral-direita: Danilo (Juventus), Fabinho (volante do Liverpool) e Éder Militão (zagueiro do Real Madrid).

Segundo, porque equipes que funcionam no 4-2-3-1 brasileiro (com variações ao 4-1-4-1) trabalham com pontas abertos, gerando agressividade com muito arranque no drible. Esses pontas já atuam numa faixa alta de campo, logo não precisam que os laterais os ultrapassem. Precisam sim, que os laterais se aproximem para fazerem trocas inteligentes– quase automatizadas – de posições e de passes.

Terceiro porque hoje a faixa de campo em que os laterais trabalhavam quando chegavam o ataque — a zona próxima da linha de fundo — é cada vez menos reconhecida como o melhor lugar para realizar um último passe, muito em razão da evolução acentuada dos goleiros — a posição que mais se transformou e se aperfeiçoou no futebol deste século. São mais altos, mais ágeis e mais bem treinados para situações previsíveis, como a curva de uma bola cruzada na área. Além disso, já participam muito mais da construção das jogadas de ataque: nisto, Alisson e Ederson são dos melhores do mundo. Não bastasse isso, times mais defensivos costumam ter zagueiros e volantes altos, que agradecem a cada vez que uma bola é cruzada na área.

A saída diante desse cenário foi formatada pela Espanha de 2006 e cristalizada nos times de Pep Guardiola: tornar o futebol contemporâneo num jogo cada vez mais “terreno”, em que a troca de passes no chão é muito mais valorizada do que os cruzamentos dos laterais – por gerar maior imprevisibilidade, sobretudo se os jogadores forem muito técnicos e os gramados, perfeitos. Equipes que realmente criam muitas chances de gol acabam sendo aquelas em que os pontas fazem movimentos em diagonal, da ponta para o meio, na direção da área, atacando os espaços vazios entre os homens da defesa e recebendo a bola em posições quase frontais ao gol, onde um chute fica cada vez menos defensável. Lembre-se que futebol não é basquete: chutar de longe não gera três pontos. Logo, é melhor chutar de perto com mais chances de acerto.

Isso não significa, porém, que situações de bola parada não seja arriscadas. Ao contrário, são perigosíssimas, e cada vez mais os movimentos de todos os envolvidos numa jogada são orientados em relação a um jogador específico. É quando o futebol aprende com o futebol americano: há o jogador que vai receber a bola, há o seu colega que vai impedir que outros cheguem perto dele, há o outro que vai tentar atrair a marcação para deixar o receptor livre. Espera-se esse tipo de perigo de seleções como Alemanha e Dinamarca.

Os maiores rivais do Brasil serão a Argentina de Lionel Messi, invicta há mais de 30 jogos e com padrão de jogo agressivo bem montado por Scaloni, e a França, que pode se dar o luxo de ter os volantes Tchouaméni e Camavinga, ambos do Real Madrid, nos lugares dos lesionados Pogba e Kanté, fundamentais no título da Rússia. A Espanha corre por fora, graças a uma renovação liderada pelo garoto Gavi. Mas nenhum deles têm a coleção de talentos titulares e bancários como o Brasil, muito superior, sem dúvida, à convocação de 2018: entre os 11 que habitualmente entram em campo pelo Brasil, apenas o volante Fred oscila como reserva em seu clube, o Manchester United — o que pode levar Tite a optar por um 4-1-4-1 com Casemiro na contenção e Paquetá por dentro. O mundo respeita muito esse Brasil, mas vale uma ressalva: nossa defesa, com Thiago Silva (Chelsea), de 38 anos, é um tanto envelhecida. Não se surpreenda caso o discreto Bremer (Juventus) conquiste uma vaga ainda na primeira fase. As laterais também devem mudar bastante, uma vez que Danilo e Alex Sandro não andam exatamente brilhantes na Juve.

Os temas são esses. Escolha bem o seu debate e boa Copa.

*Márvio dos Anjos é jornalista e crítico musical. É head de Relações Institucionais da OneFan. Foi repórter na “Folha de S.Paulo”, editor no “Jornal do Brasil”, “Destak Brasil” e “O Globo”, onde chefiou a editoria de Esportes. Apresenta o podcast “Deus te Ouça”, na Folha, e escreve para “O Globo” e “The Times”. Na Copa do Qatar, vai apresentar o #MesaDoMeio Especial Copa, com Pedro Doria e David Butter, no canal do Meio no YouTube.

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‘Mapa de apoios está desfavorável ao Irã e sua visão de futuro’, diz Abbas Milani

17/04/24 • 11:00

O professor Abbas Milani nasceu no Irã. Foi preso pelo regime do xá Reza Pahlavi. Depois, perseguido pelo regime islâmico do aiatolá Khomeini. Buscou abrigo nos Estados Unidos na década de 1980, de onde nunca deixou de lutar por uma democracia em seu país de origem. Chegou a prestar consultoria a George W. Bush e Barack Obama, numa louvável disposição de colaboração bipartidária. Seu conselho sempre foi o mesmo: o Irã deve se reencontrar com um regime democrático, secular, por sua própria conta. Sem interferências externas.

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