Ponto de Partida

Esteja você na direita ou na esquerda, comece por aqui. Pedro Doria explica didaticamente o início, o fim e o meio da política nacional.

Segundas, quartas e sextas, sempre ao final do dia.

Quem não condena o golpismo?

Pois é. Há um ano houve uma tentativa de golpe de Estado no Brasil. Um golpe é um movimento que, usando a força, busca derrubar o regime constitucional para botar outra ordem institucional no lugar. Foi isto o 8 de Janeiro de 2023. Algumas milhares de pessoas se insurgiram contra o Estado brasileiro. Atacaram, especificamente, as sedes dos três poderes. QUeriam, daquele ato, um único resultado: que a eleição fosse revertida. Que o presidente mudasse. Golpe.

Se não houver Choquei, muda algo?

Não é preciso regulação para lidar com os estragos que o Choquei ou a Mynd8 criam — para estes casos, já temos todas as leis prontas. É preciso regulação para que o ambiente digital não estimule o surgimento de novos Choquei e Mynd8. Porque, hoje, saiu um, entra outra igual no lugar.

Choquei, Mynd8 e desinformação.

Vamos dissecar a história do Choquei? Do suicídio de Jéssica Canedo? Existem muitos vídeos por aqui, sendo distribuídos, que pretendem explicar como as peças da desinformação se encaixam. Muitos textos. A imprensa de extrema direita parece até em festa — descobriram um pedaço da máquina de desinformação de esquerda. O Choquei de fato era um veículo, até essa tragédia, que fazia parte da estratégia de comunicação do Palácio do Planalto. Alguns ligam o canal à Mynd8, uma agência de marketing digital, e sugerem assim que há uma grande máquina de desinformação, uma grande conspiração.

Viva o Povo Brasileiro

Hoje é quarta-feira, dia 20 de dezembro de 2023. Aí temos quinta, sexta, sábado e no domingo já é véspera de Natal. Mais uma semana, acaba. Eu vou tirar uns dias, então esse é o último Ponto de Partida de 2023. Fim de ano todos nós meio que olhamos pra trás, né? Olhamos pro todo. O que foi que deu certo, o que deu errado, quais as brigas que tivemos. Com quem a gente fez paz. E é disso que eu queria falar. Não sou uma pessoa religiosa. Não sou cristão. Mas estamos num país cristão e esta é uma época de comunhão. Eu sou brasileiro, então esse sentimento bate. De tudo que a gente perdeu nos últimos dez anos, a coisa mais preciosa foi a ideia de comunhão. Perdemos o sentido do todo.

O ano em que a democracia viveu

O ano está se aproximando de acabar. Temos mais duas semanas e pronto. Há um ano, exatamente um ano, o Brasil lidava com o silêncio de Jair Bolsonaro que não reconhecia sua derrota eleitoral. Vez por outra saíam do Palácio do Alvorada ou o general Augusto Heleno, ou o general Braga Netto, para dizerem para os aloprados ainda acampados à beira dos quartéis Brasil afora “aguenta aí”, “algo va acontecer”.

Em democracia, políticos não são inimigos

Muitos olham para políticos adversários se abraçando e percebem hipocrisia, jogo de cena ou o contrário — a ideia de que a rivalidade é que é fingida. Nem um, nem outro. A disputa de ideias, numa democracia, não deve se confundir com inimizade pessoal.

Aquele abraço do Moro em Dino

Uma série de fotografias mexeu com as redes, hoje de tarde. Foi o abraço caloroso que o senador Sérgio Moro deu no ministro da Justiça, Flávio Dino. Dino, claro, estava ali para ser sabatinado junto com Paulo Gonet. Gonet foi indicado pelo presidente Lula para assumir a procuradoria-geral da República e, Dino, para se tornar ministro do Supremo Tribunal Federal.
Olha, podem ser adversários políticos mas o abraço e o sorriso são uma boa notícia. Quaisquer gestos de civilidade deste tipo são boa notícia. Quanto mais o Brasil assistir a cenas de adversários políticos conversando de forma amistosa, melhor.

Quem decidiu a eleição em 2022

Dois grupos, dois grupos muito pequenos, definiram a eleição presidencial de 2022. E tudo indica que isto vai se repetir na próxima eleição. Vai ser muito apertado. De novo. O livro Biografia do Abismo conta essa história.

Eu não confio em militar

Perante uma crise mais aguda com a Venezuela, talvez o Exército tenha um papel a cumprir. Faz parte. Mas que péssimo momento para aumentar o orçamento das Forças. Ainda: é realista pensar num Brasil produzindo menos petróleo? A crise climática é assim tão grave?

A guerra pode engolir o Brasil

A questão é a seguinte. Essa província de Essequibo, que o governo Nicolas Maduro quer anexar, como o exército venezuelano poderia chegar lá? Um caminho é pelo mar. Pelo Oceano Atlântico, a frota sai ali perto de Trinidade Tobago e invade por cima. O problema é que é um pedação de terra. Pouco habitado, mas um pedaço enorme, 160 mil quilômetros quadrados. É tipo anexar o estado do Rio de Janeiro, o Paraná e levar Sergipe de troco. E a maior parte das pessoas não mora no norte. A marinha venezuelana chega lá e faz o quê? Bombardeia árvores? A fronteira territorial da Venezuela com a Guiana é ou de mata fechada ou terras muito, muito altas. Tipo o monte Roraima, na tríplice fronteira. Quase três mil metros de altura. Aquilo é tudo uma cadeia de montanhas altas. Os tanques não vão. Marchando os soldados vão ralar muito. Então, bem, tem a possibilidade de ir de avião. Os venezuelanos enchem seus MIGs de gasolina, vão lá e, sei lá. Fazem o quê? Bombardeiam Marakanata, população 170 habitantes? Uma cidade maior, de repente. Lethem, por exemplo. Tem até aeroporto. Quase dois mil habitantes. Em todo esse pedação de terra vivem 128 mil habitantes. É menos do que moram em Copacabana.