Araras-canindés voltam a voar no Parque Nacional da Tijuca após mais de 200 anos

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Após mais de 200 anos longe do Rio, as araras-canindés voltam a voar livremente pelo Parque Nacional da Tijuca, com a chegada de três exemplares com uma grande missão: ajudar na restauração ecológica da Mata Atlântica do Rio de Janeiro. No Brasil, este bioma abriga mais de 145 milhões de pessoas.
Antes de serem soltas, as aves Fernanda, Fátima e Sueli foram levadas do Parque Três Pescadores (Aparecida, SP) para o Parque Nacional da Tijuca, no Rio, em um trabalho de sete meses envolvendo um processo de adaptação e aclimatação da espécie para viabilizar sua reintrodução. A iniciativa é do Refauna, uma Organização da Sociedade Civil, em parceria com outras entidades, como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Desde 25 de junho do ano passado, as aves passaram por um treinamento gradual, mas intenso, para desenvolver musculatura e aprimorar suas habilidades de voo. Também aprenderam a evitar a presença humana, enquanto passavam por uma transição alimentar, reconhecendo os frutos nativos de seu novo habitat. Elas foram liberadas com anilhas, microchips e colares de identificação e serão monitoradas pela equipe do Refauna. Passando por uma troca de penas e sem a garantia de realizar pousos com segurança, uma quarta arara, batizada de Selton, ainda vai aguardar mais um pouco para voar em liberdade com as companheiras.
Lara Renzeti, bióloga do Refauna e Coordenadora de Reintrodução das Araras, explica que o processo foi desafiador e que a continuidade depende dos cariocas e seus visitantes. “O período de aclimatação exigiu uma dedicação enorme da equipe. Desejamos que as araras se adaptem bem à vida livre e que os moradores e visitantes do Rio de Janeiro tenham, no futuro próximo, a oportunidade de avistar essas aves maravilhosas colorindo o céu da cidade.”
Viviane Lasmar, analista ambiental do ICMBio e Chefe do Parque Nacional da Tijuca, ressalta a responsabilidade da cidade na conservação das espécies. “Daqui para frente, em conjunto, seremos todos responsáveis pela sobrevivência desses animais em vida livre e, nós do ICMBio, acreditamos que a ciência cidadã é a grande aliada neste processo de monitoramento constante.”


