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Meio/Ideia: 51% do eleitorado ainda pode mudar de candidato até outubro

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Com o fim da janela partidária e as pré-candidaturas à Presidência da República mais definidas, a pesquisa Meio/Ideia de abril, divulgada nesta quarta-feira, 8, revela que a maioria dos eleitores brasileiros está aberta à possibilidade de mudar de voto: 51,4% dos entrevistados declararam que ainda podem mudar de candidato até outubro.

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Em vez de se consolidar a cada mês, a decisão do voto está se diluindo. Em janeiro, eram apenas 35,5% os que diziam que talvez mudassem de candidato e 64,5% declaravam estar decididos.

A maior chance de mudança está entre os eleitores da direita — onde está também a variedade de nomes na disputa. Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apenas 26,6% admitem essa possibilidade. Já entre os de Flávio Bolsonaro (PL), são 60,4% os que dizem que podem mudar e entre os de Ronaldo Caiado (PSD) são 69,4%. “De janeiro para cá, o brasileiro começou a ficar mais inseguro com o voto. E é na direita que os eleitores estão particularmente voláteis”, diz Pedro Doria, diretor de jornalismo do Meio.

Os dados indicam que a aglutinação da direita em torno do nome de Flávio Bolsonaro não está tão sólida. Ainda assim, nos cenários de primeiro turno, o senador é quem aparece mais bem colocado no confronto com Lula. Nas respostas espontâneas, em que nenhum nome é apresentado ao entrevistado, Lula lidera com 32,6% e Flávio Bolsonaro aparece em segundo, com 19,4%. Jair Bolsonaro ainda soma 6% mesmo fora do jogo eleitoral, o que sinaliza que parte do eleitorado bolsonarista ainda não migrou para o filho. Romeu Zema vem a seguir com 4,1% e Ronaldo Caiado, com 2,6%. São 25,3% os que não sabem ou não citam ninguém — o maior bloco depois do
presidente.

No cenário estimulado, com os nomes dos candidatos sendo apresentados, Lula lidera, com 40,4%, seguido de Flávio Bolsonaro, com 37%. Ronaldo Caiado aparece em terceiro, com 6,5%, Renan Santos e Romeu Zema empatam com 3% cada, Aldo Rebelo marca 0,6%, e brancos/nulos somam 1%. O eleitorado indeciso é de 8,5%.

Nos cenários de segundo turno, os dois confrontos mais competitivos são justamente os que envolvem os candidatos mais consolidados da direita. Contra Flávio Bolsonaro, Lula aparece com 45,5% ante 45,8% do adversário — diferença de 0,3 ponto, em empate técnico dentro da margem de erro de 2,5 pontos. Já contra Ronaldo Caiado, Lula marca 45% contra 39% do governador goiano. Nos demais confrontos, Lula vence com folga maior: bate Romeu Zema por 44,7% a 38,7%; Renan Santos por 45% a 26,4%; e Aldo Rebelo por 46% a 22,6%. 

Endividamento e custo de vida
A pesquisa Meio/Ideia perguntou também sobre o aumento do custo de vida e o nível de endividamento dos brasileiros. Sete em cada dez brasileiros (70,4%) dizem que o custo de vida aumentou no último ano — 30% afirmam que aumentou muito, outros 40,4% que aumentou, mas não tanto. Quatro em cada dez (40%) estão mais endividados do que há um ano. E 74,7% consideram o tema muito importante ou importante na hora de votar — o que transforma essa insatisfação difusa em combustível eleitoral concreto. Para Mauricio Moura, fundador do Ideia, “a pesquisa traz um grande preocupante para o presidente Lula. Endividamento e custo de vida são temas fundamentais para a decisão do voto.”

Democracia e anistia
Na avaliação dos eleitores brasileiros, a principal ameaça à democracia não vem da polarização nem das fake news, mas do Judiciário: 42,5% dos entrevistados apontam a concentração de poder no Judiciário como o maior risco à democracia brasileira — número que supera a corrupção dos políticos (16,5%), a polarização entre esquerda e direita (13%), a desinformação (9,7%) e a influência de outros países nas eleições (9,1%). Apenas 4,3% dizem que a democracia não está ameaçada.

Sobre a anistia, o campo contrário é o maior bloco único: 41% são contra qualquer tipo de anistia. Mas a soma dos favoráveis chega a 53% — divididos entre os que querem anistia ampla, incluindo a Jair Bolsonaro e os militares acusados (32%), e os que aceitam anistiar apenas os manifestantes condenados pelo 8 de janeiro, excluindo os líderes (21%).

A maioria dos entrevistados rejeita a interferência de outros países nas eleições brasileiras: 52% concordam que as eleições brasileiras devem ser decididas apenas por brasileiros, sem pressão estrangeira. Mesmo assim, 28% consideram legítimo buscar apoio de governos estrangeiros para garantir eleições justas. Outros 18,1% dizem que depende e que precisam se informar mais sobre o assunto, o que indica que o tema ainda não está completamente assimilado pelo eleitorado.

Avaliação do governo Lula
A avaliação do governo Lula segue majoritariamente negativa. Somados, ruim e péssimo chegam a 46,4% na avaliação geral — contra 32,2% que avaliam o governo como ótimo ou bom. Sob a ótica de Cila Schulman, CEO do Ideia, os dados acendem um alerta para o governo, afinal a margem de melhora de popularidade de Lula continua limitada. “O tempo está passando e aprovação segue estável e abaixo da reprovação”, observa Schulman.

O desempenho na segurança pública é o pior dos três recortes medidos: ruim e péssimo somam 53,9%, com apenas 18,9% de ótimo ou bom.

Na economia, a soma negativa chega a 44,6%, contra 28,1% de avaliações positivas.


Esse quadro se reflete diretamente na pergunta sobre a continuidade: 51,5% dizem que Lula não merece continuar no governo, contra 45% que respondem que ele merece.

A pesquisa Meio/Ideia foi realizada entre 3 e 7 de abril e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-00605/2026-BRASIL. A pesquisa teve uma amostra de 1.500 entrevistas representativas em todo o Brasil. O intervalo de confiança é de 95% e a margem de erro é de 2,5 pontos percentuais. Devido ao arredondamento, a soma dos percentuais pode variar de 99% a 101%.

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