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Edição de Sábado: Microaten… ih, um vídeo de gatinho!

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Era para ser só mais uma olhada rápida no telefone, mas você cai na armadilha de abrir o Instagram e se depara com algo que chama sua atenção: um vídeo, provavelmente, que o leva para um próximo conteúdo, que leva a outro post e mais outro. Enquanto olha para a tela, o cérebro libera dopamina, criando uma sensação de prazer e reforçando o comportamento para incentivar a repetição. Logo percebe que a pausa de “um minutinho” se tornou quase meia hora e volta ao trabalho ou estudo. Mas o foco foi quebrado, e sua mente vaga por uma atividade e outra, muitas vezes simultaneamente entre ler uma mensagem no WhatsApp, responder a um e-mail de trabalho e ver mais um story. É a atenção sendo fragmentada ao longo do dia, ou melhor, a microatenção, um problema que afeta em particular a educação e o trabalho.

A dopamina não está relacionada apenas ao prazer, mas também à motivação, sinalizando ao cérebro o que deve ser priorizado, marcando aquelas atividades como dignas de serem realizadas. As recompensas naturais, como comida e exercícios físicos, ativam de maneira positiva e sustentada o sistema de recompensa do cérebro. No entanto, quando os estímulos são artificiais, como drogas, jogos de azar ou mesmo telas, cria-se um desequilíbrio na liberação dessa substância. Com o tempo, o cérebro se adapta a esses estímulos artificiais, reduzindo a capacidade de sentir prazer com recompensas naturais e dependendo cada vez mais das artificiais para sentir qualquer sensação de satisfação ou normalidade.

Em 20 anos, a quantidade de tempo que uma pessoa pode passar em uma tela diminuiu de 2 minutos e meio para 47 segundos. “O problema todo é quando você trabalha nesse formato de feed infinito, porque ele opera no conceito do reforço intermitente, que é o que faz você ficar preso [na plataforma]”, explica a neurocientista e educadora Virgínia Chaves. O modo de caça-níquel desenvolvido pelas plataformas gera uma falta de previsibilidade do que vai acontecer logo adiante, fazendo com que o usuário fique preso na rede social. Não saber se o próximo conteúdo vai ser melhor que o anterior ativa o sistema de recompensas, uma rede de estruturas que reforçam comportamentos necessários à sobrevivência, como reprodução e interações sociais.

Capacidade perdida

O cérebro consegue se adaptar muito bem aos constantes estímulos que recebe. Então, se ele é treinado fragmentando a atenção, acostuma-se a quebrar o foco durante as tarefas ao longo do dia. O problema é que precisamos da atenção focada para as nossas atividades, seja trabalhando, estudando ou mantendo relações interpessoais. Perder essa capacidade se torna um inconveniente de longo prazo, impactando, inclusive, a qualidade de vida. Apesar de ser reversível, o indivíduo precisa buscar o caminho inverso diariamente, trabalhando a concentração e o foco para uma atenção aprofundada.

Danielli Nascimento, 34 anos, é community manager e precisa do celular na mão para trabalhar. Mas também o usa na academia, quando deveria focar na atividade física. Prestando serviço para diferentes agências, ela tem de estar sempre de olho nas demandas dos clientes, ver as mensagens no grupo de trabalho, checar as novidades no grupo de estudos de que participa e ainda criar conteúdos. “Tem horas que não aguento mais e tenho que deixar de lado por um tempo. Depois volto a trabalhar”, conta. Em casa, quando vai assistir à TV, pega vez ou outra o telefone para olhar alguma notificação. Muitas vezes, vai para a cama com o telefone, e nos fins de semana fica até tarde na tela, o que faz com que não se sinta bem no outro dia.

Mesmo sentindo cansaço mental, Danielli alega que nunca perdeu o foco no trabalho fazendo várias coisas ao mesmo tempo. “Talvez eu não perca a concentração pelo fato de ser bem organizada com as demandas ou só pelo costume mesmo de fazer isso”, diz. Para trabalhar, ela prefere lugares barulhentos, chegando a frequentar cafeterias para estar em um ambiente mais movimentado.

Atenção valiosa

Mesmo com a atenção fragmentada, o tempo que a pessoa passa em um aplicativo, site ou portal representa dinheiro; quanto mais pessoas, mais dinheiro, e essa é uma lição que foi aprendida ainda no século 19. Em 1833, Benjamin Day fundou o jornal New York Sun, que mudou a lógica de como a imprensa lucrava. Os demais jornais nova-iorquinos eram vendidos por 6 cents (US$ 1,98 ou quase R$ 11 em valores atuais) e voltados para um público de maior poder aquisitivo. O Sun era vendido a 1 cent ou penny, como a moeda também era chamada. O preço e a linha editorial sensacionalista fizeram do jornal um sucesso entre os trabalhadores mais pobres, o que, por sua vez, atraiu um tipo de anunciante interessado no tamanho do público. A vendagem era boa, mas o que realmente dava dinheiro era a publicidade. O Sun inspirou uma infinidade de penny pappers pelo país e criou um modelo que vem sendo adotado desde então por rádio, TV e mais recentemente, plataformas online.

Em seu livro Quase um Tique: Economia da Atenção, Vigilância e Espetáculo em uma Rede Social, a professora de comunicação da FGV Anna Bentes afirma que a economia da atenção ganhou novos contornos quando as big techs desenvolveram estratégias para capturar o foco dos usuários, não apenas para vender anúncios, mas também para acessar e controlar as horas de vigília, ou seja, “a mobilização e o direcionamento da atenção”. Em um modelo já estabelecido de produtividade e consumo, as big techs prosperam seguindo uma nova lógica de acumulação, ligada ao monitoramento de dados dos usuários, para que passem o máximo de tempo na plataforma e produzam mais conteúdo. O tratamento desses dados é comercializado oferecendo publicidade personalizada.

Para isso, já não basta ter em sua base milhões (ou bilhões) de usuários. É preciso criar um hábito de consumo em cada pessoa, o que envolve elaborar algoritmos que prendam a atenção do indivíduo. O costume de checar novas mensagens se junta à necessidade de saber o que está acontecendo, o que gera o medo de estar perdendo alguma coisa, que culmina na compulsão e descamba no vício. Uma olhada rápida na DM do Instagram ou do Facebook se torna horas de cliques e rolagens de tela, sem nem perceber a passagem do tempo. Nessa lógica, a rede deixa de ser apenas de conexão e passa a ser de prisão, como uma rede de pesca. Já dizia o MC Marechal: “redes são feitas para prender”. A social não é diferente.

O mecanismo

Essa perda de aprofundamento atencional atrapalha o desenvolvimento, inclusive a inovação, tema que preocupa o mercado de trabalho em países ricos. O economista comportamental e professor da FGV Robson Gonçalves explica que, mesmo tendo dados e informações abundantes, quando não se acessa a atenção profunda, o conteúdo consumido não se transforma em conhecimento. Isso porque o mecanismo usado no cérebro para inovar depende de três redes neuronais que são impactadas pela atenção fragmentada.

A Rede de Modo Padrão é ativada quando a mente divaga em atividades que não exigem atenção específica, sem se preocupar com nada em especial. Ocorre quando estamos lavando louça, brincando com o cachorro ou tomando um café despreocupadamente. É daí que surge a inovação e a criatividade. Não à toa, estudos já mostraram a necessidade do ócio e a frequência com que algumas das ideias mais brilhantes surgem enquanto se está no banho — sem papel e caneta para anotar, é claro.

Já a Rede de Saliência emerge quando algo no ambiente chama a atenção do indivíduo. Como uma luz de alerta no painel do carro para um problema no filtro de óleo, por exemplo. Na vida real, é quando algo desperta nosso interesse e ficamos focados. Isso acontece quando percebemos que a criança brincando vai cair enquanto corre, a panela no fogo está quase queimando ou quando chega uma notificação no celular. É aqui que a atenção pode se fragmentar. Se não tomarmos cuidado, o foco se divide em várias atividades e telas, nos prendendo por horas no mesmo ciclo. Com o aguçamento dessa área, tudo chama a atenção o tempo todo, como se tudo fosse importante. E, se tudo importa, nada acaba importando de fato. Aliás, você já parou para ver alguma outra coisa enquanto lê este texto?

Quando ficamos muito tempo na Rede de Saliência, não passamos para o próximo passo do conhecimento pleno, que ocorre quando é ativada a Rede de Modo Executivo, que exige uma atenção focada para resolução de problemas ou elaboração de tarefas mais complexas, como um processo de negociação, a produção de um relatório, ou mesmo a redação de um e-mail. É uma área que demanda tempo do executor. Às vezes, demora um pouco mais para pegar no tranco, quando estamos produzindo algo que exige mais empenho, mas com o passar dos minutos, a atividade vai ganhando tração e nos vemos imersos na tarefa.

Adeus à criatividade

Quando se passa muito tempo em modo “multitarefa”, o cérebro fica prolongadamente na Rede de Saliência, o que dificulta o desenvolvimento da inovação e criatividade (que depende da Rede de Modo Padrão) e da execução com profundidade (Rede de Modo Executivo), já que precisa de mais tempo para adquirir conhecimento necessário para tais funções.

No ambiente corporativo, isso acaba se tornando um problema porque existe a tendência de que a massa trabalhadora queira executar sempre as mesmas tarefas para realizá-las no automático. “Você mata a inovação e começa a ter problemas sérios de execução”, pondera Gonçalves. “Então, o nosso desafio para ganhar produtividade num contexto de atenção fragmentada é muito grande.”

Ele reforça que a produtividade das pessoas está sob ameaça no mundo todo, mas ganha contornos mais dramáticos no Brasil por conta da falta de produtividade sistêmica do país. Esta, diz ele, deve-se a problemas estruturais, como sistema tributário caótico, corrupção e infraestrutura ruim, questões mais bem resolvidas em países desenvolvidos, que já se anteciparam há décadas em reformas tributárias e investimentos massivos em educação.

O fenômeno da microatenção abre uma brecha entre informação e conhecimento, que é capital humano. Apesar de estarmos em uma era de informação massiva, a quantidade de dados e conteúdos faz com que isso não se traduza necessariamente em conhecimento.

“A microatenção torna emburrecidas as pessoas por conta dessa fragmentação da informação. O indivíduo tem acesso a tudo e não sabe nada bem”, afirma Gonçalves. Ele explica que a atenção fragmentada está tirando das pessoas o entendimento profundo, ou seja, a capacidade de absorver informações dos conteúdos que são consumidos, como ler e entender bem o material contido na página de um livro. Afinal, fica difícil apreender algo em profundidade quando se lê um capítulo, enquanto tenta ver um filme que passa na TV e responde uma mensagem no WhatsApp. “Multitask”, dizem alguns. “Ledo engano”, dizem os especialistas.

O mito multitasking

Apesar de tentarmos fazer várias tarefas de uma só vez e até conseguirmos entregar resultado, isso não significa que somos multitarefa. Nosso cérebro executa tarefas sequencialmente. É o que mostra um estudo publicado na revista especializada Quarterly Journal of Experimental Psychology por pesquisadores das universidades Martin Luther e Aberta de Hagen e da Escola de Medicina de Hamburgo, todas na Alemanha. Os participantes precisaram realizar duas funções simples, mas ao mesmo tempo. O resultado foi que o tempo de prática fez com que os erros diminuíssem, mas, ao serem acrescentadas mínimas alterações nas atividades, as taxas de erro voltaram a aumentar e as tarefas levaram mais tempo para serem concluídas.

Outro mito que não se sustenta é o de que as mulheres são culturalmente multitarefa, por acumularem trabalho profissional e doméstico. Um estudo produzido por pesquisadores da Universidade Técnica de Aachen (RWTH), na Alemanha, mostrou que a habilidade de realizar mais tarefas não tinha a ver com gênero.

A questão é que fomos concebidos para estruturar nosso foco, executando uma tarefa por vez. Quando tentamos fazer várias coisas ao mesmo tempo, exigimos mais das funções cognitivas e corremos o risco de não entregar algo com qualidade. É nesse contexto que um aluno deixa de conseguir seguir uma lógica única e estruturada para aprofundar seu conhecimento em um livro, por exemplo. Sem conseguir ativar a Rede de Modo Executivo para absorver com eficiência o conteúdo, o estudante passa a fruir menos do material e, por consequência, reduzir sua capacidade de aprendizado.

Não à toa, a geração Z, uma das primeiras nativas digitais, também é a primeira da história a registrar níveis de Quociente de Inteligência (QI) mais baixos que os de seus pais. Se no século 20 o pesquisador James Flynn observou um aumento de dois a três pontos no QI a cada década desde os anos 1930, essa diferença perdeu força a partir dos anos 1990, chegando ao caso da GenZ, que atingiu níveis abaixo dos millennials, a geração anterior.

Produção em xeque

Não só o setor criativo perde com o fenômeno da atenção fragmentada, mas também o produtivo como um todo. Se a falta de atenção aprofundada impede que o conhecimento se firme e gere novas habilidades, ideias e desenvolvimento, a redução habitual do foco pode impactar as linhas de produção do setor industrial. Imagine que um funcionário passe o dia inteiro montando relógios.

A constante troca de foco com outras atividades, seja atendendo ligações, trocando mensagens e vendo vídeos nas redes enquanto exerce outras funções, faz com que o cérebro se acostume a não focar em nada por muito tempo. É a fadiga cognitiva, que esgota a capacidade mental, levando ao estresse crônico. Nesse cenário, fica mais difícil tomar decisões com precisão e assertividade. Falta de atenção leva a erro, que culmina em retrabalho e, por consequência, perda de tempo e dinheiro.

Na linha de montagem, essa falta de foco faz com que o operador não perceba com a mesma perspicácia que uma das peças está em desacordo com as especificações técnicas exigidas. Das duas, uma: ou alguém da área de qualidade vai detectar o problema na inspeção e o serviço terá de ser refeito, ou o relógio vai para o mercado com problema, o que cedo ou tarde vai impactar a percepção de qualidade do produto ou até mesmo da marca. “Você vai ter retrabalho, e retrabalho é antiprodutividade”, conclui Gonçalves.

Foco é vital

O foco atencional é importante, seja para evitar acidentes de trânsito, falhas de qualidade numa linha de produção ou mesmo erros evitáveis em uma sala de cirurgia. Se os smartphones são convenientes e aliados dos médicos para manter registros de saúde, gerenciar o tempo, monitorar e realizar consultas, eles também podem ser o pivô de erros fatais para alguns especialistas, como é o caso de anestesistas.

Um exemplo de distração fatal aconteceu na Argentina, na cidade de General Roca, quando um menino de quatro anos teve morte cerebral decretada após ser internado para uma cirurgia de hérnia diafragmática, um procedimento considerado rotineiro. O anestesista Mauricio Javier Atencio Krause se distraiu mexendo no telefone, quando deveria estar monitorando os sinais vitais do paciente. A criança ficou ao menos dez minutos sem ter a pressão arterial ou oxigenação aferidas pelo profissional, que chegou a sair da sala durante o procedimento para procurar um carregador. O menino teve falta de oxigênio no cérebro e morreu. No mês passado, Krause foi condenado a três anos de prisão e está proibido de exercer a profissão por sete anos e seis meses.

No Brasil, a Sociedade de Anestesiologia do Estado do Rio de Janeiro (Saerj) criou uma campanha nas redes sociais para conscientizar os médicos sobre o uso consciente do celular no ambiente perioperatório. Como mudanças importantes no estado do paciente nem sempre são alarmantes à primeira vista, é necessário o monitoramento constante dos dados vitais para corrigir anomalias logo que são identificáveis. Visando a boa comunicação com a equipe durante o procedimento, a Saerj recomenda evitar uso do dispositivo para fins não relacionados ao trabalho, mesmo que por breves momentos. “O paciente não espera o seu tempo de tela”, alerta a postagem.

Cuidado com jovens

A atenção fragmentada é um ponto a ser observado desde a infância, exigindo cuidado especial não só dos pais, mas também dos educadores. Virgínia Chaves conta que muitos professores bem intencionados utilizam vídeos educativos em sala de aula, mas muitas vezes não se atentam aos detalhes do conteúdo audiovisual, apesar de adequados à idade. É comum que muitos desses vídeos tenham um corte de cenas frenético em um curto intervalo de um minuto. “É muito estímulo para um cérebro que está em desenvolvimento.” Não só isso. As cores usadas em conteúdos infantis não raro são muito fortes, com tons excessivamente vibrantes e cintilantes. Depois de um tempo consumindo esses vídeos, as crianças vão para o mundo real, onde as cores são mais opacas, o que pode dar uma sensação de vida “sem graça”, mesmo que elas não saibam expressar esse sentimento.

Na adolescência, além do desenvolvimento cognitivo ainda em progresso, há um segundo estágio de desenvolvimento, que é o processo de tomada de decisão, bastante vulnerável nesse período. É quando o cérebro percebe os desafios de maneira diferente para que o ser humano ganhe autonomia e dependa menos dos pais. O jovem perde os freios causados pelo medo e se arrisca mais, sem ter noção das implicações reais de suas escolhas. É nesse ponto que o controle parental é importante, inclusive no que é consumido nas redes. Como nosso foco já foi capturado pela economia da atenção, Chaves defende a responsabilização (ao menos em parte) das big techs pelo bem-estar dos jovens e a regulação das redes sociais.

Microaprendizado

Há quem sugira usar o mecanismo da microantenção contra ela. “Educação é atenção. Eu só aprendo, seja formalmente numa escola ou informalmente na vida, ao que eu dou atenção”, destaca o antropólogo Pedro Almeida. Ele afirma que o grande desafio das escolas atualmente é o de desenvolver a atenção única e estruturada, porque essa habilidade não tem sido desenvolvida fora da sala de aula.

“É tanto estímulo, tanta cor e sons que afetam esse sujeito em tão pouco tempo [nos vídeos], que manter esse foco no professor durante uma aula de 50 minutos é dificílimo.” Ele defende que, para fazer frente a esse desafio, os educadores precisam pensar em estratégias de microaprendizagem para fisgar o foco dos alunos durante as aulas. Se o estudante tem quebras seguidas de atenção, o docente precisa pensar em como dividir uma aula de 50 minutos como se fossem 15 aulas.

Em que pese a atenção ser a primeira etapa do aprendizado, as escolas ainda não estão preparadas para trabalhar o foco dos alunos de uma maneira eficaz. Aliás, esse nem costuma ser um ponto de reflexão entre gestores. A educação midiática, acompanhada da proteção da atenção, seria uma combinação essencial para auxiliar o processo de aprendizado dos estudantes.

Na raiz da Bíblia

Poucos livros no mundo são tão frequentemente citados e tão pouco lidos quanto a Bíblia — O Capital talvez chegue perto. Os cerca de 2,5 bilhões de cristãos do mundo a consideram sagrada e, com o avanço do conservadorismo em países com grandes populações cristãs, como Estados Unidos e Brasil, cada vez mais o texto bíblico vem sendo usado como justificativa para cruzadas morais e políticas. Para quem acha a afirmação um exagero, basta olhar o caráter religioso que autoridades do governo Trump, como o secretário de Defesa, Peter Hegseth, vêm dando à guerra contra o Irã. Ou as decisões da Suprema Corte dos EUA, cada vez mais conservadora e religiosa, contra o direito ao aborto e a proteção à comunidade LGBTQIA+.

Mas até que ponto as Escrituras justificam esse tipo de pregação no século 21? Nenhum, garante o americano Dan McClellan, de 45 anos, que vem se dedicando há décadas a estudar o texto bíblico dentro de um contexto histórico, literário e linguístico. Responsável por canais populares e polêmicos no Instagram e no YouTube e pelo podcast Data Over Dogma (Dados Acima de Dogmas), ele está lançando no Brasil seu livro Porque a Bíblia Disse Assim - O que Está Certo ou Errado Sobre as Questões Mais Controversas das Escrituras (Ed. Best Seller). Com uma linguagem acessível e muitas fontes, McClellan traz uma visão questionadora que interessa tanto aos que não creem quanto aos que creem com a mente aberta.

Sua linha de argumentação parte de um princípio: sempre que alguém afirma “é o que diz a Bíblia”, está na verdade dizendo “esta é a minha interpretação do que me interessa na versão da Bíblia adotada pela minha denominação”. Não há originais da Bíblia — o texto mais antigo do Novo Testamento, por exemplo, é um pequeno fragmento de papiro com cinco versículos do Evangelho de João datado da primeira metade do século 2 d.C. — e ela passou por diversas versões e traduções, inclusive contraditórias em si.

Um olhar específico

É importante deixar claro que McClellan não é um observador distanciado; tem fé e viés, embora lide com cada um de formas opostas. É membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, os mórmons, mas admite que o resultado de suas pesquisas com frequência vai de encontro ao que prega sua denominação. Por exemplo, ele sustenta no capítulo 17 que em nenhum trecho das versões mais antigas dos Evangelhos canônicos Jesus afirma ser Deus, o que contraria um ponto fundamental da doutrina mórmon — e da maioria das denominações cristãs.

Já seu viés é a própria razão de ser da obra em questão. McClellan tem uma visão de mundo progressista, é filiado ao Partido Democrata e escreveu esse livro com o objetivo de contestar o uso da Bíblia por religiosos ultraconservadores como ferramenta de opressão a minorias ou grupos fragilizados, como mulheres, homossexuais, imigrantes etc. Embora não comprometa a qualidade de suas fontes e a solidez de seus argumentos, sua visão de mundo acaba enquadrando sua leitura bíblica também em uma interpretação.

Uma informação que deve ser ressaltada é que, diferentemente do que diz a biografia na edição brasileira, o autor não é um teólogo e faz questão de deixar isso claro. Sua formação, da graduação ao doutorado, é em estudos bíblicos, estudos judaicos, história antiga, idiomas antigos e outros assuntos correlatos à análise da Bíblia como um texto.

Diferentes vozes

McClellan aborda 19 temas polêmicos no livro, mas o primeiro é fundamental para se compreender os demais. Ele questiona a inspiração, a inerrância e a univocidade do texto bíblico. A primeira significa que toda a Bíblia, do primeiro versículo de Gênesis ao último do Apocalipse, foi inspirada (soprada) diretamente por Deus a seus autores. A segunda, decorrente da primeira, sustenta que, por ter inspiração divina, a Bíblia não contém erros ou contradições — mesmo afirmando que a Terra foi criada (Gênesis 1:1) antes do Sol (Gênesis 1:14). E a terceira, ainda mais questionável, diz que as Escrituras falam com uma única voz, ignorando que seu livros, do Novo e do Velho Testamentos, foram escritos em épocas diferentes (entre os séculos 7 a.C. e 2 d.C.), por pessoas diferentes, em contextos históricos e idiomas diferentes e para públicos muito diferentes.

As contradições bíblicas não são exatamente uma novidade. Lançado em 2007, O Primeiro Natal, dos americanos Marcus J. Borg e John Dominic Crossan, mostra como as narrativas da Natividade nos Evangelhos de Lucas e Mateus têm diferenças profundas entre si (o que se conhece popularmente como a história do Natal é uma mistura de ambas), além de sérias incoerências históricas. A conclusão a que chegam é de que os evangelistas escreveram parábolas sobre o nascimento de Jesus a fim de enquadrá-lo em profecias e ressaltar suas visões ligeiramente diversas do que seria o cristianismo.

Uma polêmica atrás da outra

Voltando ao livro de McClellan, uma vez afirmado que a Bíblia é contraditória, plural e um retrato de seu tempo, entra-se nos temas que hoje movimentam o conservadorismo religioso. O mais explosivo, claro, é o aborto, e aí vem uma informação que pode surpreender muitos: a oposição à interrupção da gravidez, legalizada nos EUA em 1973 pela Suprema Corte, só se tornou uma bandeira de líderes evangélicos para mobilizar os fiéis posteriormente, após a defesa da segregação racial ser legal e culturalmente sepultada. A Igreja Católica, por outro lado, sempre condenou a prática.

Mas o que diz a Bíblia sobre o aborto? Especificamente, nada. Não há menção à prática, mas uma série de passagens contraditórias sobre se o feto é ou não uma pessoa, caso em que a interrupção da gravidez seria o assassinato de um inocente. Passagens, como Jeremias 1:5, Lucas 1:41-44 e o Salmo 139:1-16 são frequentemente usadas como exemplo da alma intrauterina, embora McClellan argumente que são figuras retóricas para enfatizar, nos dois primeiros casos, a santidade de Jeremias e João Batista — assim como é reconhecida a natureza retórica de Mateus 6:25-30, onde Jesus diz que Deus “veste as flores”. O grande argumento bíblico contrário à ideia de que o feto já é um ser humano, aponta o autor, está em Gênesis 2:7, onde é dito que o homem só se torna uma “alma vivente” quando o “sopro da vida” entra em suas narinas. Ou seja, no nascimento, não na concepção — visão predominante na literatura rabínica antiga.

Essas contradições e interpretações se estendem a outros temas como direitos das mulheres, escravidão, castigos físicos a crianças e até questões mais filosóficas e esotéricas, como se Deus tinha um corpo e uma esposa ou mesmo se os judeus eram de fato monoteístas. Alerta de spoiler: não eram. Nas versões mais antigas do que chamamos de Velho Testamento, o que se vê é o henoteísmo, o reconhecimento de que há vários deuses, mas a adoração a apenas um, que é superior aos demais. O monoteísmo propriamente dito só se consolida a partir do cativeiro na Babilônia e do contato com a religião persa.

É pouco provável que Dan McClellan mude a fé de quem se proponha a ler seu livro, e nem é esse seu objetivo. Mas Porque a Bíblia Disse Assim é uma contribuição fundamental para que o debate sobre as questões contemporâneas não seja travado por interpretações de textos que, embora importantíssimos para a formação da cultura ocidental, são prenhes de contradições e foram escritos em contextos sociais e históricos muito diferentes dos que vivemos hoje.

Raiva ainda é uma energia

Em 18 de agosto, mal completados meus 15 anos, cheguei ao pudim, carinhoso apelido do auditório Elis Regina, no Palácio de Convenções do Anhembi, tendo na bagagem dois shows incríveis que haviam ocupado o mesmo palco meses antes: Siouxsie and the Banshees e Echo & the Bunnymen. Agora era vez de assistir ao Public Image Ltd (PiL), a banda liderada por John Lydon, que tinha acabado de lançar seu sexto disco, Happy?, embora as rádios ainda estivessem tocando o hit do álbum anterior, Rise, que abriu o show numa versão mais pesada.

No palco, John Lydon estava distante do ícone punk Johnny Rotten, quase dez anos depois do fim dos Sex Pistols. Talvez parte do público ainda esperasse a virulência de um som mais cru e menos pop, mas a verdade é que, no palco, vestindo um terno amarelo e balançando seus dreadlocks laranja, Lydon entregava uma performance energética e debochada, alimentada por um tipo diferente de provocação.

Uma energia, aliás, que o baixista Allan Dias tentava a todo custo instilar no público, sem tanta repercussão. O PiL passava sua fase mais pop e, ao vivo, era alimentado pelo peso das suas guitarras. De um lado, a timbragem única e os solos angulares de John McGeoch, que vinha do Magazine e tinha tocado com os Banshees, e de outro o peso dos blocos sonoros que vinham de Lu Edmonds, ex-Damned.

O PiL ainda voltaria ao Brasil em 1992, para um show no Palace, pouco antes de seu primeiro término e agora, 34 anos depois, volta para um único show no Cine Joia, em São Paulo, na próxima quarta-feira, dia 8. Ironicamente batizada de This Is Not The Last Tour, traz um Lydon diferente, mas não menos catártico. Cair na estrada é uma forma de lidar com o luto. Ao anunciar os shows do álbum mais recente End of World, de 2023, ele disse à NME que precisava sair de casa. “Já me lamentei o suficiente, o que, claro, não dá para evitar, mesmo que você pense: ‘Não, seja superior’. Você não consegue impedir. Não se pode conter a tristeza quando ela surge, mas já chega.”

Na nova turnê, o PiL segue com o lendário Lu Edmonds na guitarra, além de contar com Scott Firth, na banda desde seu retorno em 2009, no baixo e nos teclados, e de Mark Roberts na bateria, parceiro de Edmonds que entrou na banda no ano passado. E o set list explora diferentes fases do PiL, vai de hits com Annalisa, This Is Not A Love Song e Rise, passa pela crueza minimalista de Death Disco e Poptones e inclui ainda explosivas colaborações eletrônicas, como World Destruction, gravada originalmente com Afrika Bambaataa no projeto Time Zone, e Open Up, parceria como Leftfield.

Identidade reconstruída

Para compreender por que essa figura central da cultura pop do século 20 permanece relevante aos 70 anos é preciso voltar à miséria do norte de Londres, onde Lydon nasceu em 1956, primogênito de uma família de imigrantes irlandeses. Aos sete anos, sua vida foi alterada para sempre ao contrair meningite espinhal, doença que o mergulhou em comas intermitentes e apagou sua memória por quatro anos, forçando-o a reconstruir sua própria identidade do zero.

Essa experiência aterrorizante incutiu nele uma obsessão inegociável pela verdade e uma ojeriza vitalícia a dogmas e mentiras. O tratamento brutal deixou cicatrizes físicas duradouras, incluindo problemas de coluna e o intenso e fixo “olhar de Lydon”.

Em 1975, usando uma camiseta do Pink Floyd modificada por ele mesmo com a frase “Eu Odeio”, chamou a atenção de Malcolm McLaren e de Vivienne Westwood, donos da mítica boutique Sex em Londres. Rebatizado de “Johnny Rotten” pelo colega Steve Jones, em referência à sua péssima higiene bucal, assumiu os vocais dos Sex Pistols.

Com uma performance agressiva, ele canalizou a fúria de uma geração desempregada, virando o inimigo número um do país durante o Jubileu da Rainha em 1977. Mas em janeiro de 1978, deixa a banda criticando McLaren por tratar a banda como um circo e depois de uma turnê caótica pelos Estados Unidos. Em seu último show, deixa no ar a pergunta: “Já tiveram a sensação de que foram enganados?”.

A verdade é que o rock cru dos Sex Pistols, com seus riffs que pareciam adicionar peso à tradição da guitarra de Chuck Berry, era um caminho extremamente convencional para esse criador inquieto. Sendo que, meses depois de deixar a banda, lançava o primeiro disco do PiL, ao lado do excepcional guitarrista Keith Levene e do baixista Jah Wobble, uma das lendas do dub londrino. Como Levene defende em uma entrevista a Simon Reynolds na The Wire em 2002, “Para mim os Sex Pistols foram a última banda de rock'n'roll, enquanto o Pil realmente parecia o começo de algo”.

Uma outra direção

A primeira fase da banda é marcada pela experimentação, não à toa é considerada uma das bandas a definir o som do pós-punk, principalmente com o ambicioso segundo disco, o Metal Box, de 1979, que era de fato feito de metal como uma lata de filme com três discos de 12 polegadas. A base do som era o baixo denso de Wobble, totalmente tributário do som da Jamaica, com as guitarras dissonantes de Levene, que bebiam do pensamento “harmolódico” de Ornette Coleman.

Com a saída de Wobble, o PiL entra numa segunda fase, que vai mais fundo em direção ao Minimalismo com Flowers of Romance, de 1981. Lydon e Levene praticamente abandonaram instrumentos de cordas clássicos, apoiando-se em percussões pesadas, manipulações de fita e sons tribais quase assombrados. Ironicamente, após essa fase mais artística e intransigente, Lydon abraçou uma transição para o pop ácido com This Is What You Want... This Is What You Get, de 1984, emplacando o single satírico This Is Not a Love Song.

Com a saída de Levine, o PiL entra numa fase mais estável com a entrada do baixista Allan Dias e de John McGeoch e Lu Edmonds, encaminhando a PiL para uma sonoridade mais robusta de rock alternativo. É o momento do sucesso global de discos como Album, com refrões épicos como anger is an energy, provando que a fúria de Lydon poderia ser comercialmente viável, mesmo sob acusações de traição ao movimento punk.

Fim, mas nem tanto

Depois de anunciar o fim da banda em 1992, Lydon volta com o PiL após quase duas décadas de silêncio desta vez na independência. Para chocar mais uma vez os guardiões da moral punk, Lydon financiou seu próprio selo fonográfico através do dinheiro arrecadado promovendo uma marca britânica de manteiga na TV.

Se a sua carreira musical é brilhante, a sua trajetória pública é um campo de batalha repleto de polêmicas e litígios. Lydon já foi preso em Dublin em 1980 por desordem num pub, alegando depois ter sido lavado com mangueiras de alta pressão pelos guardas irlandeses. Nos tribunais, cravou uma vitória judicial acirrada contra Malcolm McLaren na década de 1980 para retomar o controle das fitas e do espólio dos Pistols, apenas para entrar em guerra décadas depois com seus ex-colegas de banda. Em 2021, Lydon tentou de toda forma proibir a Disney de usar as músicas de sua antiga banda na série autobiográfica Pistol, afirmando que o legado do grupo estava sendo diluído corporativamente como “a merda mais desrespeitosa que já tive que suportar”.

Sua acidez sobrou até para contemporâneos de gênero; em 2019, num painel sobre o movimento punk, entrou em confronto físico e verbal com Henry Rollins e Marky Ramone, acusando-os ruidosamente de serem falsos e “crianças ricas de subúrbio”. Não faltaram farpas também para o U2, banda que, segundo Lydon, “nunca deveria ter existido” por absoluta ausência de experiência de vida em suas composições. Ideologicamente imprevisível, chocou parte de sua base antiga ao manifestar apoio a movimentos conservadores, como o Brexit e Donald Trump, em total recusa de ser moldado por expectativas políticas da esquerda purista.

Polêmicas à parte, o que faz John Lydon relevante hoje é justamente o que molda a história do PiL, uma recusa a se acomodar em uma fórmula. Em 2026, ele segue sendo a antítese do rebelde engessado na própria nostalgia. Como ele cantou um dia, a raiva é realmente uma energia.

Por que ninguém mais se entende? Pedro Doria tem a resposta. E ela passa por cinco Brasis diferentes que convivem sob a mesma bandeira. A série Nós, Brasileiros estreou com o episódio A Sociedade, uma investigação profunda sobre quem somos e como enxergamos o mundo. Saia da bolha e entenda o todo. Assista ao episódio de estreia no streaming do Meio.

Proverbial fronteira final, o espaço segue nos fascinando, embora sobre atenção para a política e a mesa. Confira os links mais clicados pelos assinantes do Meio esta semana:

1. BBC Brasil: Artemis II, rumo à Lua, após meio século.

2. Meio: No Ponto de Partida, Pedro Doria explica a relação de Flávio Bolsonaro com o domínio do crime organizado sobre a política fluminense.

3. Panelinha: Risoto de bacalhau com tomate na pressão.

4. Globo: Saiba quem são os novos ministros de Lula após reforma que troca quase metade da Esplanada.

5. CNN: O momento em que a Artemis II decola.

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