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Elis, 80

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Em 1976, Elis Regina entrou no estúdio Vice-Versa, na época gerido por Luiz Augusto de Arruda Botelho, Rogério Duprat, Sá e Guarabira, para gravar um especial para a Band, dirigido por Roberto Oliveira. O técnico de som do estúdio era Rogério Costa, irmão de Elis, e gravou as músicas em 16 canais. Enquanto era viva, essas gravações nunca se materializaram em um álbum.

Em 1984, Costa e o executivo da gravadora Som Livre Max Pierre usaram essas gravações para lançar o terceiro disco póstumo da cantora, que havia morrido dois anos antes. Só que, em vez de usar o som da banda original, aproveitaram apenas as vozes gravadas e convidaram uma série de músicos para vestir aquelas canções com o som da época, mais elétrico, com a timbragem inconfundível do DX7 — até hoje o sintetizador digital de mais sucesso da Yamaha, que havia sido lançado um ano antes — e da bateria eletrônica Simmons. O disco Elis — Luz das Estrelas contava com arranjos de gente como Dori Caymmi, Guto Graça Mello, Wagner Tiso e Lincoln Olivetti. E o som era radicalmente diferente daquele gravado para a Band oito anos antes.

Com a máquina de promoção da Som Livre por trás, o álbum explodiu. “Foi trilha sonora da novela Corpo a Corpo, tinha capa do Elifas Andreato, mídia à noite, no horário nobre, chamada no Jornal Nacional, chamada de rádio pra caramba e vendeu 300 mil peças”, conta o filho mais velho de Elis, João Marcello Bôscoli, lembrando que a faixa que abre o disco, Para Lennon & McCartney, com arranjo de Wagner Tiso, fez até com que a música voltasse para o repertório de Milton Nascimento, que não a tocava nos shows.

Terminado o contrato com a gravadora, a família recebeu de volta a master. Para surpresa de Bôscoli, não eram os originais gravados para o especial da Band, mas as do disco da Som Livre. Daquele som de 1976, gravado depois do sucesso de Falso Brilhante, o que restou foi apenas a voz de Elis. “Se existe alguma fita que foi preservada, não chegou até a gente. Ninguém sabe onde está, ninguém viu. A fita tem as coisas gravadas sem ela 1984, cujo conceito eu respeito, mas é altamente discutível.”

Isso colocou em marcha um dos projetos mais interessantes das comemorações dos 80 anos de Elis, celebrados nesta semana, mais precisamente na última segunda-feira, dia 17. Bôscoli resolveu remontar o som original dessas gravações para lançar um disco neste ano, que será batizado de Elis para Sempre. O projeto começou em 2023, a partir de uma conversa com seu irmão, Pedro Mariano. Sabendo quais os instrumentos foram usados, reconstruindo os arranjos a partir do vídeo do especial, eles começaram a recriar o original. A baliza era de que tudo o que Elis tinha aprovado no especial teria de estar nas faixas, usando instrumentos lançados antes de 1976. E, para gravar, Bôscoli tinha uma vantagem extra. Em 2000, quando estava à frente da gravadora Trama, ele comprou o estúdio Vice-Versa, então tem os equipamentos usados na gravação original.

No ano passado, uma primeira canção recuperada foi lançada. Justamente Para Lennon & McCartney. “Toda a família de sons que ela trabalhou a vida inteira tinham de estar na faixa”, diz, e foi atrás de replicar tudo exatamente como era, dos sintetizadores analógicos aos pedais das guitarras. Até o baixo do mestre Luizão, o maior dos baixistas brasileiros, que acompanhou Elis por boa parte de sua carreira, foi recomprado para o projeto.

Furacão Elis

Se esse é o projeto mais interessante a marcar os 80 da cantora, está longe de ser o único. Afinal não é todo dia que se celebram os 80 anos de uma das cantoras mais icônicas do país. Pimentinha ou furacão, dotada de uma uma voz excepcional, marcada por uma impressionante extensão, e talvez uma das cantoras a melhor dosar a emoção em cada interpretação, Elis teve uma carreira superlativa em todos os sentidos. Em curtos 36 anos de vida, gravou 28 álbuns, destes 21 de estúdio e sete ao vivo, além de 33 compactos. São números impressionantes, mas frios diante do que representou para a música brasileira.

Inquieta, nunca se fixou a um só estilo. Não só sempre encontrava novas maneiras de se apropriar das canções que escolhia cantar, como buscou lançar luz sobre jovens compositores que pudessem lhe dar músicas que ganharam versões definitivas a partir de sua interpretação. A lista é gigantesca, mas, só para dar dimensão dessa grandeza e generosidade, estão nela Jorge Benjor, Gilberto Gil, João Bosco, Belchior, Ivan Lins, Hyldon, só para citar alguns.

Para fazer jus a esse legado, neste final de semana, acontece o show Elis 80, no Theatro São Pedro, em Porto Alegre. No fim de semana seguinte, em 28 de março, é a vez de São Paulo. Pedro Mariano, João Bosco, Fagner e Ivan Lins se reúnem no Espaço Unimed para o show também batizado de Elis 80.

Na última terça, uma versão revista e ampliada do livro Elis — Nada Será Como Antes, de Julio Maria, foi lançada pela Companhia das Letras com informações inéditas, além de centenas de declarações marcantes sobre a cantora. João Marcello Bôscoli gosta da primeira versão do livro, mas tem algumas ressalvas em relação aos depoimentos. “Gostei do livro, tem algumas coisas desconfortáveis. Eu acho que as pessoas mentem muito, né? Não é na maldade, mas é complexo”, diz.

Outros projetos que estão em produção são o  documentário Elis com a Palavra, feito por Hugo Prata, que em 2016 dirigiu a cinebiografia Elis (Netflix, Telecine), a partir de vídeos e áudios recolhidos pelo pesquisador Allen Guimarães. E existe o desejo da atriz Bianca Comparato de fazer um filme a partir das gravações do disco Elis & Tom. Esse é o assunto justamente do excelente documentário Elis & Tom — Só Tinha de Ser com Você (Globoplay). E há ainda projetos documentais no forno, baseados no livro que João Marcello Bôscoli lançou em 2019 pela editora Planeta: Elis e Eu: 11 anos, 6 meses e 19 dias com minha mãe.

Mas nenhum projeto é mais completo do que a exposição que ele planeja há anos sobre a sua mãe, que deveria ter estreado em março deste ano no MIS, mas não conseguiu vender todas as cotas.  “A gente tem follow up de 40 empresas, mas ainda não conseguimos fechar. Mas a exposição do MIS vai acontecer. Sabe por que? Porque se não acontecer, a responsabilidade não é minha, dei o meu melhor. Estamos com uma equipe super profissional, uma empresa especializada vendendo. Tem os 80 anos, e tudo da Elis é superlativo. Elis & Tom ia ficar 15 dias em cartaz e ficou quatro meses. Todo mundo nos trata bem, mas até agora não bateram o martelo”, diz Bôscoli, que tem esperança de ver a exposição de pé no próximo semestre.

Pensando não só na qualidade artística, mas no quanto Elis está viva entre nós — basta pensar que ela foi a primeira cantora a ter uma faixa vertida para o revolucionário sistema de som tridimensional Dolby Atmos ou no sucesso da propaganda da Volkswagen em que uma Elis recriada por inteligência artificial interage com a filha Maria Rita — as marcas poderiam dar logo esse presente para os fãs.

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