Pesquisa Meio Ideia: Brasil chega a 2026 dividido sobre a permanência de Lula
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A pesquisa Meio Ideia, divulgada nesta terça-feira, 13, revela um país dividido sobre a permanência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Palácio do Planalto após as eleições deste ano. Questionados se o presidente merece continuar no cargo, 46,9% dos entrevistados responderam que sim, enquanto 50% disseram que não. Outros 3,1% afirmaram não saber. Para Mauricio Moura, fundador do Ideia, essa é a pergunta que melhor reflete o estado de espírito da disputa presidencial de 2026, expondo uma margem de manobra bastante estreita para as campanhas. “Aí tem uma notícia boa e uma ruim para o presidente Lula. A ruim é que ele terá que reconquistar esses 3%. A briga pelos 3% será fundamental. A notícia boa é que um presidente concorrendo à reeleição tende, naturalmente, a melhorar sua avaliação por questões de entrega e exposição. A notícia ruim é que, dessa vez, o teto de melhora é muito pequeno”, analisa. Esse contingente equivale a um grupo de 4 a 5 milhões de eleitores.
No recorte regional, o Nordeste segue como o principal reduto do petista: 55% defendem sua continuidade, diante de 43% que avaliam o contrário. No Norte, o quadro se inverte, com 56% rejeitando a permanência do presidente e 43% apoiando. No Sul, a distância é ainda maior, com 58% dizendo que Lula não merece continuar, ante 38% que discordam dessa leitura. No Sudeste, a rejeição também prevalece, onde 51% são contra e 46% apoiam. Já o Centro-Oeste aparece praticamente empatado, dentro da margem, com 49% favoráveis e 48% contrários — um resultado que chama atenção em uma região historicamente mais refratária a Lula. Ali, quem ajuda a equilibrar o xadrez é o agronegócio, segundo Cila Schulman, CEO do Ideia. “O agro tem toda uma parcela que, de fato, é mais conservadora e antipetista, mas há um agro que está muito feliz com o governo. E isso pode ser bastante diferente nessa campanha do que foi nas duas anteriores.”
A divisão se aprofunda quando o recorte é religioso. Entre católicos, Lula mantém maioria confortável: 60% sustentam que ele merece continuar no cargo, enquanto 37% pensam o oposto. Já entre evangélicos, a rejeição é ampla, com 73% dizendo que o petista não deveria seguir, contra apenas 24% que defendem sua continuidade. Entre eleitores sem religião, o padrão se repete, com 72% defendendo a saída e 25% a continuidade. No grupo de outras religiões, o apoio volta a ser majoritário, chegando a 58%.
A renda também ajuda a desenhar esse eleitorado. Lula encontra mais respaldo entre os mais pobres. Dos que vivem com até um salário mínimo, 54% defendem sua permanência, frente a 42% que não. A partir daí, a balança começa a virar. Na faixa entre um e três salários mínimos, a rejeição já supera o apoio por uma pequena margem. Entre quem recebe de três a cinco salários mínimos, 55% avaliam que o atual mandatário não deveria continuar, percentual que sobe para 58% entre os que ganham mais de cinco salários mínimos. No grupo que não informou renda, o índice de rejeição atinge 67%.
A pesquisa Meio Ideia está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06731/2026 – BRASIL e ouviu 2.000 eleitores de 16 anos ou mais, em todas as regiões do país, por meio de entrevistas telefônicas realizadas entre os dias 8 e 12 de janeiro. A amostra é representativa do eleitorado brasileiro e o levantamento tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando um intervalo de confiança de 95%. Em função de arredondamentos, a soma dos percentuais pode não totalizar exatamente 100%.


