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Edição de sábado: A ideologia do brasileiro

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Em números, 59% dos brasileiros são de direita, 34%, de esquerda. O centro existe. Até poderia ter seu corpo esticado para alcançar uns 7% — mas é um arredondamento ousado de quase seis pontos decimais. Muito para o tamanho que tem. Segundo o que coletamos na Pesquisa Meio/Ideia, o centro brasileiro reúne 6,45% do total da sociedade. Somos um povo que olha mais para dentro do que para fora — 60% de nacionalistas, 40% de cosmopolitas. Mas não somos radicais. Os radicais entre nós mal passam dos 10%. No todo, 89% se distribuem por ideologias moderadas.

A decisão de realizar uma pesquisa de opinião mensal, em parceria com o Instituto Ideia, veio com uma segunda ambição talvez tão importante quanto a de acompanhar a corrida eleitoral. Contribuir para o debate sobre a democracia brasileira trazendo informação nova. E o caminho por seguir nos pareceu claro desde o início: entender como o brasileiro se distribui ideologicamente. Como o brasileiro pensa o Brasil.

Ao longo da carreira, o cientista político Christian Lynch, colunista cá do Meio, desenvolveu um mapa para isso. Analisando livros, artigos, discursos, panfletos, debates em plenário e o que fosse de políticos, intelectuais e jornalistas desde princípios do século 19, ele esquadrinhou quais são os sistemas de crença da política nacional. O que Frei Caneca pensou, Rui Barbosa sugeriu e Fernando Henrique propôs no governo, com um século de diferença entre um, o outro e o terceiro, tem a clara genealogia de um mesmo ideário. Uma mesma ideia de Brasil. Como há uma linha nítida entre Getúlio Vargas, Leonel Brizola e Ciro Gomes. No mapa de Christian, são dez as ideologias brasileiras — seis que operam dentro do sistema democrático, quatro que jogam por fora.

O que não tínhamos como saber é se mapear na sociedade a distribuição destas ideologias seria útil. Se ajudaria a compreender melhor a política do país, o comportamento do eleitor, ou mesmo a crise da democracia. Afinal, o modelo de Christian é baseado na produção de quem pensa profissionalmente sobre política. Estas são pessoas que vivem política 24 horas do dia. Chegam a seus valores por leituras densas, por conversas entre quem disputa eleições ou mesmo se organiza para entender como governar.

É claro que estas ideias chegam à sociedade. Sempre chegaram. Elas formam o debate público e, portanto, são as escolhas à disposição de quem vota. As ideias podem vir de quem pensa política profissionalmente, mas se espalham na forma de valores quando as crianças ouvem dos pais sobre a vida. Nós as adotamos ao conversar com aqueles professores que por alguma razão nos impressionam em momentos chaves. Um chefe, um tutor, um amigo. As ideias circulam e chegam a todos. Mas com que profundidade? Com que precisão? De novo: mapear as ideologias na sociedade ajuda a entender o país, o comportamento do eleitor e a crise que vivemos? Os resultados demonstram que a resposta é sim para todas estas perguntas.

As ideologias e o método

Para esquematizar as ideologias, Christian Lynch trabalha com três eixos. São eles que abrem este artigo. O primeiro são esquerda, centro e direita. A esquerda entende que a sociedade é uma construção histórica, humana, e que sua marca é dominação e injustiça. O governo deve lutar para reverter esta injustiça. A direita vê algo muito distinto. A estrutura da sociedade não foi criada deliberadamente por nós. Alguns até compreendem que pode ser fruto do encontro entre história e cultura, mas a esta altura se tornou uma tradição ancestral que encontrou equilíbrio. Outros na direita acreditam que é fruto do desejo de Deus. Terceiros consideram que a sociedade se organiza pelas ações coletivas de um mercado comum. É econômica. Seja qual for a origem da organização social, a direita tem convicção de que ela é extra-humana. A alguém que pretende governar, não cabe intervir no jeito que a sociedade funciona. Vai bagunçar. É preciso proteger, restaurar ou administrar para garantir a manutenção da ordem. O centro não é amorfo, o que tem é uma terceira visão. Para o centrista, não há nem uma ordem perfeita por preservar, tampouco uma justiça plena possível de se alcançar. Para o centro, o que há na sociedade é o conflito. Um conflito natural e inevitável quando muitas pessoas convivem e discordam. É preciso, portanto, haver método para gerir o conflito. O método está em instituições estáveis, nascidas de um acordo, e que por isso terão legitimidade para corrigir injustiças. O centro nunca é majoritário, mas é o pêndulo que equilibra a democracia.

O segundo eixo no qual Christian se baseia é o que põe em oposição nacionalismo e cosmopolitismo. O nacionalista compreende que o país vem antes do mundo na escala de prioridades. Temos uma história própria, nossos problemas são particulares, temos interesses. E, no caso específico do Brasil, no jogo internacional lidamos com cartas e regras que os outros criaram. Então proteger é preciso. O Brasil deve se medir por sua própria régua. Deve se afirmar. O cosmopolita parte do princípio oposto — o Brasil deve se adequar. Há valores, direitos e ideias que são comuns a toda humanidade. É em nossa humanidade que nos encontramos. A nação é o meio pelo qual nos organizamos, mas o país deve lembrar que faz parte de um só mundo e, assim, perceber que há exemplos lá fora de países que se arrumaram melhor. Devem ser seguidos. O mundo, o conjunto da humanidade, oferece a melhor régua para nos medirmos.

Por fim, o eixo da moderação e radicalismo. Na sua base, é o mais simples de compreender. É se você acredita que política resolve conflito. Ou não. O moderado acredita que conflito de ideias, na sociedade, é inevitável. Democracia é o jeito de administrá-lo com a consciência de que, além de inevitável, o conflito é permanente e, principalmente, legítimo. O radical simplesmente não pensa assim. O conflito de ideias, para ele, é uma patologia. Existe uma ordem verdadeira, e apenas uma. Ela precisa ser restaurada. Ou criada.

Só que, aí, há uma sutileza. Das seis ideologias brasileiras que são moderadas, ou seja, perfeitamente capazes de operar dentro da democracia, metade é igualmente capaz de escorregar para o outro lado. Oscilam. Quando o conflito é de baixa intensidade, o jogo democrático vale. Quando ele aumenta o volume, nestas três ideologias a tentação do autoritarismo aparece. Esta é uma informação chave.

Incluímos na pesquisa Meio/Ideia um conjunto de 18 perguntas com quatro ou cinco respostas de múltipla escolha sobre acontecimentos ou debates presentes na conversa brasileira de 2013 para cá. No conjunto, elas pretendiam medir a posição de cada pessoa nestes três eixos. A fórmula de cálculo das respostas foi criada com a ajuda de dois modelos de inteligência artificial generativa — o GPT, da OpenAI, e o Gemini, do Google.

O resultado da distribuição das ideologias é um retrato diferente, porém em alguns pontos comparável com dois outros estudos recentes. O da ONG More in Common, que se dedica a compreender este momento de polarização política, sob responsabilidade do professor Pablo Ortellado. E o Brasil no Espelho, trabalho da Quaest Pesquisa e Consultoria, coordenado pelo também professor Felipe Nunes, e encomendado pelo Grupo Globo.

No caso deste Mapa das Ideologias Brasileiras, somos três os responsáveis. Além de mim e do Christian, também o economista Maurício Moura, fundador do Instituto Ideia. Aqueles dois trabalhos são fundamentais para compreendermos o momento do Brasil. Este terceiro traz informação nova que os complementa. É mais uma peça para o quebra-cabeças.

As nove ideologias brasileiras

Na história do pensamento político brasileiro, Christian Lynch encontrou dez formas de ver e pensar o Brasil. Na sociedade brasileira, em janeiro de 2026, entrevistamos duas mil pessoas. É uma amostra estatística mais do que suficiente para permitir cortes específicos e enxergar com detalhe cada uma das cinco regiões do país. E não encontramos um só que respondesse como um “comunista cosmopolita”. Ser da organização estudantil Libelu teve lá seu charme no final dos anos 1970, mas parece que o trotskismo desapareceu. Certamente existem alguns perdidos por aí, mas no total esse número bate no limite que tende a zero. Todas as outras nove estão presentes. Da maior para a menor:

Se uma ideologia é a cara do Brasil é esta. À direita, rigidamente moderada, com uma queda para o nacionalismo. Representa um quinto dos brasileiros. Na distribuição demográfica, parece o Brasil no censo do IBGE: 52% mulheres, 48% homens; 47% pardos, 42% brancos; 40% com ensino fundamental completo, 36% com ensino médio. É a maior ideologia do Sudeste, do Sul, do Centro-Oeste. Muito concentrada na Classe C. O Conservador societário entende que a ordem social vem de uma tradição que vale ser preservada, põe sua família em primeiro lugar. José de Alencar é sua cara no século 19, Gilberto Freyre no 20. Luiz Felipe Pondé talvez seja a principal referência intelectual hoje em dia. Tem imenso apreço por sua comunidade e se encanta com o Brasil, com seus símbolos. Principalmente, é avesso a qualquer forma de ruptura. Quer estabilidade, conversa, calma. É de direita porque seus valores são de direita. Ainda assim, é perfeitamente capaz de votar na esquerda. O maior bloco dos indecisos, nesta eleição, é justamente deste grupo.

De esquerda, certamente nacionalista — quase sempre moderado. Mas nem sempre. Este é o segundo maior grupo ideológico do país, representado por 18% da população, metade destes ganha entre um e três salários-mínimos. Metade tem ensino médio. Muito feminino: 63% são mulheres. A maior no Nordeste, a segunda no Sudeste. É, na nossa história, uma ideologia que nasce no Tenentismo e que se consolida no governo constitucional de Getúlio Vargas, a partir de 1950. Seu pensamento fundador é também muito estatista, pois considera que o papel fundamental do Estado é o de resolver em nome do povo o problema da justiça social e combater uma elite que saqueia o país. O desenvolvimento da economia, para eles, parte igualmente do Estado. Porque é populista, quando encontra resistência demais daqueles que considera serem as elites, não é avesso a uma ruptura democrática.

De direita, muito nacionalista, também nem sempre moderado. Mas em geral é. E representado por 17% da população. Quase meio a meio entre homens e mulheres, um tico mais masculino. Está presente em todas as faixas de renda, mas curiosamente é uma das ideologias dominantes daqueles que ganham cinco ou mais salários. Neles, 43% têm ensino médio, 33% fundamental. Maior ideologia do Norte, segunda maior força do Sul. Com muita frequência, pensamos em direita e esquerda como antagônicas, mas o Conservadorismo estatista é quase um espelho, à direita, do Socialismo nacionalista. Getúlio, aliás, migrou de um para o outro. Se entendem, estes dois grupos. Na economia, são irmãos siameses. Na política é que não tanto. Esta ideologia é particularmente preocupada com ordem, disciplina, coesão nacional. Autoridade. Polícia para controlar bagunça. E, se a bagunça estiver demais, acredita que, no limite, soluções de força são necessárias. É uma ideologia na qual democratas, como Juscelino Kubitschek, são capazes de se encontrar com ditadores, como Ernesto Geisel.

De esquerda, evidentemente, moderada e sempre moderada. Opera solidamente dentro da democracia. Das quatro grandes ideologias brasileiras, é a única cosmopolita. Afinal, é a esquerda que nasce dos valores liberais. Encosta em 15% da população, 60% de seus integrantes são mulheres. Quase 60% recebem de um a três salários, 50% de pardos. Um quarto tem ensino superior, o que é raro. Não é uma ideologia dominante em nenhuma região particular, embora seja a segunda força do Nordeste e forte nas grandes capitais. Suas referências intelectuais são nomes como Antonio Cândido e Florestan Fernandes. Acredita na força da sociedade civil organizada — sindicatos, movimentos sociais. Em oposição aos trabalhistas, é neste grupo que está o PT da origem e o PSOL de hoje. É humanista. E, neste momento da história, identitário.

À direita, cosmopolitas, em geral moderados. Até o momento em que não — os chilenos sob Augusto Pinochet que o digam. Representam a maior das ideologias menores — 11% do total, 64% homens, concentrados numa faixa de renda mais alta. Só são relevantes numericamente na região Centro-Oeste, em que representam a segunda força. 40% têm ensino médio, 36% fundamental. Tiveram representantes na Primeira República, como o presidente Campos Sales. Roberto Campos é um nome de proa; no Brasil de hoje, está em Paulo Guedes, no Partido Novo e, na origem, no MBL. Vê o Estado como um atraso, o nacionalismo como um atraso. No centro de sua visão de mundo está a liberdade econômica. A direita que considera que a ordem social é dada pelo mercado é esta. Se a democracia emperrar demais e um regime autoritário for necessário para garantir que a economia corra livre nas trocas por indivíduos e grandes empresas, estão dispostos a topar.

De direita, cosmopolita e radical. A maior dentre as ideologias que não toleram a democracia jamais. Cosmopolitas, afinal, porque Deus não vê fronteiras. Mas são apenas 6,6% do todo. Quase 60% masculina, 55% ganham entre um e três salários. Uma concentração de pretos bem maior do que a média nacional, 17% do conjunto. É onde se encontra a mais baixa escolaridade. Foi principalmente católico no tempo do Império e boa parte da República, com nomes tipo Jackson de Figueiredo ou representado pela TFP. Hoje é mais evangélico. O mundo de Silas Malafaia. Seus maiores inimigos são o laicismo, o comunismo e o liberalismo. A missão do Estado é defender a fé cristã.

A única ideologia centrista, mas também a mais antiga do debate político brasileiro. Centrista, cosmopolita, moderada. Nasce com Tomás Antonio Gonzaga e os inconfidentes fascinados com os escritos iluministas e a revolução americana. Estava no Frei Caneca antes da independência, no movimento abolicionista durante o Império, Joaquim Nabuco. Rui, sua campanha civilista, e o Real de FHC. Ainda assim, no total, 6,45% de nós. Quase 30% têm ensino superior — nenhuma outra ideologia tem uma participação tão alta. É a elite intelectual. Porque educação e cor da pele têm relação direta no Brasil, quase 60% são brancos. Suas crenças são as da democracia: liberdade civil, pluralismo de ideias, direitos humanos. Representam uma visão pragmática do idealismo, a institucionalidade.

Direita, nacionalista, radical. Representa uma de duas ideologias nanicas — 2,8% da sociedade. Plínio Salgado é seu fundador, no Brasil, com a Ação Integralista. O maior grupo por renda está entre os brasileiros que recebem até um salário — 34%. Não são dominantes em nenhuma região, com estes números seria impossível. Estão hiperconcentrados no Nordeste, 41% deles. A escolaridade é baixa de forma geral. No Brasil, o Fascismo é a versão nacionalista do reacionarismo religioso. É por isso que encontra no slogan “Deus, Pátria e Família” sua síntese perfeita. Seus inimigos são os comunistas, os cosmopolitas e os liberais.

De esquerda, nacionalista e radical. Aliás, a versão radicalizada do socialismo nacionalista. É um tico, só, da população. Mas existe: 0,7%. Quase 1%. Mais feminino, bastante pobre: 72% recebem menos de um salário, e 60% são brancos. Não custa lembrar que a amostra é tão pequena que estes números grandes certamente trazem distorções. Este conjunto de ideias nasce no Tenentismo, tem em Luiz Carlos Prestes seu fundador, em João Amazonas um pensador. Está em muitos youtubers de esquerda, como Jones Manoel. O imperialismo como inimigo é o centro de sua visão, tem um discurso de libertação nacional, é capaz de alianças táticas com a burguesia local para industrializar o país. Não leva a democracia (burguesa) a sério.

O que isso diz sobre o Brasil de hoje?

Das nove maneiras de pensar o Brasil representadas na sociedade, três são radicalmente contra qualquer forma de ruptura com a democracia. Neste conjunto entram a maior delas, o Conservadorismo societário (20%), o Socialismo cosmopolita (14,5%) e o Liberalismo democrático (6,4%). Três topam ruptura em momentos nos quais o debate está muito quente e a percepção é de que a política não levará a acordos tão cedo. São o Socialismo nacionalista (18,3%), o Conservadorismo estatista (17%) e o Libertarianismo econômico (11,3%). Uma é de esquerda, as outras duas de direita. Ou seja, ruptura não vem com as três juntas. As três últimas são radicais e não aceitam a democracia. O Reacionarismo religioso (6,6%), o Fascismo (2,8%) e o Comunismo nacionalista (0,7%).

Para organizar a conta: temos 9,4% de antidemocráticos na direita que podem se somar aos 28,4% que topam, em certos casos, uma ruptura. Por outro lado, os antidemocráticos de esquerda somam 0,7%. Que podem se juntar aos 18,3% com saudades da ditadura Vargas.

É muito importante ir com cautela nessa conta, não levar os números a ferro e fogo. Nem todo mundo que segue uma ideologia que demonstrou vontade de romper, no passado, romperia hoje. Mas claramente existe na direita uma quantidade grande o suficiente de pessoas que poderiam conviver com uma ditadura em nome da ordem.

Nós usamos a distribuição dos votos declarados espontaneamente para alguém da família Bolsonaro por um lado, e os declarados para Lula do outro para compreender como se organizam as bases sólidas de ambos os grupos.

Lula reúne uma coalizão ampla na qual metade são Socialistas nacionalistas e cosmopolitas, mas que junta ainda Conservadores societários (que desejam estabilidade) e estatistas (os que buscam ordem e desenvolvimento). O fato de que quase 12% da base do presidente vêm destes Conservadores estatistas mostra que nem todo mundo no grupo está apostando numa ditadura de direita.

Bolsonaro, por outro lado, tem metade de sua base entre Conservadores estatistas e Libertários econômicos. A sua é uma coalizão muito mais homogênea ideologicamente — apenas 15% de seus eleitores vêm de ideologias à esquerda, contra 45% da base sólida de Lula que são de direita. Esta aparente incoerência na base eleitoral do petista já havia sido percebida no estudo da More in Common, que detectou uma força conservadora muito presente. Nas pesquisas da Quaest, isso também se mostra.

De qualquer forma, a base bolsonarista não é fascista. Tampouco é necessariamente antidemocrática, embora possa se tornar. Além disso, há nela uma tensão não declarada e que não se resolve. Se 30% são Conservadores estatistas, e querem ordem, polícia e um Estado desenvolvimentista, outros 20% são Libertários econômicos, que gostariam de usar a força do Estado para tirar o próprio Estado da economia. Juntos, poderiam até topar uma ruptura. Mas atender a um grupo é negar o clamor do outro. Alguém se frustraria. Muito.

Talvez o maior sinal da fragilidade da democracia brasileira não seja esse. É a compressão do centro Liberal democrata. Se aqueles que têm por ideologia a própria Democracia são tão poucos, haverá no debate público muita gente defendendo pautas de esquerda ou direita e poucos preocupados apenas, tão somente, com a coesão do próprio regime democrático. É exatamente o que estamos assistindo.

Entender o que são as ideologias brasileiras e como elas se distribuem na sociedade ajuda a enxergar, com uma clareza ímpar, o Brasil de hoje. É o retrato perfeito.

Talento sem prazo de validade

Se você não morrer antes, o curso da vida vai te levar a ficar velho. Idoso. Jovem há mais tempo, como queira chamar. Esse é o caminho de muitos brasileiros. Até 2030, o Brasil terá mais idosos do que crianças, e a expectativa de vida aumentou para 76,6 anos em 2024, segundo o IBGE.

No entanto, mesmo com a previsão de crescimento robusto no topo da nossa pirâmide etária, 54% dos brasileiros acima de 50 anos não se sentem representados pela mídia, segundo o hub de pesquisa Data8. Contraditoriamente, eles são os telespectadores mais fiéis — 91% dos idosos têm a TV aberta como principal hobby, de acordo com a Kantar Media. Logo, aonde foram os artistas mais velhos, as divas e os galãs de outrora?

Não é questão de saudosismo. Belchior, na voz de Elis Regina, já dizia: “o novo sempre vem”. Mas seja por preconceito ou mesmo por nunca alguém nos ter ensinado a envelhecer, algo tão natural quanto o passar dos anos mexe um tanto com a gente.

Estamos fragilmente alicerçados por ideais de jovialidade. A atriz e eterna musa Maitê Proença, aos 67 anos, dispara sua tese: “A idade, a velhice, ela nos aproxima da morte — supostamente. Por isso as pessoas têm um pé atrás com o negócio. Mas quem é que me garante que a mulher de 60 vai morrer antes daquela de 30, que pode morrer amanhã do coração, porque está triste, tensa, frustrada, por não dar conta da demanda que o mundo lhe impõe?”. Imagine ouvir isso com 31 anos recém completados? Brincadeiras à parte, acredito que assim como você, eu pretendo ficar um bom tempo ainda por aqui.

Mas, além da rápida identificação cultural que o público tem com atores conhecidos há décadas, profissionais maduros podem ser mentores para os mais jovens. Isso é o que defende o empresário artístico Marcus Montenegro, que está à frente da campanha Quero Veteranos na TV.

A partir de 2019, quando o Grupo Globo iniciou seu processo de reestruturação de contratos, e abandonou progressivamente o modelo de exclusividade de longo prazo, Marcus notou uma mudança considerável no perfil dos elencos.

“Tinha já uma juvenilização nas novelas bastante significativa acontecendo. Antigamente, os elencos eram compostos por cerca de 20% de jovens e 80% de pessoas com mais de 40. As proporções foram se invertendo até ficar gritante uma exclusão. Atores veteranos fazendo personagens importantes são uma escola para os mais jovens, e cria-se um encontro de gerações. Diversidade com etarismo não é diversidade, né?”, conclui.

Essa exclusão abarca ainda uma contradição inerente, mas não óbvia. Se você pensar em quanto tempo alguém demora para se tornar especialista em algo, pode botar nessa conta uns bons anos de estrada, de dedicação intelectual, e muita, muita repetição. A neurociência confirma que, dentre as técnicas que auxiliam a manter um conhecimento aprendido por mais tempo ou a evocá-lo com facilidade, o sistema de repetição espaçada (SRE) é um dos mais eficazes para potencializar a retenção da memória, aponta um estudo da Universidade Federal de Uberlândia, em Minas Gerais.

Ou seja, retirar de cena um ator experiente pelo fator da idade e ou uma ideia inflada de renovação geracional, acaba por desperdiçar um talento lapidado por décadas, no auge do amadurecimento intelectual.

“O pano de fundo de tudo isso é o idadismo - que considera o envelhecimento como sinônimo de dependência, fragilidade, inutilidade, perda de papel social e proximidade com a morte”, explica Henrique Salmazo da Silva, professor doutor em gerontologia pela USP. “A pessoa idosa tem uma transmissão de legado sócio-histórico acumulado ao longo da vida para ofertar a sociedade. É como se cada idoso fosse uma enciclopédia, como diz um ditado africano.”

Para Montenegro, talento não tem prazo de validade. E apesar do eterno meme da atriz Susana Vieira alfinetando a juventude, dizendo que “não tem paciência para quem está começando”, trocas intergeracionais podem potencializar ainda mais os ganhos psicossociais do processo de aprendizagem contínua e de criação em conjunto.

“É fato que a pessoa mais velha aprende enquanto ensina e vice-versa. Mas pensar que todas as pessoas velhas são sábias também é uma postura idadista. Sabedoria para ambas as gerações inclui uma postura aberta ao aprendizado, mesmo para uma veterana de sucesso como Madonna, Maitê Proença e tantas outras artistas”, defende Salmazo.

Na flor da idade

O mundo é um fenômeno estético, cravou o filósofo Nietzsche em 1872. “E nas artes isso acaba sendo um pouco mais perverso, porque todo ideal de beleza, de plenitude, de vigor, acaba recaindo sobre a juventude”, explica o gerontólogo Salmazo.

Aos 40 anos, uma das maiores atrizes de todos os tempos, Meryl Streep (hoje com 76), contou durante o programa The Graham Norton Show, que passou a receber várias propostas para interpretar bruxas. A chaga do machismo pode vir na forma de um educado e generoso convite para trabalho. Porém, não é a beleza em si — como também somente a técnica — que prende uma audiência a uma história, e sim aquilo que move paixões, que nos mobiliza emocionalmente, teoriza Maitê Proença.

“Quem escolhia os elencos, de uma maneira geral, eram homens, e quando uma mulher deixa de ser aquela gata que o despertava para o sexo, e passa a ser mais parecida com a mãe dele, aquilo dá um certo desespero, uma confusão que o faz querer evitar esse tipo de pessoa”.

Perguntada se existia algum privilégio no processo de envelhecer nas telas com uma beleza clássica e reconhecida pelo público, Maitê relembrou uma conversa com o galã Tarcísio Meira, falecido em 2021.

“Esperando para entrar em cena, o Tarcísio me fala: ‘Ai, Maitê, mudou. Todo mundo me olha diferente. As mulheres me olham diferente. Eu sei’. E eu respondi: ‘Não Tarcísio, você é lindo’. E então ele disse: ‘Eu posso ser lindo, mas eu sou velho agora’. E é diferente. Só que falam essas coisas como se a gente não estivesse autorizado a seguir o curso natural. Mas aí é um problema dos outros, né?”, sustenta a atriz, com firmeza e bom humor.

Tomando as rédeas profissionais

Independentemente dos avanços e mudanças no mercado audiovisual e corporativo, o profissional artístico de hoje precisa ser muito diferente do ator que ficava em casa esperando convite. “É chegado o momento de se autoproduzir”, destaca Montenegro.

Profissionais maduros investem em suas carreiras e se entendem como uma ‘marca pessoal’, utilizando networking e tecnologia como ferramentas, desenvolve Morris Litvak, diretor da Maturi e especialista no mercado da longevidade, que promove diversidade etária no meio de trabalho.

“A gente tem uma cultura otimista, mas pessoas chegando aos 50, 60 anos, ainda não aposentadas, e que não conseguem emprego por conta da idade, estão muito inseguras por não saberem como se manter. Vai requerer políticas públicas, claro, mas todos nós precisamos nos preparar e desenvolver expertise de se vender, de como precificar, na parte técnica, e de um planejamento pós-carreira”.

Positivamente impressionado, Litvak conta de uma ida ao teatro, onde conheceu uma atriz veterana que, ao receber cada vez menos convites para papéis, decidiu aprender a inscrever projetos para leis de incentivo à cultura e buscar patrocinadores privados para viabilizar suas peças.

Assumir o protagonismo da própria carreira combate a insegurança de um mercado que ainda tenta escolher, por nós, a hora de parar. E assim, a idade passa de um impeditivo para a produtividade para se tornar um ativo estratégico.

Vida e arte entrelaçadas

Leonilson (1957-1993) foi um dos artistas mais importantes da Geração 80. Nascido em Fortaleza veio para São Paulo com quatro anos de idade. Nos anos 1970, largou a faculdade de Artes Plásticas na FAAP para criar uma obra absolutamente original.

“Júlio Plaza [professor e artista] foi um dos grandes incentivadores de ele abandonar a FAAP. Numa conversa ele falou assim: ‘Meu, você é um artista pronto, que é que você está fazendo aqui? Vai, voa, vai pro mundo, porque você tem a sua própria técnica, você questiona todas as técnicas que a gente ensina, você não tem o que fazer aqui, vai brilhar, vai fazer exposição.’ E aí ele pegou e abandonou a faculdade”, conta Gabriela Dias Clemente, sobrinha do artista e diretora geral do Projeto Leonilson, cuja produção mais importante até agora foi a elaboração do catálogo raisonné do artista em 2017.

Além de catalogar mais de 4 mil obras produzidas por Leonilson, entre desenhos, pinturas, bordados, esculturas, gravuras, assemblages e colagens, agora o Projeto Leonilson se debruça sobre seu acervo pessoal, composto por agendas, cadernos de anotações, registros fotográficos, textos, poemas, biblioteca, correspondências, materiais de trabalho, objetos, coleção particular de obras e documentos.

E o primeiro rebento público desse acervo é o livro Leonilson: Diários de uma Voz - Trechos Transcritos, organizado pelo escritor João Anzanello Carrascoza a partir de 19 fitas cassete com gravações feitas até pouco antes da morte do artista por complicações decorrentes do HIV. O livro será lançado na próxima segunda-feira, dia 19, e estará disponível para a compra no site do Projeto Leonilson.

Conversei com Gabriela Dias Clemente para falar do livro e da obra e do legado de seu tio. Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

Diferentemente de uma autobiografia coesa, estes são registros crus, marcados por improvisos e contradições. Como você avalia o impacto dessa narrativa fragmentada?

É algo bem complicado, porque tem esse negócio de que é uma autobiografia e não é, porque ali nessas fitas nem a gente consegue saber o que é verdade e o que é coisa inventada. A gente não colocou nenhum pseudônimo no livro, então a gente foi pedir autorização para todas as pessoas citadas. E aí teve uma pessoa que eu fui pedir autorização, e ela nunca tinha autorizado falar o nome dela relacionado ao do Leonilson, e dessa vez ela falou: “Eu quero que as pessoas me vejam através dos olhos do Leonilson”. E aí eu mandei os trechos e ela disse: “Mas isso não aconteceu assim, o Leonilson está mentindo”. Eu dava risada, né?

Como são essas gravações?

Tinha coisas que ele gravava no calor dos acontecimentos, enquanto estava andando, e tinha coisas que ele vivia e ia gravar no dia seguinte. Acho que essas coisas que ele gravava no dia seguinte, ou horas depois, já perdiam um pouco da realidade. Tentei deixar claro isso no texto do Projeto Leonilson, que não é um livro de verdades absolutas. Nem a gente tem como saber o que é verdade ou invenção, o que é sonho ou pensamento. No começo das fitas ele fala que queria gravar para fazer um livro. Aí já no meio, ele diz: “Gente, eu comecei a gravar pensando em fazer um livro, mas eu só falo bobeira, só falo da minha vida, eu sou super egoísta, sabe?” É como se o motivo inicial de ser um livro para influenciar outras pessoas perdesse o sentido, porque ele virou realmente um diário, um desabafo, principalmente depois que ele descobriu que estava doente. Começou a literalmente conversar com o gravador, como se fosse um tipo de psicólogo.

O organizador João Anzanello Carrascoza optou por uma estrutura caleidoscópica, em vez de uma cronologia linear. Como foi esse processo?

Foi tudo o João. Na primeira reunião, ele ficou de apresentar três maneiras de organizar o material para gente chegar à conclusão de qual seria melhor. Tinha essa maneira caleidoscópica, tinha a cronológica e uma em que ele brincava com a verdade e a mentira. Gostei bastante dessa parte caleidoscópica porque você tira o leitor da zona de conforto de ler tudo em ordem cronológica. Ele pode ir para o tema de que gosta mais. Por exemplo, se eu estou mais interessada nas viagens, eu vou começar por esses temas. Se eu prefiro o Leonilson mais sensível, quero ver os amores. A gente achou que ia ser mais interessante, porque o Leonilson já é compartimentado pelas obras, né? Numa exposição, você organiza por temas, a gente partiu mais ou menos desse princípio para trazer para o público essa parte do arquivo pessoal dele.

Quais foram os maiores desafios ao lidar agora com esse acervo pessoal, que inclui agendas, correspondências e objetos íntimos?

É bem complicado. No Brasil, essa parte de arquivo pessoal está muito crua, precisa ser muito debatida ainda. O arquivo pessoal do Leonilson é riquíssimo. Eu criei um banco de dados específico pro arquivo pessoal. E ele se cruza com o banco de dados do acervo artístico. Então agora a gente vai fazer todo esse cruzamento. Por exemplo, nessa jornada a gente descobriu três exposições internacionais de que ele participou e não tinha registro. Ele fez uma exposição em Nova York em 1985. A gente não sabia dela, e está lá na agenda dele. Aí a gente achou o catálogo da exposição na biblioteca pessoal dele. Esse cruzamento é literalmente para conseguir datar melhor a trajetória do Leonilson. Porque ali no início dos anos 1980 ainda tem bastante coisa da parte artística que tem lacunas. Exposições que a gente não tem muita informação, colecionadores, principalmente os de fora. Quando a gente publicou o catálogo raisonné, percebeu pelas pesquisas que tem muita obra no exterior, principalmente na Itália e na Espanha, que a gente não conseguiu localizar.

A poética de Leonilson em seus últimos anos aborda profundamente o impacto do vírus HIV e suas angústias, qual a importância do livro para desmistificar ou aprofundar a visão sobre a produção artística dele neste período?

É fundamental, né? A obra final do Leonilson é muito impactada por essa parte do vírus, de tudo que isso causou na vida dele. Sabe que eu me surpreendi? A obra, a parte artística, ao expor os sentimentos dele, pega muito mais pesado. Nas fitas eu acho que tem uma esperança. Lógico, tem as incertezas, mas ele está sempre com esperança, o que eu não vejo muito nas obras. Principalmente no fim, nas obras ali de 1990, 1992, 1993, você vê bem um trabalho carregado de solidão, de dor, de como a doença o está afetando, mas nas fitas ele fala várias vezes: “Não, porque eu vou eu vou vencer. Eu tenho certeza de que daqui a pouco vão inventar um remédio e eu vou me curar.” Talvez seja só por falar, né? A gente nunca vai saber. Talvez seja só um modo dele se enganar, né? Não sei se ele falava na fita, desabafava, e aí na obra ele ia e colocava coração mesmo. O Leonilson morreu, e nem um ano depois fizeram o coquetel que mantém as pessoas HIV positivo vivas até hoje. Acho que tinha de ser assim. Mas é um momento muito importante do livro para as pessoas saberem que aquele Leonilson que estava ali naquela obra triste tinha uma esperança, ele tinha uma vontade de viver.

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