Europa suspende acordo comercial em represália a Trump

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Depois de semanas de ameaças, acusações e promessas de aumento de tarifas se não conquistar a Groenlândia, o presidente americano, Donald Trump, viu a Europa, enfim, reagir de forma concreta. Nesta terça-feira, o Parlamento Europeu decidiu suspender a ratificação de um acordo comercial com os Estados Unidos. O congelamento foi liderado pelos principais grupos políticos do parlamento. O acordo suspenso, fechado em julho depois de negociações difíceis, previa a redução de tarifas sobre produtos industriais americanos. A votação para avançar com o pacto estava prevista para as próximas semanas, mas foi adiada. Trump ameaçou sobretaxar seis países da União Europeia, incluindo França e Alemanha, por não apoiarem suas demandas sobre a Groenlândia. (Le Monde)
Trump, aliás, parece ter tido um ataque de fúria na madrugada de terça. Começou o dia publicando nas redes sociais uma montagem — aparentemente gerada por IA — em que aparece fincando a bandeira americana na Groenlândia. Já ao ser informado de que Emmanuel Macron não participará do conselho liderado pelos EUA para Gaza, Trump desqualificou o presidente francês e ameaçou impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses. Também atacou o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, criticando a decisão do Reino Unido de devolver o arquipélago de Chagos a Maurício, incluindo a ilha de Diego Garcia. Em tom agressivo, acusou Londres de agir por “nenhuma razão” e classificou a medida como “grande estupidez”. (New York Times)
Em resposta, Macron afirmou que a soberania de territórios europeus não é negociável e sinalizou que a União Europeia deve reagir de maneira firme caso as ameaças americanas se convertam em ações concretas. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, adotou um tom mais estrutural ao afirmar, em discurso em Davos, que a Europa não pode mais se orientar pela expectativa de que a antiga ordem internacional será restaurada. (Guardian)
Foi nesse clima que Trump embarcou para Davos, na Suíça, onde ele vai anunciar a ampliação do escopo do chamado “Comitê da Paz”, criado inicialmente para tratar da reconstrução de Gaza, mas que atuaria ainda em conflitos ao redor do mundo. Trump também deve usar o evento para defender sua política de pressão sobre a Europa, após ameaçar impor tarifas à Dinamarca e a outros países da Otan caso não haja acordo para a transferência da Groenlândia aos EUA até 1º de fevereiro. (Axios)
Convidado por Trump para integrar o conselho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o americano por tentar “governar o mundo” por rede social. (g1)
A viagem de Trump começou tumultuada. O avião presidencial precisou voltar à base aérea de onde havia decolado devido a problemas elétricos. O presidente foi transferido para outra aeronave, mais usada para voos domésticos, e seguiu para a Suíça no início da madrugada de hoje. (AP)
Donald Trump não formou uma seita, mas uma coalizão. Uma pesquisa (íntegra) do instituto More in Common indica que o presidente dos Estados Unidos voltou à Casa Branca em 2024 à frente de uma base eleitoral diversa. O levantamento, que ouviu mais de 10 mil eleitores, identifica quatro perfis que compõem o mosaico de seu eleitorado: os MAGA hardliners (29%), núcleo radical do MAGA; os republicanos tradicionais e moderados, maioria da coalizão (30%); os conservadores anti-woke (21%); e a chamada direita relutante (20%), decisiva para a vitória, mas pouco entusiasmada. Apesar das diferenças internas, há um eixo comum que atravessa quase toda a coalizão: a rejeição ao movimento woke, visto como ameaça por 75% dos eleitores de Trump. (Meio)
Flávia Tavares: “Sabe a sensação de que o mundo virou um hospício dividido entre dois times que se odeiam e que ninguém mais pensa fora de uma dessas bolhas? Essa imagem está quase toda errada, mostram dois levantamentos: o relatório Beyond MAGA, da More in Common, que abre o capô da base de eleitores de Trump, e a pesquisa Mapa das Ideologias Brasileiras, do Meio/Ideia. Eles revelam um mix de visões de mundo que se unem em torno de lideranças extremistas, mas que não se resumem a blocos monolíticos ou estáveis”. Confira no Cá Entre Nós. (Meio)
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, antecipou a volta a Brasília por conta da repercussão negativa de decisões do ministro Dias Toffoli no caso do Banco Master. Fachin, que só retornaria à capital para a abertura do ano judiciário no dia 2 de fevereiro, vem conversando com colegas para discutir saídas institucionais para a crise de imagem do tribunal e convencê-los a apoiar sua proposta de um código de conduta para o STF. Apesar do retorno, a Corte segue em recesso. (Folha)
Mas as polêmicas envolvendo o Master e o Supremo não devem arrefecer. Como conta Malu Gaspar, o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, representa o banco de Daniel Vorcaro no processo que investiga o empresário Nelson Tanure por insider trading em operações da Gafisa. A pedido da defesa deste, o caso subiu para o Supremo e ficará sob a relatoria de Toffoli devido a conexões com as suspeitas de fraudes financeiras no Master. (Globo)
Enquanto isso... A ideia do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de transferir ao Banco Central a supervisão dos fundos de investimento e retirá-lo do escopo da CVM está sendo discutida por Jorge Messias, da AGU, e pela ministra Esther Dweck, da Gestão. A minuta deve seguir para a Casa Civil, mas o presidente Lula ainda não decidiu se prioriza o plano. Nos bastidores, também há desconforto com a escolha de Otto Lobo para presidir a comissão, nome que não agrada Haddad nem parte do Senado. Em resposta, a CVM divulgou nota nesta terça-feira reafirmando que sua competência para regular os fundos de investimento “é estabelecida em leis”. (CNN Brasil e Estadão)
Um vídeo aparentemente banal do presidente Lula caminhando de sunga na praia virou prova política. No Meio Político desta semana, exclusivo para assinantes premium, Wilson Gomes analisa como o corpo do presidente foi convertido em argumento de vigor, aptidão e liderança em um ambiente marcado pela desconfiança em relação a líderes muito idosos. Entre celebração militante, exageros com inteligência artificial e o fantasma do “efeito Biden”, a política contemporânea revela até que ponto a disputa pelo poder também se trava no terreno dos corpos. Faça agora uma assinatura premium e receba o Meio Político hoje, às 11h.
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Viver
O Brasil registrou 1.470 feminicídios em 2025, batendo o recorde do ano anterior, de 1.464 casos, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A nova marca equivale a quatro mulheres assassinadas por dia entre janeiro e dezembro. O número de mortes deve ser ainda maior, já que a pasta ainda não contabilizou os registros referentes a dezembro em São Paulo, estado com mais ocorrências do tipo no país, com 233, seguido por Minas Gerais (139) e Rio de Janeiro (104). O atual número de casos representa um aumento de 316% em relação a 2015, quando a lei passou a tipificar como feminicídio a morte de mulheres em razão de seu gênero. Naquele ano, foram 535 crimes. (g1)
Símbolo econômico e cultural do semiárido brasileiro, o caju pode perder até 58% das áreas adequadas para seu cultivo no Nordeste até 2070 por causa do aquecimento global, segundo estudos sobre as mudanças climáticas. A fruta representa identidade cultural e renda, chegando a responder por cerca de 40% da receita familiar em algumas localidades do sertão. Atualmente, cerca de 18 milhões de hectares ainda apresentam condições favoráveis ao cultivo do caju, mas a região pode perder 36% dessas áreas até 2050, mesmo em um cenário intermediário de aquecimento. (UOL)
O Inep reconheceu uma falha na divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), citando uma inconsistência do Sistema e-MEC na utilização de uma nota de corte diferente da estabelecida em nota técnica. A plataforma considerou uma nota de corte de 58 pontos para considerar estudantes proficientes, e não de 60 pontos, como o MEC considera nos resultados. A instituição deu prazo de cinco dias para que as faculdades apresentem recurso contra suas notas. Dos 351 cursos avaliados, 107 tiveram desempenho considerado insatisfatório pelo Enamed. (Globo)
Cultura
O Festival de Berlim anunciou nesta terça-feira os filmes que vão disputar o Urso de Ouro em sua 76ª edição, que ocorre entre 12 e 22 de fevereiro. Novo longa do cearense Karim Aïnouz, Rosebush Pruning é estrelado por nomes como Elle Fanning, Lukas Gage, Callum Turner, Riley Keough e Pamela Anderson, com roteiro de Efthimis Filippou, colaborador frequente de Yorgos Lanthimos. O segundo filme de Aïnouz em língua inglesa é um “thriller intrigante sobre uma família privilegiada que se desfaz quando segredos obscuros vêm à tona”. Já Josephine, da brasileira-americana Beth de Araújo, que conta com Channing Tatum e Gemma Chan no elenco, acompanha uma menina de oito anos que testemunha um crime violento. (Variety)
O jornalista e escritor brasileiro Oséas Singh Jr. venceu, nesta terça-feira, o Prix du Roman de l'Année, um dos prêmios mais prestigiados da literatura em língua francesa, com Estância dos Heróis Combalidos. Esta é a primeira vez que um autor brasileiro figurou entre os selecionados no prêmio francês. Publicado pela editora FoxTablet em formato digital, o romance se passa na fictícia estância turística Amada dos Anjos, marcada pela decadência e por uma endemia de alcoolismo. A obra conquistou o público francês pela originalidade e profundidade narrativa, misturando crítica social e sátira mordaz. (g1)
Uma fita DAT com Nara Leão cantando temas da bossa nova, encontrada pelo músico e produtor Raymundo Bittencourt no ano passado, vai virar um novo álbum lançado pela gravadora Universal. Com o título A bossa rara de Nara, a obra terá oito músicas que foram recuperadas e digitalizadas, duas delas com participação de Roberto Menescal, que nem se lembrava do dueto. Disponível nas plataformas a partir de 25 de janeiro, Dia da Bossa Nova, o material foi atualizado com um toque pop, substituindo o violão inaudível na versão original. A primeira faixa, Chega de Saudade, com Menescal, já pode ser ouvida. (Globo)
Cotidiano Digital
A Netflix refez sua proposta de compra da Warner Bros. Discovery e agora oferece pagamento à vista, em uma tentativa de enfraquecer a ofensiva da Paramount. O valor do negócio segue o mesmo, de US$ 27,75 bilhões pelos ativos de estúdio e streaming, mas a nova estrutura elimina o modelo anterior, que envolvia parte em ações. A mudança ocorre enquanto a Paramount intensifica sua pressão sobre os acionistas da Warner, oferecendo US$ 30 por ação com garantia de US$ 40 bilhões do bilionário Larry Ellison. A proposta foi rejeitada pelo conselho da WBD, que afirma que o risco financeiro do plano da Paramount é “substancialmente maior” e deixaria a empresa com dívida de US$ 87 bilhões. (TechCrunch)
A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) enviou um questionário ao WhatsApp e ao Facebook para apurar se os novos termos de uso do WhatsApp Business violam a concorrência ao limitar o acesso de empresas de inteligência artificial à plataforma. A medida ainda faz parte do inquérito aberto após denúncia de startups, que acusam a Meta de tentar barrar concorrentes para favorecer sua própria IA. O órgão quer saber, entre outros pontos, quantos provedores de IA operam no WhatsApp, se há tratamento diferente entre soluções da Meta e de terceiros, e por que os novos termos banem esse tipo de serviço fora do Brasil e da Itália. O questionário deve ser respondido até 30 de janeiro, sob pena de multa diária. (Estadão)
A União Europeia propôs novas regras para limitar o uso de equipamentos de fornecedores considerados de alto risco em 18 setores críticos, incluindo redes móveis, energia, água, veículos conectados e dispositivos médicos. A medida mira empresas como a chinesa Huawei, embora o texto evite citar nomes. Segundo a proposta, operadoras terão até 36 meses para retirar componentes dessas fornecedoras, após a publicação oficial da lista. A Comissão Europeia diz que o pacote reforça a segurança cibernética e protege cadeias estratégicas. Mas a China reagiu chamando a iniciativa de “protecionismo puro e simples”. (Reuters)
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