Conflito entre EUA, Israel e Irã se alastra pelo Oriente Médio

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A guerra desencadeada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã entra no terceiro dia deixando um rastro de mortes e destruição no Oriente Médio e sem indicativos claros de um desfecho a curto prazo. Os bombardeios americanos e israelenses começaram na manhã de sábado, com ataques que mataram, entre outras autoridades, o aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, líder supremo do país. No domingo violento, o Irã lançou ofensivas de retaliação contra Israel e países do Golfo Pérsico, enquanto Washington afirmou ter atingido mais de dois mil alvos em território iraniano. O Comando Central dos EUA declarou que continuou a ofensiva contra o programa iraniano de mísseis balísticos e contra a Marinha do país, destruindo o quartel-general da Guarda Revolucionária Islâmica e afundando ao menos um navio de guerra iraniano. As Forças Armadas israelenses informaram que voltaram a bombardear “o coração de Teerã”, atingindo lançadores de mísseis, sistemas de defesa aérea, centros de comando e prédios do governo. Nesta madrugada, o Hezbollah atacou Israel, que respondeu bombardeando Beirute, matando ao menos 31 pessoas. (New York Times)
No Irã, dezenas já morreram desde o início dos ataques. De acordo com o governo, uma escola exclusiva para meninas foi atingida por um míssil, deixando mais de 160 crianças mortas. Outras dezenas de soldados, líderes do regime e civis foram mortos nos últimos dois dias. Em Israel, um míssil iraniano atingiu o abrigo antiaéreo de uma sinagoga nos arredores de Jerusalém, matando nove pessoas e deixando outras 60 feridas. (Washington Post)
Os Estados Unidos registraram as primeiras mortes entre suas tropas neste domingo, após ataques iranianos contra bases militares americanas em diferentes países do Oriente Médio. Segundo comunicado oficial do Pentágono, ao menos três soldados morreram e oito ficaram feridos por estilhaços. Sem aparecer publicamente desde o início da ofensiva, o presidente Donald Trump afirmou que novas mortes de militares americanos são “prováveis” durante a missão de combate no Irã. Ele também declarou nas redes sociais que a guerra pode durar até quatro semanas. (CNN)
Um clima de incredulidade tomou conta de Teerã neste domingo, enquanto o Irã tentava assimilar a nova realidade após a morte de seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Nas primeiras horas da manhã, multidões foram às ruas da capital e de outras cidades para celebrar a morte do líder. Horas depois, novos grupos — desta vez de apoiadores — também ocuparam as ruas para lamentar a morte, exibindo bandeiras iranianas e fotos de Khamenei. Um comitê interino governará o país até que um novo líder supremo seja escolhido. Segundo Trump, os novos líderes iranianos já o procuraram para negociar, informação não confirmada por Teerã. (New York Times)
Enquanto o Irã parece cada vez mais isolado, França, Alemanha e Reino Unido afirmaram neste domingo, em comunicado conjunto, que estão preparados para adotar “as ações defensivas necessárias e proporcionais” para destruir as capacidades militares do Irã. Na Inglaterra, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, reiterou que o Reino Unido não participou dos ataques realizados por Estados Unidos e Israel. Ele afirmou, no entanto, que o Irã está “atingindo interesses britânicos e colocando em risco cidadãos do Reino Unido e nossos aliados na região”. (El Pais)
Para justificar o ataque ao Irã sem autorização prévia do Congresso, Donald Trump afirma que o regime de Teerã representa uma ameaça iminente aos Estados Unidos. Entretanto, até o momento, a Casa Branca vem apresentando explicações diferentes e sem provas do perigo imediato. Trump precisa de uma justificativa sólida diante da reação do Legislativo por ter sido ignorado e de pesquisas indicando que boa parte de seu eleitorado é contra o conflito. (Politico)
O preço do petróleo disparou nesta segunda-feira com o fechamento efetivo do estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de energia por onde passam 20% do petróleo consumido anualmente no mundo. O preço do brent cru saltou 13% na abertura dos negócios, chegando a US$ 82 o barril, a maior alta em 14 meses. Analistas afirmam que, se o conflito não apresentar sinais de solução nos próximos dias, o petróleo poderá ultrapassar novamente a barreira de US$ 100 por barril. Neste domingo, um navio petroleiro foi atacado no estreito de Ormuz. (Guardian)
Para ler com calma. O cálculo de Trump combina objetivos estratégicos amplos e ambição política, mas os ataques também podem fracassar de forma mais estrutural. O regime iraniano já vinha se preparando há anos para a sucessão de Khamenei, líder idoso e com problemas de saúde. O resultado é absolutamente incerto. (Economist)
Após negar qualquer relação com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, admitiu a interlocutores que o lobista pagou sua passagem e estadia em Portugal. Os dois viajaram juntos para conhecer uma fábrica de medicamentos à base de cannabis, mas o negócio não foi adiante. Lulinha é investigado pela PF e teve os sigilos quebrados pela CPMI no INSS por suspeita de envolvimento em fraudes no instituto. (Estadão)
E a primeira dama Janja da Silva operou como intermediadora entre empresas e a escola de Samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula neste ano na Sapucaí. Só de um empresário mineiro do setor de mineração, Janja conseguiu captar pessoalmente R$ 2,5 milhões. (Globo)
Convocados pelo deputado federal bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG), apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se reuniram neste domingo na avenida Paulista, em São Paulo, para protestar contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O ato, no entanto, teve forte tom eleitoral, com manifestações de apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Os manifestantes também defenderam a liberdade do ex-presidente e a anistia aos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Flávio Bolsonaro chegou ao local usando colete à prova de balas e foi recebido com gritos de apoiadores. (Folha)
Enquanto isso, o ministro do STF Gilmar Mendes anulou a decisão da CPI do Crime Organizado que determinava a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa Maridt Participações, da qual o ministro Dias Toffoli e seus irmãos são sócios. A medida abrangia o período de 2022 a 2026. Na mesma sessão, a CPI também autorizou a quebra de sigilos do Banco Master e da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. Na decisão, Gilmar afirmou que houve desvio de finalidade e abuso de poder por parte da CPI, ao incluir “circunstâncias desconexas ou alheias ao ato de instauração” da comissão. (Estadão)
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Cotidiano Digital
A Paramount Skydance venceu a disputa pela Warner Bros. Discovery (WBD) após a Netflix desistir da corrida. O negócio foi consolidado após a Paramount apresentar uma oferta de US$ 111 bilhões, superando a proposta anterior da Netflix de US$ 83 bilhões, que focava apenas nos ativos de estúdio e streaming. Diante do novo valor e da oferta da Paramount — que inclui a totalidade da empresa, incluindo a CNN e canais a cabo — a diretoria da Netflix declarou que o negócio deixou de ser “financeiramente atraente”. Depois da desistência, as ações da Netflix subiram quase 14%. (New York Times)
A OpenAI fechou um acordo com o Pentágono para disponibilizar seus modelos de inteligência artificial em redes classificadas do Departamento de Defesa. Segundo o CEO da empresa, Sam Altman, o contrato inclui salvaguardas contra vigilância doméstica em massa e reforça o princípio da responsabilidade humana no uso da força, inclusive em sistemas autônomos. Foi exatamente por essa razão que a Anthropic decidiu negar ao Pentágono o acesso irrestrito ao seu sistema de inteligência artificial, o Claude. Com a recusa, o presidente Donald Trump determinou a suspensão imediata do uso da tecnologia da Anthropic por todas as agências federais dos Estados Unidos. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, anunciou que irá classificar a empresa como “risco à segurança nacional na cadeia de suprimentos”. O desfecho pôs fim a meses de tensão entre a Anthropic e o governo americano. (NBC)
Com a corrida da inteligência artificial por memória RAM, o mercado de smartphones pode ter um efeito colateral negativo. Segundo a empresa de análise IDC, a escassez do componente deve derrubar as vendas globais de celulares em até 12,9% neste ano, no pior tombo anual em mais de uma década, previsão semelhante à da Counterpoint. A consultoria estima que os embarques cairão de 1,26 bilhão para 1,12 bilhão de unidades, enquanto o preço médio deve subir 14%, para US$ 523. Modelos de entrada tendem a ser os mais afetados, com retração de até 20% no segmento abaixo de US$ 200, pressionando fabricantes de baixo custo e acelerando a consolidação do setor. A normalização da oferta de memória é esperada apenas a partir de 2027. (TechCrunch)
Cultura
O ator e diretor Dennis Carvalho morreu neste sábado, aos 78 anos, no Rio de Janeiro. Reconhecido como um dos principais diretores da história da televisão brasileira, ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, que confirmou o óbito. A causa da morte não foi informada pela família. Ao longo de décadas na TV, comandou produções que marcaram época, como Vale Tudo, Dancin' Days, Fera Ferida, O Dono do Mundo, Celebridade e Paraíso Tropical. Também atuou em novelas de grande repercussão, entre elas Roque Santeiro e Brega & Chique. Com trajetória iniciada ainda jovem, Dennis construiu uma carreira marcada por sucessos de audiência e forte influência nos bastidores da dramaturgia nacional. (g1)
Em preparação ao Oscar, a distribuidora Neon vai disponibilizar gratuitamente em seu site quatro curtas-metragens de Kleber Mendonça Filho. O diretor brasileiro concorre às estatuetas de melhor filme e melhor filme internacional com O Agente Secreto, que ainda disputa as categorias de melhor ator com Wagner Moura e melhor elenco, esta sendo estreante neste ano. Antes de ganhar notoriedade com longas como Aquarius e Bacurau, Kleber iniciou sua trajetória no cinema por meio dos curtas, além de ter atuado como crítico especializado. (Folha)
Viver
O Corpo de Bombeiros encerrou na noite de sábado as buscas pelo último desaparecido em Juiz de Fora, cidade mineira assolada por um temporal histórico na terça-feira. O corpo de uma criança de 9 anos de idade foi encontrado nos escombros. Em cinco dias de buscas, a cidade contabilizou 65 mortos. Há também vítimas fatais e desaparecidos em Ubá e Cataguases. Ao todo, mais de 8,5 mil pessoas ficaram desabrigadas na região (g1)
A Nasa anunciou na sexta-feira que vai desistir de levar humanos para a superfície da Lua na missão Artemis 3 em 2027. O projeto de mandar novos astronautas ao solo lunar será realocado para a missão Artemis 4, prevista para 2028. O novo programa da Artemis 3 será remodelado para testar os módulos de pouso lunar em um voo em órbita baixa da Terra. A agência espacial também abriu mão de atualizar seu foguete Space Launch System (SLS). A ideia agora é se concentrar no aumento da frequência de voos do veículo, que tem sido baixa em comparação com foguetes mais novos. (Folha)
Indo na contramão das propostas dos condomínios de luxo comuns em São Paulo e no Rio, a “Casa de Mainha”, uma residência de tijolos expostos, luz natural e paredes amarelo gema, em Terra Nova, no interior de Pernambuco, foi a vencedora do prêmio Building of the Year 2026, da ArchDaily. A casa da Dona Marinalva, costureira de 59 anos, foi reformada no ano passado pelo filho, o arquiteto Zé Vágner, de 33 anos, que recebeu o prêmio na categoria de casas. O imóvel, único brasileiro entre os ganhadores, adota o uso predominante de materiais naturais e locais, com ventilação cruzada e iluminação natural para priorizar baixos custos de construção e manutenção. (Exame)
Alguns dos próprios criadores da inteligência artificial começaram a soar o alarme: a tecnologia estaria evoluindo mais rápido do que conseguimos acompanhar. O alerta sacudiu Wall Street, o Vale do Silício e o debate público. Há exagero? Há motivo real para preocupação? Na Edição de Sábado, exclusiva para assinantes Premium, Pedro Burgos — jornalista, programador, consultor em IA e professor do Insper — analisa se há razão para o alarme e propõe um guia para atravessar esse novo cenário.




