Edição de Sábado

Edição de Sábado: ‘Viver é se desfazer no tempo’, diz Rosa Montero

Rosa Montero é uma investigadora. A espanhola de 72 anos já fez mais de 2 mil interrogatórios em busca de respostas sobre a vida, a morte e tudo que acontece no meio. Escritora e jornalista, a arte de entrevistar e ouvir orienta sua produção literária e sacia a inquietude acerca do que é de fato ser “normal” ou o que é ser considerado “louco”. Afinal, não é normal sermos um pouco raros?

Vamos dobrar a meta

Vamos dobrar a meta

O relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), deputado Danilo Forte (UB-CE), desembarcou apressado do elevador que leva direto ao cafezinho do plenário da Câmara, no meio da tarde da última terça-feira. A correria era para marcar presença na sessão de votação. Não podia perder o ponto. Interceptado por uma leva de jornalistas, o cearense prometeu voltar para conversar um pouco sobre o orçamento e, principalmente, sobre a meta de déficit fiscal, tema que gerou barulho na discussão do arcabouço fiscal, aprovado no primeiro semestre, e vem dando o que falar, agora, na discussão do orçamento para 2024.

Edição de Sábado: Israel não tem como ganhar

Há algumas semanas um acontecimento vem se repetido incontáveis vezes no Rio ou em São Paulo, em Nova York, na Califórnia, em diversas cidades da Europa. É um desentendimento. Um desentendimento profundo, em alguns casos doloroso, conforme judeus progressistas e seus amigos gentios percebem-se separados por uma compreensão muito distinta a respeito do que acontece hoje em Israel e na Faixa de Gaza. O desentendimento às vezes é verbalizado, muitas vezes não. Ele se dá na leitura do comentário de um amigo querido nas redes sociais, um comentário que surpreende. Ou então numa altercação no ambiente de trabalho. Mas ele se dá, com cada vez mais frequência. Com cada vez mais virulência. Às vezes, ele fere. E um grupo não consegue sequer alcançar o outro.

Edição de Sábado: Dois presidentes contra um

O aniversário é nosso, mas quem ganha o presente é você. Não, não é uma promoção de lojas de departamento, supermercado ou coisa que o valha. Não se trata do velho golpe de marketing que indica que toda mercadoria estará pela metade do preço e o cliente desavisado vai se animar em gastar o dobro pela pechincha. A frase se aplica a um sentimento predominante em Brasília nesta semana.

Milei, a aposta arriscada da Argentina

Os argentinos costumam ser muito criativos quando inventam gritos de guerra e cânticos políticos ou futebolísticos, nos quais os dois temas quase sempre se misturam. Há quase um ano, na Copa do Mundo que a Argentina acabou vencendo, tivemos “Muchachos — Ahora Nos Volvimos a Ilusionar”, a música que soou incansavelmente por dias, semanas, meses. E ela mencionava já na primeira estrofe uma vingança pelos “garotos das Malvinas”, referindo-se aos soldados mortos no conflito em que a Argentina foi derrotada em 1982 pelos britânicos.

Edição de Sábado: De quem é Jerusalém?

Para mais de 4,3 bilhões de pessoas – a soma de cristãos, muçulmanos e judeus no mundo – Jerusalém é sagrada. O Muro das Lamentações, último vestígio do Templo de Herodes, a Igreja do Santo Sepulcro e a Esplanada das Mesquitas são retratos em pedra dessa importância. Em 125 km2 estão milhares de anos de uma história em que fé e sangue tantas vezes correram juntos e que está no coração do atual conflito no Oriente Médio. Mas o que é essa cidade? Qual seu passado e como ele se desdobra sobre o presente? Vamos descobrir.

Edição de Sábado: Garota cancelada

“Descobri quando Elza nasceu”, dizia o título do e-mail. O remetente, chamado J., era um desconhecido. Naquela manhã, eu planejava dar só uma olhada rápida no computador, o e-mail que acumulasse: era meu aniversário. Mas o que fazer diante de uma proclamação como aquela? “Descobri quando Elza nasceu.” Anexada, a cópia de uma certidão de nascimento muito antiga (os documentos citados nesta reportagem estão aqui). Uma certidão que trazia a data de 1º de outubro de 1921. Uma data que dava vertigem.

Edição de Sábado: Barroso, o iluminista

O alívio inconfesso no plenário lotado do Supremo Tribunal Federal (STF) veio quando a nominata com mais 300 nomes deixou de ser lida. A insuportável lista de autoridades, com certeza, quebraria o encantamento da canção Todo o Sentimento, de Chico Buarque, que havia acabado de ser entoada por Maria Bethânia, acompanhada pelas cordas de João Camarero. O recém-empossado presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso, nem teria muita condição de cumprir a formalidade. Ao anunciar a dispensa da leitura dos nomes, quebrando a tradição, ainda enxugava as lágrimas.

Edição de Sábado: As voltas que o mundo de Lula dá

Em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava especialmente bem-humorado na noite de terça-feira. Voltou para o hotel e, ao passar pelo saguão, aproximou-se, sorridente, de um bloco de jornalistas que insistia por uma entrevista. Já chegou se justificando. Dando batidinhas no relógio de pulso, ponderou que já era tarde e prometeu dar atenção aos repórteres no dia seguinte. Houve reclamações — afinal, Lula não havia, em momento algum da viagem, atendido a imprensa. Antes de pegar o elevador, Lula fez uma provocação. “Eu quero saber se vocês gostaram do discurso.” Repórter costuma só replicar com perguntas: “O senhor gostou? Como foi a recepção?”. E Lula, orgulhoso: “Eu gostei. Fui eu que fiz”, ele riu.

Edição de Sábado: Alexandre e a Lava Jato

A vistosa caneta dourada ficou sobre a mesa. Ela serviu apenas para a primeira assinatura, de Rosa Weber, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). A pouca tinta produziu um traço claro, falho e travou. Foi insuficiente para que Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deixasse sua rubrica no ofício de criação do Prêmio Nacional de Jornalismo do Poder Judiciário. Alexandre, rapidamente, sacou do bolso interno do paletó outra caneta, preta e igualmente suntuosa. A caneta passou de mão em mão. Antes de voltar para o bolso de Alexandre, foi usada por Maria Thereza de Assis Moura, presidente do Superior Tribunal de Justiça; por Francisco Joseli Parente Camelo, presidente do Superior Tribunal Militar; e por Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, representante do Tribunal Superior do Trabalho. “Só a caneta do Xandão tem tinta”, sugeriu alguém na plateia. A abstração sobre o superpoderoso ministro arrancou risos de alguns.