Ainda não é assinante? Assine. Não custa nada.



11 de abril de 2017
Consultar edições passadas



É preciso criar uma nova Constituição?


Esta semana, a Constituição de 1988 entrou na mira de um grupo de intelectuais. A Carta, fruto de um período em que se ansiava por democracia após a longa ditadura, envelheceu e travou o país, argumentam. E é ela a responsável pelo ambiente no qual se criaram as crises política e econômica que o Brasil atravessa. Os primeiros críticos, no Estadão de domingo, foram os juristas Modesto Carvalhosa, Flávio Bierrenbach e José Carlos Dias, que assinam um manifesto à nação pedindo a formação de uma Assembleia para rever inteiramente a Constituição. Eles dizem que o documento vigente cria um Estado excessivamente caro, burocrático, corporativista e com inúmeras distorções. Entre as mudanças que lhes parecem essenciais está a de que o número de deputados de um estado seja proporcional a sua população. Querem também que imposto novo ou mudança constitucional passem só por referendo, além da eliminação de cargos de confiança. Ainda pleiteiam que partidos sejam financiados apenas por seus filiados e que todos os trabalhadores, sejam do setor público ou do privado, tenham os mesmos direitos e obrigações, dos encargos trabalhistas à Previdência.

O sociólogo Simon Schwartzman entrou na discussão — e vai além. Propõe que o Brasil pense uma Constituição enxuta, e não uma lista detalhada de leis, como no modelo atual. O documento deveria estabelecer os direitos políticos, civis e sociais de todos e definir quais as atribuições de cada instituição do país. Seu post é uma pequena aula sobre como se estrutura o Estado.

O economista Raul Velloso, por sua vez, afirma que a Constituição impôs aos estados muitos gastos, boa parte deles vinculados sem possibilidade de remanejamento, enquanto as lentas mudanças na distribuição de impostos foram concentrando os recursos entre União e municípios. É por isto que tantos estados quebraram. (Globo)

Nota do Editor: Este, acreditamos cá no Meio, é um debate particularmente importante. Afinal, a Constituição de 1988, bem-intencionada como foi, é uma das responsáveis pelas crises política e econômica que afetam o Brasil? Qual é a sua opinião, leitor? Publique-a em sua linha do tempo no Facebook, deixando-a aberta para a leitura de todos. Ou então no Medium, ou em blog, tanto faz. E aí nos mande o link, para editor@canalmeio.com.br. Vamos publicar uma lista com todas as contribuições.

A proposta de reforma trabalhista será apresentada hoje, na Câmara. Segundo o Painel, começa por criar duas novas modalidades de contratação: trabalho intermitente e home office. Para impedir que pessoas sejam demitidas e logo terceirizadas, prevê uma quarentena de 18 meses; termina com o imposto sindical; permite que empregador e trabalhador possam negociar a carga de trabalho desde que num limite de 12 horas/dia e 48 semanais; acordos coletivos prevalecem sobre normas legais, diz o texto. (Folha)

Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, o empreiteiro Marcelo Odebrecht afirmou que o ex-presidente Lula recebia remessas de dinheiro em espécie levadas por um assessor do ex-ministro Antonio Palocci, Branislav Kontic. Ao todo, entre 31 de junho de 2012 e 31 de março de 2014, Lula teria recebido R$ 13 milhões de um total de R$ 23 milhões deixados pela empreiteira à sua disposição.

A segurança do juiz federal Marcelo Bretas, responsável pela Lava Jato no Rio, foi reforçada após ameaças. (Globo)

Aliás... a Polícia Federal estava nas ruas do Rio, esta manhã, com mandado de prisão contra Sérgio Côrtes, ex-secretário de Saúde do governo Sérgio Cabral.

O Ministério Público Federal do Rio entrou com processo contra o deputado Jair Bolsonaro por palestra que deu no Clube Hebraica da capital carioca. Ao se referir à visita que fez a uma comunidade quilombola, Bolsonaro disse que “o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas” e que “não fazem nada, eu acho que nem pra procriar servem mais”.

Viver


A delegada Marcia Noeli Barreto, da Delegacia de Atendimento à Mulher de Jacarepaguá, foi ontem aos estúdios da TV Globo, no Projac, para investigar uma agressão física no reality Big Brother Brasil. Na madrugada de sábado para domingo, o participante Marcos encurralou sua companheira de casa Emily numa quina entre paredes, dedo em riste contra seu rosto, aos berros. Com a outra mão, segurava com aparente força seu pulso. O caso mobilizou as redes e gerou críticas à emissora. No paredão de domingo, o voto popular manteve Marcos na casa. Mas, na segunda, a polícia pediu que a jogadora passasse por um exame de corpo de delito e lhe explicou seus direitos. O assunto foi destaque no Jornal Nacional. Quando um médico finalmente comprovou a agressão física, o comando do programa decidiu, então, pela eliminação do jogador, ontem à noite.

Tony Goes: “Marinalva, a primeira deficiente física a participar de um BBB, foi eliminada com 77,17 % dos votos. Sim, Marinalva: a paratleta gente boa, que tentava conscientizar o público sobre o potencial das pessoas com limitações. A audiência preferiu salvar Marcos. Ou seja: sujeitos como Marcos Harter e José Mayer ainda têm a simpatia de uma parcela imensa da população. O comportamento deles não só é admitido, como recompensado.”

No primeiro momento, o presidente da United Airlines, Oscar Munoz, defendeu o comportamento de sua tripulação e da segurança do aeroporto na brutal retirada de um passageiro, segunda-feira. Quando a repercussão via redes se mostrou terrível e as ações da empresa despencaram no mercado, ele voltou atrás. “Ninguém deveria ser tratado daquele jeito.” O médico David Dao, retirado após ser escolhido aleatoriamente para ceder lugar a um funcionário da companhia aérea, tem 69 anos e foi ferido pelos seguranças. Após o incidente, as redes sociais americanas começaram a questionar duramente a prática do overbooking pelas empresas. (New York Times)

Por que as mulheres não denunciam casos de assédio sexual? O New York Times propõe o debate partindo do exemplo da Fox News, emissora que diz não ter registro de nenhum caso de assédio na empresa, embora funcionárias relatem não prestar queixa justamente por temer demissão ou retaliação no ambiente de trabalho. Muitas vezes, para piorar, o agressor é uma estrela da empresa (lembrou algum caso recente do Basil?) e, então, o medo da denúncia é ainda maior. 

Falando em assédio… a figurinista Su Tonani, que acusou o ator José Mayer de assédio sexual, foi convidada a prestar depoimento. (Globo)

Por algumas horas do último 11 de março, mais de metade da eletricidade que alimenta a Califórnia foi gerada por energia solar. O estado, responsável por um terço do PIB americano, tem feito um pesado investimento em fontes energéticas sustentáveis. A política cria problemas novos: no período entre 8h e 14h do mês passado, gerou-se mais energia do que se consumiu, fazendo com que o preço de custo fosse a zero, chegando a ficar negativo. A Alemanha, que também investiu em redes eólicas e solares, por períodos do ano tem pago para que países vizinhos utilizem o excesso produzido.

Dois terços da Grande Barreira de Coral australiana foram afetados pelo branqueamento, em 2016. Ao todo, o trecho atingido passa de 1.500 quilômetros. É quando a temperatura das águas aquece, que os corais expulsam as algas que os cobrem, deixando o calcário branco de seus exoesqueletos expostos. Estas algas são sua principal fonte de nutrientes. Os branqueamentos ocorrem de tempos em tempos, mas, recentemente, vêm acontecendo com frequência maior e em áreas grandes. Por isso, há menos tempo para recuperação e pedaços morrem. A Grande Barreira, que corre risco de se perder, é a maior estrutura de seres vivos do mundo.

Segue o enigma do jovem desaparecido do Acre - Bruno Borges, de 24 anos, que cobriu todas as paredes do quarto com textos e símbolos, para sumir em seguida (desde 27 de março). O delegado responsável pelo caso vive agora um problema peculiar na apuração: os jovens que teriam ajudado Bruno em sua obra (e no posterior sumiço) dizem ter feito pacto de sigilo e nada podem dizer sobre o caso…

Cultura


Vencedora do Oscar de melhor documentário com Citizenfour, em 2015, dedicado a Edward Snowden, a cineasta Laura Poitras se prepara para lançar filme sobre Julian Assange. Anunciou ontem que, “nos próximos meses” (sem precisar uma data), chega aos cinemas Risk, sobre o criador do WikiLeaks, personagem que ela acompanhou ao longo de seis anos. O filme será distribuído pelo canal de TV a cabo americano Showtime.

Vinicius Castro estava no metrô de Nova York em 2015 quando leu, no vagão, um verso que definia a ideia de paraíso: “Será o passado/ e todos viveremos lá juntos”. O verso lhe acompanhou por anos, na vida em Nova York, ao lado da mulher, a professora Ana Galano, e do cachorro Blueberry. Músico aplicado e obstinado, o carioca pesquisou a obra completa do autor daquele verso, o americano Patrick Phillips, para então lançar-se na empreitada de musicar os poemas do escritor, tarefa que cumpriu com mais nove músicos. O resultado é o álbum Broken Machine Project, lançado há pouco em plataformas digitais. Na Folha, pode-se ler sobre o trabalho do músico — e, claro, ouvir suas canções.

O Spotify retirou boa parte da discografia de Jay-Z de seu catálogo ontem. A pedido do músico. Jay-Z é dono de outro serviço de streaming, o Tidal, e crítico ao modelo de remuneração do Spotify, no qual mais da metade dos usuários optam pelo modelo gratuito — este, é claro, diminui o repasse e, por consequência, aumenta a tensão com os artistas. 

Já não há ingressos para quatro dias de shows do Rock in Rio. Desde que as vendas começaram, na última quinta-feira, dia após dia, as entradas acabam. Depois de acabarem ps bilhetes para as noites com The Who e Guns, por exemplo, esgotaram-se também os ingressos para o dia que tem Bon Jovi como principal estrela. (Globo)   

Estreia hoje, no Netflix, a terceira temporada de Better Call Saul, série criada a partir de um personagem de Breaking Bad, o trambiqueiro advogado Saul Goodman. Depois de patinar (pela inevitável comparação com a aclamada “série-mãe”), a atração agora promete trazer mais rostos conhecidos do público, como o do vilão Gus Fring. (Estadão)

Só deu Harry Potter no Olivier Awards, o principal prêmio do teatro britânico. O espetáculo Harry Potter e A Criança Amaldiçoada conquistou, no domingo, nada menos que nove troféus da premiação deste ano. (Globo)

Lembra da foto de Beyoncé grávida coberta com um tule verde e diante de um arranjo de flores? Pois o autor do peculiar retrato — imagem recordista de likes no Instagram (10 milhões) — vai abrir sua primeira exposição na Europa, em Londres. Awol Erizku, agora, assumiu caminho político: como diz, sua mostra é anti-Trump, intitulada, com ironia, Make America Great Again.

Por seis meses, o fotógrafo brasileiro Mauricio Lima acompanhou imigrantes que deixavam o Oriente Médio rumo à Europa. Foi premiado com o Pulitzer em 2016 e expõe agora suas fotos em mostra no MIS, em São Paulo. (Estadão)

Cotidiano Digital


O Facebook anunciou ontem novo recorde — o de número de anunciantes, que agora somam 5 milhões. Trata-se de crescimento potente — de um milhão desde setembro do ano passado. 

A Tesla superou a GM e se tornou a mais valiosa montadora de carros dos Estados Unidos. A diferença (em números) parece pequena: a empresa de Elon Musk, que se dedica aos carros autônomos, chegou ontem a valer US$ 51,56 bilhões — a General Motors, US$ 50,26 bilhões. São os primeiros passos da Tesla em Wall Street e, diga-se, foram impulsionados pelo fato de a empresa ter entregue 25 mil veículos só no primeiro trimestre deste ano. Ultrapassar a GM, por outro lado, também indica uma mudança no mercado automobilístico global, que parece apostar cada vez mais nos carros autônomos como transporte do futuro. (Estadão)

Tecnologia a serviço de bebês: uma chupeta eletrônica, que se baliza pela temperatura e pela umidade do corpo da criança, venceu o HackBrasil, evento de tecnologia promovido em parceria com o MIT, nos Estados Unidos. O invento, criado por estudantes da Paraíba, atende pelo singelo nome de “Bubu Digital”.





Bem-vindo ao Meio. A assinatura básica é gratuita, comece agora mesmo.



11 de abril de 2017
Consultar edições passadas