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12 de junho de 2018
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Trump e Kim: ‘Rumo à desnuclearização completa’


Donald Trump chamou o documento assinado por ele e Kim Jong-un de “muito abrangente”. Kim o classificou de “histórico”. No papel, uma página A4 com oito parágrafos mais uma segunda folha, com as assinaturas, há o compromisso de continuar a conversa. O regime norte-coreano afirma que meta final é a “desnuclearização completa da península” tendo, por objetivo, “uma paz longa e estável”. Os dois chefes de Estado chegaram ao hotel da ilha de Sentosa pouco após 8h10, hora local, e às 9h02 apertaram as mãos perante câmeras, com atrás as bandeiras dos dois países. “Não foi fácil chegar a este ponto”, disse Kim, “enquanto velhas práticas e preconceitos obscureceram nossos olhos e ouvidos.” Por 38 minutos, acompanhados apenas de dois intérpretes, o presidente e o ditador conversaram a sós. Já eram 9h53, 22h53 de ontem no Brasil, quando a eles se juntaram seus principais diplomatas. Depois almoçaram — costelas de boi, porco agridoce, bacalhau empanado em soja — e Trump pediu aos fotógrafos que fizessem os dois “parecermos bonitos e magros”. Às vinte para uma da tarde, os chefes de Estado passearam pelos jardins do resort em benefício dos fotógrafos. Uma hora depois sentaram-se para assinar o acordo. “Quero expressar minha gratidão ao presidente Trump” falou o ditador, sempre em coreano. Quando já não estavam mais juntos, Trump fez observações. “É um homem muito talentoso”, avaliou. “Compreendi que ele ama muito seu país.”

Na coletiva após o encontro, Trump afirmou que não havia cedido em nada. Mas houve pelo menos uma concessão considerada grande: os EUA concordaram em não mais fazer exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul. É uma antiga queixa de Pyongyang.

Fazer com que a Coreia do Norte ‘desnuclearize’ não é trivial: envolve seis passos distintos. O desmonte das armas que já tem. Interrupção do enriquecimento de urânio. Fechar os reatores nucleares. Desativar as áreas de testes para bombas. Parar de produzir combustível para bombas de hidrogênio. E, por fim, permitir inspeções internacionais na hora e no local que os órgãos responsáveis quiserem. Segundo David Kay, responsável pelo desarmamento do Iraque, com a cooperação da Coreia do Norte este é um trabalho para uma década e meia. Desarmar a Coreia do Norte seria o maior desafio do tipo jamais enfrentado pela comunidade internacional. Nenhum país — Líbia, Síria, Iraque ou mesmo o Irã — sequer chegou perto da capacidade tecnológica ou do tamanho do arsenal que Kim Jong-un possui. (New York Times)

Para assistir com calma: “Quando vi o presidente da Coreia do Sul abraçando Kim Jong-un, me perguntei: será que ele faria o mesmo com Hitler? Este governo tem o pior histórico de direitos humanos da Terra. Este homem mantem campos de concentração, provoca fomes deliberadas para controle, assassina membros da própria família. Kim é inteligente. Ele está usando o momento para limpar sua imagem perante o mundo.” Yeonmi Park, que fugiu da ditadura Kim aos 13 anos de idade. (New York Times)


DEM, PP, Solidariedade, PRB e PSC, têm uma reunião marcada para discutir apoio a Ciro Gomes. Ou tinham. Segundo Paulinho da Força, em entrevista a Tales Faria, cancelaram o encontro. É uma reação à fala de Ciro, na Argentina. Quando perguntado sobre a possibilidade, o candidato informou que tentaria, antes, acertar aliança com PSB e PCdoB “para garantir a hegemonia moral e intelectual” da chapa. Cid Gomes, o irmão, está tentando pôr panos quentes.

Pois é... Pré-candidato do DEM, ao menos o deputado Rodrigo Maia deve se encontrar com Cid. (Folha)

A costura é longa e o leilão está em curso. Na semana passada, Maia jantou com Geraldo Alckmin. (Globo)

Carlos Andreazza: “O que se chama de centro é um balaio reacionário de partidos sem identidade e sem projeto de país; sem coragem de sustentar bandeiras e pautá-las, de dizer o que pensam, acovardados e dirigidos pela pressão artificial de uma tal impopularidade, acossados pela iminência da implosão e mobilizados pela luta por sobreviver. Goste-se ou não, o lulismo — de que Ciro Gomes é subproduto — tem suas ideias. Goste-se ou não, o bolsonarismo tem suas ideias, seus valores. No meio, é o vazio. Ou: um amontoado de rodrigos maias — para que se dê figura ao extremo nada.” (Globo)

Fernando Henrique prestou depoimento por videoconferência como testemunha de defesa do também ex-presidente Lula. “No Brasil as pessoas pensam que o presidente pode tudo e sabe tudo”, disse. Ele defende que Lula não pode ser responsabilizado por todas as irregularidades na Petrobras. Também confirmou que faz palestras que o sustentam. “Tudo tem contrato, agente, tudo declarado”, afirmou. O juiz Sérgio Moro lhe perguntou se alguma das empresas que o contratou reformou alguma propriedade que utilize. “Jamais, nada disso.” (Folha)

Aliás... O papa Francisco enviou, de presente para Lula, um rosário benzido.

Ricardo Setti: “Nenhum candidato a presidente — Bolsonaro, Ciro, Marina, Meirelles — está fazendo o que seria sua obrigação mínima em relação a um ponto: enfatizar a necessidade absoluta de que os eleitores prestem atenção às eleições para o Congresso e escolham com cuidado seja quem for.”

O presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) suspendeu a liminar que impedia a realização do leilão das distribuidoras da Eletrobras até que a empresa apresentasse um estudo sobre o impacto que a operação teria para os trabalhadores. Ele afirmou que concessão de tutela provisória só se justifica quando há “real probabilidade do direito e o perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo, o que não ocorre no presente caso”. (Estadão)

Ontem, os sindicatos de trabalhadores da estatal iniciaram uma greve. Querem que o presidente da elétrica, Wilson Ferreira Jr., entregue o cargo. (Folha)

Cármen Lúcia: “Talvez a fake news prospere porque alguém te diz o que você queria ouvir ou não precisa pensar e ouve, portanto, sem criticar. E aí eu ponho a questão da liberdade mesmo, antes da liberdade de expressão, quem abre mão da sua liberdade não tem segurança, não tem capacidade crítica e está fadado ao efeito manada.” (Estadão)

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HealthTech


Nas próximas duas semanas, um executivo muito particular será anunciado. Seu trabalho: reinventar a maneira como se financia cuidados médicos e hospitalares para, ao menos, três grandes empresas americanas. Dez homens foram escolhidos por headhunters e estes foram desafiados a escrever um relatório sobre como resolver o problema do custo de saúde. A partir dos documentos, três foram selecionados e entrevistados pelo CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon. Ele escolheu dois, que foram entrevistados pelo megainvestidor Warren Buffett. Que escolheu um, novamente entrevistado pelo fundador da Amazon, Jeff Bezos. Que tinha poder de veto. A principal especulação do mercado: qual o perfil desta ou deste executiva/o? É alguém mão na massa ou uma pessoa mais reflexiva?

O problema não tem nada de simples. Envolve custos da indústria farmacêutica, regulações governamentais, fraudes. “Sabemos que há uso desnecessário de uns remédios e que se evita outras drogas ou procedimentos específicos que seriam importantes. Sabemos que o custo sobe no fim da vida muito mais do que devia”, disse Dimon. A esperança do trio, porém, vem da tecnologia. Eles acreditam que, com Big Data e inteligência artificial, serão capazes de compreender toda a cadeia de custos e, a partir daí, reinventar a maneira como pensamos saúde.

Aliás... Big Data é o tema que se repete. Um grupo de pesquisadores da USP começou a estudar os desafios de construir softwares para diagnósticos. O objetivo é reunir quantidades massivas de dados e buscar padrões comuns a certas doenças. Por enquanto, estes sistemas ainda são pesados e complexos para que médicos os tenham em seus consultórios, mas a expectativa é de que o problema seja resolvido. Já na UFMG, outros pesquisadores estão extraindo em quantidade conversas nas redes sociais para identificar mais cedo o epicentro de uma epidemia de dengue. Ajuda na distribuição de vacinas.

Pois é: não estão sozinhos. A própria Amazon trouxe do Google Babak Parviz, o inventor dos óculos inteligentes da empresa. Sua missão é procurar problemas difíceis e resolvê-los. Um deles: câncer. Numa associação com o Fred Hutchinson Cancer Research Center, de Seattle, e também usando um misto de Big Data com inteligência artificial, de saída Parviz pretende simplificar e melhorar o diagnóstico. Ele acha que, compreendendo melhor o resultado de exames, computadores poderão perceber o que médicos não conseguem ver.

Viver


Se próximo a sua casa há uma ciclovia, é maior a possibilidade de que você use uma bicicleta como meio de transporte. É o que mostra um estudo feito por pesquisadores da USP que constataram que, em São Paulo, moradores de áreas próximas às ciclovias têm essa chance aumentada em 154%. Para os que moram perto de estações de trem ou metrô, o aumento ficou em 107%, independentemente de fatores como sexo, idade, nível educacional ou bairro. “Na época que tivemos uma política de construção de ciclovias em São Paulo, muito se criticou que ninguém as estava usando. Esse é um pensamento imediatista. Nosso estudo reforça que primeiro é preciso garantir o espaço”, diz Alex Florindo, primeiro autor do estudo.

Enquanto isso... Na Holanda, as bicicletas de carga, antes usadas por trabalhadores, agora são vistas como um sinal de aspiração socioeconômica — e acompanham o processo de gentrificação das cidades.

Aliás... Em 12 gráficos, o urbanista Mikael Colville-Andersen usa o exemplo de Copenhague, na Dinamarca, para mostrar como a bicicleta pode transformar cidades ao redor do mundo.

 

Os furacões estão mais lentos. E também mais perigosos. Um estudo que monitorou os ciclones tropicais que ocorreram entre 1949 e 2016 concluiu que, de lá para cá, eles passaram a se deslocar de um ponto a outro com uma velocidade 10% menor, em média. O que se associa a outro fenômeno: a queda na velocidade mostrou um aumento também de 10% na quantidade de chuva por área afetada. Como demoram mais para atravessar uma região, esses furacões têm um potencial de danos maior. O que está os tornando mais lentos? O aquecimento global. Com os pólos do planeta menos frios, a pressão atmosférica entre esses pontos e os trópicos é afetada negativamente e a força das correntes de ar entre eles diminui. (Nexo)

Cultura


A nova diretora da divisão de cinema e televisão da Amazon, Jennifer Salke, tem muitos planos para a programação do estúdio. Na semana passada, a empresa fechou um acordo com Jordan Peele, o escritor e diretor vencedor do Oscar por trás do filme Corra! (trailer), e terá o direito de primeira recusa de qualquer uma de suas idéias para TV. Outro ganhador do Oscar, Barry Jenkins, de Moonlight (trailer), concordou em dirigir todos os 11 episódios de uma minissérie com base no best-seller The Underground Railroad. Os Caminhos para a Liberdade (Amazon). Novas comédias e o que Salke chamou de “grandes e viciantes shows para mulheres” também estão sendo trabalhadas, incluindo uma de meia hora chamada Modern Love, baseada na popular coluna de relacionamento do The New York Times. (New York Times)

Enquanto isso... Uma astronauta americana deixa o marido e a filha adolescente para trás para comandar uma tripulação espacial internacional embarcando em uma traiçoeira missão de um ano para Marte. Esse é o enredo de Away, a nova série encomendada pela Netflix.

 





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