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25 de fevereiro de 2019
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Militares do Brasil tentam reduzir tensão com Venezuela


Após um fim de semana de muita tensão nas fronteiras da Venezuela com Brasil e Colômbia, o Ministério da Defesa brasileiro procura jogar água na fervura, dialogando diretamente com militares venezuelanos. Do lado de lá da fronteira ficou acertado que os veículos antidistúrbios seriam recuados, enquanto os brasileiros se comprometeram a conter manifestantes venezuelanos que protestam em Roraima. No domingo, homens da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) atiraram, sem cruzar a fronteira, bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes venezuelanos que protestavam do lado brasileiro.

O vice-presidente Hamilton Mourão embarcou ontem para Bogotá. Representará o Brasil na reunião do Grupo de Lima, que reúne 14 países do continente, dos quais apenas o México reconhece Nicolás Maduro como presidente. Juan Guaidó, reconhecido pelo grupo e pelos EUA como presidente interino, disse que uma intervenção militar contra Maduro deve ser considerada como opção à mesa. (Folha)

No sábado, a oposição tentou levar para a Venezuela caminhões de ajuda humanitária enviados por EUA, Colômbia e Brasil. Veículos que conseguiram cruzar a fronteira foram incendiados. Para o analista venezuelano Luis Vicente León, a oposição conseguiu uma “pequena vitória” ao mostrar ao mundo o governo que boicota ajuda humanitária num país onde as pessoas estão morrendo de fome e por falta de remédios. (Globo)

Já o governo comemorou o bloqueio. (Folha)

A tensão continuou durante o domingo. O prefeito da cidade venezuelana de Gran Sabana fugiu para o Brasil e denunciou pelo menos 25 mortes de manifestantes pela Guarda Nacional, número que ainda não foi confirmado. Três sargentos da GBN desertaram para o lado brasileiro e disseram que outros podem fazer o mesmo. Com a fronteira fechada, militares venezuelanos teriam assaltado pessoas que tentavam cruzar a divisa por trilhas.

Sérgio Abranches: “A Venezuela está presa em um labirinto sem heróis. Cada lado é culpado das acusações que lhe fazem o outro lado. É uma história com um grande e sofrido perdedor, que é o povo. Ele acreditou no sonho com Chávez e perdeu. Com o sucessor, mergulhou na fome e na desesperança. Não há dúvida de que a cúpula da Venezuela hoje está mergulhada na corrupção e de mãos dadas com o banditismo. Mas os venezuelanos não podem esperar muito, também do outro lado. Juan Guaidó, aliou-se com lideranças cuja agenda nada tem a ver com o drama venezuelano. Atende mais aos impulsos de Donald Trump. EUA, Brasil e Colômbia estão usando a ajuda humanitária como arma política contra Maduro, não por ser um governo tirânico, mas por não estar alinhado ideologicamente com eles. Maduro queima alimentos e medicamentos como se fossem tóxicos e não agudamente necessários. Mas não foram enviados por solidariedade e sim como aríete para arrombar as portas do regime. É um confronto sem inocentes com milhões de vítimas.”

Aprovada num polêmico plebiscito, a saída do Reino Unido da União Europeia pode ser adiada para 2021. Essa ideia toma corpo entre os líderes do bloco diante da incapacidade da premier britânica, Theresa May, de aprovar no Parlamento os termos de um acordo para o processo. Na avaliação de Bruxelas, os líderes partidários ingleses parecem mais interessados em usar o Brexit para ganhos políticos que em negociar uma saída com o mínimo de impacto possível para o país e o continente.

Os temores da União Europeia parecem justificados, já que May adiou mais uma vez a votação de sua proposta de Brexit.


Lançado aos holofotes ao ser eleito presidente do Senado, Davi Alocumbre (DEM-AP) é acusado de ocultar imóveis nas declarações de bens à Justiça Eleitoral. Em 2012, por exemplo, ele declarou não ter bens, mas cartórios de Macapá o apontavam como dono de pelo menos três lotes em condomínios e uma casa num bairro nobre da cidade. (Folha)

Que parentes de milicianos trabalhavam no gabinete do então deputado estadual e hoje senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), já era fato conhecido. Quando a informação veio à tona, o político atribuiu as indicações ao ex-motorista Fabrício Queiroz. Porém, como mostra reportagem de Wilson Lima na IstoÉ, uma dessas funcionárias, Valdenice de Oliveira Meliga, foi a responsável pelas contas na campanha de Flávio ao Senado. Val, como é conhecida, é irmã dos gêmeos Alan e Alex Rodrigues de Oliveira, presos por envolvimento com milícias. A procuração do senador para que ela gerenciasse as contas está registrada no TRE. A reportagem levanta ainda a suspeita de um esquema de candidatos laranja no PSL Rio, a exemplo de Minas e Pernambuco.

A Receita Federal vai entrar nas ações contra milicianos no Rio, e um dos alvos é o ex-capitão da PM Adriano Magalhães da Nóbrega, cuja mãe e a mulher também trabalhavam no gabinete de Flávio na Alerj. (Veja)

Para não prejudicar a relação com a base durante a tramitação da reforma da Previdência, o governo sinalizou que apoiará a iniciativa da bancada evangélica de delimitar o que é homofobia, em reação ao julgamento no STF, ainda em andamento, para equipará-la ao racismo. O projeto condenaria agressões físicas ou verbais, mas permitiria que igrejas se recusassem a casar pessoas do mesmo sexo e continuassem a classificar esse tipo de relacionamento como pecado. (Estadão)

E ainda a Receita... Começa no próximo dia 7 e vai até 30 de abril o prazo para a entrega das declarações do Imposto de Renda de Pessoa Física para todas as pessoas que tiveram rendimentos tributáveis acima de R$ 28.559,70 ao longo do ano. O programa para fazer a declaração pode ser baixado a partir de hoje no site.

Cultura


Numa festa sem apresentador nem um único grande vencedor, Green Book: O Guia (trailer) superou as polêmicas e levou três Oscars em categorias principais: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Mahershala Ali) e Melhor Roteiro Original. Bohemian Rhapsody (trailer) ganhou uma estatueta a mais, mas tirando as de Melhor Ator para Rami Malek e Montagem, as outras foram técnicas: Edição de Som e Mixagem Técnica. Confira a lista completa de vencedores.

A Academia reparou (em parte) uma injustiça histórica dando finalmente um Oscar para Spike Lee, o de Melhor Roteiro Adaptado por seu Infiltrado na Klan (trailer). A euforia de Samuel L. Jackson ao anunciar o prêmio e a reação de Lee estão entre os melhores momentos da noite. Em seu discurso, ele ironizou Green Book.

Quem também não pode reclamar da noite é a Netflix. Sua produção Roma (trailer) venceu Melhor Filme em Língua Estrangeira, Melhor Diretor (Alfonso Cuarón) e Melhor Fotografia. Pode ser pouco para quem tinha dez indicações, mas são categorias de prestígio. E a Netflix viu ainda seu Period. End of Sentence (trailer) levar o prêmio de Melhor Documentário em Curta Metragem.

Lady Gaga concorria a Melhor Atriz, mas o prêmio foi para Olivia Colman por A Favorita (trailer). Gaga, porém não saiu de mãos vazias. Levou a estatueta de Melhor Canção como co-autora de Shallow (Spotify), tema de seu filme Nasce Uma Estrela (trailer). (Veja Gaga e Bradley Cooper cantando a música na cerimônia)

E no inescapável ritual do tapete vermelho, errou quem esperava extravagância da cantora. Gaga apostou na segurança de um modelo preto, enquanto Regina King (Melhor Atriz Coadjuvante por Se a Rua Beale Falasse) encantou com a fenda de seu vestido. Entre as bizarrices de sempre, os looks mais ousados e bem sucedidos foram o “peixe queimado” de Emma Stone e a estilosa saia preta do smoking do ator Billy Porter. (Confira a galeria)

Morreu aos 94 anos o cineasta Stanley Donen, que dividiu com Gene Kelly a direção de um dos mais famosos musicais de Hollywood, Cantando na Chuva, de 1952. Oriundo da Broadway, onde conheceu Kelly, Donen chegou ao cinema como dançarino e, por indicação do amigo, coreógrafo. A dupla estreou na direção em 1949, com Um dia em Nova York. Ao todo, Donen dirigiu 28 filmes, incluindo outros musicais, suspenses e até ficção científica, Saturno 3, de 1980, com Kirk Douglas e Farrah Fawcett. Seu último trabalho para a telona, porém, foi um fracasso melancólico, Feitiço do Rio, uma comédia erótica com Michael Caine (1984) e a então novata Demi Moore. Confira aqui a cena que dá título a Cantando na Chuva, uma das mais famosas da história do cinema.

Apesar de ter morrido no sábado, Donen ficou de fora da tradicional homenagem do Oscar aos profissionais do cinema falecidos.

Cotidiano Digital


Plenário não é lugar de celular. Essa parece ser a opinião do deputado estadual de São Paulo Campos Machado (PTB). Veterano na Alesp, ele apresentou um projeto que proíbe os parlamentares de fazerem lives em redes sociais enquanto discursam ou participam de comissões. Ele nega censura e diz que as transmissões ao vivo são “atividade paralela” e “impedem o uso do aparte”. O alvo parecem ser os novatos na assembleia, que se elegeram embalados pelas redes sociais. Em especial Janaína Paschoal (PSL), que quer ser presidente da Casa. (Estadão)

A companhia chinesa Xiaomi mostrou que quer brigar no mercado 5G anunciando o (até agora) mais barato smartphone compatível com essa tecnologia. O Mi Mix 5G foi apresentado neste domingo num evento prévio da MWC, a mais importante feira do setor de celulares, em Barcelona, na Espanha. O aparelho tem tela de 6,39 polegadas Full HD+, 6GB de RAM e parrudos 128 GB de memória interna. Na verdade, ele é igual ao Mi Mix 3, com um modem 5G, mas o que chama a atenção é o preço, previsto para 599 euros, cerca de R$ 2.600. A Xiaomi deve anunciar sua nova linha completa ao longo do evento.

Se o preço do 5G da Xiaomi nem soa tão barato assim para padrões brasileiros, ele é uma bagatela perto das mais badaladas novidades até o momento, os modelos de tela dobrável da coreana Samsung e da também chinesa Huawei. Apresentado na semana passada, o Samsung Galaxy Fold chegará ao EUA por US$ 1.980 (R$ 7.370), enquanto o Mate X, que Huawei apresentou ontem, custará astronômicos US$ 2.600 (R$ 9.698). Talvez o preço se justifique, já que, segundo especialistas, o modelo chinês é bem superior ao coreano.

Viver


O Papa Francisco adotou um discurso duro para falar do abuso sexual de crianças, comparado por ele ao sacrifício humano. Ao encerrar uma conferência no Vaticano sobre pedofilia, o Pontífice afirmou que casos de abuso na Igreja serão tratados com a “máxima severidade”. Francisco foi além: “Homens consagrados, escolhidos por Deus para guiar almas à salvação, permitiram-se dominar pelas fraquezas humanas ou por doenças e assim se tornaram instrumentos de Satã.” Ele prometeu sete estratégias para enfrentar o assunto. Entre elas estão levar os perpetradores à Justiça, maior rigor na formação dos sacerdotes, acompanhamento das vítimas, e proteção às crianças diante das novas tecnologias.

Ainda no sábado, o cardeal Reinhard Marx, afirmou que a Igreja chegou a queimar documentos com os registros de denúncias e depoimentos relacionados à crise de abuso sexual de menores para esconder as identidades dos criminosos.

Pelo menos algumas associações de vítimas saíram insatisfeitas da cúpula. Esperavam que o Vaticano estabelecesse uma política de tolerância zero — perante um único caso confirmado, padres seriam de presto excomungados. Não aconteceu. “O papa passou boa parte de seu discurso racionalizando, afirmando que abuso ocorre em todos os setores da sociedade. É uma tática para mudar o foco do problema”, se queixou uma parente de vítima.

Para ler com calma: Como a amizade entre duas mulheres levou à criação da pílula anticoncepcional.





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