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15 de março de 2019
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STF parte contra Lava Jato


O placar foi apertado: 6 a 5, com desempate feito no último voto pelo presidente do Supremo Dias Toffoli. O STF decidiu que os processos de crimes comuns, como corrupção e lavagem de dinheiro, quando estiverem ligados a crimes eleitorais, devem ser julgados em conjunto pela Justiça Eleitoral. É o caso, por exemplo, dos casos envolvendo caixa dois. A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, tentou impedir a mudança. “Observando que a investigação desenvolvida pela Lava Jato atinge poderosos agentes públicos e políticos envolvidos em graves crimes, o envio dos casos para a Justiça Eleitoral tornará ainda mais difícil a sua responsabilização dentro da lei”, ela afirmou. Um dos derrotados, o ministro Luís Roberto Barroso, seguiu pela mesma linha de argumentação. “Não fará bem ao país, depois de anos de sucesso do enfrentamento da corrupção, mexer numa estrutura”, disse. “O Brasil vive uma epidemia em matéria de criminalidade. Faz pouca diferença distinguir se o dinheiro vai para o bolso ou para a campanha. O problema não é para onde o dinheiro vai, é de onde o dinheiro vem. E o dinheiro vem da cultura de achaque e corrupção.” Mas não adiantou.

No centro do debate está o artigo 35 do Código Eleitoral. Segundo ele, os juízes devem ‘processar e julgar os crimes eleitorais e os comuns que lhes forem conexos, ressalvada a competência originária do Tribunal Superior e dos Regionais’. Apontando para os dois lados, coube aos ministros decidir. Para o decano Celso de Mello, a jurisprudência já estava definida. “Esse entendimento já vinha sendo igualmente perfilhado pela jurisprudência do Supremo”, argumentou. “Juízes eleitorais estão aptos a julgar delitos conexos.” (Jota)

O cheiro é de uma ofensiva contra a Lava Jato. O Supremo também abriu, ontem, um inquérito para apurar ofensas contra a Corte. Os procuradores de Curitiba publicaram vídeos conclamando a população a pressionar o tribunal. Também a Receita Federal será investigada, pela intenção de investigar os ministros Gilmar Mendes e o próprio Toffoli. Entrou, até, o caso de Ricardo Lewandowski, que foi questionado por passageiros em um avião. (Globo)

Na constante novela das crises internas promovidas pelo bolsonarismo, a família presidencial está brigada com um de seus parlamentares mais célebres. “Hoje, depois de quatro anos de dedicação, recebi a informação que sou persona non-grata no Governo Bolsonaro”, registrou em seu Twitter o deputado-ator Alexandre Frota. “É por eu defender a prisão do Queiroz, que confessou rachar os salários de funcionários, e por ter pedido o afastamento do senador Flávio Bolsonaro para ele apenas se defender.” Frota já se mostra esperto no jogo político.

Por três meses, o jornalista Denis Russo Burgierman frequentou diligentemente o COF — Curso Online de Filosofia dado pelo escritor Olavo de Carvalho, ideólogo do bolsonarismo. Na edição desta semana de Época, ele conta em detalhes o que ouviu.

Denis Burgierman: “Aprendi a entender a origem do carisma de Olavo. As pessoas o admiram porque enxergam a dedicação extrema à missão que ele escolheu, ao mesmo tempo que percebem uma certa vulnerabilidade por trás da casca de filósofo durão. Aprendi também que é mentira que os seguidores de Olavo sejam todos pessoas com deficiência intelectual ou ressentidas. Tive conversas profundas com gente inteligente e seriamente empenhada em aprender. Não é a burrice que atrai gente ao COF, é outra coisa. Suspeito que seja a busca de pertencimento, do acolhimento de um vovô que ao mesmo tempo tem a aura sábia de alguém que está entendendo tudo — quando está tão difícil entender as coisas — e a informalidade de quem não tem papas na língua. Aprendi também que, no fundo, toda a obra de Olavo tem por trás a intenção de atacar alguém ou alguma coisa. Olavo pode até se importar com o conhecimento, mas se importa mais com a guerra. Aprendi que quase toda a obra de Olavo é uma tentativa de negar a complexidade do mundo. Ele quer voltar no tempo, para um mundo que ele fosse capaz de entender: onde só há dois sexos, Newton basta (sem as incertezas da relatividade e física quântica), preocupar-se com o clima é assunto para São Pedro e todo mundo que não é bom é mau. Um mundo cristão, de cultura clássica, sob o comando de quem parece estar no comando — melhor se for alguém bem autoritário. Um mundo que possa ser apreendido inteiro por uma única mente brilhante. Aprendi, mais que tudo, sobre a força demolidora do insulto para impedir qualquer possibilidade de diálogo. Olavo é um artista da ofensa. Mas ele faz isso com a erudição de alguém que lê muito.” (Época)

E na edição premium deste sábado... O massacre de Suzano trouxe de volta à tona os chans, fóruns online onde inúmeros rapazes se reúnem para discutir política, buscar apoio psicológico, atuar de forma misógina, trocar pornografia e combinar atos de perseguição. O Meio vai contar a história dos chans, o submundo da internet onde crimes acontecem. Torne-se também um assinante. Ainda há tempo para receber a edição de amanhã.


Diante da dificuldade de se chegar a um acordo sobre os termos para o Brexit, marcada para o dia 29 de março, o Parlamento britânico votou ontem pela extensão do prazo por três meses ou mais. Entenda os próximos passos.

Um ataque a tiros em duas mesquitas na cidade de Christchurch, na Nova Zelândia, deixou 49 mortos nesta sexta. (Folha)


O Brasil mostra suas armas

Tony de Marco

 
Armas

Cultura


Em São Paulo, o Azymuth toca nesta sexta na recém-aberta Blue Note São Paulo, que fica no Conjunto Nacional. No JazzB, André Mehmari homenageia o Clube da Esquina com o seu trio, que tem Neymar Dias no baixo e Sérgio Reze na bateria. O Sesc Pompeia vai ter uma semana daquelas: hoje, a Quartabê toca o seu disco do ano passado, Lição #2, sobre a obra de Dorival Caymmi. No sábado e domingo, regida por Letieres Leite, a Orquestra Rumpilezz apresenta o álbum Maria Fumaça. Já o Sesc Avenida Paulista recebe o festival Supersônica, com shows, performances e cursos de música experimental. E o 6ª MITsp, um dos principais festivais de teatro da cidade, vai até o outro domingo (24): neste ano, o homenageado é o encenador suíço Milo Rau.

No Rio de Janeiro, o Theatro Municipal abre hoje a temporada de 2019 com a ópera Côndor, de Carlos Gomes. A regência é de Luiz Fernando Malheiro. No Circo Voador, o fim de semana é de rap: Felipe Ret toca nesta sexta e Baco Exu do Blues, amanhã. A peça Pouco Amor Não É Amor, com texto e direção de Sidnei Cruz, estreia hoje no Sesc Tijuca. E segue em cartaz no CCBB Por Favor Venha Voando, com direção de Georgette Fadel e a dupla Inez Viana e Debora Lamm em cena. Vale conferir, ainda, a exposição Harun Farocki: Quem É Responsável? no Instituto Moreira Salles. Os filmes e videoinstalações do artista alemão apresentam uma reflexão sobre o papel das máquinas, em especial em contextos bélicos.

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Jean-Luc Godard está de volta aos cinemas. Em Imagem e Palavra (trailer), o cineasta da Nouvelle Vague, agora aos 88 anos, constrói com imagens aleatórias, sua cor estourada, uma colagem com toques de surrealismo que narra com sua voz cavernosa. Já O Parque dos Sonhos (trailer) é uma animação para toda a família que conta a história de um parque de diversões desorganizado que, na imaginação da sonhadora June, ganha vida. E, para quem é disso, tem terror. Em Maligno (trailer), Taylor Schilling — da série Orange is the new black — interpreta uma mãe que investiga a força sobrenatural que está agindo sobre as ações dos seus filhos. Veja as outras estreias da semana.

A Netflix anunciou que subirá o preço de suas mensalidades no Brasil. De acordo com a nova tabela, o preço do plano básico (apenas uma tela, sem HD) subirá de R$ 19,90 por mês para R$ 21,90; o plano padrão (duas telas simultâneas e conteúdo HD) sai de R$ 27,90 e chega em R$ 32,90 por mês; já o premium (quatro telas simultâneas e conteúdo Ultra HD) passará de R$ 37,90 por mês para R$ 45,90. O aumento é imediato para todos os novos membros, mas aqueles que já assinam receberão por email notícia de quando começa a valer.

Viver


A polícia está investigando a possível participação de uma terceira pessoa, de 17 anos, na organização dos ataques à escola em Suzano. O rapaz aparece em um vídeo com os dois assassinos alguns dias após eles terem alugado o carro, pago com cartão de crédito, usado no atentado. Ele já foi ouvido pela Polícia Civil, que espera autorização da Vara da Infância e da Juventude para sua detenção. Por enquanto, os investigadores não vêem elementos suficientes que sugiram uso da deep web como tendo sido determinante para o atentado.

Nos vídeos em alta no YouTube, ontem, Suzano foi destaque. Dos dez vídeos mais tocados, quatro abordavam o massacre na escola paulista. Na sexta posição, Tiroteiro em Suzano: a culpa é dos videogames?, do canal Peter Aqui, registrava 351 mil visualizações até a última atualização. Para o youtuber, os games não tem relação com o massacre. “As pessoas com essa opinião não jogaram games”, defende. Para outro youtuber que lamenta o ocorrido, “quem quer matar, mata”.

A ciência que estabelece uma relação entre videogames violentos e a agressividade de jovens é muito frágil. Um dos problemas está justamente neste ponto: como se mede agressividade? Em alguns dos testes, os cientistas simplesmente perguntam aos rapazes avaliados se eles se sentem mais agressivos após uma partida. E este é outro problema. O importante de descobrir não é como um gamer se sente imediatamente após o jogo mas, sim, como o hábito impacta no cotidiano.

Emma Haruka Iwao, engenheira do Google, calculou π (Pi) para 31,4 trilhões de dígitos, estabelecendo um novo recorde mundial no Google Cloud. O anúncio da conclusão bem-sucedida foi feito na comemoração do Dia do Π, ontem, 14 de março. São nove trilhões de dígitos a mais que o recorde anterior, de Peter Trueb, batido em novembro de 2016. Calcular π no Google Cloud sem falhas é um marco significativo que demonstra a confiabilidade e a disponibilidade da infraestrutura em nuvem. A corrida para calcular o número acontece desde 2.000 a.C., na era dos antigos babilônios. Antes dos computadores, o mais longe que alcançaram foram mil dígitos. Conta feita à mão. Aproveite para conhecer uma breve história do π — o número que corresponde à circunferência dividida pelo diâmetro de qualquer círculo.

Cotidiano Digital


O tempo é de mudanças grandes no Facebook. Chris Cox, o executivo responsável por todos os apps da companhia e visto por muitos como provável sucessor de Mark Zuckerberg, está de saída. Permaneceu 13 anos — uma longevidade incomum. Sai também Chris Daniels, que era responsável pelo WhatsApp. Cox não será substituído: os gerentes de produto de cada app terão Zuck como chefe direto. No comunicado ao time, o jovem CEO não entrou em detalhes. Mas Cox publicou em seu próprio Face uma mensagem que dá pistas. “Como Mark disse, estamos virando uma nova página na orientação dos produtos, focando numa rede de mensagens encriptadas e interoperáveis”, escreveu. “Este será um projeto grande que precisará de líderes que estejam entusiasmados com a nova direção.” Faltou-lhe, ao que parece, este entusiasmo com o novo rumo da empresa.

Ben Horowitz, um dos mais importantes investidores do Vale, comentou via Twitter. “Goste ou não dele, Mark Zuckerberg está mostrando duas coisas importantes”, escreveu. “Ele tem coragem de fazer o que acredita mesmo perante forte dissenso na equipe. E ele parece genuinamente comprometido com privacidade e encriptação. Tanto que está disposto a perder grandes executivos que discordam do caminho adotado.”

E por falar... Uma mudança ligeira de configuração nos servidores, resultado de um teste de rotina, foi responsável pelo apagão dos serviços Facebook na quarta. Por 14 horas, muita gente ficou com acesso prejudicado.





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15 de março de 2019
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