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21 de março de 2019
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Bolsonaro cai 15 pts no Ibope, o pior início de governo desde Collor


Jair Bolsonaro está tendo o pior início de governo desde a eleição de Fernando Collor, em 1989. Segundo a pesquisa Ibope divulgada ontem, a avaliação de que administração é ótima ou boa era feita por 49% dos brasileiros, em janeiro. Caiu para 39% em fevereiro e para 34%, agora em março. Outros 34% consideram o governo regular e, 24%, péssimo. Os 8% restantes não souberam opinar. Foi uma queda de 15 pontos percentuais em dois meses, uma perda de três de cada dez apoiadores que tinha. 62% dos brasileiros diziam confiar em Bolsonaro em janeiro. Em março, 49% mantém a impressão. As maiores taxas de desconfiança estão no Nordeste e nas grandes cidades. Os que mais confiam são os evangélicos, os mais ricos, homens e moradores do Sul. Os pesquisadores fizeram 2.002 entrevistas face a face e a margem de erro é de dois pontos percentuais.

José Roberto de Toledo: “O Ibope não pesquisou as razões que levam os brasileiros a avaliar bem ou mal o governo. Mas pesquisas de outros institutos que não foram divulgadas para o público em geral apontam pelo menos três motivos para a diminuição da taxa de ótimo e bom de Bolsonaro: sua vizinhança com a milícia no Rio de Janeiro e as denúncias de corrupção envolvendo seu filho Flavio, a falta de medidas práticas que tenham resultado em diminuição da violência urbana e, finalmente, o destempero demonstrado pelo presidente em suas manifestações públicas, principalmente por meio do Twitter durante o Carnaval.” (Piauí)

Paulo Celso Pereira: “Uma das origens da crise que fulminou a ex-presidente Dilma estava na incompreensão da petista em relação ao resultado de sua reeleição. Após derrotar Aécio Neves pela menor margem vista em nossa história, Dilma entendeu que a população lhe dera salvo conduto para dobrar a aposta em seu estilo. Tratava-se do oposto. Desde que foi eleito, Bolsonaro adotou postura semelhante. Em nenhum momento fez acenos aos derrotados e seguiu com ataques a inimigos reais e imaginários, todos que não partilham integralmente de sua visão de mundo. Sua chegada ao Planalto não foi consequência de um alinhamento da sociedade com o discurso extremista. Pelo contrário. A principal razão para sua eleição foi a rejeição da sociedade a dar mais um mandato ao PT. Em vez de olhar para o resultado com humildade e buscar um caminho que unisse o país após quatro longos anos de crise política, suas manifestações são direcionadas para os militantes mais aguerridos da direita. Nessa trilha, Bolsonaro abriu mão inclusive de organizar uma base parlamentar que dê sustentação às reformas. A pesquisa Ibope divulgada ontem mostra que a estratégia está dando errado.” (Globo)

Bruno Boghossian: “Celebrado pelo clã Bolsonaro, o estrategista Steve Bannon define o populismo como um modo de governar que se aproxima do povo para driblar as elites políticas. ‘É basicamente garantir que a classe média e a classe trabalhadora terão um lugar à mesa’, disse. Os números da última pesquisa Ibope indicam que o presidente perdeu pontos fora dos palácios. O tombo foi mais forte em segmentos de renda baixa e intermediária. Um de cada três brasileiros de classe média que consideravam o governo ótimo ou bom mudou de ideia. Assim como Bannon, o presidente contava com o apoio popular para tratorar as resistências dos caciques do Congresso. Se não recuperar pontos nas ruas, ele corre o risco de ficar emparedado.” (Folha)

Será bem modesta a reforma da Previdência dos militares. As Forças Armadas impuseram um conjunto de aumentos que estão chamando pelo eufemismo ‘reestruturação de carreiras’. Ao longo dos próximos dez anos, o aumento custará R$ 86,85 bilhões. Em contrapartida, quem se alistar se aposentará no mínimo após 35 anos de serviço ao invés dos atuais 30. Quem já está na ativa fica 17% mais do tempo que falta — alguém com dez anos de carreira entraria para a reserva em 33,4 anos; com vinte, 31,7. Hoje, um general pode ficar na ativa até os 66, a idade será elevada a 70. Policiais militares e os bombeiros também serão incluídos nestas regras. A economia com as novas idades deve ficar em R$ 97,3 bi. O saldo positivo, portanto, será de R$ 10,45 bilhões em dez anos. Na primeira versão a subtração de aumentos por economia terminava em déficit. (Estadão)

Números: Em 2018, o regime dos militares registrou saldo negativo de R$ 43,9 bilhões. O déficit previdenciário dos servidores públicos, no mesmo ano, foi de R$ 46,4 bi. E o do INSS, que atende aos trabalhadores do setor privado, foi de R$ 195,197 bi.

A irritação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, não é pequena. Segundo Natuza Nery, ele ontem conversou com o general Villas Boas, ex-comandante do Exército. Foi para se desculpar. “Estamos no fim da festa, o Brasil quebrou, e eles estão querendo entrar no finalzinho”, ele havia dito terça sobre a exigência imposta pelos militares de um aumento em troca de aceitar a reforma.

Com o governo, a irritação é pior. Quando um grupo foi lhe entregar o projeto dos militares, também ontem, mandou dizer que não receberia projeto algum. “Manda entregar na burocracia”, disse, referindo-se ao setor administrativo da Casa. As críticas que vem recebendo da base bolsonarista nas redes sociais o tiram do sério. É chamado de ‘achacador’ na negociação quando sente estar trabalhando sozinho pela reforma. Foi para atenuar o clima, conta Andréia Sadi, que o próprio presidente Jair Bolsonaro foi à Câmara, de tarde, fazer a entrega pessoalmente. Maia o recebeu.

Irritação, pois é. Perguntaram a Maia sobre o ministro Sérgio Moro. “O funcionário do presidente Bolsonaro?”, mandou na lata. O presidente da Câmara segurou o trâmite do projeto anticrime para se concentrar na Previdência. “Ele conversa com o presidente Bolsonaro e se o presidente Bolsonaro quiser conversa comigo. Fiz aquilo que acho correto. O projeto é importante, aliás, ele está copiando o projeto direto do ministro Alexandre de Moraes. É um copia e cola. Não tem nenhuma novidade.” Moro havia criticado o congelamento do trâmite. No final, Maia foi ao ponto: “Acho engraçado. Quando dizem que o Parlamento quer indicar alguém no governo é ‘toma lá, dá cá’. Quando eles querem indicar relator aqui e interferir no projeto legislativo não é ‘toma lá dá cá’?” Irritado, justamente, com a falta de movimento do governo para negociar.

Fica no Ministério da Mulher e Direitos Humanos a Comissão de Anistia que avalia os pedidos de reparação pelas vítimas da Ditadura. A ministra Damares Alves pretende, ainda esta semana, sair negando centenas deles. “Vamos fazer uma auditoria”, ela afirmou. “Desconfio que houve exagero nos gastos.” Damares guarda no banheiro de seu gabinete os livros publicados pelo grupo desde o governo FH. “Quero saber se era função da comissão publicar estas obras.”

Enquanto isso... A Finlândia se manteve no topo da lista de países mais felizes do mundo pelo segundo ano consecutivo. Já o Brasil caiu quatro posições no ranking de felicidade. O índice da ONU leva em conta variáveis como PIB, assistência social, expectativa de vida, liberdade, percepção de generosidade, corrupção e a qualidade de vida dos imigrantes.

Cultura


Stranger Things, uma das séries mais populares da Netflix, apresentou ontem o trailer oficial de sua terceira temporada. A estreia é no dia da Independência americana, 4 de julho, tema de um dos episódios. “Já não somos mais crianças. O que você pensava? Que ficaríamos sempre no meu porão brincando pelo resto de nossas vidas?’, pergunta o personagem principal.

Aliás... Com Leonardo DiCaprio e Brad Pitt vagando por uma Hollywood hippie, o novo filme de Quentin Tarantino também esteve entre os principais assuntos do dia: Era Uma Vez Em Hollywood chega aos cinemas em agosto. Veja o trailer.

E por falar... O sistema de streaming da Apple que concorrerá com a Netflix será anunciado só segunda que vem. Mas começam a vazar que séries e filmes exclusivos virão. Em comum, todos têm o fato de que serão orientados a um público familiar. Sem palavrão, sem nudez. Para crianças, haverá dois Vila Sésamo — um animado, o outro com bonecos. Reese Witherspoon e Jennifer Aniston estão numa série chamada The Morning Show, sobre os bastidores dum programa noticioso da TV americana. Outra série, uma odisseia de ficção-científica chamada For All Mankind, está sendo tocada por Ron Moore, o criador de Battlestar Galactica. O diretor M. Night Shyamalan toca outra série, um thriller psicológico. A lista completa é maior.

Elefantes são os maiores animais terrestres existentes e estão sob risco de extinção. É isto que torna este ensaio do fotógrafo Burrard-Lucas ainda mais especial: Rainha dos Elefantes, como ele prefere chamar F_MU1, aparece majestosa, seja tomando um banho ou passeando pelas paisagens do Quênia. “O tempo que passei com ela foi um verdadeiro privilégio”, diz. A rainha morreu semanas após a série de fotos ser finalizada e estampa a capa do livro Land of Giants, que compõe as fotografias que Lucas fez de animais vivendo livremente na natureza.

Pois é: Rainha dos Elefantes, o documentário, também estará no sistema de streaming da Apple. Assista ao trailer.

Viver


No sudeste africano, equipes de auxílio humanitário ainda correm para salvar pessoas devido às enchentes próximas de Beira, em Moçambique, depois que um forte ciclone deixou ao menos 202 mortos. Até a noite de ontem, milhares de pessoas continuavam presas em telhados de casas e árvores. O presidente Filipe Nyusida declarou luto de três dias e estado de emergência. Pelo Twitter, o Papa Francisco pediu orações. Veja imagens. A ONU já considera o desastre um dos piores relacionados ao clima no hemisfério Sul.

Os EUA aprovaram o primeiro medicamento específico para depressão pós-parto. Administrado por via venosa, o brexanolone funciona em dias quando tratamentos atuais levam semanas. Mas é caro. A Sage, que irá comercializar o brexanolone sob a marca Zulresso, informa que o tratamento sairá por algo entre US$ 20 mil a US$ 35 mil. A depressão pós-parto atinge aproximadamente 400 mil mulheres só nos EUA. Estima-se que a depressão durante a gestação atinja até 13% das mulheres e, no pós-parto, entre 10% e 15%. A doença pode afetar a capacidade de formar um vínculo afetivo com o bebê, o que influencia no desenvolvimento da criança.

Na esteira do político italiano anti-vacina que contraiu catapora, a Scientific American traz à tona um artigo de 2018, sobre como entender e ajudar pessoas que não acreditam na eficácia de vacinas. “Encontramos um elo entre ‘hesitação vacinal’ e valores de pureza e liberdade — o que é especialmente importante, já que muitos argumentos ‘tradicionais’ pró-vacina se concentram em proteger a si e aos outros de doenças. Talvez, se incorporarmos esses argumentos em mensagens pró-vacina, eles entrem em ressonância com pais hesitantes”, explicam os pesquisadores.

E por falar... O Ministério da Saúde vai antecipar a campanha de vacinação contra o H1N1 em 15 dias por conta de um surto no Amazonas.

Cotidiano Digital


A União Europeia multou o Google, ontem, em US$ 1,7 bilhão por abuso de sua posição dominante na publicidade em buscas. A empresa já modificou a maneira como apresenta os resultados de quem procura por produtos específicos por exigência das autoridades. Até julho passado, apenas 6% dos cliques iam para serviços de shopping online concorrentes. Agora já está em 40%. Mas esta é a terceira multa por formação de truste imposta à empresa, pelos europeus, em dois anos. As três somam US$ 9,3 bi. O debate sobre dividir a companhia corre solto entre políticos mas, ao menos por enquanto, os reguladores da EU evitam uma decisão radical.





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