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1 de julho de 2019
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Histórias para ouvir

Manifestantes defendem Lava Jato em dia de mais vazamentos


Foi um domingo tumultuado entre vazamentos relacionados à Lava Jato e atos em defesa da operação, que ocorreram em 88 cidades nos 26 estados mais Distrito Federal.

Além de defenderem a operação, os manifestantes que foram às ruas ontem levantavam também as bandeiras do pacote anticrime e da reforma da Previdência. Em tamanho foram semelhantes aos protestos também governistas em 26 de maio. A diferença é que grupos como o MBL, desta vez, foram às ruas. E, aqui e ali, foram chamados à briga. Na Avenida Paulista, ocuparam quatro quarteirões com maior concentração em frente ao MASP e ao prédio da Fiesp. No Rio, outros quatro quarteirões da Avenida Atlântica, em uns pontos de maior concentração e, outros, de gente espalhada. (G1)

Enquanto isso, a Folha publicava como reportagem principal os diálogos entre procuradores da Lava Jato no período em que negociavam a delação premiada de Léo Pinheiro, da construtora OAS. “Sobre o Lula eles não queriam trazer nem o apt Guarujá”, se queixou um deles. Àquela altura, o Ministério Público tinha indícios de que o ex-presidente recebera triplex e sítio de Atibaia como parte dos acertos envolvendo PT e Petrobras e queria o assunto presente. “A primeira notícia de versão do LP sobre o sítio já é bem contrária ao que apuramos aqui”, observou outro. “Estamos abertos a ouvir a proposta da empresa, mas não nos comprometemos com nada.” Frustrado com o rumo da negociação, um integrante da força-tarefa disse considerar o esforço de negociação inútil. “Tem que prender Léo Pinheiro. Eles falam pouco, me parece que não está valendo a pena.” (Folha)

No STF há medo de que revelações dos bastidores das delações façam com que alguns colaboradores digam à Justiça que foram obrigados a assumir crimes que não cometeram. (Folha)

Foram vinte anos de negociações — Mercosul e União Europeia concluíram, enfim, um acordo que formará uma área de livre-comércio entre os dois blocos. Em até dez anos, 90% dos produtos exportados pelo Brasil entrarão na Europa livres de impostos de importação. A intenção é de que o bloco aumente suas exportações em até US$ 100 bilhões na próxima década e meia o que pode representar um incremento no PIB brasileiro de até US$ 125 bi no mesmo período. Os produtos europeus protegidos no Brasil, que hoje são sete, vão saltar para 357. Em troca, 61 produtos tipicamente brasileiros não poderão ser replicados na Europa utilizando o mesmo nome. (Estadão)

Diego Bonomo, da CNI, no Twitter: “O acordo é uma construção coletiva de pelo menos cinco governos brasileiros.”

Cida Damasco: “Depois de anos de negociações, finalmente foi anunciado o acordo entre a União Europeia e o Mercosul — altamente prioritário para o País, apesar da rejeição ao bloco alardeada pelo ministro Paulo Guedes no começo do governo. Nos cálculos do Ministério da Economia, o tratado, que engloba bens, serviços, investimentos e compras governamentais, trará benefícios astronômicos ao Brasil. Os ganhos, contudo, não se esgotam nos números. Daqui para a frente o Brasil terá de se alinhar aos chamados avanços civilizatórios, muitos deles detalhados no documento assinado na semana passada. Respeito à preservação das florestas, demarcação das áreas indígenas, direitos humanos e outros temas incômodos, pelos quais Bolsonaro e parte de sua equipe não têm demonstrado grande apreço, são condições para que o Brasil continue sócio do clube. A nova imagem do País está no modo ‘teste’.” (Estadão)

Sérgio Abranches: “Jair Bolsonaro escolheu uma Presidência de confrontação desde a posse. Recusando o enquadramento institucional do presidencialismo de coalizão, tem tido sucessivas derrotas. Esses atropelos resultam do mal entendimento do modelo político brasileiro. A coalizão se tornou um imperativo da governabilidade porque é improvável que o partido do presidente alcance a maioria nas duas Casas Legislativas. Os problemas começam pela recusa do presidente em governar de acordo com o modelo institucional, mesmo sem o ‘toma lá, dá cá’ espúrio. Ele rejeita o modelo por confundi-las com práticas de clientelismo e corrupção. Há paralisia crescente e áreas essenciais estão inertes, sob comando inepto, sem base política, como a Educação. Trata-se de uma situação premonitória de crises de governabilidade. O avanço do populismo cesarista em várias democracias está associado à falta de respostas para os problemas criados por uma transição global radicalmente transformadora. Ela põe em xeque modelos de negócios e a eficácia representativa das democracias em sociedades fluidas, que mudam rapidamente. Mas o que parecia uma tendência avassaladora está dando sinais de ser uma onda, que refluirá. O avanço dos Verdes e o crescimento aquém do esperado dos ultranacionalistas no Parlamento europeu são sinais desse início de refluxo. E por que reflui? Porque essas lideranças apelam para a raiva, a decepção e o desencanto da maioria e a falta de representatividade da velha política. Não têm, todavia, soluções que de fato mitiguem os efeitos da transição. A decepção com o que parecia uma alternativa amplifica o desgosto e afasta as pessoas da política. O Brasil foi alcançado por esta onda em um momento particularmente delicado. Vinha de uma recessão. Hoje, a economia está parada. O desemprego, altíssimo. O país vivia, além disso, um momento político grave, resultado da Lava Jato, a prisão de Lula, e do processo de impeachment de Dilma Rousseff. Abriram-se fissuras de difícil sutura no tecido social. O caldo de ressentimentos que alimentou a campanha eleitoral levou à escolha de um presidente sem habilidades para a mediação de conflitos e inapto para conduzir o país a uma recuperação tranquila. Desta vez, o epicentro da crise não é o Legislativo, é a Presidência. Há forças no ecossistema político-econômico que podem empurrar o país no rumo de uma recessão democrática. Pelo princípio da precaução, esse perigo não deve ser desprezado por ter baixa probabilidade de ocorrência. É a partir da compreensão dos fatores de risco que podemos desenvolver práticas preventivas capazes de imunizar a democracia brasileira, preservar suas virtudes e corrigir suas falhas.” (Folha)

Cotidiano Digital


E Donald Trump começou a acenar com o fim do bloqueio à Huawei. Após seu encontro com o presidente chinês Xi Jinping, o americano disse a repórteres que EUA e China irão reiniciar conversas sobre suas relações comerciais, que seu país vai segurar novas tarifas e que, sim, pretende voltar a permitir que empresas americanas façam negócios com a Huawei.

Não era uma concessão que os chineses cogitavam conquistar com tanta facilidade, informa o Financial Times. O plano de Beijing para a conversa entre os dois líderes era impedir que as relações piorassem mais. Vieram, no entanto, promessas, reforçando para os chineses a impressão de que o presidente americano não é movido a ideologia e sim a um espírito transacional. Tudo é negociação.

Tweet da Huawei:U-turn?’ Meia-volta.

Aliás... A Apple também está mandando um sinal. Decidiu transferir a produção de seu novo computador de ponta, o Mac Pro, dos EUA para a China. É uma prova de confiança no governo de Beijing, demonstrando certeza de que não sofrerá retaliação.

Cultura


A notícia é boa para quem gosta de quadrinhos. A Netflix está para fechar um acordo com a Warner Bros e transformará a clássica série Sandman (Amazon), de Neil Gaiman, numa série para TV. Live action — com atores.

Então... Julho começou e as plataformas de streaming trazem filmes e novas temporadas de séries. Na Netflix, Orange is The New Black chega ao final com a sétima temporada enquanto Stranger Things e La Casa de Papel voltam com novos capítulos. No Now, estreia Nós, um thriller psicológico sobre uma família confrontada por um grupo de sósias. Na Amazon, destaque para The Boys. Confira os principais lançamentos. (Estadão)

O 54º Festival de Parintins teve início na noite de sexta-feira, na cidade de Parintins, com a disputa dos bois Garantido e Caprichoso. Durante a abertura do evento, que terminou ontem, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) entregou o certificado de Patrimônio Cultural do Brasil. O reconhecimento foi realizado pelo Instituto no ano passado e é uma importante conquista dos grupos, mestres e atores que fazem parte dos bois-bumbás do Médio Amazonas e Parintins.

Carlos Santana, 71 anos, tem acumulado projetos icônicos, que foram pioneiros na mistura de rock, jazz e música latina. Em seu novo álbum, Africa Speaks, disponível nas plataformas digitais, o guitarrista se aprofundou ainda mais para criar um de seus mais importantes projetos. "A música africana é a música medicinal mística para curar um mundo distorcido que é afetado pelo medo", disse em entrevista ao NYT. É um dos álbuns "mais ferozes" da carreira de 50 anos de Santana. E, diferente de Supernatural, não é um disco que busca faixas prontas para o rádio, avalia a crítica. No novo trabalho, a lenda da música se uniu ao produtor lendário Rick Rubin e sua banda no estúdio de Rubin, em Shangri-La, em Malibu, Estados Unidos, para gravar muitas das faixas em um só take. Destaque para a voz da cantora Buika, cujos vocais mágicos incluíram um tipo de feitiço que acompanha todo o disco.

Viver


Dois monges budistas sorrindo durante uma refeição em Kathmandu, Nepal. "Crianças são crianças, em todo o mundo", disse o fotógrafo Jorge Delgado-Ureña.

Segundo pesquisa da INCT-CPCT (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia), jovens brasileiros se interessam por ciência e acham que o governo deveria aumentar ou manter investimentos na área, mas pouco sabem sobre o assunto. A pesquisa aponta que 93% não souberam citar o nome de algum cientista brasileiro. "O desconhecimento dos jovens sobre ciência fica claro quando questionados sobre temas importantes da atualidade. Para 54% dos entrevistados, os cientistas podem estar exagerando quanto aos efeitos das mudanças climáticas. Outros 40% não concordam que os humanos evoluíram e descendem de outros animais. E, por fim, 25% dizem acreditar que vacinar crianças pode ser perigoso". Para ter contato com temas científicos, os jovens usam principalmente o Google e redes sociais, como Youtube, WhatsApp, Facebook e Instagram.

Por falar… cientistas encontraram ferramentas feitas por macacos há 3.000 anos no Piauí. A descoberta foi relatada na revista Nature Ecology and Evolution e ajuda a entender evolução de inteligência similar à de ancestrais dos humanos.

A Educação foi um dos ministérios que mais despertou polêmica nos primeiros seis meses de governo de Jair Bolsonaro. A BBC News Brasil aponta seis números que relembram essa trajetória.

Paraty, cidade histórica do litoral fluminense, está na disputa pelo título de Patrimônio Mundial da Unesco. A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura se reúne até o próximo dia 10 de julho, em Baku, no Azerbaijão, para decidir quais lugares do planeta merecem o título. Fundada em 1667, Paraty foi uma das cidades portuárias mais importantes do período colonial, por ser o fim da movimentada rota de escoamento do ouro minerado em Minas Gerais. O Brasil vota na eleição, além de outros 20 países, como China, Cuba, Espanha, Noruega e Uganda.

Colorado, primeiro estado dos EUA a legalizar a maconha, já viu mudanças relacionadas à saúde pública e à criminalidade. Pesquisas do estado mostram que o consumo da erva na adolescência tem caído ligeiramente desde que as vendas de maconha medicinal aumentaram em 2009, e tem sido basicamente estável desde a legalização completa. (O Globo)





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