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26 de julho de 2019
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Todo comando da República foi hackeado


O ministro da Justiça, Sergio Moro, passou um bom tempo ao telefone, ontem, informando a autoridades que o grupo de hackers preso na terça-feira havia ganho algum tipo de acesso a seus celulares. E a lista é longa. Começa com alguns aparelhos do presidente Jair Bolsonaro, passa pelos dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, uns tantos deputados e senadores, alguns ministros do Supremo, o presidente do STJ, João Otávio de Noronha, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pelo menos 24 integrantes do MPF, e daí vai. Os quatro de Araraquara tiveram acesso às mensagens de Telegram do comando da República. Quem tinha mensagens possivelmente as teve violadas. “Não estou nem um pouco preocupado se, por ventura, algo vazar do meu telefone”, afirmou Bolsonaro a um grupo de jornalistas. “Sempre tomei cuidado nas informações estratégicas, essas não são passadas via telefone.” De acordo com o ministro Onyx Lorenzoni, boa parte da comunicação entre Bolsonaro e auxiliares é feita via WhatsApp, que não é vulnerável a este hack. (G1)

À jornalista Vera Magalhães, Maia se queixou de a PF ter divulgado a lista de quem foi hackeado. (BR18)

Ao ministro João Otávio de Noronha, Moro contou que o plano era destruir as mensagens. “Não tem outra saída”, comentou o presidente do STJ. “É isso que tem de ocorrer.” Mas não tão rápido. O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo, fez de presto uma ressalva à Mônica Bergamo. “Cabe ao Judiciário decidir isso, e não à Polícia Federal.” O caso, que está nas mãos do juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal do DF, ainda está no início e a PF não pode destruir provas. (Folha)

Em seu depoimento prestado ontem, Walter Delgatti Neto afirmou à PF ter sido a fonte do jornalista Glenn Greenwald. De acordo com ele, todos seus contatos foram virtuais, pelo Telegram, e ocorreram após os ataques já terem acontecido. Delgatti diz que fez tudo de forma anônima, voluntária e sem cobrança financeira. (Folha)

Em uma série de tweets, o cofundador do Intercept, Glenn Greenwald, se mostrou ambíguo a respeito de Delgatti. Em um, comentando a afirmação do suspeito de que teria passado as mensagens de forma anônima e sem custo, apontou: “Como sempre falamos”. Noutro, citando a intenção por parte de Moro de destruir as mensagens encontradas com os presos, inquiriu. “Como isso não é suspeito?” Ao mesmo tempo, voltou para cima do muro. “Para ser claro, não estou afirmando que a pessoa acusada pela PF é de fato nossa fonte. Nós não comentamos sobre nossas fontes.”

Nem tudo está esclarecido. Embora Delgatti já tenha confessado muito, para a PF ainda não está clara a relação entre ele e os outros três suspeitos. Além deles, ainda há outras seis pessoas que podem estar envolvidas. Seus nomes estão vinculados ao sistema BRVOZ do qual partiram os ataques. E há o mistério dos mais de R$ 600 mil movimentados entre abril e junho por Gustavo Henrique Elias dos Santos, o DJ preso, que diz ser, como sua mulher Suelen Priscila de Oliveira, inocente. A polícia ainda não tem certeza sobre se há ou não um mandante. (Globo)

Pedro Doria: “O ministro Sergio Moro foi ontem ao Twitter para afirmar que ninguém sofreu um hack por falta de cautela. ‘Não havia sistema de proteção hábil’, ele escreveu. Havia, sim. Autenticação em duas etapas, ou, na sigla em inglês, 2FA. É chatinho, mas não é difícil. É a inacreditável ingenuidade digital das autoridades públicas. Se no início pareceram hackers sofisticados, conforme foi-se avançando percebeu-se que, ora, eram hackers de Araraquara. Um estelionatário de terceira do interior paulista tomou de assalto a comunicação da República. Vamos mal.” (Estadão ou Globo)

O coordenador da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, fez uma palestra remunerada no valor de R$ 33 mil para a Neoway, uma das empresas citadas em delação premiada à própria força-tarefa. A informação está entre os diálogos vazados ao Intercept. Segundo as mensagens, ele descobriu só depois. “É um pepino para mim”, comentou com procuradores. “É uma brecha que pode ser usada para me atacar porque dei a palestra jamais imaginando que poderia aparecer em alguma delação.” (Folha)

O presidente do Supremo, José Antonio Dias Toffoli, afirmou que pretende antecipar o julgamento sobre a legalidade do uso de relatórios do Coaf e da Receita, sem autorização judicial, para disparar investigações. Originalmente marcado para apenas 21 de novembro, ainda não tem data nova. (Poder 360)


E amanhã, na Edição de Sábado: um guia de segurança na internet. Era possível, sim, evitar os hackers de Araraquara. Mas, numa semana em que a fragilidade de nossas vidas digitais ficou à mostra, o Meio trará um guia essencial para qualquer um trafegar com mais tranquilidade pelo mundo online. Assine. Não custa quase nada.


Dançando na Polícia Federal

Tony de Marco

 
Hacker-Shake_sem-pisca

Cultura


Em São Paulo, abre neste sábado na Pinacoteca uma retrospectiva do artista Marepe, com curadoria de Pedro Nery. Dentre as obras expostas estão Os Filtros e A Mudança, que fazem um diálogo da arte popular com a abstração geométrica. O Festival de Cinema Latino Americano vai até a quarta-feira em diversas salas de cinema da cidade. Programe-se. No domingo, no IMS, a flautista Maiara Moraes apresenta o seu primeiro disco, Nós. Hoje, Mestrinho homenageia Dominguinhos no Sesc Pompeia e, no sábado e domingo, Seu Biano, fundador da Banda de Pífanos de Caruaru, comemora 100 anos cheio de vitalidade, em show com participações de Zeca Baleiro, A Barca, e a banda de Pífanos atual – ele é o único remanescente da formação original do grupo. A banda Black Mantra e o saxofonista Esdras Nogueira são algumas das atrações do Festival F.A.M, que ocorre neste sábado e domingo no Parque Burle Marx, de graça. Mariana Aydar faz show nesta sexta-feira na Casa Natura Musical lançando o segundo dos seus EPs deste ano, Veia Nordestina. Para quem estiver no clima de festa, tem Capslock no sábado com DJs da Omnidisc.

No Rio, está em cartaz no CCBB Por Que Não Vivemos?, com Camila Pitanga, e direção de Marcio Abreu. David Ganc, na flauta e saxofone, e Maria Teresa Madeira, no piano, convidam Nivaldo Ornelas para apresentação hoje na Sala Cecília Meireles. Neste sábado, a Chamber Orchestra Brazil apresenta Tchaikovsky – o Souvenir de Florence e Serenade for Strings – na Cidade das Artes. A Casa Quintal recebe solos de Eliane Costa, Soraya Ravenle e Lucília de Assis neste sábado e no domingo. TK, Morcego e o Sarau das Musas são as atrações do MAR de Música hoje, no Museu de Arte do Rio. Nina Becker canta Dolores Duran nesta sexta no Centro da Música Carioca. E Black Alien estreia o seu novo disco no Rio, também hoje, no Circo Voador. Djonga faz show neste sábado no Espaço Laduma. Alexiz BcX, Leo Janeiro e Fernando Nascii estão entre as atrações da Gop Tun na Fosfobox nesta sexta-feira. Também tem festa Yellow Frequencies na Comuna. Hoje, a Experiência nº 22 recebe as artistas Luana Fonseca e Luisa Alexandre e poetas como Amora Pêra, Pedro Rocha – num encontro de múltiplas linguagens artísticas. Para mais indicações culturais, assine a newsletter da
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Nos cinemas, a maior estreia dessa semana é As Trapaceiras (trailer). Na trama, Josephine (Anne Hathaway) e Penny (Rebel Wilson) são duas manipuladoras, conhecidas pela arte de extorquir milionários por quem fingem estar apaixonadas. O caminho das duas se cruza na Riviera Francesa e, apesar de competirem pela fortuna de Thomas Westerburg (Alex Sharp), um prodígio da tecnologia, Josephine e Penny logo descobrem que talvez tenham mais chances de sucesso se trabalharem juntas. Também estreia Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal (trailer). A cinebiografia do serial killer que matou, pelo menos, 30 mulheres em sete estados norte-americanos durante a década de 1970, é contada pelo ponto de vista das mulheres "que amou": Liz Kendall (Lily Collins), com quem casou, e Carole Ann Boone (Kaya Scodelario), amante que o apoiou durante o longo julgamento nos tribunais. Zac Efron interpreta Bundy, que se tornou famoso em todo o país, em parte por causa da fama de sedutor, em parte por ter efetuado sua própria defesa nos tribunais. Rodado em preto e branco, A Serpente (trailer) foi lançado em 2016, mas volta a ser exibido em alguns cinemas do Brasil. Baseado na primeira obra escrita pelo dramaturgo Nelson Rodrigues, mas a última a ser publicada em 1978, o filme reúne em seu elenco um encontro inédito entre Matheus Nachtergaele e Lucélia Santos. Confira outras estreias da semana.

Viver


Uma quadrilha com veículos clonados e identificados como sendo da Polícia Federal entrou ontem na área de carga do Aeroporto de Cumbica, na Grande São Paulo, e roubou 750kg de ouro que seriam embarcados. Estavam munidos com informação vindas de um funcionário cuja família raptaram. Saíram sem deixar pistas.

Um gato atrapalha a partida entre o Tigres UANL do México e o Real Salt Lake durante a Copa das Ligas em Salt Lake City. Um macaco passa no meio de um jogo de críquete em Galle, no Sri Lanka. Uma ave assusta o goleiro da Argentina durante a última Copa América. Uma galeria de imagens com animais que "roubaram a cena" de atletas em eventos esportivos.


Quais são os desafios de Pia Sundhage, a primeira estrangeira no comando da seleção brasileira de futebol? A técnica assumiu equipe feminina no lugar de Vadão, demitido um mês depois da queda no Mundial. Seu primeiro desafio é preparar o time para a disputa dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. Especialista no torneio, Sundhage ganhou duas medalhas de ouro comandando a seleção norte-americana nas edições de 2008 e 2012, ano em que foi eleita a melhor treinadora do mundo.

E pela primeira vez na história, Brasil colocou dois nadadores no pódio de uma mesma prova de Mundial em piscina longa. Felipe Lima é prata, João Gomes é bronze. Os nadadores ficaram atrás somente do britânico Adam Peaty.

Cotidiano Digital


Há alguns problemas grandes, e nada triviais, por resolver na internet. O abuso e a agressividade que se tornam padrão de conversa, a desinformação reinante, extremismo político, exploração infantil. Uma das dificuldades em seu enfrentamento é que a solução, inevitavelmente, será multidisciplinar. Envolve sociólogos, antropólogos, cientistas da computação, analistas de dados. Outra dificuldade é que o material para este estudo não é de fácil acesso — está no que é publicado diariamente em grandes plataformas como Facebook, YouTube, Google, Twitter ou mesmo sites comunitários de porte, como o Reddit. Professor de Stanford, ex-vice-presidente de segurança do Facebook, Alex Stamos tem um plano. Está criando o Stanford Internet Observatory. É uma plataforma. Por um lado, negocia com cada uma das gigantes do Vale acesso às interações de seus usuários. Por outro, desenvolverá um software que permite explorar em conjunto as relações entre as pessoas, os diálogos que travam e o conteúdo que publicam. O Observatório estará aberto a pesquisadores de todas as áreas. E a esperança é de que, o trabalho técnico pesado já tendo sido feito, profissionais com olhares distintos poderão se debruçar sobre o conjunto para descobrir insights, aprender o que ainda não entendemos e, quem sabe, resolver o grande drama da internet atual.

A Apple anunciou a compra do braço de modems para celular da Intel. A aquisição não é completa, mas é da maioria das ações, ao preço de US$ 1 bilhão. Com o negócio, a companhia fundada por Steve Jobs leva 2.200 funcionários e muitas patentes. Há lógica no processo. Dentre as duas principais fabricantes de chips, Intel e Qualcomm, apenas a segunda estava com os chips para 5G prontos e à venda. E a empresa e a Apple têm uma rixa de há algum tempo. O objetivo da Apple é ganhar autossuficiência para o fabrico das próximas gerações de iPhones.





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26 de julho de 2019
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