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5 de agosto de 2019
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Novas chacinas colocam Trump no olho do furacão


Dois ataques, 29 mortos e uma avassaladora onda de críticas ao presidente Donald Trump. Esse foi o saldo de um fim de semana trágico nos EUA. No sábado, um branco de 21 anos armado com um rifle entrou em um supermercado em El Paso, no Texas, e matou 20 pessoas. O local era frequentado principalmente por latinos. No dia seguinte, em Ohio, outro homem matou mais nove, incluindo a própria irmã. O caso do Texas já está sendo tratado como terrorismo doméstico. (New York Times)

Embora tenha se apressado em criticar os ataques, atribuindo-os a “desequilibrados mentais”, Trump se viu alvo de uma saraivada de críticas. Sua virulenta retórica contra imigrantes latinos, tratados como “animais” e “bandidos”, é apontada como combustível para esses extremistas. “Como paramos essa gente (os imigrantes)?”, indagou ele num comício meses atrás. “Atire neles” respondeu a plateia. (Washington Post)

Patrick Crusius, suspeito do massacre de El Paso, publicou antes do crime um manifesto racista que repete quase integralmente a retórica de Trump. A postagem aconteceu no 8chan, uma plataforma de mensagens online hoje classificada pelo próprio fundador, Fredrick Brennan (que já deixou a empresa), como “refúgio de terroristas a céu aberto”. Pelo menos duas outras chacinas este ano foram precedidas por manifestos ali publicados. (Washington Post)

O 8chan saiu do ar ontem após a Cloudfare, empresa que o protege de cyber-ataques, cancelar seu serviço.

Nem a retórica racista nem o acesso banalizado a armas. Os republicanos já escolheram os culpados por mais esses tiroteios: os videogames.


E não é só Trump que agrada aos extremistas. Bolsonaro diz que seu discurso agressivo não é uma estratégia. Mas ela é e funciona. Segundo pesquisa, 1/3 do público concorda com suas declarações extremadas sobre tortura, golpe de 1964, homossexualidade e vários outros temas. É o mesmo percentual que considera seu governo ótimo ou bom. (Folha)

Valorizar as famílias sempre fez parte do discurso do presidente Jair Bolsonaro e seus filhos. Quando o assunto é contratação, isso é levado muito a sério. Em levantamento que consumiu três meses, uma equipe de sete repórteres do Globo apurou que 102 das 286 pessoas contratadas pelo clã (35% do total) ao longo de 28 anos têm algum grau de parentesco. São mães, pais, irmãos, tios, primos e uma barafunda de parentes que precisa de um gráfico para ser melhor compreendida. Os laços de família vieram à tona com o caso do ex-assessor Fabrício Queiroz, que emplacou, além dele próprio, sete parentes e uma ex-cunhada nos gabinetes dos Bolsonaro. Mas a parte do leão ficou dentro de casa. Nada menos que 22 parentes do próprio presidente passaram pelos gabinetes. Ah, ser contratado, no caso, não significa necessariamente dar expediente. Entre os 102 aparentados, há indícios de que ao menos 13% não trabalhavam. Tia do atual ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Antonio Francisco de Oliveira, Márcia Salgado de Oliveira foi lotada na Alerj por 16 anos sem jamais ter um crachá da casa. Em 2014, ao processar uma empresa de telefonia, deu como ocupação “do lar”. Questionado pelos repórteres, Bolsonaro não se abalou: “Já botei parentes no passado, sim. Qual é o problema?” (Globo)

Ricardo Galvão não é mais diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Recebeu na sexta-feira o aviso de que será exonerado após reagir à acusação feita por Jair Bolsonaro de que os dados sobre desmatamento eram falsos e feitos “em parceria com alguma ONG”.  A fritura de Galvão começou junto com o atual governo, com ataques partindo do Ministério do Meio Ambiente. Em entrevista, o agora ex-diretor disse que não conseguia mais falar com o Ibama para comunicar dados sobre desmatamento. Ambientalistas e a comunidade científica criticaram duramente a demissão, e o MPF defendeu o rigor do instituto e avisou que vai combater a “manipulação de atos estatais”. (Globo)

As críticas, com sempre, não incomodaram Bolsonaro. No domingo, ele confirmou a demissão de Galvão, disse que ainda não há nome para o cargo e emendou: “Certas coisas eu não peço, mando.”

Bernardo Mello Franco: “Eugenia Gonzaga e Ricardo Galvão poderiam enriquecer no setor privado, mas escolheram se dedicar ao serviço público. Nos últimos dias, os dois foram punidos por exercer suas funções com honradez. A procuradora foi afastada da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, da qual era presidente. Soube da exoneração pela imprensa, na manhã de quinta-feira. O físico foi demitido da direção do Inpe, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. As demissões repetem um padrão seguido desde o início do governo. Bolsonaro não admite contestação, e intervém em órgãos de Estado para impor suas versões aos fatos. Quem trabalha com independência assume o risco de ser perseguido ou afastado.” (Globo)

A semana promete mais fervura na animosidade entre o STF e os procuradores da Lava-Jato. Em entrevista ao Correio Braziliense, o ministro Gilmar Mendes não mediu palavras e classificou a operação como uma “organização criminosa para investigar pessoas”. Diálogos interceptados dão a entender que partiu do procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava-Jato no Paraná, a ideia de investigar Mendes e o presidente do STF, Dias Toffoli, através dos negócios das mulheres deles. Para ele, os sistemas de fiscalização do CNJ e do Conselho Nacional do MP falharam.

Na contramão de Gilmar, o ministro Barroso diz que nas conversas hackeadas há mais “fofocas que fatos relevantes”. (Estadão)

Para completar a cizânia, o presidente Bolsonaro se disse magoado com o decano do STF, ministro Celso de Mello, que em entrevista o acusou de minimizar “perigosamente a importância da Constituição”. (Estadão)

Mas numa coisa o Planalto e o Supremo concordam: Roberto Leonel, presidente do Coaf e homem de confiança de Sérgio Moro, deve ser demitido, agora que o órgão voltou ao controle do Ministério da Economia. Segundo Bolsonaro, o ministro Paulo Guedes tem carta branca para fazer a troca. Partiram de dados do Coaf investigações contra autoridade como o senador Flávio Bolsonaro, barradas recentemente por ato de Dias Toffoli. (Folha)

E ao menos parte do STF se movimenta para que Raquel Dodge, cujo mandato termina em 17 de setembro, seja mantida na PGR. Acham que ela pode dar mais estabilidade nesse momento delicado. O mais cotado, porém, é o subprocurador Augusto Aras, conservador e alinhado com a agenda de Bolsonaro. (Estadão)

Comece o dia com todo gás

Comece o dia com todo gás


Não existe tempo perdido se ele nunca foi encontrado, mas não administrá-lo estrategicamente prejudica o bem-estar, a eficácia e o desempenho de qualquer organização. Um estudo da Harvard Business School acompanhou, ininterruptamente, 27 CEOs de empresas de capital aberto. Mais de 60.000 horas foram monitoradas ao longo de um período de três meses. Em parte, o objetivo do estudo foi analisar os dados brutos da alocação de tempo real e fornecer recomendações sobre como aumentar a eficiência do tempo. Não há dúvidas de que o passo mais importante é através do gerenciamento adequado do calendário. Entre algumas descobertas no estudo estão programar o tempo de inatividade e atividades regulares. “Nós não somos super-humanos. Uma pausa de 10 minutos aqui e ali permitem que você recupere o fôlego, analise o que está acontecendo paralelamente e volte ao foco antes de avançar. Outra dica é “Use e-mail com cautela”. A melhor política para as questões internas é abordá-las cara a cara ou por telefone, quando possível.

Eles acordam cedo. Eles praticam exercícios. Eles meditam. Aqui estão os seis hábitos em comum de alguns dos executivos mais bem sucedidos do mundo.

Apenas 16 minutos perdidos de sono podem prejudicar a concentração. É o que indicam estudos da Universidade do Sul da Flórida. “Usando dados de um diário de oito dias de 180 trabalhadores de uma empresa de tecnologia da informação nos Estados Unidos, descobrimos que o sono da noite anterior indicava como seria o dia seguinte e as 'interferência cognitivas' durante o expediente, ou seja, pensamentos e atividades que nada tinham a ver com o trabalho”. Entre os participantes, dormir só 16 minutos a menos que o habitual foi associado a um ponto a mais na escala de interferência cognitiva no dia seguinte.

O The Sleep Council, que promove hábitos saudáveis de sono, alerta que nosso corpo experimenta um pico de cortisol toda vez que o alarme do celular dispara. Se você se esforça para não apertar a função Soneca, o melhor é deixar o aparelho distante da cama para que seja preciso levantar para silenciá-lo.

Viver


O Brasil está ganhando um poderoso agente de fiscalização para o uso de agrotóxicos: o mercado estrangeiro. Setores como o de frutas cítricas já foram avisados que só poderão exportar para a Europa, que hoje compra 70% de nossa produção, se abandonarem determinados pesticidas considerados de alto risco, mas usados livremente por aqui. Também os EUA fizeram exigências semelhantes. O problema é que esse tipo de controle só vale da fronteira para fora. Dentro do país cresce de forma alarmante a liberação de novos agrotóxicos enquanto diminuem as condições para a fiscalização de seu uso. Por trás do movimento, dizem especialistas, está a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, indicada por unanimidade pela bancada ruralista. (Época)

13 lugares onde ainda é possível ver a água mais azul do mundo.

Cotidiano Digital


A TV por assinatura como a conhecemos pode estar com os dias contados. Empresas que fornecem esse serviço temem que as frequências de telefonia 5G – que devem ser leiloadas no ano que vem – tornem obsoleto o fornecimento de internet de altíssima velocidade via cabo. E pior (para elas), isso pode ampliar a penetração, sem a mediação das operadoras locais, de serviços de streaming de empresas como Netflix e Amazon e de estúdios estrangeiros, que já se movimentam abertamente nessa área. No Brasil, a entrada em operação do 5G só deve acontecer em 2022. (Folha)

O advento de robôs em linhas de montagem e automatização em serviços de bancos e restaurantes, por exemplo, levaram à ideia, reforçada pela ficção científica, de que os trabalhadores de menor qualificação seriam os mais afetados por essa revolução tecnológica. A verdade, porém, não é bem essa. Tecnologias como inteligência artificial e big data se mostram muito mais eficientes para ações que requerem alto nível de raciocínio e capacidade matemática do que para trabalhos “braçais”, como previu nos anos 1980 o professor Hans Moravec. Para uma máquina, é muito mais simples interpretar o resultado de um exame médico complexo do que, por exemplo, arrumar uma mesa de jantar. Não que os empregos de garçons e mecânicos estejam a salvo, mas os de engenheiros e médicos, entre outros, também estão sob risco nessa nova realidade. (Medium)

Cultura


A história de Leonard Cohen e Marianne Ihlen é uma dessas que nunca se desgastam e agora volta a ser contada no documentário Marianne & Leonard: Words of Love. Nas palavras do diretor, Nick Broomfield, o filme “está intoxicado da beleza da relação”.

Maria Bethania: “Sinto o mesmo tesão de cantar, a mesma alegria, a mesma necessidade”, assegura, aos 73 anos. “Gosto de desafiar minha coragem. Naturalmente, a vida traz situações em que a gente pode não estar cantarolando. Mas pode estar cantando. E denunciando. O palco é um palanque como outro qualquer, uma tribuna.” (Folha)





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