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3 de setembro de 2019
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Histórias para ouvir

Dodge limita espaços de seu sucessor na PGR


A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, nomeou ontem quatro procuradores para que atuem na Procuradoria Regional Eleitoral do DF. Ela já havia destacado nomes similares para outros estados. Está ocupando cargos de chefia no MPF, o que em teoria seria feito pelo próximo procurador-geral. Que, a duas semanas do fim de seu mandato, ainda não foi designado pelo presidente da República. A iniciativa tira espaço do novo PGR, que não conseguirá indicar seus lugares-tenentes, e limitará sua capacidade de agir. Ao mesmo passo, ex-procuradores-gerais são críticos da intenção de Bolsonaro de manter um interino no cargo. “A Constituição manda que o presidente escolha o nome”, afirmou Aristides Junqueira. “Quando não faz isso, trata-se de omissão, e isso é crime de responsabilidade.” (Globo)

Pois é... Em entrevista a Kennedy Alencar, ontem, o ministro Gilmar Mendes fez observações similares. “Pode afetar a imparcialidade e a independência do órgão”, disse se referindo à Procuradoria-Geral. “O presidente poderia até mesmo dizer que vai testar o substituto e deixa-lo interinamente, o que, obviamente, não consulta o modelo constitucional desenhado.” Inconstitucional. (CBN)

Aliás... Segundo Igor Gadelha e Caio Junqueira, Dodge ainda está no páreo e pode ser reconduzida por Bolsonaro. (Crusoé)

Um dia após o presidente americano Donald Trump receber Eduardo Bolsonaro na Casa Branca, o governo brasileiro aumentou em 150 milhões de litros a quantidade de etanol que pode ser importada sem tarifa. Os EUA são os principais exportadores. A questão já havia sido mencionada por Trump na visita do presidente Jair Bolsonaro, no primeiro semestre. Na época, o Brasil havia condicionado o acordo à abertura do mercado americano ao açúcar brasileiro. Ainda não houve divulgação oficial de qualquer mudança, por parte dos EUA, em sua política de importação. (Globo)

No Twitter, Trump celebrou. “O Brasil vai permitir que mais etanol americano entre no país, uma decisão que os usineiros brasileiros estão celebrando”, escreveu. “Estamos fazendo progresso para nossos fazendeiros”, encerrou.

Não se sabe onde Trump viu apoio dos usineiros do Brasil. Pelo menos um deputado, o pernambucano Silvio Costa Filho, protestou. “Muito ruim”, disse a Marcelo de Moraes. “O Brasil é autossuficiente na produção de álcool, não existe necessidade de importação dos EUA. Isso prejudica a economia do Nordeste.” (BR Político)

Sérgio Abranches: “O Brasil está em uma crise política desde o início do segundo mandato de Dilma Rousseff. O impeachment agravou a crise e aguçou a polarização, que desaguou nas eleições de 2018, que foram disruptivas, mas pouco construtivas. A crise não acabou com o fim da eleição. Continua sendo um governo no contexto de uma crise política, que se agravou porque o presidente tem uma atitude de confrontação. Ele não é capaz de um movimento de conciliação, de uma abertura para setores da sociedade e do mundo. É muito fechado. O movimento natural é que aqueles com certa afinidade de valores e comportamentos se fundem. O PSDB se moveu para a direita, é natural que se funda com o DEM. São partidos de centro-direita. O espaço que está ficando vazio na política hoje é a centro-esquerda. O PT está na sua própria crise e não consegue formular uma nova posição, mais contemporânea e alinhada com os desafios do século 21. Há uma parte importante da centro-esquerda sem representação. Está vazia uma centro-esquerda e até um centro mais moderado, com uma visão mais social, um posicionamento contemporâneo, reformista, que tenha consciência da crise do emprego, dessa nova economia, que entenda que a globalização é inevitável e que o mundo hoje é mais cosmopolita.” (Estadão)

Helio Gurovitz: “A pesquisa Datafolha confirma o quadro revelado pelas duas últimas sondagens que vieram a público nos últimos dias: a popularidade do presidente Jair Bolsonaro está em queda, mas resiste nos bastiões mais fieis lhe garante em torno de 30% de apoio. Ele mantém a fidelidade de sua base, apesar de todas as declarações desastradas e confusões em que se meteu. Tal parcela será suficiente para conduzir Bolsonaro à reeleição? Sozinha, dificilmente. Mas isso não significa que seja desimportante. Ao contrário. O único grupo político no Brasil que reúne fatia semelhante do eleitorado é o PT. A persistir o atual quadro, portanto, o mais razoável a esperar em 2022 é um segundo turno entre Bolsonaro e quem quer que seja o nome escolhido pelo PT. No confronto polarizado, as chances de Bolsonaro dependerão basicamente da economia.” (G1)

A mulher do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, foi de carona em um voo da FAB que o levava para uma reunião da OCDE. Destino: Paris. Enquanto o marido trabalhava, Maria Eduarda de Seixas Corrêa turistou pela capital francesa. A viagem ocorreu em maio. (Folha)


Há um conflito interno botando fogo no Partido Conservador britânico. Um grupo de backbenchers, deputados da sigla que não fazem parte do gabinete de Boris Johnson, planeja apoiar Trabalhistas e Liberais-Democratas num projeto de lei que tornaria ilegal a saída do Reino Unido da União Europeia sem um acordo devidamente negociado. Não é certo que consigam e, graças ao movimento do premiê para suspender as sessões parlamentares por 23 dias, terão pouco tempo. Mas Johnson partiu para o ataque — afirmou que se o movimento ganhar corpo, ele convocará eleições parlamentares para 14 de outubro. A data limite com a qual ele trabalha para deixar a EU é 31 de outubro. A convocatória de eleições é uma ameaça — com o Parlamento dissolvido e os eleitores chamados às urnas para escolher novos titulares, ele aposta que a esquerda do Partido Trabalhista, cujo líder é Jeremy Corbyn, sairia diminuída em uma nova composição da Câmara dos Comuns. Mas Corbyn não se fez de rogado. “Venceremos, derrotaremos essa laia”, ele afirmou ontem, em um discurso. Enquanto os dois líderes se digladiam, os parlamentares do conluio para evitar o cenário sem negociação seguem trabalhando duro. A situação é particularmente incerta. (Guardian)

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HealthTech


Um grupo de cientistas está reinventando o microscópio — em verdade, um módulo que se acopla a qualquer microscópio ótico. Uma câmera captura as imagens em alta definição, e algoritmos de inteligência artificial imediatamente começam a analisar a lâmina com células. Se o software detectar um tumor, por exemplo, a realidade aumentada mostra no próprio visor do aparelho a área em que o médico deve prestar atenção. O microscópio 2.0 ajuda no diagnóstico.

O espanhol Juan Carlos Izpisúa Belmonte, do Instituto Salk de San Diego, está empregando uma tecnologia que, ele acredita, pode ser a chave para o rejuvenescimento de idosos. A técnica valeu, em 2012, o Prêmio Nobel ao médico japonês Shinya Yamanaka. É uma forma de reprogramar uma célula de forma que ela perca sua memória. Não importa se for um neurônio, uma célula de músculo ou de pele — volta a ser uma célula genérica ou, no termo correto, célula tronco pluripotente. A intuição de Izpisúa Belmonte é que o envelhecimento é causado no epigenoma — ou seja, as mudanças de características nas células de um indivíduo, conforme genes são ligados e desligados ao longo da vida. As células envelhecem. O cientista já conseguiu aplicar a técnica de reprogramar, e assim aparentemente rejuvenescer, alguns ratos. Por enquanto, eles tendem a desenvolver tumores por conta do tratamento. Embora pareçam mais jovens. Mas há uma dúvida maior que paira sobre o projeto. Não se sabe se este envelhecimento das células é o que causa o envelhecimento dos seres, ou se é um sintoma do envelhecimento. O tratamento, se der certo, não trará vida eterna. Mas pode ampliar a esperança de vida em até 50 anos.

Em nenhum continente a dificuldade de acesso a medicina é tão grande quanto na África. A incidência de doenças crônicas como diabetes, cardiopatias e anemia falciforme está disparando. E, ainda assim, abaixo do Saara menos de metade da população tem acesso a eletricidade e não são muitas as estradas que facilitem transporte. O Fórum Econômico Mundial tem um plano para a região que inclui a implantação de laboratórios e ajuda na regulação, para agilizar acesso a novos remédios. Mas tecnologia será chave para recuperar com rapidez o tempo perdido. Drones para envio de remédios serão chave. A Novartis já tem uma parceria com a startup Zipline para entrega de remédios na zona rural de Ghana. O projeto inclui, também, um plano de banda larga para o continente. Sim — é prioritária para ampliar contato com médicos através de telemedicina.

Viver


O furacão Dorian atingiu as Bahamas no fim da última semana e se direciona para o sul dos Estados Unidos. Mas, segundo o último boletim do Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês) emitido às 5h GMT, Dorian parece ter parado na ilha de Grand Bahama, onde ainda passará grande parte da terça-feira com suas chuvas torrenciais. A Nasa tem publicado vídeos do furacão.

 

No dia 2 de setembro de 2018, um grande incêndio atingiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Um gráfico interativo mostra como está o Museu um ano depois (Folha).

Cientistas do MIT flagraram um um asteroide mudando de cor pela primeira vez. O objeto 6478 Gault, que tem pouco mais de 4km de comprimento, estava avermelhado quando, de repente, ficou azul. Uma hipótese é que a superfície poeirenta do asteroide ficou avermelhada após milhões de anos de exposição ao Sol. (Galileu)


O Brasil quebrou recordes na edição deste ano do Parapan, que também aconteceu na capital peruana. E a Paraíba fez por onde contribuir com essa conquista. No total, os 11 paraibanos que participaram da competição conquistaram nove ouros, uma prata e um bronze para o Brasil.

Falando em esporte... Rafael Nadal venceu na noite de ontem, chegando pela 40ª vez às quartas em Slam. No maior teste que encarou nesta edição do US Open, o tenista teve uma grande atuação e venceu um duelo de campeões contra Marin Cilic. Deu tempo até para fazer um ponto espetacular já no último game. Em vídeo.

Cultura


Há 30 anos fora do país, Sônia Braga encontrou novos rumos na carreira com Aquarius e Bacurau. A atriz, em entrevista ao O Globo, falou sobre o seu retorno e sobre a proximidade de completar 70 em junho. Em 1986, O beijo da mulher aranha, de Hector Babenco, em que ela atua, concorreu a melhor filme, direção, roteiro adaptado e ator, categoria vencida por William Hurt. "Imagina hoje? Não ia dar para acompanhar as mensagens. Quando a gente foi pra Cannes, foi uma loucura! Voltei e tive que bloquear metade dos meus seguidores, porque falaram coisas horríveis para mim. Não sabia que esse tipo de insulto poderia sair de um brasileiro para outro". Sobre o lugar do Brasil na sua vida hoje: "Meu coração tem a noção de que língua é pátria". A entrevista completa.

A HBO estreou ontem a série Clubversão Latino, que reúne artistas de diferentes ritmos para interpretar clássicos da música brasileira e mundial. Entre as parcerias desta edição, estão Zeca Pagodinho e Gilberto Gil, Pitty e Tim Bernardes e Liniker e Ximena Sariñana.





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3 de setembro de 2019
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