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25 de outubro de 2019
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STF suspende por 12 dias decisão sobre 2ª instância


O julgamento no STF que pode suspender a prisão nos casos de condenação em segunda instância seguiu ontem com mais três votos. Até agora, o placar está em 4 a 3 pela manutenção da regra, com Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Luís Roberto Barros e Luiz Fux defendendo que continue como está, enquanto Marco Aurélio Mello, Rosa Weber e Ricardo Lewandowski defendem que prisão só deve ocorrer após o último recurso à última instância. A grande dúvida era o voto de Rosa Weber — os outros ministros que ainda faltam têm votos previsíveis. O placar deve se encerrar com 5 votos para cada lado e o presidente da Corte, Dias Toffoli, será o fiel da balança. A expectativa é de que a regra mude. Uma das primeiras consequências será dar liberdade ao ex-presidente Lula. Mas deve demorar ainda um pouco. Toffoli só anunciará quando pretende retomar o julgamento na próxima segunda — e não será na semana que vem. Provavelmente entre 6 e 7 de novembro. (G1)

Ao deixar a decisão em suspenso por ao menos 12 dias, Toffoli abre espaço para que o Supremo seja pressionado, lembra o Painel. Os lavajatistas nas redes sociais levaram o nome de Rosa, assim como as expressões ‘STF escritório do crime’ e ‘STF vergonha nacional’ ao topo das discussões. E há receio de mobilizações de rua. (Folha)

Malu Delgado: “Há entrelinhas na questão de ordem levantada pelo mais longevo ministro do Supremo, Celso de Mello, antes que os demais colegas começassem a proclamar seus votos. O magistrado pediu a palavra para registrar os dez anos da ‘investidura’ de Dias Toffoli como ministro do STF. Celso de Mello quis balizar o julgamento e deixar pronto o discurso do Supremo em reação ao impiedoso ataque que os ministros sofrem nas redes sociais. A esse exército, que o ministro classificou como ‘delinquentes que vivem na atmosfera sombria e covarde do mundo digital’, mandou um recado: ‘Parece essencial reafirmar aos cidadãos de nosso País que esta Corte não transigirá nem renunciará ao desempenho isento e impessoal da jurisdição, fazendo sempre prevalecer os valores fundantes da ordem democrática e prestando incondicional reverência ao primado da Constituição’. Ao se dirigir a Toffoli, o decano pontuou o papel do STF num momento em que se assiste a ‘surtos autoritários, inconformismos incompatíveis com os fundamentos legitimadores do Estado de direito’. Ponderações ao presidente da instituição que, para oposicionistas de Bolsonaro, criou muitas interfaces com o Planalto.” (Valor)

Bruno Boghossian: “Os caminhos que se abrem para uma libertação de Lula acordaram até os políticos mais céticos. Eles sabem que o ex-presidente ainda depende de um conjunto de decisões para recuperar o direito de ser candidato, mas é consenso que o jogo eleitoral mudará consideravelmente. Ainda que não possa voltar às urnas, o petista terá papel de relevo numa esquerda combalida. Se o ex-presidente estiver disposto a buscar protagonismo num campo de esquerda ainda esvaziado, pode reeditar o choque interno que acabou isolando personagens como Ciro Gomes em 2018. Na outra ponta do espectro, a direita bolsonarista não consegue disfarçar a satisfação de ver Lula nas ruas. Encarcerado e tratado como uma ameaça, ele rendeu impulso a Bolsonaro para chegar ao Planalto. De volta ao jogo, ajudará a aglutinar o eleitorado antipetista de modo contínuo. A expectativa de reedição dessa polarização causa pânico a grupos políticos que buscaram o centro. Para eles, se Lula e Bolsonaro se encontrarem como antípodas, não sobrará mais espaço. Quem aposta em Luciano Huck, por exemplo, acha que, com jeito de bom moço, pode ser engolido num ambiente radicalizado. Restaria a João Doria gritar bordões antipetistas com mais vigor que Bolsonaro — embora muitos duvidem que isso seja possível.” (Folha)

O Meio em vídeo: esta semana, o editor Pedro Doria mostra como há muitas semelhanças entre a extrema direita brasileira de hoje e aquela que tivemos nos anos 1930.


O Tribunal Supremo Eleitoral da Bolívia confirmou a vitória de Evo Morales nas eleições presidenciais de domingo. Por ter obtido mais de 40% dos votos e ter aberto uma vantagem de dez pontos sobre o segundo colocado, saiu da regra de segundo turno. Evo está no poder desde 2006 e o novo mandato vai até 2025. Serão, ao todo, 19 anos no poder. Seu principal opositor, Carlos Mesa, vai questionar na Justiça a decisão. (Poder 360)

Há uma nova leva de protestos espontâneos nas ruas do mundo: Hong Kong, Líbano, Equador, Barcelona, agora o Chile. Na Edição deste Sábado, o Meio destrinchará cada um deles para mostrar o que têm em comum e em que são diferentes. Até porque devem vir mais. De repente, até por aqui. Os assinantes Premium recebem todos os sábados uma edição reflexiva. Faça você também a assinatura e apoie o jornalismo independente.


O presidente no banquete do imperador

Tony de Marco

 
Bandeira-Miojo

Histórias para ouvir

Histórias para ouvir


Toda semana, às sextas, o Meio recomenda algo de interessante para ouvir na Storytel. E os leitores do Meio têm direito a experimentar o serviço por 30 dias. Sem custo. Tem audiobooks, podcasts, séries em áudio — histórias de todo tipo, narradas por bons atores e locutores. Experimente.

Igraine, Viviane, Guinevere e Morgana. A lendária história de Camelot, através dos olhos das mulheres que a tornaram possível. Esta é a história da saga As brumas de Avalon. Em uma Bretanha que é ao mesmo tempo real e lendária, quatro mulheres atravessam o tempo para testemunhar a glória de Camelot, as tragédias que acompanham a morte de Arthur e a destruição da influência mítica por ele personificada. As Brumas de Avalon - Volume 1 - A Senhora da Magia é narrada por Lena Horn, que também narra os outros volumes da saga. É nossa sugestão de audiobook da semana.

Cultura


Em Paris... o Museu do Louvre abre suas portas para a maior exposição já organizada sobre a obra de de Leonardo da Vinci. No total, 162 pinturas, desenhos, manuscritos, esculturas e outros objetos reunidos após um trabalho de pesquisa que durou uma década.

Em São Paulo, a Pinacoteca realiza a abertura de três novas exposições amanhã: a coletiva Gravura e crítica social: 1925-1956, com 67 obras de nomes como Oswaldo Goeldi e Lívio Abramo; a reunião de trabalhos políticos do argentino León Ferrari em Nós não sabíamos; e Nem mesmo os mortos sobreviverão, primeira individual do catalão Adrià Julià no Brasil. O festival Sesc Jazz chega a seu último fim de semana com shows de The Art Ensemble of Chicago, Women's Improvising Group e Lonnie Holley, entre outros. A partir de sábado, a Galeria Kogan Amaro exibe esculturas inéditas da artista nipo-brasileira Kimi Nii. Hoje e amanhã, Cristian Budu apresenta o Concerto para Piano em Lá Menor de Schumann ao lado da Osesp, que interpreta ainda a Sinfonia nº 7 de Claudio Santoro sob a regência de Neil Thomson. Mestres da cultura popular, o baiano Bule Bule e o gaúcho Pedro Ortaça se reúnem amanhã no Itaú Cultural para o projeto Tertúlia Visceral. Hoje tem show de 10 anos do disco Uhuu!, do Cidadão Instigado, no Sesc Vila Mariana.

No Rio, o Theatro Municipal realiza hoje a estreia latino-americana de Orphée, ópera de Philip Glass baseada no filme de Jean Cocteau. Acompanhada de banda formada por mulheres, Teresa Cristina canta Dona Ivone Lara, Leci Brandão e Jovelina Pérola Negra, entre outras, no show Um Sorriso Negro, hoje no Circo Voador. Dois festivais de rap acontecem hoje. O Fundição Rap Festival, na Fundição Progresso, traz shows dos veteranos Edi Rock, MV Bill e Marechal, entre outros. Já no SoundFoodFest, que ocupa o Ganjah Coffeeshop, o destaque fica com o sangue novo de Nill e Yung Buda. No Núcleo de Ativação Urbana, tem ainda o Eita! – Experiências Musicais Diversas, com shows de Ana Frango Elétrico e Leo Justi, entre outros. Hoje, Mart'nália canta Vinicius de Moraes no Imperator. Para mais dicas culturais, assine a newsletter da Bravo!

Viver


O litoral do Nordeste brasileiro virou o foco das atenções desde o início de setembro com o aparecimento de manchas de petróleo nas praias e em outros pontos da costa. Tontura, náuseas, dor de cabeça e reações alérgicas estão entre os sintomas relatados por parte dos voluntários de mutirões para remover óleo de praias pernambucanas.

A origem do óleo...Ontem, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou que um navio do Greenpeace estaria “navegando em águas internacionais em frente ao litoral brasileiro” na época em que houve o “derramamento de óleo venezuelano”. Segundo a ferramenta MarineTraffic, que agrega dados de posicionamento de navios do mundo todo, o navio do Greenpeace chegou ao Nordeste brasileiro no dia 8 de outubro de 2019. O primeiro registro de petróleo em praias brasileiras ocorreu em 30 de agosto. Na época, o Esperanza estava na Guiana Francesa, a mais de 2,5 mil quilômetros de distância.

E a luta de Astro, o peixe-boi que sobreviveu a 13 atropelamentos e agora está sob ameaça.

Para ler com calma...No sertão cearense ou no interior de São Paulo, onde estão algumas das escolas públicas com melhores resultados na avaliação federal, ninguém está preocupado com polêmicas em torno dos métodos de alfabetização. Material especial do Estado – batizado de Crianças que Leem – mostra por meio de uma série de quatro podcasts como se aprende a ler e a escrever nos melhores exemplos de escolas públicas e particulares. "As crianças que melhor aprenderam a ler e escrever no Brasil vivem no sertão do sertão do Nordeste. Seus pais são analfabetos e plantam o que a família come. A área é um bairro na zona rural de Granja, no Ceará, e fica a 1h30 de carro do centro da cidade. As poucas ruas, de terra, têm porcos, cabras e vacas perambulando soltas".

Um vibrador inteligente... A empresa por trás do Lioness, que consegue medir as contrações vaginais de uma mulher, recentemente divulgou um estudo informal dos “orgasmos canábicos” das usuárias. A Vice analisou o gráfico da CEO da empresa, Liz Klinger, sobre se masturbar depois de consumir um produto comestível de maconha. O orgasmo sob a influência do comestível tem contrações maiores e menos regulares do que o clímax sóbrio e não diminuíram no final. A reportagem completa.

Cotidiano Digital


Uma série de mudanças no edital pedidas pelo conselheiro Vicente Aquino deverá atrasar o leilão que a Anatel precisa promover para que as teles implantem suas redes 5G. O edital terá de voltar à fase de análise técnica, necessitará de novo parecer da Procuradoria Federal subordinada à Advocacia Geral da União e terá de ser reavaliado pelo TCU. Sem o leilão, as teles não começam trabalhar. Ia ser em março do ano que vem — ficará para o quarto trimestre. E o Brasil demorará um ano mais para ter internet rápida móvel.

Mark Zuckerberg deve anunciar hoje, em Nova York, uma área do Facebook dedicada a noticiário. A nova sessão da rede social entrará em fase de testes, disponível a apenas algumas centenas de milhares de usuários, nos EUA. Quem clica e cai na aba de noticiário poderá ler, gratuitamente, o conteúdo de veículos como o Wall Street Journal, Washington Post e os sites Business Insider e BuzzFeed. E, pela primeira vez, o Facebook pagará aos veículos pelo direito de oferecer gratuitamente seu conteúdo online.

Quarenta festivais de música, dentre os maiores do mundo, assinaram um compromisso de não usar tecnologia de reconhecimento facial durante os eventos. Dentre os signatários estão Lollapalooza, Coachella, SXSW e Burning Man. O Rock in Rio não assinou o compromisso. Tanto artistas quanto fãs ativistas começaram, em setembro, uma campanha prometendo boicote aos eventos que documentarem quem está presente e o que faz a cada segundo. Afinal, é disto que se trata a tecnologia.





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