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1 de novembro de 2019
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Eduardo Bolsonaro sugere golpe e pede desculpas


Em entrevista concedida à jornalista Leda Nagle em seu canal no YouTube, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, líder do PSL na Câmara, sugeriu que o Brasil talvez venha a precisar de um novo AI-5. “Vai chegar um momento em que a situação vai ser igual ao final dos anos 1960, quando sequestravam aeronaves, executavam-se grandes autoridades, cônsules, embaixadores”, afirmou, sem explicar por que algo assim pode vir a acontecer. “Se a esquerda radicalizar a esse ponto, a gente vai precisar ter uma resposta. E uma resposta pode ser via um novo AI-5, pode ser via uma legislação aprovada através de um plebiscito como ocorreu na Itália, alguma resposta vai ter que ser dada. É um inimigo interno, de difícil identificação aqui dentro do país. Espero que não chegue a esse ponto né? Temos que ficar atentos.” O AI-5, que em 1968 marcou o Golpe dentro Golpe, suspendeu direitos constitucionais básicos como o do habeas corpus, estabeleceu censura prévia a imprensa e artes, e deu ao presidente o poder de fechar o Congresso Nacional. O filho Zero Três do presidente já havia falado neste tom, antes. Nunca com tanta clareza. (YouTube)

A repercussão foi imediata e veio de todos os lados do espectro político. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia — nascido durante o exílio de seu pai — foi um dos primeiros. “Manifestações como a do senhor Eduardo Bolsonaro são repugnantes e têm de ser repelidas com toda a indignação pelas instituições brasileiras”, afirmou em nota. “A apologia reiterada a instrumentos da ditadura é passível de punição pelas ferramentas que detêm as instituições democráticas brasileiras.” O líder no Senado de seu PSL, Major Olímpio, seguiu no mesmo ritmo. “O Brasil carece, justamente, da ampliação da democracia, do respeito, do respeito ao contraditório” obnservou. “Se o deputado que é filho do presidente fala uma coisa dessas... Que haja bom senso em todos e que possamos mirar na melhoria do nosso país.” Alessandro Molon, deputado do PSB, seguiu. “O presidente e sua família foram eleitos pela via democrática e juraram defendê-la.” Com o passar da tarde, a lista de repúdio só aumentou. (G1)

Desta vez, e perante a intensa resposta pública, até o presidente da República, seu pai, o renegou — embora de forma ambígua. “Quem quer que seja que fale em AI-5 está sonhando”, sugeriu Jair Bolsonaro. “Olha, cobre você dele?”, falou a um jornalista. Ele tem 35 anos, se eu não me engano. 35 não, tem uns 20. Lamento muito.” Bolsonaro havia o indicado à Embaixada do Brasil nos EUA, a mais longeva democracia do mundo. (Globo)

Até que... O próprio Eduardo voltou atrás. “Não existe a menor possibilidade de uma volta do AI-5”, afirmou em vídeo, “e não fico nem um pouco constrangido de pedir desculpas a qualquer tipo de pessoa que tenha se sentido ofendida.” (Facebook)

Pois é... O alto comando do Exército vê com preocupação as declarações de Zero Três. Considera que alimentam radicalismo, incitam um clima de convulsão social e tumultuam o trabalho dos militares. De acordo com os generais, a ideia de qualquer tipo de ato institucional não representa a posição dos militares, que buscam se afastar da família presidencial. (Globo)

Nessa toada... Incomodou aos generais também a fala de Augusto Heleno, ministro-chefe de Segurança Institucional. Quando ouviu a declaração de Eduardo, Heleno comentou: “Se ele falou, tem de estudar como fazer”, deixando a impressão de que houve endosso. Os militares temem que o general da reserva esteja incorporando a retórica bolsonarista, informa Josias de Souza. (UOL)

O deputado Marcelo Freixo, do PSOL carioca, afirmou que a oposição pedirá a cassação de Eduardo ao Conselho de Ética da Câmara e vai acionar o STF. A apologia ao Golpe, fechamento do Congresso e perseguição de opositores é crime. (Twitter)

Não é bom para Eduardo ir parar no Conselho. Dentre os quatro membros de seu PSL, três são da ala com quem seu pai rompeu, lembra a Coluna do Estadão. Um deles é o líder que ele próprio, Eduardo, acaba de destituir — o Delegado Waldir. O Centrão em quem o governo de seu pai mira constantemente tem mais de metade das cadeiras. (Estadão)

Enquanto isso... A perícia técnica da gravação da conversa entre o porteiro do condomínio de Bolsonaro no Rio e o morador da casa 65, autorizando a entrada de Elcio de Queiroz — suspeito de servir de motorista na operação de assassinato de Marielle Franco — só foi pedida pelo Ministério Público do Rio às 13h05 de quarta, dia 30. E ficou pronta às 15h30, minutos antes de as procuradoras afirmarem em coletiva à imprensa que ela inocentava o presidente e outros moradores de sua casa. Segundo o registro feito pelo porteiro à mão e dois depoimentos seus, Elcio teria informado que iria para a casa 58, de Bolsonaro, e que o próprio presidente o teria autorizado a entrar. O MP tem estes áudios desde 14 de outubro — pelo menos. (Estadão)

Em momento algum as procuradoras pediram ao perito que avaliasse a possibilidade de algum arquivo ter sido apagado do sistema ou simplesmente renomeado. Não é possível afirmar, portanto, se houve contato ou não entre a portaria e a casa do presidente a respeito da entrada do suspeito. (Folha)

Recentemente, à porta do Alvorada, o presidente da República afirmou que se vê na centro-direita. Isto, não é. Mantém o país sob tensão — mas como classifica-lo politicamente? Direita? Extrema direita? Reacionário? O Meio deste sábado vai passar por estas classificações, explicar como a ciência política as define, para com isso compreender o que caracteriza o atual governo brasileiro. Esta é a edição que todos os assinantes premium recebem. Uma assinatura que custa baratinho que só... Não mais que um chope. Assine, ajude o Meio a produzir seu jornalismo diário.

Diga-se... Na coluna em vídeo do Meio desta semana, o editor Pedro Doria trata de um tema correlato. Bolsonaro é um presidente tenso, com dificuldades profundas de se manter frio em situações de alta pressão.

Mantendo fogo sobre a imprensa, em entrevista à TV Bandeirantes, Bolsonaro determinou o cancelamento de todas as assinaturas da Folha de S. Paulo feitas pelo governo federal. “Não vamos mais gastar dinheiro com esse tipo de jornal”, disse. “E quem anuncia na Folha presta atenção, está certo?”, deixou no ar como ameaça. (Folha)

Aliás... O Conselho de Ética do Partido Novo decidiu suspender o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de seu quadro de filiados. Considera que ele representa risco de dano grave à imagem da legenda. A suspensão é temporária. (Poder 360)

O ministro Gilmar Mendes, do STF, mandou soltar os ex-governadores do Rio Anthony Garotinho e Rosinha Matheus. (Poder360)


Onde tem fumaça tem fogo amigo

Tony de Marco

 
Fogo-Amigo

Histórias para ouvir

Histórias para ouvir


Toda semana, às sextas, o Meio recomenda algo de interessante para ouvir na Storytel. E os leitores do Meio têm direito a experimentar o serviço por 30 dias. Sem custo. Tem audiobooks, podcasts, séries em áudio — histórias de todo tipo, narradas por bons atores e locutores. Experimente.

Mauro Ramos, que é um dublador já conhecido nos círculos, conta história como aquele avô bom de leitura que quando a gente era pequeno ia nos envolvendo aos poucos nos enredos, criando suspense, construindo um clima, deixando todo mundo em silêncio. É ele que a Storytel descolou para ler os livros de Agatha Christie. E Morte no Nilo é aquela história perfeita para o clima que ele atiça — um clássico do detetive belga Hercule Poirot, que repentinamente precisa desvendar o assassino da socialite Linnet Doyle, que levou um tiro na cabeça a bordo de um vapor luxuoso no rio Nilo. Típica história da escritora: muitos suspeitos, dramas antigos que se estendem, e um cenário exótico. De botar para ouvir para uma corrida de manhã e não largar pelas horas seguintes. Livro ouvido, às vezes, parece cinema.

Cultura


Em São Paulo, João Donato e Tulipa Ruiz cantam juntos nesta sexta e sábado no Sesc Vila Mariana – eles estão lançando um compacto. O grupo baiano Experimentando-nus apresenta Por Que, Zé?, espetáculo de dança inspirado no pagodão baiano, no funk e no arrocha, neste sábado e domingo no Sesc Bom Retiro. A partir de hoje, o Instituto Moreira Salles recebe mais um Festival ZUM de fotografia. Abre domingo no MIS Experience – um novo espaço gerido pelo Museu da Imagem e do Som, na Água Branca – a exposição imersiva Leonardo da Vinci – 500 anos de um gênio, que homenageia o renascentista. Hoje, no Boteco Pratododia, os DJs Paulão, Mary G e Zinco fazem uma seleção do que de melhor rola na Rádio Dublab, para mexer o esqueleto. E sábado tem Mamba Negra com Lauren Fflax e Thingamajicks.

No Rio de Janeiro, inspirada em Tartufo de Molière, a peça Os Impostores está em cartaz no Sesc Ginástico. Chico César e Mariana Aydar se apresentam amanhã no Circo Voador. Milton Nascimento canta o Clube da Esquina no sábado em Niterói, no Ginásio Caio Martins. Abre no domingo no Parque Lage a exposição Hélio-Centricidades: Coda, do artista americano Tom Burr, inspirada em Oiticica. No mesmo dia, o Quarteto de Cordas da Universidade Federal Fluminense se apresenta no Cine Arte da UFF. Entre Cinzas, Ossos e Elefante, instalação-performance criada por Renato Rocha, também estreia neste domingo na Casa da Glória. Chico César e Mariana Aydar se apresentam no sábado no Circo Voador.

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Prince, o artista que era o paradigma do mistério, anunciou em 2014 que planejava escrever suas memórias e, como é costume nos livros de famosos, leiloaram-se os direitos. A Random House ficou com eles dando início a um longo caminho. Editorial e artista coincidiram em que era necessário um ghost writer para ajudar na sua elaboração. E Prince elegeu o mais improvável dos candidatos: Dan Prieperbring, um fã sem obra publicada. Como principal mérito, Piepenbring trabalha na The Paris Review; não consta que Prince (Minneapolis, 1958 — Chanhassen, 2016) tivesse chegado ao folheá-la.

A escolha, justificou Prince meses antes de sua morte, em abril de 2016, foi baseada na quebra de paradigmas dos livros de memórias. “Se quero que este livro seja sobre uma coisa geral, esta coisa é a liberdade. E a liberdade de criar de forma autônoma”, escreveu Prince em The Beautiful One publicado esta semana. O livro inclui reflexões de Piepenbring sobre sua colaboração com o artista, um catálogo de imagens com fotos e páginas de cadernos do início de carreira com letras escritas à mão e uma sinopse do que acabaria sendo sua obra emblemática Purple Rain. Em particular, afunda em recordações e pensamentos sobre os pais e sobre sua profunda influência sobre ele.

O cinema segue se 'reinventando'. Um drive-in a céu aberto acaba de ser inaugurado em São Paulo. O espaço exibe filmes em uma tela gigante de 84 metros quadrados e abriga até 200 veículos. O som do filme é transmitido por uma frequência FM. Pequenas caixas de som e fones de ouvido são oferecidos para quem não tem um rádio instalado.

E os lançamentos no mês de novembro da Netflix. O Irlandês, de Scorcese, entre eles.

Viver


Sobre o petróleo no Nordeste, a cada 10 locais atingidos, 3 voltaram a apresentar manchas de óleo após limpeza no Nordeste. Levantamento feito pelo G1 usou dados de todos os relatórios do Ibama desde o dia 29 de setembro e mostra que 83 pontos da costa apresentaram o retorno da poluição.

E o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, admitiu que as manchas do óleo que poluem as praias do Nordeste podem chegar à Região Sudeste. A informação tinha sido passada mais cedo pelo comandante da Marinha, Ilques Barbosa Junior.

 

Especialistas afirmam que 7 milhões de brasileiros com deficiência estão aptos ao trabalho. Pessoas com deficiência, no entanto, ocupam apenas 1% das vagas de emprego formal no Brasil. Segundo dados de 2018 da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), divulgados neste mês pelo Ministério da Economia, entre os 46,63 milhões postos com carteira assinada – e os benefícios incorporados a essa condição profissional -, somente 486 mil são ocupados por trabalhadores com deficiência. A análise completa do relatório e também tabela de pessoas com deficiência por região, unidade federativa, sexo e faixa etária no blog Vencer Limites.

17 hotéis com arquiteturas focadas em desconectar completamente da vida urbana. São soluções para todos os tipos de turistas - de cabanas à pousadas instaladas diretamente em ambientes naturais. A ideia das acomodações é misturar construção, paisagem e natureza. Tudo em harmonia e com o menor impacto possível no meio ambiente.

Cotidiano Digital


Badalado por ser em teoria particularmente seguro, o WhatsApp serviu de caminho para que um grupo internacional de hackers invadisse os celulares de autoridades e militares de pelo menos vinte países em cinco continentes. Na terça-feira, o Facebook — dono do app de conversas — entrou com um processo contra o NSO Group, empresa de tecnologia israelense cujo aplicativo de espionagem foi utilizado para explorar uma vulnerabilidade do app. De acordo com a Reuters, entre as vítimas estão pessoas de Emirados Árabes, Bahrain, México, Paquistão e Índia. O WhatsApp alertou as pessoas que tiveram seu dispositivo violado no início da semana.





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