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5 de novembro de 2019
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Demissão de general abre crise do governo com militares


O general Maynard Marques de Santa Rosa, ministro que ocupava a pasta da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos, se demitiu ontem. Santa Rosa foi surpreendido pela manhã de ontem quando o também ministro Jorge Oliveira, da Secretaria-Geral da Presidência, lhe apresentou um relatório apontando baixa eficiência na pasta. O general afirmou que o relatório se baseia em números falsos, pediu o chapéu. Há, segundo ele “desalinhamento conceitual” com o governo Bolsonaro. A amigos, comentou que considera que “os interesses da pátria ficaram pequenos”. O Planalto entrou em crise com seu braço militar. (Globo)

Com o ministro saíram também Lauro Luís Pires da Silva, general de divisão do Exército, que ocupava o cargo de secretário especial adjunto; Ilídio Gaspar Filho, também general de divisão, secretário de Ações Estratégicas; e Walter Félix Cardoso Junior, bacharel em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras, com 30 anos de Exército, que ocupava a posição de assessor especial, subordinado a Lauro Silva. (Veja)

E... O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou que pode convocar para se esclarecer na Casa o general Augusto Heleno. Na semana passada, Heleno falou que seria preciso estudar como fazer um AI-5. “É uma cabeça ideológica, infelizmente o general Heleno, o ministro Heleno virou um auxiliar do radicalismo do Olavo. Uma pena que um general da qualidade dele tenha caminhado nesta linha.” (Folha)

Eliane Cantanhêde: “A queda de Santa Rosa por falta de suporte do Planalto já seria em si um bom motivo para insatisfação entre os disciplinados militares. Mas se torna ainda mais potencialmente explosiva pela sequência de generais que saíram do governo já no primeiro ano, por demissão ou decisão. A demissão mais mal digerida foi a do general Carlos Alberto dos Santos Cruz. Assim como Santa Rosa, ele também despachava no Planalto, a passos do gabinete presidencial. Logo, gozava de confiança do presidente Jair Bolsonaro. Essa confiança, porém, esbarrou na força de Olavo de Carvalho, o guru, ideólogo ou seja lá o que for, que mora na Virgínia há anos e, de lá, emana seu poder sobre os filhos de Bolsonaro, o chanceler, o ministro da Educação, o assessor internacional e o futuro embaixador nos EUA. Entre um general de primeiríssima linha e um guru de quinta, o presidente optou pelo guru. Também foram defenestrados os generais Jesus Corrêa (Incra), Juarez Cunha (Correios), Franklimberg de Freitas (Funai), um atrás do outro, sem que se ouvisse um pio da Defesa, do Exército, muito menos da Marinha e da Aeronáutica, primas pobres e com baixa representação no governo. O silêncio, porém, não pode ser confundido com amém, concordância, aplauso. Muito pelo contrário. A retumbante declaração do deputado Rodrigo Maia sobre o general Augusto Heleno ecoou em setores das Forças Armadas. Não exatamente por discordância. O chefe do GSI, muito querido entre os colegas, nem imagina quantos deles podem estar pensando assim. Líder natural, com um currículo invejável, o que se esperava de Heleno é que agregasse inteligência, bom senso e equilíbrio ao governo e ao presidente. Ao contrário, suspeita-se que ele esteja ajudando a atiçar o pior lado de Bolsonaro.” (Estadão)

O diretor-geral de Jornalismo da TV Globo, Ali Kamel, distribuiu ontem, internamente, uma mensagem a respeito da reportagem do Jornal Nacional sobre a entrada de um dos principais suspeitos do assassinato da vereadora Marielle Franco no condomínio do presidente Jair Bolsonaro. De acordo com Kamel, foi uma pessoa muito próxima a Bolsonaro que passou aos repórteres em Brasília a notícia de que a investigação chegara ao STF por ter tocado em alguém com foro privilegiado. “Eu estranhei: por que uma fonte tão próxima ao presidente nos contava algo que era prejudicial ao presidente?” Segundo o jornalista, a investigação nasceu simultaneamente, por coincidência, tanto no Rio quanto em Brasília, e foi tocada em paralelo pelas duas equipes. “Hoje sabemos que o advogado do presidente, no momento em que nos concedeu entrevista, sabia da existência do áudio que mostrava que o telefonema fora dado, não à casa do presidente, mas à casa 65, de Ronnie Lessa. Por que os principais interessados em esclarecer os fatos, sabendo com detalhes da existência do áudio, sonegaram essa informação? A resposta pode estar no que aconteceu nos minutos subsequentes à publicação da reportagem do Jornal Nacional. Patifes, canalhas e porcos foram alguns dos insultos, acompanhados de ameaças à cassação da concessão da Globo em 2022, dirigidos pelo presidente Bolsonaro ao nosso jornalismo, que só cumpriu a sua missão, oferecendo todas as chances aos interessados para desacreditar com mais elementos o porteiro do condomínio (já que sabiam do áudio).” (Poder 360)

O Planalto respondeu em nota oficial, acusando a emissora de pagar propina para dirigentes da Fifa. Não apresentou evidências.

Editorial de O Globo: “Não é novidade. O presidente Jair Bolsonaro não tem apreço pela imprensa independente e profissional. Não tinha durante a campanha e continuou sem ter desde o primeiro dia no cargo. Ele diz que defende uma imprensa livre, mas suas palavras e atos comprovam que ele quer apenas uma imprensa que o bajule e que não busque noticiar os fatos como eles são, mas como ele gostaria que fossem. A essa altura, ele já sabe que jamais terá isso daqueles que praticam com zelo o jornalismo profissional. Certamente não terá isso dos veículos do Grupo Globo. Seus antecessores não tiveram, seus sucessores não terão.”

Pois é... De acordo com Lauro Jardim, a Polícia Civil do Rio já sabe que o porteiro que aparece no áudio conseguindo a liberação para entrada de Élcio Queiroz no condomínio do presidente não é o mesmo que prestou depoimento. (Globo)

O procurador-geral da República, Augusto Aras, publicou ontem nota ameaçando de retaliação o Congresso Nacional. Isto acontecerá se os parlamentares reduzirem de 60 para 30 dias anuais as férias de procuradores, conta Guilherme Amado. Se a diminuição ocorrer, Aras afirma que vai querer discutir também o tamanho das férias no Legislativo e Executivo. (Época)

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HealthTech


O estúdio de videogames Ninja Theory, que pertence à Microsoft, pôs no ar um projeto de longo prazo no qual, ao fim, planeja oferecer algum tipo de tratamento para doenças mentais. O objetivo é a criação de ambientes virtuais, jogos inclusive, que unidos a tecnologia de vestir sejam capazes de primeiro identificar os níveis de medo e ansiedade do jogador para, então, guia-lo ao longo de um tratamento. O estúdio é responsável por Hellblade: Senua’s Sacrifice (trailer), um game que retrata uma guerreira celta enquanto ela lida com ansiedade, depressão e alucinações.

Por US$ 2,1 bilhões, o Google adquiriu a Fitbit. A empresa, que foi responsável por tornar um sucesso os relógios que medem rendimento durante atividades físicas, tem 12 anos de idade. No início do ano, a gigante do Vale do Silício já havia comprado o setor de relógios da Fossil por US$ 40 milhões. Este mercado dos smartwatches valerá US$ 34 bilhões em 2023 e é em grande parte dominado pela Apple, que ocupa uma fatia de 36%. Na sequência vêm Samsung, 11%, a chinesa Imoo, 9%, e a Fitbit com 5,5%. O valor alto pago pela empresa não corresponde apenas ao tamanho de seu mercado. Ela tem, acumulado, o mais antigo banco de dados com o mapeamento de número de passos, pulsação, ritmo de treino de milhões de pessoas. Dados que podem levar a conclusões a respeito de saúde. A Fitbit já costura acordos com seguradoras de saúde nos quais pacientes têm descontos se usam um relógio.

A segunda edição do Prêmio Abril & Dasa de Inovação Médica será nesta sexta, 08 de novembro. Dezenas de projetos brasileiros concebidos por universidades, hospitais, centros de pesquisa, clínicas, ONGs, entidades governamentais e startups concorrem em cinco categorias de inovação médica: Social, Diagnóstica, Genética, Tratamento e Prevenção. Para conhecer os vencedores, é possível acompanhar premiação #AoVivo pelo Facebook da Dasa. Conheça os finalistas.

Cultura


Caetano Veloso, o cineasta Luiz Carlos Barreto e os atores Caio Blat, Caco Ciocler e Dira Paes participaram, ontem, de uma audiência pública no STF para discutir medidas do governo Jair Bolsonaro que, segundo eles, impõem nova forma de censura às artes audiovisuais. Ao abrir a audiência, a ministra Cármen Lúcia destacou: “Censura não se debate, censura se combate, porque censura é manifestação da ausência de liberdades, e a democracia não a tolera. Por isso a Constituição do Brasil é expressa ao vedar qualquer forma de censura”. Ela é relatora de uma ação do partido Rede Sustentabilidade, que argumenta que o governo pretende censurar a produção audiovisual por meio do esvaziamento do Conselho Superior de Cinema.

Ao todo foram 15 exposições. A audiência continua hoje, com as falas de sindicatos do setor e entidades ligadas à cultura e à liberdade de expressão. Criado em 2001, o conselho é responsável por formular a política nacional de cinema, aprovar diretrizes para o desenvolvimento da indústria audiovisual e estimular a presença do conteúdo brasileiro no mercado. Com o decreto, o governo reduziu pela metade o número de representantes da indústria cinematográfica no conselho. O governo nega censura.

A série alemã Dark e a britânica Sex Education estão entre as cinco séries internacionais preferidas do público brasileiro. O levantamento foi realizado pela Netflix e não inclui produções nacionais, nem americanas.

Por falar em Dark, o nome da série figurou ontem entre os tópicos mais comentados do Twitter. O motivo: 4 de novembro de 2019, dia que o personagem Mikkel Nielsen desaparece na trama.

O terceiro filme da franquia Animais Fantásticos, derivada de Harry Potter, vai contar uma história passada no Rio de Janeiro. Segundo o site especializado Deadline, a produção do longa começa no primeiro semestre de 2020. Outra novidade que encheu os fãs de expectativas é a assinatura de Steven Kloves no roteiro. O roteirista voltará a trabalhar ao lado de J.K. no novo filme do spin-off.

Viver


Sobre os danos do petróleo que contamina o Nordeste: estarão "na casa dos bilhões" de reais. Autoridades do Ibama, da PF e da Marinha ainda não sabem em que instância haverá uma cobrança — se dentro do país ou num tribunal internacional —, nem há precisão sobre quem pagará a conta.

Os incêndios que há 10 dias atingem o Pantanal sul-mato-grossense já devastaram uma área equivalente à cidade do Rio. Segundo dados do Inpe, 122 mil hectares foram queimados na região de Corumbá e Miranda. Este é o segundo incêndio de grandes proporções no Pantanal em dois meses. No primeiro, só em uma fazenda, foram destruídos 35 mil hectares.

Embora o balé exista há séculos, faz poucos anos que começaram a ser fabricadas sapatilhas em tons de marrom e bronze para bailarinas negras. Num vídeo postado no YouTube em 2016, Ingrid Silva, integrante do Dance Theatre do Harlem, em Nova York mostrava num timelapse o processo que dedicou até agora para pintar suas sapatilhas. Conheça sua história.

Cotidiano Digital


Edward Snowden, que em 2013 vazou para o mundo informações sobre como a agência de inteligência americana NSA coletava dados digitais, falou ontem em vídeo ao público do Web Summit de Lisboa. Ele dirigiu suas principais críticas às gigantes do Vale, mas também aos reguladores de privacidade digital. “O que fazemos quando as instituições mais poderosas da sociedade se tornam as que menos prestam contas à sociedade?”, ele provocou. Seu argumento é de que os governos estão errando o foco. Ao invés de regular os vazamentos de informação, deveriam questionar a coleta de informação por parte de grandes empresas. “Se você cria um poder irresistível, não importa se está nas mãos do Facebook ou de algum governo, a pergunta é como policiar a expressão daquele poder quando utilizado contra o público ao invés de em seu favor.”





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