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14 de novembro de 2019
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Prezadas leitoras, caros leitores —

Como de praxe, o Meio não circulará amanhã, dia 15 de novembro, posto que é feriado. (A não ser que tenha notícia grande — neste caso, como sempre, podem contar com uma edição extra.)

No sábado, os assinantes premium receberão normalmente sua edição especial. Desta vez, mergulharemos no mundo do liberalismo. Da direita à esquerda, muitos abraçam e rejeitam o rótulo. O termo neoliberal virou ofensa — mas faz sentido aplicar um mesmo conceito a políticos tão díspares quanto Augusto Pinochet e Fernando Henrique Cardoso? Por que, nos EUA, ‘liberal’ quer dizer ‘de esquerda’ e a tantos, no Brasil, soa como ser ‘de direita’? É de longe a ideologia mais antiga ainda praticada. Aqui, parte de uma tradição que vem dos Inconfidentes de Minas e do Frei Caneca. E com frequência, perante a polarização atual, muitos falam de um centro liberal. Que termo confuso. É liberal quem se diz assim na economia, porém conservador nos costumes? Liberais são puro laissez-faire e Estado mínimo? Todos os sábados, buscamos revelar um aspecto deste complexo período que vivemos. É quando o Meio vai fundo. O dinheiro da assinatura, nos permite manter esta newsletter gratuita. Assine. Porque, acredite. Uma assinatura só já faz muita diferença na vida de uma startup.

— Os editores


Guedes quer livre comércio com a China


Aproveitando-se da Cúpula dos Brics, o Brasil deu início a conversas para estabelecimento de uma área de livre-comércio com a China. “A integração ao comércio global é um dos caminhos para a prosperidade”, afirmou o ministro da Economia Paulo Guedes. “Não me incomodo se nossa balança comercial com a China se equilibrar lá na frente. O que queremos é mais comércio.” Na virada do século, o fluxo entre os dois países era de US$ 2 bilhões. Está em US$ 10 bi. Guedes considera o Brasil um dos países mais fechados comercialmente do mundo. (Estadão)

Pois é... Em meio ao mais importante encontro com chefes de Estado já realizado pelo governo Bolsonaro, um grupo de apoiadores do presidente autoproclamado da Venezuela Juan Guaidó invadiu a Embaixada de seu país, em Brasília. O Brasil tem a obrigação de manter a segurança dos postos diplomáticos. E o filho do presidente, deputado Eduardo Bolsonaro, deu apoio via Twitter. (Congresso em Foco)

Enquanto isso... Um grupo de trabalho da OCDE, que está no Brasil analisando o país, demonstrou preocupação com a suspensão de investigações de crimes financeiros disparadas por alertas do Coaf. Os membros do grupo consideram que, desta forma, retrocede no país o combate à corrupção, que é uma das exigência para entrada na entidade. (Folha)

Diga-se... O presidente do Supremo, Dias Toffoli, determinou que o Banco Central lhe enviasse cópia de todos os relatórios de inteligência financeira produzidos pelo antigo Coaf. São informações sobre 600 mil pessoas. Como é no âmbito do inquérito de autoproteção do STF, que corre sobre sigilo, não há como saber o que o ministro pretende fazer. (Folha)

O dólar fechou ontem a R$ 4,18, a segunda maior cotação desde o surgimento do real — desconsiderando a inflação. Em 13 de setembro de 2018, cruzou a fronteira do R$ 4,19. A insegurança política sul-americana, assim como a ameaça do presidente americano Donald Trump de aumentar as tarifas para os produtos chineses, contribuíram. (G1)

Circulou forte pelas redes um tuíte da repórter Thaís Bilenky que, em 14 de março de 2018, informava que o então deputado Jair Bolsonaro tinha deixado Brasília rumo ao Rio por conta de uma intoxicação alimentar. É o dia do assassinato da vereadora Marielle Franco — e o tuíte provaria que Bolsonaro estava em casa e, portanto, poderia ter liberado acesso a seu condomínio para um dos suspeitos pelo crime. Thaís voltou ao tema e conseguiu, da TV Câmara, um vídeo no qual Bolsonaro aparece à noite, em plenário. Tudo indica que o presidente não estava no Rio. (Piauí)


Para ler com calma: “As pessoas que estão debatendo se algo é um golpe ou uma revolução não estão se tocando do mais importante. Interessa mais é o que vem depois.” A frase é de Naunihal Singh, ex-Harvard, atualmente professor do US Naval War College, o curso universitário para oficiais da Marinha americana. Ele é um dos maiores especialistas em transições violentas de governo. Singh argumenta que as fronteiras ficaram menos nítidas. A percepção comum é de que golpes são ruins e insurreições populares, por um ângulo romântico, são boas. Com o aumento do número de governos autoritários e populistas, mandatários vêm testando as fronteiras de seus poderes enquanto envolvem o povo e, assim, as distinções entre golpes e revoltas estão ficando mais difíceis de classificar. Outro especialista, Jay Ulfeder, batizou o fenômeno. “É o golpe de Schrödinger, que vive num perpétuo estado de ambiguidade, simultaneamente sendo e não sendo um golpe.” Conforme aumenta a polarização e dois lados de uma disputa forçam simultaneamente a constitucionalidade, ambos conseguem levantar argumentos para defender que houve golpe ou levante popular. E as classificações que um dia, na ciência política, ajudaram na compreensão, hoje cada vez mais atrapalham. A matéria explorando o tema, assinada pelo repórter Max Fisher, vai fundo no assunto. (New York Times)

Meio em vídeo: Enquanto isso, em nossa coluna semanal de vídeo, tentamos também explorar o assunto. Afinal, foi golpe?

Histórias para ouvir

Histórias para ouvir


Quinta-feira com cara de sexta. E como é de praxe, o Meio recomenda algo de interessante para ouvir na Storytel. Os os leitores do Meio têm direito a experimentar o serviço por 30 dias. Sem custo. Tem audiobooks, podcasts, séries em áudio — histórias de todo tipo, narradas por bons atores e locutores. Experimente.

O festival de Woodstock, que esse ano completou 50 anos, foi um marco na história do rock e da contra-cultura, e nenhum outro livro captura o ambiente, a música e as maquinações dos bastidores com mais brilho e fidelidade do que a obra de Michael Lang, um best-seller do New York Times. Em A Estrada para Woodstock, o produtor do festival faz um relato em primeiríssima mão daqueles três dias de paz amor que mudaram o mundo da música.

Cultura


Escrito por Patrícia Melo, Mulheres Empilhadas é um romance policial que narra a luta de uma advogada decidida a combater à violência contra a mulher. A personagem, que propositalmente não tem nome, se depara com o caso de uma índia adolescente, brutalmente morta por três jovens ricos. Eles são absolvidos.

Em 25 anos de literatura, é o primeiro romance de Patricia com temática e protagonismo feminino. “Queria mostrar que você pode ser uma vítima desse máquina de extermínio que está em ação. Vítima de uma sociedade patriarcal e machista. O feminicídio é um crime democrático. É sempre a mesma história, o que muda é a vítima e a classe social”.

As protagonistas dessa história são as mulheres. "Todas elas", indica a sinopse do livro. (Amazon)

Escrito e dirigido por Elizabeth Banks, a versão 2019 de as Panteras marca a volta de Kristen Stewart à Hollywood propriamente dita. A atriz descreve as novas Panteras como “acessíveis”. Como atriz, lança no ano que vem duas produções que não poderiam ser mais diferentes: o independente Seberg, de Benedict Andrews, e Ameaça Profunda.

Kristen Stewart sobre Elizabeth Banks: “Não é fácil para as mulheres fazerem filmes. Sem querer generalizar, mas os homens acham que eles sabem mais de tudo. E isso pode ser frustrante”. A atriz esclareceu que não estava querendo dizer que houve qualquer briga ou embate. “É só a estrutura de como são feitos os filmes. Quando os créditos finais surgem na tela e dizem 'escrito e dirigido por Elizabeth Banks’, eu tenho vontade de me levantar e aplaudir. Porque não foi fácil para ela fazer o filme num estúdio comandado por homens”.

O filme é a grande estreia da semana. As Panteras (trailer) passa por diversas partes do mundo, como Istambul e Rio de Janeiro – neste caso, com cenas rodadas em estúdio. O filme acompanha Elena Houghlin (Naomi Scott), que trabalha numa grande empresa de tecnologia que está desenvolvendo uma ferramenta perigosa. Ela tenta avisar aos superiores, mas não é ouvida - algo bastante comum. Então contrata a agência de detetives para investigar a corporação e evitar uma tragédia. Outra estreia esperada pelos fãs de corridas automobilísticas é Ford vs. Ferrari (trailer). Durante a década de 1960, a Ford resolve entrar no ramo para competir com o prestígio e o glamour da concorrente Ferrari, campeoníssima em várias corridas. E contrata o ex-piloto Carroll Shelby (Matt Damon) para chefiar a empreitada. Por mais que tenha carta branca para montar sua equipe, incluindo o piloto e engenheiro Ken Miles (Christian Bale), Shelby enfrenta problemas com a diretoria da Ford, especialmente pela mentalidade mais voltada para os negócios e a imagem da empresa. Para o público infantil, a aguardada versão em live action de Dora e a Cidade Perdida (trailer). Confira outras estreias.

E aproveitando a estreia de Ford vs. Ferrari, uma lista com 5 filmes para fãs de automobilismo.

Viver


Pretos e pardos são maioria nas universidades públicas brasileiras pela 1ª vez. Segundo o IBGE, o número exato é 50,3% dos estudantes de ensino superior. Embora represente agora mais da metade dos estudantes, a população de cor preta ou parda permanece sub-representada, já que representa 55,8% da população brasileira. Para os indicadores educacionais, o instituto baseou-se em indicadores pesquisados em 2018.

Já as taxas de homicídio entre pessoas pretas ou pardas aumentou de 37,2 para 43,4 mortes para cada 100 mil habitantes, enquanto, para a população branca, o índice ficou estável entre 15,3 e 16. Essa diferença significa que pretos ou pardos tinham 2,7 vezes mais chances de serem vítimas de homicídio em 2017. Na população jovem as diferenças são ainda mais acentuadas. A taxa de homicídios chega a 98,5 entre pessoas pretas ou pardas de 15 a 29 anos. Entre jovens brancos na mesma faixa etária, a taxa de homicídios é de 34 por 100 mil habitantes. Os dados, divulgados ontem pelo IBGE são do estudo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, e ajudam o país a acompanhar a meta de reduzir taxas de mortalidade relacionadas à violência, parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Um hotel de Nutella está abrindo as portas na Califórnia. Para quem aprecia o famoso creme de avelã, o Hotel Nutella levará três fãs para um fim de semana de excessos.

Cotidiano Digital


Elon Musk, o fundador da companhia de automóveis elétricos Tesla, anunciou que vai erguer sua fábrica europeia na Alemanha. A planta fabricará baterias para todo o continente. Dois motivos pesaram na decisão. O primeiro foi o Brexit. O projeto inicial era levar o negócio para o Reino Unido, mas o risco de ficar fora do mercado comum europeu o fez desistir. O segundo é a potente tradição automobilística alemã, sede de empresas como Volkswagen e Mercedes-Benz, que portanto oferece uma grande quantidade de engenheiros capazes.

O novo MacBook Pro que a Apple lançou ontem, com tela de 16 polegadas, custará por baixo R$ 21.299, no Brasil. Nos EUA, o mesmo modelo sai por US$ 2.399 — ou R$ 10.000.

A Kuzzma, uma empresa dedicada a inteligência artificial, está lançando no Brasil um sistema de reconhecimento facial voltado para igrejas evangélicas. A partir de uma câmera panorâmica de alta resolução, os pastores contam com um software que documenta quem entra, quem sai, e produz relatórios que permite aos responsáveis pelas igrejas que tenham maior controle sobre a frequência. O software, de acordo com a repórter Ethel Rudnitzki da Agência Pública, é capaz até de especular sobre os motivos para atrasos.

A Microsoft pôs na rua Minecraft Earth, seu jogo para concorrer com Pokémon Go. O princípio é o mesmo, um game no qual figuras virtuais interagem com o mundo real visto através da câmera do smartphone. No caso, é possível erguer no mundo real as construções cúbicas de Minecraft. E é possível jogar com um grupo, no qual todos veem, cada um do ângulo em que está, aquilo que o conjunto constrói. Por enquanto é nos EUA, Reino Unido e alguns outros países. Mas não Brasil.

Assista: O vídeo promocional de Minecraft Earth.





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14 de novembro de 2019
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