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3 de dezembro de 2019
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Trump pega Brasil de surpresa e aumenta tarifas


O presidente brasileiro Jair Bolsonaro foi pego de surpresa, ontem de manhã, por um tuíte de seu par americano, Donald Trump. Os EUA vão reinstalar tarifas de importação sobre o aço e o alumínio brasileiros. Segundo Trump, o Brasil e a Argentina vêm desvalorizando suas moedas para incentivar exportações. O resultado é prejuízo para os agricultores de lá, as novas tarifas são uma forma de retaliação. O Brasil está entre os principais fornecedores de aço e ferro do país. Mas a recente aproximação comercial de Brasil e China pode ter sido um dos motivos para o aumento. Bolsonaro afirmou que não planeja responder a medida por não percebe-la como retaliação. Pretende, isto sim, conversar com o presidente americano. A Argentina também disse que iniciará as negociações com Washington. De acordo com Trump, as novas tarifas terão efeito imediato. Em março de 2018, ele estabeleceu números de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio importados. Em agosto do mesmo ano, o governo voltou atrás e anunciou um alívio nas cotas. Desde então, a Associação Brasileira do Alumínio afirma pagar uma sobretaxa de 10%. (Folha)

Não foram só os brasileiros pegos de surpresa. Os diplomatas americanos percebiam uma orientação de manter boas relações com o atual governo brasileiro. É a segunda frustração do Planalto em relação a Trump. A primeira foi a não inclusão do Brasil na lista dos recomendados à OCDE. (Estadão)

O Brasil segue se esforçando para promover uma visita de Trump. O esforço do Itamaraty é para marcar no primeiro semestre de 2020. O chanceler Ernesto Araújo acredita, segundo Bela Megale, que a presença do americano no Brasil mostraria alguma simetria na relação entre os dois países. (Globo)

O real foi a quarta moeda que mais perdeu valor em relação ao dólar no mês de novembro. Segundo analistas, o principal fator não é uma politica de desvalorização, mas sim, a guerra comercial entre EUA e China. (G1)

Míriam Leitão: “Trump faz isso para desviar o foco. Ele é alvo de um processo de impeachment no Congresso americano. O presidente fala como se a alta cotação do dólar fosse controlada pelo Banco Central do Brasil. Mas a desvalorização do real não foi um ato de governo. Na semana, o BC até tentou conter o avanço da moeda americana. No caso do peso argentino, ele perde valor porque há desconfiança em relação ao novo governo eleito, o que leva investidores a tirar os recursos de lá. O dólar está se valorizando no mundo inteiro também por reação à política de Donald Trump, que agora reclama.” (Globo)

Rubens Barbosa, diplomata: “A aproximação ideológica com os EUA e o acompanhamento em votações nos fóruns internacionais, além de gerar desgaste na percepção externa do Brasil, não encontram reciprocidade. Como dizia o insuspeito John Foster Dulles, ‘os países não têm amigos, têm interesses’. O relacionamento com os EUA vai passar por mais um teste quando for realizada a licitação para a implantação do sistema 5G. Como ficará a cooperação com os EUA em áreas sensíveis se ganhar uma empresa chinesa, como a Huawei? Pragmatismo e realismo deveriam prevalecer acima de questões ideológicas nas relações com os EUA, um de nossos principais parceiros.” (Estadão)

A Defesa do ex-presidente Lula recorreu ao STF pedindo que anule a sentença no caso do sítio de Atibaia. Na semana passada, o TRF-4 aumentou a pena do ex-presidente para 17 anos e um mês, porque acredita que Lula recebeu a propriedade como forma de propina. Os desembargadores do tribunal, sediado em Porto Alegre, acharam que não era o caso de seguir a orientação do Supremo, mandando o processo de volta à primeira instância. Para os desembargadores, como nas considerações finais do julgamento não houve informação que produzisse algum tipo de dano para Lula, a decisão não se aplicava. No pedido apresentado ao STF, a Defesa argumenta que o líder petista foi submetido a “constrangimento ilegal”.

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HealthTech


No Reino Unido, o diagnóstico de câncer de ovário está sendo antecipado graças à inteligência artificial da empresa TPP. Baseada num banco de dados de mais de 50 milhões de históricos médicos, a empresa vem estudando quais avanços consegue produzir. O primeiro é um software que antecipa a detecção de tumores em até dois anos. O CEO Frank Hester diz que o sistema acaba com o problema do diagnóstico tardio, aumentando as chances das pacientes. A TPP trabalha com o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, que é responsável pela maioria do atendimentos do país. Ela ainda oferece o sistema para outros países como a China.

A Amazon pôs na praça o Amazon Transcribe Medical, um sistema que, como sugere o nome, transcreve o que falam os médicos. Fazendo uso de inteligência artificial, receitas e procedimentos são automaticamente digitados, sem a necessidade de que o médico diminua a velocidade da fala ou faça intervenções como falar ‘ponto’ ou ‘virgula’. O sistema tem um funcionamento simples: por meio de um microfone, o áudio é captado e transferido para um software de streaming que pode ser acoplado ao sistema de um hospital. Por enquanto, só está disponível nos estados da Virgínia do Norte e Oregon, nos EUA, mas o software representa mais um avanço no setor de saúde. Recentemente, a assistente virtual Alexa ganhou a funcionalidade de avisar os usuários quando tomar um medicamento. A empresa ainda tem testado o uso dela em hospitais.

Cultura


No século XXI, a literatura foi marcada pela incapacidade de imitar uma realidade presente que parecia de romance e se voltou para o passado, a memória (histórica apenas), a investigação jornalística, em primeira pessoa e na própria literatura. E é nesse cenário que 2666, de Roberto Bolaño, livro composto por cinco partes e publicado no segundo semestre de 2004, foi escolhido por um júri de 84 especialistas como a melhor obra literária do século XXI. Os trabalhos de Ian McEwan, WG Sebald, Javier Marías, Javier Cercas, Tony Judt, Mario Vargas Llosa, J.M. Coetzee, Zadie Smith, Svetlana Aleksiévich, Emmanuel Carrère, Marjane Satrapi e Edmund de Waal também estão na lista. Não apenas por causa dos tópicos que abordam, mas pela maneira como o fazem: misturando realidade e ficção, narração e reflexão, dinamizando os gêneros tradicionais ou deixando que sua intimidade sem filtros discuta com a história. (El País)

Destaque para Persépolis, da autora iraniana Marjane Satrapi, a única história em quadrinhos da lista de cem livros. Em preto e branco, fala da revolução islâmica de 1979 vista por uma menina. “Eu tinha um dever para com o meu país”, disse ela a Jaume Vidal em uma entrevista em 2002.

Intérprete da Viúva Negra da Marvel, Scarlet Johansson fala pouco sobre sua vida privada. Aproveitou o gancho do aniversário de 35 anos, porém, e deu uma entrevista à edição norte-americana da Vanity Fair. Ela falou de separações, amizades, Woody Allen, o privilégio de ser atriz mais bem paga do mundo e o lançamento do filme História de um Casamento (trailer), que estreia no dia 6, na Netflix.

Scarlett Johansson: “Não sou diplomática e não posso mentir sobre como me sinto em relação a certas coisas. Não tenho por que fazer isso. Não faz parte da minha personalidade. Não quero me editar nem moderar o que digo ou penso. Não posso viver desse modo, não sou assim. Também acho que quando você tem esse tipo de integridade provavelmente vai incomodar algumas pessoas. É parte de como tudo funciona, suponho.”

Sobre defender Woody Allen: “Eu entendo como isso pode soar para algumas pessoas. Mas acreditar no meu amigo não significa que não apoio mulheres, ou acredite em mulheres. Eu acho que você tem que tomar caso a caso. Você não pode ter essa declaração geral — não acredito nisso. Mas essa é minha crença pessoal. É como sinto.”

É possível, e muito, amar o Baby Yoda mesmo sem nunca ter assistido Star Wars. O personagem é a peça central de The Mandalorian, a nova série da Disney +, e sua imagem verde, minúscula e alienígena, estourou nas redes sociais, onde promete circular por um bom tempo. Que a força esteja com os memes que se renovam semana a semana.

Dante Montovani, novo presidente da Funarte, em dois trechos.

Sobre música: “O rock ativa a droga que ativa o sexo que ativa a indústria do aborto. A indústria do aborto por sua vez alimenta uma coisa muito mais pesada que é o satanismo. O próprio John Lennon disse que fez um pacto com o diabo.” (Globo)

Sobre a Terra: “Terrabolistas são ótimos em fazer piadinhas acerca da auto-evidente planicidade da superfície da Terra, mas são absolutamente incapazes de apresentar um único argumento ou prova da delirante esfericidade da Terra.” (Twitter)

Viver


Atestados de óbito de quatro dos nove jovens que morreram no último fim de semana após operação policial em um baile funk em Paraisópolis, na zona Sul de São Paulo, apontam asfixia e trauma na medula como "causa mortis". Sob a condição de não publicá-los na íntegra, o Uol teve acesso aos documentos.

Augusto de Arruda Botelho: "Não podemos fulanizar a tragédia. Marcos Paulo Oliveira, 16. Dennys Guilherme dos Santos, 16, Denys Quirino, 16. Gustavo Xavier, 14. Bruno Gabriel dos Santos, 22, Eduardo Silva, 21. Mateus dos Santos Costa, 23. Gabriel Rogério de Moraes, 20, Luara Victoria de Oliveira, 18. (Twitter)

Padrinho de Gustavo Xavier, 14, o ascensorista Roberto Oliveira afirmou que há muito preconceito de classe em relação a jovens pobres que, assim como Gustavo, buscam o lazer nesses bailes. "Se fosse lá, como é mesmo?, Higienópolis, o tratamento seria diferente", diz. "Como disseram os Racionais MCs, da ponte para cá é diferente", completou ele. Por cautela em relação a eventuais represálias, ele evita falar o que pensa sobre a atuação da PM.

O presidente Jair Bolsonaro disse lamentar a morte de inocentes em ação policial na favela de Paraisópolis e disse que a responsabilidade da apuração é do estado de São Paulo. O governador João Doria afirmou que as políticas de repressão aos pancadões não vão mudar no estado.

Seis homens do 16º Batalhão da Polícia Militar que atuaram na operação foram retirados das ruas na noite de ontem.

O Brasil está estagnado entre os piores níveis de aprendizado avaliados pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). De acordo com o resultado, divulgado ontem, 43% dos estudantes brasileiros não aprenderam o mínimo necessário nas três áreas do conhecimento testadas: Leitura, Matemática e Ciências. Neste mesmo quesito, a média dos países que formam a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o grupo de países ricos do qual o governo Bolsonaro quer fazer parte, é de apenas 13%.

É o maior exame de estudantes do mundo. O Programme for International Student Assessment é feito de três em três anos, desde 2000. Entenda como funciona.

Cotidiano Digital


Burguer King seguido do McDonald’s foram as empresas com mais reclamações durante a Black Friday no Brasil. As redes de fast food competiram por quem oferecia promoções mais em conta nas suas refeições, mas acabaram lideraram a lista devido à problemas reportados no aplicativo do Mercado Pago. Pelo volume de acesso, os consumidores não conseguiam pagar pelo valor promocional que só estava disponível na plataforma, o que gerou em milhares de reclamações no ReclameAqui. O Procon chegou a notificar as duas redes, que podem ser multadas.





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3 de dezembro de 2019
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