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18 de dezembro de 2019
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Prezadas leitoras, caros leitores —

Aqui no Meio, acreditamos em jornalismo.

Não dizemos isso num sentido mítico, ou de forma infalível. Não: é uma atividade humana. A gente acerta, a gente erra. Buscamos ser claros. Acreditamos em jornalismo porque trazemos em nós algumas convicções políticas. As principais começam em uma convicção democrática — de que as pessoas podem e devem participar da escolha de seus governos; de que nenhum governo é absoluto e todos devem ser questionados; de que este é um jogo no qual esquerdas, direitas e, sim, os centros são participantes legítimos. De que todos os flancos políticos acertam em alguns dos projetos a que se propõem, mas também erram. De que nosso trabalho, como jornalistas, não é estar ao lado de qualquer um dos lados. É de manter um contínuo olhar crítico.

O Meio, que completou três anos neste 2019 e chegará a cem mil assinantes nos primeiros meses de 2020, não nasceu no vácuo. A maneira como as pessoas se informam está mudando, e isto provoca uma crise econômica no negócio jornalismo. É justamente quando há menos jornalistas trabalhando mais horas ao dia que as novas redes de comunicação se oferecem fáceis para quem tem, por meta, desinformar em troca de ganho político. Se tornou comum no mundo que políticos ataquem a imprensa, porque ela está mesmo em um momento de fragilidade. O objetivo destes é se aproveitar do cenário profissionalmente instaurado de desinformação para minar a credibilidade de quem tenta informar. Não fazem isso à toa. Democracia funciona bem quando os eleitores tomam decisões seguindo suas sensibilidades ideológicas e baseados em informação.

Nossa crença é de que, quando a desinformação é muita, o jornalismo tem de ser simples. Este é o Meio. Jornalismo simples, que não deixa de ir fundo. Edições diárias na semana que qualquer um pode assinar gratuitamente, pois acesso é fundamental. Não toma muito tempo no dia e, no conjunto, ajuda a todos no exercício pessoal de cidadania.

Quando a democracia é pressionada, não há melhor arma para o cidadão do que estar informado. E a democracia está sob pressão em todo o mundo.

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— Os editores.


Congresso recua e diminui fundo eleitoral


O Congresso recuou — ao aprovar sua proposta para o Orçamento de 2020, deputados e senadores optaram por um fundo de financiamento eleitoral de R$ 2 bilhões, quase metade dos R$ 3,8 bi que chegaram a cogitar. A revisão foi aprovada ontem. É uma vitória do presidente Jair Bolsonaro, que vinha pressionando para diminuir o valor. A consequência é um aumento de despesas e investimentos em áreas como a saúde, infraestrutura e desenvolvimento regional. Também entraram na conta mais R$ 6 bi, que devem ser liberados pela aprovação da PEC Emergencial, prevista para o próximo ano, que limita gastos obrigatórios do Estado de acordo com o tamanho da dívida pública. Ao todo, o relatório prevê R$ 31,4 bi a mais do que o documento enviado pelo Executivo. Se aprovada pelo Congresso e pelo presidente, a maior fatia do orçamento vai para o Ministério de Minas e Energia. Enquanto, a menor vai para o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. (Congresso em Foco)

Com o corte no fundo eleitoral, o PSL e o PT, os partidos que mais receberiam com o aumento deixariam de levar R$ 356 milhões. Mesmo assim, o fundo do PSL será superior ao de 2018 em mais de 20 vezes, devido ao crescimento do partido nas urnas. Já o PT perderá mais de R$ 12 milhões. (Globo)

O recuo dos parlamentares não se deu apenas por pressão do Planalto. De acordo com pesquisa Datafolha realizada na primeira semana do mês, 45% dos eleitores reprovam seu trabalho. São dez pontos percentuais a mais do que em agosto. Apenas 14% aprovam o Congresso Nacional. (Folha)

Como sói acontecer... Eduardo Bolsonaro e 25 deputados do PSL entraram com ação no TSE para não perder o mandato com a desfiliação ao partido.  A maioria pretende se transferir para o Aliança do Brasil, partido criado pelo presidente Jair Bolsonaro (G1).

Sobre novas regras que valem para juízes, exceto os do STF, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que magistrados não podem usar suas redes sociais para apoiar ou criticar políticos. Eles também estão proibidos de comentar processos ou decisões de colegas.

E a transferência do Coaf do Ministério da Economia para o Banco Central vai à sanção presidencial depois de aprovada pelo Senado. A medida provisória aprovada retorna ao nome original que tinha sido alterado para Unidade de Inteligência Financeira (UIF).

O agronegócio brasileiro pode perder US$ 10 bilhões com um possível fim da guerra comercial, segundo o Insper. Em uma primeira fase de acordo, os chineses se comprometeram a aumentar, nos próximos dois anos, em US$ 32 bilhões o volume de importação de produtos agrícolas americanos. Só que, para isso, a China teria de deixar de comprar de outros fornecedores, como o Brasil, que aumentou sua exportação para os chineses desde a briga comercial. (Folha)


O presidente americano Donald Trump enviou para a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, uma carta furiosa de seis páginas. No texto, Trump afirma que o processo de impeachment que corre na Casa é uma interferência direta nas eleições presidenciais que ocorrem no ano que vem. “Este processo nada mais é do que uma tentativa de golpe, ilegal, movido por uma derrota nas urnas”, ele escreveu. “A história vai julgá-los de forma dura se seguirem com esta palhaçada.” O presidente também afirmou que a liderança do do FBI é ‘incompetente e corrupta’ mas não citou qualquer um dos depoimentos e testemunhos que sugerem tentativas suas de chantagear o presidente ucraniano para que produzisse uma investigação contra um de seus adversários no pleito do ano que vem. (New York Times)

Pois é... o novo governo da Argentina já levou ao Congresso um plano econômico de emergência que conta com quatro blocos: combate à pobreza, área tributária, tarifas do serviço público e a dívida pública. A medida mais urgente para o governo é o pagamento extra de 5 mil pesos nas aposentadorias e pensões. A mais polêmica é a redução de tarifas para investimentos na Argentina, como forma de atrair dinheiro aplicado no exterior. Para manter empregos, o governo dobrou o custo para demissão sem justa causa e incluiu um plano de regularização de dívidas para pequenas e médias empresas e pessoas físicas. (Folha)

Cultura


E na Rússia, uma foto publicada no Instagram de uma dançarina da companhia de teatro Bolshoi levantou um debate importante: duas bailarinas fazendo blackface em pleno 2019. "Esta é a realidade do mundo do ballet", legendou Misty Copeland. Era uma imagem da produção de La Bayadère , um famoso balé clássico realizado na Índia. Coreografado pela primeira vez pelo francês Marius Petipa, no final do século 19, e revisado em 1941, o balé foi criticado nos últimos anos por suas representações xenofóbicas sobre a Índia. O Bolshoi respondeu dizendo que não tem planos de mudar o ballet, que apresenta artistas em blackface desde sua estreia em 1877. O diretor do teatro Bolshoi, Vladimir Urin, disse à agência de notícias russa RIA Novosti que  “o balé La Bayadère já foi apresentado milhares de vezes desse jeito na Rússia e no exterior e o Teatro Bolshoi não se envolverá em tal discussão”.

No ano passado, em uma resenha da produção do American Ballet Theatre de Bayadère, o O LA Times observou que a produção “retrata a Índia antiga como um reino de barbárie sem princípios”. O Times elogiou os aspectos técnicos da apresentação, mas perguntou: “Por que exatamente ainda estamos sujeitos à visão de sociedade pela perspectiva branca?”. Importante ressaltar que a produção do American Ballet Theatre não usava blackface.

A série Os Simpsons completou ontem trinta anos desde que primeiro episódio foi ao ar nos Estados Unidos, em 17 de dezembro de 1989, no canal Fox.  Um dos desenhos animados mais clássicos de todos os tempos atingiu 'a melhor das idades', dizem, e o Mental Floss tem um vídeo interessante com curiosidades sobre o primeiro episódio. Marge, por exemplo, deveria ficar bêbada na estreia. Na premissa original, Homer estava "preocupado com a possibilidade de Marge colocá-lo em apuros no escritório". A atmosfera de que o desenho poderá chegar ao fim permanece. Faz parte...

Até o momento cerca de 672 episódios foram ao ar e os cinco mais icônicos, segundo o The Guardian, são: Treehouse of Horror (segunda temporada), Marge v the Monorail (quarta temporada), Lisa the Iconoclast (temporada sete), 22 Short Films About Springfield (temporada sete) e Homer’s Enemy (temporada oito).

Viver


As agressões sofridas pela youtuber Karol Eller, conhecida por ser defensora do governo Bolsonaro, são investigadas pela Polícia Civil como homofobia. A jovem estava com a namorada em um quiosque na orla da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, quando foi atacada com socos e pontapés, deixando Karol com o rosto desfigurado.

Adriana Belém, delegada titular da 16ª DP.“Trata-se de um caso típico de homofobia, sem ligação com a militância da vítima. De acordo com os depoimentos, os agressores chamavam a Karol o tempo todo de sapatão e demonstravam claramente preconceito. Já requisitamos os exames de corpo de delito de todos os envolvidos e vamos fazer diligências para localizarmos câmeras que possam ter flagrado a confusão e possíveis testemunhas do fato”.

A Série A do campeonato italiano usou imagens de macacos em uma suposta campanha contra o racismo, menos de três semanas depois de os clubes terem se comprometido a combater o grave problema que permeia o futebol no país. Os cartazes da campanha "Não ao racismo" — que serão exibidos na sede da Liga Italiana, em Milão — retratam três macacos com rostos pintados."Mais uma vez o futebol italiano deixa o mundo sem palavras. É difícil imaginar no que a Série A estava pensando, quem eles consultaram?", afirmou a organização Fare Network, que luta contra a discriminação no futebol europeu."O uso de macacos pela Série A em sua campanha contra o racismo é completamente inadequado, mina qualquer intenção positiva e será contraproducente. Esperamos que a liga avalie e substitua as imagens da campanha". (BBC)

E aproveitando...a máxima de que nós viemos dos macacos é uma pegadinha, um erro dos mais comuns entre tantos espalhados sobre a Teoria da Evolução. Charles Darwin nunca disse ou escreveu isso. O que os evolucionistas afirmam é que tanto os macacos de hoje quanto os seres humanos têm um ancestral em comum. E eles estão absolutamente corretos nessa afirmação.

Um vídeo para quem gosta de limpeza... ou não. O que acontece quando sete aspiradores robóticos, os famosos Roombas, encaram cinco galões de pudim de chocolate espalhados no mesmo espaço. Não tentem em casa.


O Flamengo de Jorge Jesus venceu ontem o saudita Al Hilal, de virada, por 3 a 1. A equipe carioca disputa a final do Mundial de Clubes contra o vencedor da partida de hoje entre o mexicano Monterrey e o inglês Liverpool, no sábado, às 14h30. Bruno Henrique, que marcou um dos gols e participou dos outros dois, foi o craque do jogo. Assista aos melhores momentos.

Cotidiano Digital


Passar horas assistindo conteúdos extremos, como abuso sexual infantil e violência, não é fácil. Os moderadores do YouTube estão apresentando sinais de ansiedade, depressão e, em alguns casos, Transtorno Pós-Traumático, a típica doença de quem chega de guerras. Em reportagem do Verge, estas pessoas — algumas terceirizadas — relatam que suas rotinas se resumem a assistir durante cinco horas contínuas algo como 120 vídeos que potencialmente violam as políticas de uso da empresa. Os funcionários disseram que não podem fazer pausas e ou tirar férias, devido à demanda de trabalho. No caso dos terceirizados, ganham bem menos em relação a um funcionário do Google e não têm os mesmo benefícios de saúde.

Não estranhe se começar a receber um aviso no Instagram de que uma publicação é falsa. A rede social estendeu para todos os usuários o seu sistema contra fake news. Essas postagens terão sua distribuição limitada, não aparecerão na aba Explorar ou nas pesquisas por hashtags. Junto com um aviso, o usuário também vai ter acesso a links de artigos que desmentem o conteúdo.





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18 de dezembro de 2019
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