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8 de janeiro de 2020
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Irã lança mísseis contra bases dos EUA no Iraque


O Irã disparou mais de doze mísseis balísticos contra duas bases militares americanas no Iraque. Uma em Irbil, no Curdistão, próxima à fronteira entre os dois países. A outra foi a Base Aérea al-Asad, a principal e mais bem preparada, que é localizada próxima ao centro geográfico iraquiano. Mísseis balísticos são mais sofisticados do que foguetes, mas não são teleguiados em toda sua jornada até o alvo, tampouco têm a capacidade explosiva dos mísseis de maior porte. O governo dos EUA afirmou que o ataque não deixou vítimas e ainda está avaliando os danos materiais. (Washington Post)

O presidente americano Donald Trump tuitou. “Está tudo bem!”, afirmou. “Estamos avaliando vítimas & danos neste momento. Por enquanto, tudo bem!” Temos as Forças Armadas mais poderosas e bem equipadas do planeta, de longe. Farei um comunicado pela manhã.” (Twitter)

O aiatolá Ali Khamenei, Líder Supremo iraniano, falou à nação na manhã desta quarta. “O povo do Irã desferiu um tapa na cara da América”, ele afirmou. Também disse que a ação não é suficiente para vingar a morte do general Qasem Suleimani — embora não tenha deixado claro se a ameaça velada permanece. De acordo com Khamenei, ao todo foram 22 os mísseis disparados. (i24)

Então... O chanceler iraniano, Javad Zarif, foi mais preciso. “O Irã executou medidas proporcionais de resposta, em autodefesa, ao atingir a base que covardemente atacou membros sêniores do governo”, afirmou num comunicado em inglês. “Não buscamos escalar o conflito, tampouco uma guerra, mas nos defenderemos contra qualquer agressão.” (Twitter)

A imprensa americana atribui a decisão de matar Suleimani aos secretários de Estado Mike Pompeo e de Defesa, Mark Esper. Ambos foram colegas de turma em West Point, a escola preparatória de oficiais dos EUA. Eles vêm pressionando Trump para endurecer com o Irã há meses. O cerco de dois dias da embaixada americana no Iraque, na última semana de 2019, ligou o alerta na Casa Branca, com o temor de que um diplomata pudesse ser morto. Foi quando o presidente cedeu à decisão. (The New Republic)

Embora não tenha deixado vítimas, é o primeiro ataque direto iraniano aos EUA desde a crise da embaixada, logo após a Revolução que alçou os aiatolás ao poder, ainda durante o governo Jimmy Carter. O país vinha adotando uma política de fazer ataques terceirizados, através de milícias de outros países — organizadas, diga-se, por Suleimani. (Globo)

Pois é... O Irã cobrou explicações das autoridades brasileiras sobre a posição do Brasil. O Itamaraty se manifestou favorável ao ataque americano contra o general, que descreveu como um ato de luta contra o terrorismo. (Congresso em Foco)

Sobre patente... o presidente Jair Bolsonaro e o Itamaraty ainda não conseguem chegar a um acordo sobre como chamar o comandante iraniano Qassim Suleimani. Presidente disse que "general lá que não é general". Já o ministério das Relações Exteriores, em circular telegráfica enviada a diplomatas, chama Suleimani de general. (Folha)

Lauro Jardim: “Depois do primeiro rompante, com a nota oficial do Itamaraty, de apoio à ação americana, a ordem agora no Palácio do Planalto é baixar a bola e não se manifestar mais. Ou, como disse um ministro com assento no Palácio do Planalto, o Brasil agora vai ‘ficar pianinho’.” (Globo)

Aliás... a embaixada dos Estados Unidos no Brasil emitiu um alerta de segurança para cidadãos americanos no país. Comunicado aconselha discrição, alerta sobre seu entorno e documentos de viagem atualizados. (Folha)

Miriam Leitão: “Os preços do petróleo voltaram a subir ontem à noite após o ataque de mísseis a uma base americana no Iraque. Isso aumenta a pressão dentro do governo brasileiro para se encontrar uma solução mágica para o preço dos combustíveis. Toda vez que as cotações ficam voláteis o governo ensaia a mesma discussão, a de reduzir impostos, interferir nos preços, ou de criar um colchão de amortecimento. Foi assim na ameaça de uma greve dos caminhoneiros, e depois no atentado às refinarias da Arábia Saudita e agora na crise do Irã. Se quer alguma solução, ela tem que ser pensada quando não há crise”. (O Globo)

Sobre as reações da comunidade internacional, a ministra da Defesa alemã, Annegret Kramp-Karrenbauer, disse que seu país "rejeita o ataque". A Grã-Bretanha também seguiu a mesma linha. (Al Jazeera)

Em meio à tensão... Um Boeing 737 das Linhas Aéreas Ucranianas, caiu próximo a Teerã. Os 176 passageiros e tripulantes morreram. A queda ocorreu poucas horas após os disparos de mísseis e ainda não há hipótese para explicá-la. (G1)

O Japão emitiu mandado de prisão contra a mulher de Carlos Ghosn, ex-CEO da Nissan. As autoridades locais acreditam que Carole Ghosn mentiu em depoimento ao dizer que não conhecia uma pessoa que esteve envolvida no caso do ex-presidente da Nissan. O executivo é acusado de sonegação e desvio de recursos da montadora. Ele está com Carole no Líbano, depois de ter fugido de sua prisão domiciliar em Tóquio.

A presidência da Assembleia venezuelana continua uma incógnita. Depois de enfrentar confrontos com os deputados governistas para entrar no local, o autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guiadó conseguiu formalizar ontem sua reeleição dentro da casa. Mas, logo em seguida, foi expulso pela polícia. No domingo, Guaidó já havia comandado uma sessão parlamentar paralela que levou a sua reeleição. Ele e parlamentares opositores foram barrados por militares na tentativa de entrar na Assembleia. Na ocasião, o governista Luis Parra foi nomeado apenas com a presença da bancada minoritária do partido do presidente Nicolás Maduro, o que não contabilizou os 84 deputados necessários. (Folha)


Apoiadores de Luciano Huck e Lula têm perfis semelhantes. Isso que aponta a pesquisa da Datafolha de índice de confiança. Tanto Huck quanto Lula têm maior percentual em segmentos que tradicionalmente apoiam os petistas. No Nordeste, Lula tem 49% de alta confiança, enquanto Huck, 28%. E entre aqueles que estudaram até o ensino fundamental, Lula marca 46% e Huck 32%. Além disso, tanto o ex-presidente quanto o apresentador têm mais credibilidade entre quem rejeita o governo Bolsonaro. Já do outro lado, estão o ministro Sergio Moro e o presidente Jair Bolsonaro. Os dois são mais bem avaliados em grupos semelhantes, como empresários e os que se declaram brancos. (Folha)

Cultura


O Bafta, considerada a premiação mais importante do cinema britânico, anunciou seus indicadosCoringa concorre em 11 categorias, entre elas a de melhor filme, direção e ator para Joaquin Phoenix. O Irlandês, dirigido por Martin Scorsese, e Era uma Vez em... Hollywood, de Quentin Tarantino, vêm na sequência com dez indicações cada um. O drama da Primeira Guerra Mundial, 1917, de Sam Mendes, vencedores do Globo de Ouro, concorre em nove categorias. Os quatro competirão contra Parasita, do diretor sul-coreano Bong Joon-ho. A premiação será realizada no dia 2 de fevereiro em Londres.

Avatar 2 ganhou quatro novas artes conceituais. As águas de Pandora, que terão um papel importante na trama dirigida por James Cameron, aparecem em todas as imagens. A estreia da continuação do longa de 2009 está marcada para dezembro de 2021.

Viver


E um novo mapa da Via Láctea com 'berçário' de estrelas foi divulgado ontem por astrônomos da Universidade de Harvard, nos EUA. O estudo publicado pela revista Nature mostrou que os corpos celestes são gerados em uma grande massa gasosa vizinha ao planeta Terra e a  descoberta foi feita a partir do cruzamento de dados recolhidos pela sonda Gaia. Conhecido como um "berçário das estrelas", este é um dos maiores já encontrados. São 9.000 anos-luz de comprimento e 400 anos-luz de largura. O "berçário" recebeu o nome de Onda Radcliffe, por conta do seu formato ondular, e não circular como se especulava.

Alyssa Goodman, astrônoma norte-americana: “Ficamos completamente chocados quando percebemos que a Onda Radcliffe aparentava ser de uma forma em nossas observações e depois percebemos, a partir de um modelo 3D, que era mais sinuoso. Isso nos faz ter que repensar a maneira com que representamos a própria Via Láctea.” (G1)

Vencedora do Globo de Ouro por seu papel em Judy, onde interpreta a cantora e atriz Judy Garland, Renée Zellweger deu uma entrevista ao El País antes do prêmio. Ela falou sobre ter completado 50 anos numa indústria nunca disposta a envelhecer.

Renée Zellweger: “Vivemos em um mundo onde o que importa são as aparências. Eu vivi isso, mas felizmente não até o grau que afetou estrelas como Marilyn Monroe. Ou Judy Garland. Esperava-se que dessem tudo assim que pisassem na rua. Nem quero imaginar o quão esmagador isso deve ter sido. Agradeço porque pertenço a outra época. As mulheres da minha geração têm maior autonomia e fazem ouvir sua voz como Judy nunca pôde”.

Sobre os 50: “Tudo volta a ser novo! Não sei como descrever. Já fiz tudo e agora reinvento outra vez. Os 50 anos são como nascer de novo! Adoro essa redescoberta que vem sem as lições que você precisa aprender quando tem 20 e 30 anos”.

O filme chega aos cinemas em 16 de janeiro.

Na Austrália, mais de dez mil camelos serão mortos hoje. O objetivo é impedir que os animais bebam muita água, principalmente em regiões do sul, que enfrentam uma grande seca. Os líderes aborígines das terras de Anangu Pitjantjatjara Yankunytjatjara (APY) solicitaram o abate pois disseram que os camelos entram nas comunidades procurando por água e acabam causando estragos. São R$ 6,6 milhões em danos aos moradores todos os anos. Segundo o governo australiano, a ação também servirá para controlar emissões de gases de efeito estufa, já que os animais emitem metano equivalente a 1 tonelada de dióxido de carbono por ano. Os abates acontecem legalmente desde 2009. Isso porque desde o século 19, quando os animais foram importados do Oriente Médio, da Índia e do Afeganistão para serem usados como transporte de cargas pesadas, sua população vem dobrando incontrolavelmente. (Galileu)

Cotidiano Digital


Os deepfakes, vídeos alterados por meio de inteligência artificial, vão ser banidos do Facebook. A medida vem no ano das eleições americanas na tentativa de conter as críticas e pressão das autoridades do país. A empresa tem sido responsabilizada pela possibilidade de enganar os usuários ao permitir a circulação de vídeos falsos de figuras políticas. A nova regra, no entanto, pode não ser tão efetiva assim: deixa de fora conteúdos de paródia ou sátira, e vídeos editados para omitir ou alterar a ordem das palavras.

O projeto Neon da Samsung era uma das grandes expectativas para o CES 2020, mas acabou decepcionando. A promessa era de que os personagens digitais serviriam como âncoras de TV, recepcionistas ou até atores em filmes, só que o projeto se revelou somente como um chatbot mais realista de avatares 3D. Um lançamento interessante da empresa, no entanto, é o Ballie. Seguindo a tendência de casas cada vez mais conectadas, o robô parece uma bola de tênis que vai seguindo o morador para ajudar com tarefas do dia a dia, como ligar a TV e abrir a cortina.

O CES teve ainda mais novidades, principalmente no setor automotivo. A Sony surpreendeu a todos e lançou o seu primeiro carro-conceito com o intuito de testar suas tecnologias de segurança e sensores. A Mercedes ainda apresentou um veículo elétrico futurista inspirado no filme Avatar. E a Hyundai apresentou os seus táxis voadores que serão usados pelo Uber.

Por falar em carros, a fábrica da Tesla na China entregou os seus primeiros veículos. Com direito a dancinha de Elon Musk.





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