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24 de janeiro de 2020
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Bolsonaro e Moro entram em choque


O presidente Jair Bolsonaro aproveitou uma reunião com os 27 secretários estaduais de segurança para levantar a possibilidade de desmembrar o Ministério da Justiça e Segurança, tirando do ministro Sérgio Moro a segurança pública. Ele havia despachado com Moro horas antes, mas não o convidou para o encontro. A provocação do presidente ocorre por conta da disputa pelo comando da Polícia Federal. Bolsonaro havia tentado indicar um nome para o lugar do delegado Maurício Valeixo em setembro, mas o ministro resistiu publicamente. Falando da proposta, levada pelos secretários, o presidente comentou. “Isso é estudado”, disse, “é lógico que o Moro deve ser contra, mas é estudado com os demais ministros.” (Poder 360)

Quem conversa com Moro diz que o ministro tem ao menos uma coisa clara na cabeça, conta Bela Megale. Estar à frente da Segurança foi uma das condições para se tornar ministro. Sem a pasta, ele deixa o governo. (Globo)

Vera Magalhães: “Bolsonaro afirmou na quinta que estuda a recriação do Ministério de Segurança Pública. O ‘estudo’ veio dois dias depois da entrevista de Moro ao Roda Viva, que teve imensa repercussão. O ministro se mostrou mais político e, embora tenha dito várias vezes que não contraria Bolsonaro publicamente, marcou diferenças com o presidente em matérias como liberdade de imprensa, delações premiadas e juiz de garantias. Também foi evasivo sobre a possibilidade de trilhar uma carreira política no futuro. Moro parece não se abalar com as rasteiras do presidente, e intensifica sua própria construção de imagem nas redes. Já virou assíduo no Twitter, anunciou nesta quinta a entrada para o Instagram. Há quem veja o ex-juiz em estágio bem avançado de construção de uma candidatura. E é justamente isso que tira o sono do sempre paranoico Bolsonaro.” (BR Político)

Helena Chagas: “Bolsonaro está avisando ao navegante Moro que ele reduza sua velocidade política de pré-candidato e enquadre suas ambições, que, pelos planos presidenciais, não devem ultrapassar os limites de uma candidatura a vice em sua chapa de reeleição. Mas não é só isso. Acima desse propósito político — e talvez como razão principal para que venha a operar a mudança — está a segurança da família presidencial. Ou seja, o controle da Polícia Federal e de outros órgãos que podem investigar seus filhos, as milícias do Rio de Janeiro, etc. Não por acaso, Moro recuou nos últimos dias no apoio à federalização do caso Marielle. É como se mandasse um recado ao chefe e a outros interessados de que não quer se meter nesse assunto.” (Divergentes)

Bruno Boghossian: “Bolsonaro e Moro nunca estiveram tão próximos de um curto-circuito político. Apesar das eventuais homenagens de um e das recorrentes mesuras de outro, parecem cada vez mais dispostos a mergulhar numa disputa de poder inevitável. Embora o ministro seja considerado intocável por parte considerável da base bolsonarista, o presidente não demonstrou nenhum receio em contrariá-lo. Bolsonaro age para atordoar um personagem que o ameaça, mas esses choques também desgastam sua imagem entre os seguidores de Moro. Se o ministro decidir enfrentar o chefe, o presidente terá problemas.” (Folha)

Gustavo Bebbiano em entrevista a Tales Faria: “Até agora, Moro foi o freio que inibiu o uso político da Polícia Federal, o que, com toda certeza, irrita bastante o Jair. Sem o Moro, as chances de a PF ser utilizada como ferramenta de opressão contra os desafetos serão grandes. Isso poderá gerar um clima muito pesado no país.” (UOL)

Pois é... O Brasil caiu em índice de combate à corrupção. O país repetiu a mesma nota recebida em 2018, a sua pior desde 2012 no ranking feito pela ONG Transparência Internacional. Na 106ª posição, entre 180 países avaliados, o país está atrás de outros latino-americanos como Argentina (66ª), Chile (26ª), Colômbia (96ª), Cuba (60ª), Equador (93ª) e Uruguai (21ª). (Folha)

Jair Bolsonaro disse que a nomeação de Regina Duarte para a secretaria da Cultura deve acontecer semana que vem. Será depois que ele voltar da Índia, para onde embarcou ontem. E mesmo ainda sob fase de testes, Regina convidou a pastora evangélica Janicia Silva para ser sua número dois.

Aliás... Tem mexida também na área ambiental. Ao assumir o recém-criado Conselho da Amazônia, o vice-presidente Hamilton Mourão foi despachado para tentar conter o dano de imagem na área ambiental. “O plano é que Mourão faça a curadoria, digamos, dos problemas de desastre ambiental iminente, de ações policiais, de regulamentação fundiária e planejamento econômico para a região”, escreve Vinicius Torres Freire. “Um objetivo político evidente é controlar as ações de Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, e de Nabhan Garcia, secretário de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, detestado por generais do governo e da caserna.” (Folha)

Enquanto a eleição 2022 acirrava os ânimo no Planalto, também dela se tratava em Davos. Luciano Huck foi lançado candidato à presidência pelos presentes no Fórum Econômico Mundial. E não negou. O apresentador só disse que ainda não tem a resposta nem para ele mesmo. Em sua apresentação, criticou o governo por estar presente no Fórum apenas com pautas econômicas. Sem Bolsonaro, o único representante do governo é o ministro Paulo Guedes. “Sem dúvida a gente entregou números importantes do ponto de vista econômico, mas a gente estava fora dos painéis de educação, desigualdade e Amazônia”, disse. (Folha)

Enquanto isso... Guedes disse que estuda a criação de um ‘imposto do pecado’. A tarifa seria incidida sob cigarros, bebidas alcoólicas e produtos com adição de açúcar, como refrigerantes, sorvetes e chocolates. (Valor)

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Lavagem de dinheiro. Vereadores, deputados estaduais e seus familiares serão monitorados por medidas preventivas. O BC anunciou a expansão de pessoas consideradas politicamente expostas. Antes a regra só valia para cargos mais altos, como presidente, governadores, deputados federais, senadores e ministros, assim como seus parentes de primeiro grau. Na prática, bancos e corretoras devem seguir uma série de procedimentos para monitorar transações financeiras suspeitas. (Estadão)

Conforme se espalha pela China, o coronavírus levanta um antigo medo humano — o de uma pandemia global. Segundo a OMS, não há qualquer risco. Mas duas histórias do passado fazem com que esta mística não nos abandone. Na edição de Sábado, o Meio recontará as histórias da Peste Negra e da Gripe Espanhola — doenças que mataram grandes percentuais da humanidade em seus tempos. E explica por quê há mais proteções, hoje. Assine — as histórias são pouco conhecidas, mas estarrecedoras.


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Tony de Marco

 
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Histórias para ouvir

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Fenômeno literário que inspirou a criação do game The Witcher - e a série super popular da Netflix - O último desejo é o primeiro livro da saga do bruxo Geralt de Rívia. O autor, Andrzej Sapkowski, é um grande renovador da literatura fantástica de nossos tempos e sua prosa enfeitiçou leitores no mundo todo – mais de dois milhões de exemplares foram vendidos na Europa e nos Estados Unidos. Ouça. Além do Último Desejo em formato de áudio, a plataforma oferece os outros livros da série em formato ebook.

Viver


E sobe para 25 o número de mortos por coronavírus com mais de 800 casos na China. Desde a manhã de quinta, nenhum trem ou avião deixou Wuhan, metrópole de 11 milhões de habitantes situada no centro da China. Os pedágios nas saídas da cidade estão fechados. O Ministério da Saúde afirmou que está em alerta para o risco de transmissão do coronavírus no Brasil e os cinco casos suspeitos da doença no país foram descartados.

O que se sabe. Já cruzou três fronteiras: a Tailândia informou sobre quatro casos, Coreia do Sul e Japão, dois casos cada, Taiwan e Estados Unidos registraram um. Os doentes são residentes de Wuhan ou visitaram a cidade recentemente.

Curling, esporte praticado no gelo e cujo objetivo é lançar e manter pedras de granito o mais próximo de um alvo, é popular em países com temperaturas abaixo de zero. Por aqui, ganhou fama em 2014, nas Olimpíadas de Inverno na Rússia. E a cidade São Paulo ganha, a partir de amanhã, a primeira pista da América Latina, certificada pela WTF (World Curling Federation). A Arena Ice Brasil conta com três pistas e outra que pode ser usada para partidas de hóquei e patinação no gelo.

E um estudo sobre representatividade em séries criminais americanas. Intitulado Normalizing Injustice: The Dangerous Misrepresentations that Define Television’s Scripted Crime Genre, o relatório aponta que The Blacklist e Blindspot estão entre as séries que mais deturpam as noções do espectador sobre o sistema e o comportamento ideal dos oficiais. O documento diz que “estas representações fictícias são construídas com base em falsas percepções sobre o sistema de justiça e como este se correlaciona com questões de raça e gênero enquanto ignora muitas realidades importantes”.

Cultura


Björk é vanguarda, e seu último projeto não é exceção. A artista islandesa recentemente colaborou com o a Microsoft e o Hotel Sister City em Nova York para criar músicas geradas por IA que mudam de acordo com o clima. Intitulada Kórsafn (que significa “arquivo de coro” em islandês), a composição foi feita usando arranjos de corais que Björk gravou ao longo de sua carreira. Entre os sons usados na criação de Kórsafn está o coral de Hamrahlid, fundado na Islândia em 1981, em que Bjork fez parte. Graças às ferramentas da Microsoft, a música consegue se adaptar ao nascer e pôr do sol, além de mudanças que acontecem na pressão atmosférica que reorganizam seus arranjos na hora de ser reproduzida. Tudo isso com a ajuda de uma câmera que capta as informações do telhado do hotel que já vem reproduzindo a música continuamente.

Capa da Revista J.P, Angélica fala de novo programa: “Não é de games, de auditório, é um programa sobre pessoas. Vamos falar sobre o comportamento humano e o tema central é a felicidade. A direção é de Boninho, quem me levou para a emissora, há 23 anos. Tive muita sorte e liberdade de criar algo do zero, sem imposição da Globo. E essa ideia foi desde o início, porque esse é o meu momento de vida. Quero fazer coisas que sejam boas para mim e para o mundo, com propósito. Não é dinheiro, não é só ficar rindo. É algo maior.”

Angélica Ksyvickis, sobre Luciano Huck: “Recebo muito o feedback ‘Angélica será incrível como primeira-dama’. Acho que dá para fazer muita coisa pelo outro e Luciano tem feito trabalhos muito legais, sem precisar estar lá e abrir mão da própria vida. Jamais vou ser a pessoa que fala ‘eu não quero’. Estamos juntos nisso, mas a decisão é dele. Posso dar aquela ajudinha, mas acredito que ele tem muita energia para isso. É muito maior que apenas um desejo, de querer ser o salvador da pátria, porque ninguém é salvador da pátria. É uma missão, é um altruísmo de outro nível ajudar uma nação e ainda se realizar com isso. É lindo, mas enquanto cidadã vejo que está muito confuso, e eu não sei se gostaria da minha família nessa confusão, nesse momento do país muito dividido, nervoso, as pessoas não estão olhando para o lado, estão com raiva, desesperadas, e não é só no país não, é no mundo. É um momento que tenho um pouco de medo, sim. Quando a gente vê as notícias, a gente fica menos otimista”. (Joyce)

Cotidiano Digital


Ainda em 2020 poderá ser criado um imposto digital internacional para as big techs. A expectativa é do secretário-geral da OCDE, Angel Gurria. Ele disse que o plano já tem o apoio de 137 países e prevê, entre outros detalhes, a cobrança do imposto nos países onde estão os consumidores, independente da presença das empresas. A tarefa promete ser complicada. Alguns países europeus já anunciaram a intenção de tributar cada um da sua forma.

A Amazon pediu para a Justiça americana interromper o trabalho da Microsoft com o Pentágono. A empresa de Jeff Bezos argumenta que a suspensão é necessária até que saia a decisão sobre um protesto judicial. A empresa era a favorita na disputa por um contrato de US$ 10 bilhões para construir serviços em nuvem nos computadores militares. Acabou perdendo para a rival no projeto chamado JEDI. A Amazon disse que a escolha foi tendenciosa.

Por falar em Amazon, o seu streaming de música chegou a 55 milhões de inscritos. A empresa anunciou que o número aumentou ano passado em 50%. A Apple Music, em junho, tinha mais de 60 milhões de assinantes. As duas ainda estão longe do líder Spotify, que tem 113 milhões de usuários pagos.





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