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27 de janeiro de 2020
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Moro fica, e lobby por vaga no STF aumenta


Ao menos por ora, o presidente Jair Bolsonaro enterrou o projeto de separar os ministérios da Justiça e da Segurança Pública. A afirmação foi feita já no seu primeiro dia de viagem à Índia. O ministro Sérgio Moro, àquela altura, havia deixado claro que deixaria o governo no caso de sua pasta ser desidratada. No abafar da briga atuaram dois ministros palacianos — os generais Augusto Heleno, da Segurança Institucional, e Luiz Carlos Ramos, da Secretaria de Governo. Bela Megale lembra que ambos já cumpriram o mesmo papel, no ano passado, quando o presidente tentou substituir o comando da Polícia Federal ignorando Moro. (Globo)

A repórter Andreia Sadi ouviu algumas das pessoas próximas a Bolsonaro. Destes, percebeu apreensão no desgaste do relacionamento. Compreendem que parte da base de apoio ao presidente tem muito respeito por Moro e observa com desconfiança a manutenção do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. Ele é acusado de chefiar um esquema de laranjas, assim como as manobras para evitar investigação do caso Queiroz, que envolve o filho Zero Um, Flávio. O atrito do presidente com seu ministro piora esta imagem. E não são poucos os que defendem que Bolsonaro indique Moro logo para a primeira vaga no Supremo. (G1)

É a maneira de atender a base preocupada com corrupção ao mesmo tempo que evita um Moro candidato à presidência. Mesmo sem ter se lançado oficialmente, o ex-juiz já figura como quarto colocado nas pesquisas. (UOL)

Quem quer o ministério da Segurança é o ex-deputado Alberto Fraga, amigo pessoal do presidente. “Depois dessa histeria da imprensa, o movimento vai crescer”, ele afirmou à jornalista Ana Maria Campos. “O presidente vai esperar. Acabei de falar com ele e ele disse que, na volta (da viagem à Índia), vamos falar sobre o assunto. Ele é o presidente e o Moro fica reclamando. Parece menino buchudo. O presidente não vai ficar com medo.” (Correio Braziliense)

Enquanto isso… Bolsonaro disse que o anúncio sobre uma possível divisão do Ministério da Justiça e Segurança não foi para fritar Moro antes de demití-lo. “Nenhum ministro meu vive acuado com medo de mim. Minhas ações são bastante pensadas e muito bem conversadas antes”, afirmou. (Congresso em Foco)

Pois é... Publicamente, a (provável) nova secretária de Cultura, Regina Duarte, tem carta branca. Mas, em seu primeiro encontro com Bolsonaro, a atriz recebeu uma orientação, conta Lauro Jardim: não liberar dinheiro para projetos ligados a bandeiras consideradas por ele de esquerda, principalmente as LGBT e de diversidade. Até lá, Regina tem sua primeira proposta. Criar um evento família ao lado de cada baile funk do país. (Globo)

Está suspensa a divulgação dos resultados do Sisu, que sairiam amanhã — é o Sistema de Seleção Unificada que distribui vagas em universidades a partir do Enem. O TRF-3, de São Paulo, confirmou a liminar da primeira instância e exige do governo provas de que os muitos problemas de correção do Enem tenham de fato sido resolvidos. (G1)

Pedro Abramovay, diretor da Open Society: “Uma das discussões importantes entre os analistas consiste em saber se Bolsonaro representa ou não um risco para a democracia. Não podemos comemorar o fato de a democracia ter resistido a um presidente com perfil claramente autoritário em seu primeiro ano, como um sinal de que ela resistirá mais adiante. Claro que também se deve ter cuidado para não se tocar de forma leviana o alarme do autoritarismo. O Brasil ainda tem instituições que têm funcionado como contrapesos. Congresso, Supremo, imprensa e sociedade civil têm conseguido reagir contra ataques ao funcionamento da democracia. Também não se pode fingir que as inclinações autoritárias surgiram com Bolsonaro. Parece haver na sociedade uma radicalização da tensão em torno de temas morais, com ênfase na questão de gênero. O que muda? A presença de um chefe do Poder Executivo que altera a forma como as instituições reagem a manifestações violentas. A cada discurso que reforça uma visão autoritária (do ministro emulando nazismo ao presidente dizendo que as pessoas de esquerda não merecem ser tratadas como normais), os setores violentos vão se sentindo à vontade para avançar e as instituições vão, pouco a pouco se sentindo confortáveis para reforçar as violências ao invés de proteger a constituição. O Governo anuncia que não haverá fiscalização, os grileiros reagem não apenas avançando no desmatamento, mas com assassinatos de líderes indígenas. O presidente diz que as ONGs são responsáveis pelos incêndios nas florestas, as instituições reagem falseando investigações para acusar brigadistas que trabalhavam com ONGs para apagar o fogo. O presidente e seu ministro escolhem a agenda do enfraquecimento da legislação para punir policiais que matam, a polícia do Rio reage com seu ano mais violento da história. É esse mecanismo de alimentar a violência através do discurso e criar um ambiente para que as instituições corroborem essa violência que marca a diferença do que vemos hoje com o autoritarismo latente do Brasil. A resistência à naturalização desse processo passa por denunciá-lo constantemente e evitar qualquer barganha para naturalizá-lo.” (El País)

O ex-presidente Lula endossou as críticas de Bolsonaro à imprensa. “Dê a ele o mesmo direito que dá aos outros, direito de falar”, afirmou em entrevista ao UOL. “O Bolsonaro está provando que é possível fazer notícia sem precisar dos jornais, da televisão. Ele faz por ele mesmo. Aliás, o Trump já fez escola. A imprensa tem que dar informação correta. Eles não agem como jornalismo, agem com interesse político.” Lula ainda afirmou ser cedo para avaliar o governo de Bolsonaro. “Mesmo quem votou contra o Bolsonaro tem que saber o seguinte: ele é presidente. Eu vou ficar sentado na cadeira, dizendo que ele não presta e torcendo para que dê tudo errado? Não. Ele tem a obrigação de governar pensando no bem, no ser humano, no mais pobre, no país, na nossa soberania, nos nossos estudantes, no nosso povo trabalhador. E parar de falar bobagem.” (UOL)


Os palestinos ameaçaram sair do acordo que regula atualmente as relações entre Israel e Palestina caso Donald Trump anuncie seu plano de paz para o Oriente Médio. Segundo autoridades palestinas, o plano beneficiaria Israel, aliado dos americanos, devido à possibilidade de ocupação definitiva no território. Os EUA devem apresentar todas as propostas do projeto hoje. As pautas econômicas já conhecidas são um plano de 10 anos de investimentos internacionais nos territórios palestinos e países vizinhos. (Folha)

Viver


Kobe Bryant, estrela do basquete, morreu neste domingo, aos 41 anos, em Calabasas, na Califórnia, após um acidente de helicóptero. Ele estava com outras oito pessoas, incluindo uma de suas filhas, Gianna. O americano foi pentacampeão com o Los Angeles Lakers e ainda subiu por duas vezes no degrau mais alto do pódio dos Jogos Olímpicos. Sua trajetória na busca por títulos e marcas começou na NBA em 1997 quando, sem passar pela universidade, estreou aos 18 anos.

Galeria. Uma retrospectiva em imagens de uma das maiores carreiras da história do basquete.

Hortencia: “Jamais esqueceremos dos momentos emocionantes e as lições que de dentro da quadra ele passou para seus.” (Twitter)

Oscar Schmidt: “Que notícia triste, é uma tristeza das piores que já senti na vida.”

Em Los Angeles, fãs se reuniram ontem do lado de fora do Staples Center para prestar homenagens.

Barack Obama: “Kobe era uma lenda na quadra e estava apenas começando um segundo ato. Perder Gianna é ainda mais doloroso para nós, como pais. Michelle e eu enviamos amor e orações a Vanessa e a toda a família Bryant.” (Twitter)

Neymar também homenageou Kobe após fazer ontem seu segundo gol. “É uma grande tristeza para o mundo do esporte e para nós, que somos fãs não só de basquete, por ele ter jogado, mas por tudo o que ele fez pelo esporte e pela pessoa que ele foi. No segundo gol, acabei sinalizando para ele, fiz o seu número. Que ele descanse em paz e esteja com Deus nesse momento”.

Paulo Coelho: “Você foi mais que um grande jogador, querido Kobe. Eu aprendi muito interagindo com você. Este livro perdeu a razão e excluirei o seu rascunho”. (Twitter)

Marcius Azevedo: “A despedida das quadras aconteceu em 14 de abril de 2016, com uma atuação brilhante, anotando 60 pontos em uma vitória (não poderia ser diferente) sobre o Utah Jazz. Não satisfeito Kobe seguiu competindo fora de quadra. Em 2018, ele ganhou o Oscar de melhor curta-metragem de animação por Dear Basketball, juntamente com o animador Glen Keane. O astro foi o autor do roteiro e também o narrador da história. Assim foi Kobe, um dos maiores da história. Adeus, Black Mamba!”(Estadão).

Subiu para 80 o número de mortos por coronavírus na China, segundo as autoridades locais. O país anunciou ainda que chegou a 2.761 casos, sendo 2.744 na China e 17 nos territórios de Hong Kong, Macau e Taiwan. Ontem, o ministro da Comissão Nacional de Saúde da China, Ma Xiaowei, disse que o novo coronavírus pode se espalhar antes mesmo do aparecimento de sintomas. Ele afirmou ainda durante a coletiva que a capacidade de transmissão do coronavírus está se fortalecendo e as ações de contenção, que até agora incluem restrições de transporte e viagens e o cancelamento de grandes eventos, serão intensificadas.

Cultura


A 62ª edição do Grammy aconteceu ontem, comandada pela cantora Alicia Keys. Durante a cerimônia, realizada na casa do LA Lakers, Kobe Bryant foi homenageado pela cantora.

Beth Carvalho e João Gilberto também foram lembrados pelos organizadores da cerimônia durante o segmento in memorian, que homenageia os artistas que faleceram entre 2019 e 2020. Um dos principais nomes da bossa nova, João Gilberto morreu aos 88 anos em julho de 2019. Já Beth Carvalho, uma das grandes sambistas da música brasileira, faleceu aos 72, em abril do mesmo ano.

A premiação, que elege o melhor da música, deu destaque para novos talentos, como Lizzo, Lil Nas X e a grande vencedora da noite: Billie Eilish, que fez história ao se tornar a artista mais jovem a conquistar o álbum do ano. Levou para casa as quatro principais estatuetas, incluindo artista revelação. Confira os principais vencedores.

No Spotify, o álbum do ano.

E a ex-primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, ganhou seu primeiro Grammy pela gravação em audiobook de seu livro de memórias, Becoming.

Cotidiano Digital


Há 10 anos Steve Jobs lançava o iPad e com ele a tecnologia dos tablets. A categoria, apresentada por Jobs como um computador em formato de livro, tem um futuro incerto. O seu ápice foi em 2014, com mais de 220 milhões de tablets vendidos segundo a consultoria Gartner - um terço pela Apple. Mas eles foram perdendo espaço para os smartphones e suas telas cada vez mais avançadas. A indústria de tecnologia tem apostado ainda em smartphones de telas flexíveis e a tendência é que a novidade ocupe ainda mais o lugar dos tablets, que devem ser incorporados de vez aos smartphones.

O Rio de Janeiro pode receber ajuda do Reino Unido para aplicar tecnologia de reconhecimento e vigilância facial. Segundo documentos coletados pelo Unearthed, Conor Burns, ministro do Departamento de Comércio Internacional, encontrou com o governador Wilson Witzel em agosto para falar sobre a parceria. Burns prometeu apoio do Reino Unido em questões de segurança pública e elogiou a agenda de Witzel sobre o assunto. O governador tem incentivado políticas para dar mais poder à polícia que, ano passado, matou cinco pessoas por dia, segundo dados do Instituto de Segurança Pública do governo.

Aliás… a polícia de Londres anunciou que começará a usar câmeras de reconhecimento facial ao vivo. Elas serão colocadas em locais comerciais e turísticos.





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27 de janeiro de 2020
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