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3 de fevereiro de 2020
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É dada a partida na sucessão de Donald Trump


Começa hoje, no estado americano de Iowa, a longa corrida eleitoral para definir o próximo presidente dos EUA. Os eleitores do Partido Democrata tomarão parte de reuniões em todo o estado, os chamados cáucus, em que cada conjunto de pessoas escolhe o indicado favorito de uma vizinhança. Tradicionalmente, os primeiros dois ou três colocados em Iowa se destacam do grupo e vestem o manto de favoritos. Este ano a disputa é particularmente apertada. A análise do site FiveThirtyEight, especialista em estatísticas eleitorais, sugere 38% de chances para o senador Bernie Sanders vencer hoje, com o ex-vice-presidente Joe Biden em segundo, com 34% de chances. Mas têm chances de se sair bem, igualmente, a senadora Elizabeth Warren e o ex-prefeito Pete Buttigieg. Nate Silver, editor do site, ainda considera Biden favorito para vencer a temporada de primárias, mas Sanders vem crescendo.(FiveThirtyEight)

Como na semana passada os senadores escolheram não ouvir testemunhas no impeachment do presidente Donald Trump, o processo tende a terminar com uma rápida absolvição esta semana. A Casa Branca já virou as armas contra os adversários no pleito de novembro. Após longos meses de ataque concentrado em Biden, Trump parece ter rearranjado suas armas contra o ex-prefeito nova-iorquino Michael Bloomberg. Os candidatos do centro-liberal parecem assustá-lo mais do que os de esquerda. Bloomberg optou por não se inscrever na disputa de Iowa para investir em estados com número maior de delegados. (New York Times)

Pois é... Mark Zuckerberg não deveria estar no controle do Facebook, segundo George Soros. Em artigo no New York Times, o investidor e fundador da Open Society criticou a maneira como a rede social está encarando publicidade eleitoral. Em sua opinião, a decisão de não colocar limites na propaganda política, mesmo que tenha informação falsa, cria um risco. Para Soros, essa estratégia ajudou na eleição de Donald Trump e ajudará na sua reeleição. Os interesses de Trump e Zuckerberg, continua o bilionário, estão alinhados desde 2016. A campanha de Trump para a presidência contou com funcionários do Facebook para ajudar a otimizar os anúncios na plataforma e o uso do Facebook ainda é parte essencial da estratégia de comunicação de Trump. “O Facebook é um editor e não apenas um moderador neutro ou ‘plataforma’”, escreveu.

E por falar... O Guardian mergulhou em como a campanha de Trump usou anúncios no Facebook no último ano. Em 2019, gastou quase US$ 20 milhões — próximo de três vezes o que a maioria dos seus rivais democratas. O único a chegar próximo foi o azarão Tom Steyer, que gastou cerca de US$ 16 milhões. A diferença é que a campanha do presidente promoveu mais de 218 mil anúncios diferentes com essa verba, enquanto o democrata menos de 13 mil. Um número mostra como é sofisticada na segmentação a estratégia de Trump: 72% dos anúncios foram exibidos para menos de mil pessoas.


Onyx Lorenzoni ficará responsável por levar ao Congresso a mensagem de Jair Bolsonaro. A nova ‘nova atribuição’ foi dada após presidente esvaziar as funções da Casa Civil. Após demissão de seu secretário-executivo, Vicente Santini, por abuso de vôos da FAB, Onyx perdeu o Programa de Parcerias de Investimentos, que foi transferido para o Ministério da Economia. (Estadão)

Outro que teve suas funções esvaziadas é o porta-voz da Presidência. Os briefings, antes praticamente diários, do general Rêgo Barros foram substituídos por declarações diretas de Jair Bolsonaro a jornalistas na porta do Palácio do Alvorada. (Globo)

Sergio Moro negou que se filiará a partidos políticos. Sua imagem tem sido usada pelo Aliança pelo Brasil. O novo partido de Bolsonaro tem feito campanhas na qual aparecem fotos do presidente ao lado de Moro para coletar as quase 500 mil assinaturas necessárias para criar a nova sigla a tempo das eleições municipais. Moro é frequentemente cotado como candidato à sucessão de Bolsonaro, embora diga que não tem interesse em disputar cargos públicos. Mais recentemente, ele disse querer ser indicado a vaga de Celso de Mello no STF. (Folha)

Enquanto isso… a disputa para tirar a área da Segurança Pública das mãos de Moro não acabou. A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) lançou uma enquete interna para saber a opinião dos seus membros sobre a recriação do Ministério. A ideia defendida por Bolsonaro gerou tensão nas ultimas semanas entre o presidente e o ministro. Nos bastidores, segundo Bela Megale, a iniciativa foi vista como mais um movimento da família Bolsonaro para enfraquecer Moro. Além de ser a entidade da PF mais alinhada ao governo, a Fenapef é ligada a Eduardo Bolsonaro. (O Globo)

Hoje é a volta do recesso do Congresso e o ministro da Educação, Abraham Weintraub, deverá ser alvo de parlamentares de vários partidos. A deputada Tabata Amaral (PDT-SP), integrante da Comissão de Educação, já solicitou nova convocação do ministro para que ele apresente explicações sobre os problemas enfrentados pelo Enem e Sisu. As comissões, no entanto, só voltam a se reunir no fim do mês. Por isso, para manter o tema em evidência, parlamentares da oposição não descartam convocar Weintraub para depor no plenário. (Estadão)

Bruno Boghossian: “Lula parece ter dado uma folga a Bolsonaro. Nos principais trechos de sua entrevista ao UOL na última semana, o ex-presidente citou o nome do rival apenas seis vezes. Nenhuma continha uma crítica incisiva. Trata-se do mesmo Lula que, há pouco mais de dois meses, saiu da prisão chamando Bolsonaro de miliciano e insinuando que o aumento patrimonial do adversário era fruto de atividades ilegais. ‘O PT tem que polarizar mesmo’, declarou. Seja pausa estratégica ou tática duradoura, o tom do discurso se soma a um comportamento relativamente tímido da oposição. Parte dos opositores vacila por acreditar que qualquer exploração política da bagunça produzida pelo governo ajuda Bolsonaro. Basta uma provocação para que o presidente levante hipóteses fantasiosas de sabotagem ou lance alertas exaltados para o risco de volta da esquerda. Ele consegue mobilizar suas bases assim. O ex-presidente, por sua vez, se mostra mais interessado em defender seu legado e reconstruir a imagem do PT em médio prazo do que em traçar estratégias para o embate cotidiano com o governo.” (Folha)

Bem... Outro ex-presidente, Fernando Henrique, aproveitou para lançar as suas críticas. “É pena ver o governo atual mergulhado em crenças atrasadas que podem prejudicar no largo prazo o nosso destino como nação”, escreveu. “Se, em vez de namorar o criacionismo e o ‘terraplanismo’, os que nos governam acreditassem mais na ciência, na diversidade e na liberdade; se, em vez de guerrear contra fantasmas (como o ‘globalismo’ ou a penetração do ‘marxismo cultural’), os que se ocupam da educação, da ciência e da tecnologia voltassem sua vista para observar como se dá a competição entre as grandes potências e dedicassem mais atenção à base científico-tecnológica requerida para desenvolvimento de um país moderno, democrático e que preza a liberdade, estaríamos mais seguros de que nossas inquietações, com o tempo, encontrarão solução.” (Estadão)

Pois é. O assessor internacional de Bolsonaro está dando cursos sobre Olavo de Carvalho. A aula Introdução à Filosofia Política de Olavo de Carvalho é uma entre os três cursos online oferecidos por Filipe Martins. Entre os temas abordados está o afastamento das sociedades modernas das religiões. Os valores vão de R$ 145 a R$ 198. (Folha)

Viver


Em seu primeiro dia de operação desde o dia 23 de janeiro, os mercados chineses sofreram uma queda de 8% no índice que reúne todas as ações negociadas na Bolsa de Xangai. Isso significa, de acordo com cálculos da Reuters, uma perda de US$ 370 bilhões de valor de mercado.

Por enquanto, no país, nenhum caso foi confirmado, mas 16 pacientes são suspeitos de terem a infecção.

Em todo o mundo, já são mais de 17 mil infectados. O número de mortes já supera o número registrado de mortes por Sars.

E tem muita gente achando que o coronavírus tem relação com a cerveja Corona. O BoingBoing descobriu que, nos últimos dias, houve um pico nas buscas por “cerveja corona vírus”. As buscas vêm principalmente da América do Norte (mas não do México, onde a cerveja é fabricada) e Europa Ocidental, além de Austrália, Índia, Indonésia, Japão e Nova Zelândia. Mas não é só isso. O Daily Beast descobriu que o pessoal da conspiração QAnon está sugerindo que a melhor maneira de se proteger do coronavírus é bebendo água sanitária.


A espera acabou. Foram 50 anos na fila. Ontem, o Kansas City Chiefs derrotou o San Francisco 49ers, por 31 a 20, em Miami, e levou para casa o Super Bowl pela segunda vez na história da NFL — a principal liga de futebol americano. Sua última conquista havia sido na temporada 1969/1970 e esta teve gosto particular, com uma virada que incluiu dois touchdowns no último quarto. Assista aos melhores momentos.

E... Assista as propagandas veiculadas durante o Super Bowl. Amazon, Google e outras empresas de tecnologia entre elas.

Cultura


A primeira frase de A Barata, de Ian McEwan, glosa a abertura famosa de A Metamorfose, de Franz Kafka. O nome Jim Sams lembra Gregor Samsa, o infeliz caixeiro-viajante que vê-se transformado em um “inseto monstruoso”.Trata-se aqui de uma sátira política, cujo tema se vislumbra na passeata em que Jim Sams quase morre esmagado: os manifestantes carregam bandeiras com “estrelas amarelas num fundo azul” – ou seja, a bandeira da União Europeia que os remainers, britânicos contrários ao Brexit, levantam em seus protestos. No mundo alternativo criado por McEwan, porém, a mudança que os cidadãos do Reino Unido aprovaram em plebiscito popular é de um absurdo mais extremo. A maioria votou pela implantação do “reversalismo”, esdrúxula doutrina econômica cuja ambição é reverter o fluxo monetário: o consumidor receberia dinheiro pelas mercadorias que adquire no comércio; em compensação, estaria obrigado a pagar a seu empregador pelas horas que passa no trabalho. Em traços rápidos, McEwan cria antecedentes históricos para essa excêntrica teoria, que, menosprezada pelos políticos tradicionais, ganhou tração com a emergência de um Partido Reversalista (clara paródia do Ukip, sigla que tem no Brexit sua bandeira fundamental). Um primeiro-ministro do Partido Conservador elege-se com a promessa de um plebiscito sobre o tema, mas – tal como James Cameron ao chamar a votação sobre a saída da União Europeia – esperava que o reversalismo saísse derrotado das urnas.

Disponível na Amazon.

Indicado ao Oscar deste ano em dez categorias, o drama bélico 1917, de Sam Mendes, foi o principal vencedor da edição 2020 do Bafta, a mais importante premiação do cinema do Reino Unido - e considerada um termômetro para o Oscar, que ocorre no próximo domingo.

Depois da polêmica envolvendo o uso político de fotos de artistas sem autorização, Regina Duarte pode ter uma “homenagem” contestada na Justiça. Uma nova versão da canção “Dona”, com letra enaltecendo a futura secretária da Cultura, já tem mais de 125 mil visualizações no Youtube — e foi rejeitada pelos compositores originais, Sá & Guarabyra.

Cotidiano Digital


A Apple pode ser obrigada a usar o padrão USB-C para carregar seus iPhones. O Parlamento europeu baixou uma resolução, que ainda não tem força de lei, com o objetivo de padronizar os carregadores de smartphones usando o formato mais comum. É o dos aparelhos Android. O objetivo é diminuir o lixo eletrônico e incentivar o uso de um mesmo modelo para diferentes dispositivos. A Apple não gosta da ideia e afirmou em comunicado que a padronização acaba com a inovação e prejudicaria os consumidores na Europa e na economia como um todo. A UE decide se a resolução passará a lei em julho.





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3 de fevereiro de 2020
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