Ainda não é assinante? Assine. Não custa nada.



4 de fevereiro de 2020
Consultar edições passadas

PF inocenta Zero Um de lavagem de dinheiro


A conclusão da Polícia Federal é de que não há quaisquer indícios de crimes de lavagem de dinheiro e de falsidade ideológica praticados pelo senador Flávio Bolsonaro no caso da rachadinha organizada por seu ex-chefe de gabinete, Fabrício Queiroz, na Assembleia do Rio. É exatamente o oposto da conclusão de outro inquérito, feito pelo Ministério Público do Rio, que listou inconsistências nos resultados de uma loja de chocolates da qual é sócio e na compra e venda de imóveis com lucros acima da média. Para os procuradores, Flávio não tem como explicar pelo menos R$ 2,3 milhões. A conclusão da PF em nada afeta a sequência dos trabalhos do Ministério Público e se concentrou no caso dos imóveis, não da loja. Sob a gestão do presidente Jair Bolsonaro, o comando da PF está abalado, sob constante pressão em meio ao conflito com o ministro da Justiça, Sérgio Moro. (Folha)

Flávio gostou do resultado. “Quando a investigação é isenta, só tem esse resultado possível”, afirmou em São Paulo. Seu pai pulou fora. “Pergunta pra PF, eu não me meto nas questões do Judiciário.” (Folha)

Aliás... Bolsonaro recomendou ontem, via Twitter, o vídeo de uma palestra do jornalista Alexandre Garcia. Na opinião do repórter veterano, se o Brasil fosse povoado por japoneses se tornaria uma das maiores potências do mundo em dez anos. (Twitter)

Bernardo Mello Franco: “Jair Bolsonaro é um governante com pouco apreço pelos governados. O presidente já fez diversos comentários ofensivos a índios e negros. Ontem ele divulgou um vídeo que menospreza os brasileiros em geral. A gravação é estrelada por um jornalista que deixou a televisão e virou porta-voz informal do governo. Numa palestra, ele sugere que o Brasil deveria ‘trocar de população’ com o Japão. O discurso reforça a ideia preconceituosa de que os brasileiros seriam preguiçosos e avessos ao trabalho. Mesmo assim, ganhou o aval do presidente. Atribuir os problemas à população é uma saída cômoda para quem está no poder. Se o pior do Brasil é o brasileiro, o governo não pode ser cobrado por seus fracassos. A culpa é sempre do povo, não dos dirigentes.” (Globo)

Na volta do recesso do Judiciário, Dias Toffoli disse ser normal haver divergências entre integrantes do STF. O comentário pode ser sido relacionado a crise interna provocada pelo vice-presidente, Luiz Fux. Durante o recesso, o ministro derrubou decisão de Toffoli e suspendeu por tempo indeterminado a criação do juiz de garantias. Sem falar sobre o episódio diretamente, Toffoli falou sobre a necessidade de o Judiciário garantir previsibilidade jurídica. (Estadão)

Aliás… Fux convocou audiências públicas para discutir a figura do juiz de garantias prevista no pacote anticrime. Depois de realizadas, o ministro vai elaborar um voto e submetê-lo a votação no STF. A expectativa é de que seja ainda neste semestre. (O Globo)

O STF deve ainda afrouxar regras das prisões em segunda instância. A tendência é que o plenário determine prisões imediatas após condenações do júri, responsável por decidir em casos de crimes contra a vida cometidos de forma intencional. A mudança ameniza a decisão do STF, que tinha acertado que condenados em segunda instância podem recorrer em liberdade até o julgamento. (O Globo)

O PGR enviou ao STF parecer favorável para Geddel Vieira Lima cumprir pena em regime aberto. Preso desde 2017, o ex-ministro foi condenado a mais de 14 anos de prisão em outubro do ano passado por lavagem de dinheiro e associação criminosa. Foram achados  R$ 51 milhões dentro de malas de viagem em seu apartamento em Salvador como parte de esquema de fraudes na liberação de créditos junto à Caixa. De acordo com a pena imposta pelo Supremo, Geddel teria direito à progressão de regime após 29 meses de prisão em caso de bom comportamento. (Globo)


Terminou em caos os cáucuses de Iowa, encontros que deveriam indicar qual candidato do Partido Democrata os cidadãos do estado gostariam de ver enfrentando Donald Trump. O Partido local, responsável pela organização, usou pela primeira vez um app para que cada sessão eleitoral pudesse enviar os resultados para tabular mais eficientemente. Segundo os técnicos, foram detectadas inconsistências nos bancos de dados — e nada mais foi dito. A checagem está sendo feita manualmente, com fotos dos relatórios enviados pelos presidentes de mesa. A expectativa é de que o vencedor seja anunciado ao longo desta terça-feira. (Des Moines Register)

As campanhas de dois candidatos reagiram como se soubessem dos resultados. A do ex-vice-presidente Joe Biden enviou uma carta de protesto que pede a cortesia de uma conversa envolvendo os responsáveis pelas candidaturas antes de que resultados sejam anunciados. Já a do ex-prefeito de South Bend, Pete Buttigieg, estava em êxtase. O político mais jovem na corrida discursou à noite afirmando que as expectativas eram de excelentes resultados. Em seus discursos, Bernie Sanders, Elizabeth Warren e Amy Klobuchar preferiram não especular. (FiveThirtyEight)

E... Hoje à noite o presidente Donald Trump fará seu discurso a respeito do Estado da União, que anualmente o chefe do Executivo deve apresentar a uma sessão conjunta das duas Casas do Congresso. A expectativa é de que aproveite a oportunidade para dar partida em sua campanha eleitoral. (Washington Post)

Com o Brexit já em vigor, o Reino Unido começou a discutir acordo um comercial com a UE. E já encontrou impasse. A Europa exige que os britânicos sigam suas normas sociais e ambientais, possibilidade descartada por Boris Johnson. A ideia do primeiro-ministro é conseguir um acordo igual o do Canadá com o bloco, que tem isenção de impostos em 98% de todas as mercadorias comercializadas entre os países. Johnson quer fechar um acordo até o fim do ano, mas a UE nega que será possível. O acordo com o Canadá demorou sete anos para ser firmado.

Viver


Sobre o coronavírus...foi confirmada a primeira morte no território semi-autônomo de Hong Kong. Em toda a China, já são 426 mortes e mais de 20,4 mil casos confirmados da doença. A vítima é um homem de 39 anos que estava entre os 15 casos confirmados na região. Esta morte em Hong Kong é a segunda fora da China continental. No final de semana, as Filipinas registraram a 1ª morte fora do país.

Existem boas notícias. O número de pessoas que se recuperaram já é maior do que as mortes causadas pela infecção. Os dados são de um mapa criado pela universidade John Hopkins, nos EUA. Ele reúne informações da Organização Mundial da Saúde e outras instituições internacionais sobre o número de infectados, mortos e pacientes recuperados da infecção.

E para profissionais ou iniciantes, uma seleção de cursos para quem quer se aprimorar nas áreas de arquitetura e decoração. Em época de volta às aulas, o mercado oferece alguns cursos livres, abertos aos interessados, com duração de poucas horas a um mês, voltados tanto quem pretende se reciclar na profissão, quanto para aqueles que pretendem se capacitar para transformar os ambientes da casa por conta própria, sem recorrer a grandes obras.

O treinador do Kansas City Chiefs, Andy Reid, após um banho Gatorade. Sofia Kenin, 21 anos, beija seu troféu depois de vencer o Aberto da Austrália. LeBron James homenageia Kobe Bryant. Moussa Djenepo, do Southampton, brinca com a bola durante uma partida da Premier League. E outras 20 imagens do esporte que marcaram os últimos dias.

Cultura


George Steiner, conhecido como um dos mais importantes críticos literários, morreu ontem, aos 90 anos. Mas sua atuação foi muito além disso. Era também professor, publicou textos de ficção e escreveu sobre temas como filosofia, linguística, estética, história intelectual, ciências naturais e até xadrez. Sua ascendência fez com que o Holocausto se tornasse tema em sua obra —tanto o genocídio quanto a impotência da literatura diante dele.

Peter Burke, historiador: “Se tivesse permanecido com um único tema durante duas ou três décadas, não teria sido George Steiner”.

As vendas presenciais e por telefone dos ingressos para assistir aos desfiles do Grupo Especial das escolas de samba do Rio de Janeiro (23/2 e 24/2) e Desfile da Campeãs (29/2) começaram sábado. Veja como comprar.

Documentários sobre a indústria da moda vem oferecendo uma imagem mais profunda e menos fútil sobre o funcionamento das marcas mais badaladas. Dior e Eu capturou a estreia de Raf Simons na casa francesa; McQueen foi uma carta de amor ao lendário designer; e a série da Netflix, 7 Days Out, ofereceu um raro vislumbre do ateliê da Chanel. A Vogue listou mais cinco documentários de moda para ver logo.

Destaque para Chiara Ferragni: Unposted (trailer). Como fundadora do The Blonde Salad, um blog de moda e estilo de vida que a catapultou para o estrelato, Chiara é uma das influenciadoras mais poderosas de sua geração - ela tem 17,7 milhões de seguidores no Instagram, foi a primeira blogueira a aparecer na capa da Vogue e até foi usada como estudo de caso pela Harvard Business School. O documentário de Elisa Amoruso mostra sua ascensão passando sobre a cultura de influenciadores, com acadêmicos, estilistas e fãs avaliando a natureza das celebridades modernas.

Oscar 2020. É no domingo. Até lá, um quiz para testar os seus conhecimentos sobre a maior premiação do cinema mundial.

Cotidiano Digital


A Amazon é a maior anunciante do mundo. A empresa aumentou quase vinte vezes o investimento em publicidade na última década e chegou a gastar US$ 11 bilhões em 2019. A companhia desbancou a P&G, que investiu US$ 6,8 bilhões. Não bastasse, a companhia também ocupa o quarto lugar mundial em espaço para veiculação de anúncios digitais — atrás do Google, Facebook e Alibaba. Segundo a WWP Group, empresa especialista em investimento de mídia, a Amazon representa 2% de todo gasto mundial com publicidade.

Por falar em big tech... o analista Benedict Evans é contra a ideia de desmembrar grandes empresas de tecnologia — proposta que tem sido defendida por legisladores na Europa e EUA. Evans falou sobre o assunto em sua apresentação durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. Para ele, separar os negócios da Amazon, Apple, Google e Facebook, por exemplo, é uma solução simples para um problema complexo que não irá solucionar questões enfrentadas atualmente, como fake news e vieses na inteligência artificial. Em um mundo onde a tecnologia não mais se restringe a apenas as empresas de tecnologia, a solução, segundo ele, é regulamentar de acordo com cada problema ou negócio. O desafio nos próximos anos, no entanto, será chegar a um consenso a nível global sobre quais seriam essas regras. Elas devem, de acordo com Evans, estar focadas em garantir privacidade e coletar o mínimo de dados dos usuários.

O BC começará a testar sistema de pagamentos instantâneos por celular. A partir de novembro, já estará disponível transferir dinheiro para qualquer tipo de conta corrente ou de pagamento, a qualquer hora, em qualquer dia da semana, sem nem precisar saber todos os dados do destinatário. Segundo a Febraban, o sistema permitirá enviar e receber dinheiro em dez segundos. Após o lançamento, os bancos e as fintechs serão obrigadas a oferecerem esse serviço para os clientes. (Estadão)





Bem-vindo ao Meio. A assinatura básica é gratuita, comece agora mesmo.



4 de fevereiro de 2020
Consultar edições passadas