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6 de fevereiro de 2020
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Pressionado pelo mercado, BC corta juros mais uma vez


A taxa Selic, dos juros básicos da economia, foi derrubada mais uma vez pelo Banco Central. Já estava em 4,50% ao ano, a mais baixa da história, caiu para 4,25%. É o quinto corte após um período de estabilidade que durou 16 meses. Quando descontada a inflação, o Brasil passa a um juro real de 0,91% — é a nona menor no ranking da Infinity Asset. Uma das preocupações que movem o BC é uma contração econômica global devido ao coronavírus na China. O país é o principal parceiro comercial brasileiro e a segunda economia do planeta. (Estadão)

Aliás… a epidemia tem levado economistas a diminuírem as projeções para o PIB brasileiro. O banco suíço UBS reviu de 2,5% para 2,1%. Enquanto a pesquisa Focus do BC aposta 2,3%. (Folha)

Míriam Leitão: “O Banco Central reduziu mais uma vez os juros, agora para 4,25%, apesar do pouco ou nenhum espaço de redução, mas avisou que é hora de interromper o ciclo de queda. Em um comunicado confuso, diz uma coisa e o seu contrário, usando para isso aquela linguagem própria, que carece de tradução para o idioma corrente do país. Diz que as expectativas de inflação estão baixas até 2022, mas ao mesmo tempo avisa que há riscos de que o atual nível de juros possa ‘elevar a trajetória da inflação acima do esperado’. Ora, se há risco, era o caso de não ter reduzido de novo a Selic. Se cortou, é porque acha que a economia ainda precisa de estímulo, ou seja, acredita que a recuperação da atividade está mais fraca do que o imaginado. Mas diz que os dados recentes mostram ‘a continuidade do processo de recuperação da economia’. Bom, se está tudo bem com a recuperação não precisava reduzir novamente os juros. Mais adiante, aponta como risco ‘o nível de ociosidade elevado’ que pode levar a um crescimento abaixo do esperado. Em resumo, avisa que o país está se recuperando, mas a retomada pode ser menor, que a taxa de inflação está controlada até o fim do atual mandato, mas pode subir pelo estímulo dos juros baixos. Por fim, alertou que pode mudar de ideia, ou seja, voltar a cortar juros. E mandou o recado de que é preciso continuar as reformas e perseverar no ajuste fiscal. Há economistas que consideram que o Banco Central está indo longe demais e reagindo a pressões do mercado para reduzir a taxa. Quanto menor a Selic, maior a migração de investimentos para a bolsa. Mas a sua comunicação trôpega de ontem indica que o próprio BC está confuso diante da atual, e realmente complexa, perspectiva da economia.” (Globo)

Depois das reformas econômicas, a equipe de Paulo Guedes tem a intenção de levantar pautas mais sociais a partir deste ano. A ideia é tirar da oposição o discurso de que o governo não combate a desigualdade. Segundo Vera Magalhães, uma delas é a remodelação do programa Minha Casa Minha Vida. Mas, ainda não há consenso sobre o modelo de financiamento. A principal dificuldade é encaixar essas mudanças dentro do teto de gastos, que está ainda mais restrito. (Estadão)

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, em entrevista a Jussara Soares do Estadão, que tem três nomes possíveis para o Supremo — e que pode aparecer um quarto. Irritado, o presidente se recusou a falar sobre mudanças no ministério e atacou o governador paulista, João Doria. “Não me vem falar desse nome”, reclamou. “Pergunte se ele sabe o que é ‘Bolsodoria’ e se o autorizei a usar alguma vez na vida.” (Estadão)

Pois é... Um grupo de parlamentares levou ao Supremo um pedido de impeachment do ministro da Educação, Abraham Weintraub. Liderado pela deputada Tábata Amaral, o grupo apresentou denúncia que cita ineficiência na gestão das políticas de alfabetização, omissão da pasta para fazer uso de R$ 1 bilhão resgatados pela Lava Jato e falhas no Enem. Na denúncia ainda é citado a quebra pelo ministro do principio de impessoalidade, quando usou sua conta do Twitter para responder diretamente a usuários sobre erros nas provas. (Poder 360)

O novo diretor responsável pela comunicação digital do governo é um influenciador bolsonarista. Segundo Guilherme Amado, Luiz Galeazzo é conhecido pelo uso do Twitter para atacar o STF, a esquerda, além de postagens machistas. (Época)

A Polícia Federal descobriu, em documentos apreendidos, que a Oi foi à Justiça para cobrar R$ 6,8 milhões da Gamecorp, empresa de Fábio Luís Lula da Silva, filho do ex-presidente. A tele chegou a fazer cinco empréstimos para a Gamecorp, entre 2006 e 2007, que somavam R$ 1,65 milhão. Nunca foram pagos. A Oi só cobrou anos depois do vencimento, quando entrou em recuperação judicial. Em outros documentos, a tele ainda pede para encerrar os contratos com a Gamecorp. No total, a Oi chegou a investir R$ 82,8 milhões na empresa, e tinha 35% da sociedade. A PF suspeita que esses recursos, também repassados a outras empresas associadas e a firmas de sócios de Lulinha, tenham sido propina. (Folha)


Donald Trump foi absolvido do impeachment. Como esperado, o Senado de maioria republicana rejeitou as acusações de que Trump abusou de seu poder por reter ajuda militar à Ucrânia com o intuito de pressionar o país para investigar filho do ex-vice-presidente Joe Biden. Eram necessários 67 votos para o presidente ser removido, mas o placar final foi de 52 contra 48. O único republicano que votou junto aos democratas foi Mitt Romney. (New York Times)

Romney justificou seu voto num discurso emocionado. Assista.

Trump respondeu com um vídeo no seu Twitter. Nele, sua reeleição é repetida a partir de 2024 por vários anos até terminar com "Trump 4EVA" (Trump para sempre).

Cultura


Kirk Douglas morreu ontem aos 103 anos. Pelo Instagram, seu filho Michael Douglas, também ator e produtor, divulgou uma nota. “Para o mundo ele era uma lenda, um ator da era do ouro do cinema que viveu para além dos seus próprios anos dourados, um humanitário cujo comprometimento com a justiça e com as causas em que acreditava criaram um padrão para todos nós. A vida de Kirk foi bem vivida, e ele deixa um legado para o cinema que vai sobreviver por gerações, e uma história como filantropista reconhecido que trabalhou para ajudar o público e trazer paz para o planeta”.

Lenda de Hollywood. Ator de grandes papéis. Produtor audacioso. Kirk Douglas também fez história quando deu crédito a Dalton Trumbo por Spartacus e Exodus, quebrando a lista negra que perseguia escritores de assinarem seus trabalhos. A história é contada na biografia do roteirista, que também virou filme e está disponível na Amazon.

Rob Reiner, cineasta: “Kirk Douglas será para sempre um ícone no panteão de Hollywood. Ele se arriscou para romper a lista negra. Meu amor para o meu amigo Michael e para toda a família.” (Twitter)

Um cara difícil, um rebelde - e, sobretudo, um homem de família. Do primeiro papel ao passeio final em Hollywood, a história da vida de Kirk Douglas em imagens.

Em vídeo, 1960, um dos trechos mais populares do cinema: "Eu sou Spartacus". E mais outro com grandes momentos do ator, conhecido especialmente por filmes como Assim Estava Escrito (1952) e Glória Feita de Sangue (1957).

Kirk Douglas: “Desde criança, na segunda série, que eu queria ser ator. Após a apresentação, [meu pai] me deu meu primeiro Oscar: uma casquinha de sorvete. ”

Nos cinemas, destacamos três estreias. Uma das mais aguardadas é Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa (trailer). Outro longa que chega forte, após ser indicado ao Oscar de Melhor Filme, é Jojo Rabbit (trailer). A história se passa na Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial. Jojo é um jovem nazista de 10 anos, que tem um amigo próximo e imaginário: Adolf Hitler. Seu maior sonho é participar da Juventude Hitlerista, um grupo pró-nazista, até descobrir que sua mãe, interpretada por Scarlett Johansson, esconde uma judia no sótão de casa. É quando ele começa a desenvolver empatia pela nova hóspede. E o terceiro destaque é A Chance de Fahim (trailer), sobre um jovem e seu pai fugindo à força de Bangladesh para Paris. Eles enfrentarão uma maratona para obter asilo político e apostam tudo no talento que Fahim tem no xadrez. Para continuar no país, ele precisa ser campeão.

Viver


Único carnavalesco negro do Grupo Especial do Carnaval do Rio, João Vitor Araújo é um dos nomes da nova geração. Ele tem uma oportunidade dupla esse ano: substituir Jack Vasconcelos no Paraíso do Tuiuti e fazer um Carnaval de impacto. Com o enredo "O Santo e o Rei: Encantarias de Sebastião", a escola fará um paralelo entre a figura de são Sebastião, padroeiro da escola e da cidade do Rio, com a lenda de Dom Sebastião, rei de Portugal desaparecido no século 16 no Marrocos e até hoje cultuado. No final do desfile, um apelo para que o padroeiro abençoe a Cidade Maravilhosa e a conduza a dias melhores. Em entrevista exclusiva ao Uol, ele falou sobre a expectativa pro Carnaval 2020.

Sobre a responsabilidade social da Tuiuti: “Há uns seis anos, ela vem recebendo prêmios por seus enredos, trazendo temas sociais e pertinentes. É uma missão muito grande manter esse legado. A gente vive uma realidade bem complicada, um momento difícil do país e uma prefeitura que não gosta de Carnaval. Estamos tendo que driblar as dificuldades e não podemos ficar calados. A mensagem tem de ser passada e o Carnaval é uma ótima tribuna”.

Coronavírus, números: 28.273 casos confirmados, 565 mortes. China Continental: 28.018 casos, 563 mortes. Fora da China continental: 260 casos em mais de 25 lugares, 2 mortes. Pelo menos 25 companhias aéreas suspenderam ou reduziram o número de voos de e para a China e pelo menos nove países estão negando a entrada de passageiros partindo do país. Última atualização às 6h40.

Pois é... a epidemia não dá sinais de recuo. (CNN)

Mesma coisa na economia... A Disney prevê perdas de cerca de US$ 175 milhões em seus parques temáticos, enquanto a Nike fechou metade de suas lojas e admitiu que o novo vírus terá um forte impacto em suas operações na China.

Cotidiano Digital


Pela primeira vez, uma Corte superior trabalhista julgou relação empregatícia entre aplicativo e usuários. Um motorista de Uber em Guarulhos (SP) entrou com ação contra a empresa para o reconhecimento de vínculo de emprego, mas teve pedido negado pelo TST. Tribunais de instâncias inferiores não são obrigados a seguir a decisão de corte superior, mas essa decisão deve servir de parâmetro para casos semelhantes. Outros tribunais já vinham negando vínculo de fornecedores com aplicativos. (Valor)

Os audiobooks estão em alta. Enquanto as vendas de livros físicos caem, esse setor tem crescido: a expectativa é de aumentar 25% em 2020, chegando a US$ 3,3 bilhões, segundo a Deloitte. As editoras estão animadas. O boom dos audiobooks coincide com a popularidade dos podcasts, o que tem levado as editoras a investirem em infraestrutura e equipe dedicada a esse tipo de conteúdo. O resultado tem sido clássicos como Sherlock Holmes e Orgulho e Preconceito ganhando voz. Muitas das narrações têm sido feitas por pessoas reconhecidas, como Michelle Obama lendo o seu Memoir. E as editoras já estão investindo em livros que já são feitos exclusivamente para serem escutados.

Por falar em áudio, os podcasts do Spotify registraram um crescimento de 200%. Segundo o streaming, esse aumento ajudou a trazer mais usuários pagos. No quarto trimestre, registrou 10 milhões de novos usuários em toda a sua plataforma, sendo 124 milhões premium e 271 milhões de serviço gratuito.





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