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28 de fevereiro de 2020
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Bolsonaro reforça ataque contra imprensa


Aproveitando o espaço de sua tradicional live de quintas-feiras, o presidente Jair Bolsonaro partiu para novo ataque contra imprensa e Congresso. E pegou a todos de surpresa com o tom. “Não vou renunciar ao meu mandato”, ele afirmou, “não vou dar dinheiro para imprensa.” O presidente apresentou nova versão para os vídeos que enviou por WhatsApp convocando para as manifestações do próprio dia 15. Desta vez, acusou a jornalista Vera Magalhães de falar de vídeos que, na verdade, seriam de 2015. Os filmetes, porém, tratam dele já como presidente e incluem imagens da facada que levou — em 2018. (Estadão)

Pois é... Bolsonaro quer acirrar a briga com a imprensa. Ele afirmou que pedirá aos empresários paulistas que parem de anunciar em veículos que, segundo ele, mentem sobre o governo. “Esses jornais, Folha, essas revistas, Época, só mentem o tempo todo, trabalham contra o governo.” Ele também arriscou um elogio à nova emissora que está para surgir. “Está para ser inaugurada a CNN Brasil, vai ser uma rede diferente da Globo. Torço para que isso seja real, nossos ministros vão dar entrevista para essa televisão.” O presidente não quer mais que seus ministros falem à imprensa da qual não gosta. (Poder 360)

Havia ali uma indireta para o general Luiz Carlos Ramos, ministro da Secretaria de Governo, que na véspera concedeu entrevista a Andréia Sadi, na GloboNews. Na conversa, Ramos afirmou que o sonho do ministro Sérgio Moro é ir para o Supremo. (G1)

Tampouco se referiu à ideia de renunciar ao mandato sem motivo. Bolsonaro respondia ao governador do Rio, que concedeu entrevista à repórter Marina Dias, durante evento em Washington. “O que se espera do presidente é que ele respeite as instituições, é que ele dialogue com o Congresso, dialogue com os governadores”, afirmou. Para Witzel, o presidente promove um movimento destrutivo para a democracia e a resposta possível é um impeachment. “Quer fazer em caráter privado? Renuncie à Presidência da República e pode fazer em caráter privado. Enquanto ele for presidente, o que ele fala, o que ele faz, o que ele comunica, para quem quer que seja, é comunicação do presidente da República.” (Folha)

Meio em vídeo: Mas, afinal... Por que a ação do presidente é golpista? Assista.

Mas... Enquanto do Planalto saem distrações, a crise entre Executivo e Congresso continua e pode se agravar. Na terça-feira, deputados e senadores devem se reunir para avaliar os vetos ao Orçamento. O Ministério da Economia deseja tempo para ao menos diminuir a tensão e reiniciar diálogo. A preocupação dos técnicos é o destino dos R$ 30 bilhões que eram controlados pelo Executivo mas que, após recusas sucessivas de negociar com parlamentares, o Legislativo tomou para si o poder de determinar como se gasta. A tentativa de abaixar o fogo é feita numa negociação tocada pelo secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, com assessores de Câmara, Senado e do Tribunal de Contas da União. A primeira ideia, de permitir que o Congresso determine a prioridade para execução de R$ 16 dos R$ 30 bilhões, foi rechaçada pelo Palácio. (Globo)

Enquanto isso... A agitação nas redes sobre a manifestação convocada para o dia 15 segue, mas divide a coalizão bolsonarista. Os lavajatistas querem que o mote principal se fixe em políticas públicas, principalmente a garantia de que haverá prisão após condenação em segunda instância. Os mais ligados ao presidente, porém, querem algo personalista — ‘somos todos Bolsonaro’. (Estadão)

Deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança: “O mais importante é a população se colocar contra o Congresso, em vez de a favor do governo. Você tem vários deputados, nenhum com soma de votos suficiente. Os deputados começam a jogar um jogo de desarmar o Poder Executivo de maneira sistemática. Não vejo fechamento do Congresso. Isso não tem cabimento. O Executivo colocou em pauta todas as reformas. O Congresso aguou ou engavetou. A população foi às ruas para empurrar as reformas. Quem fez a reforma da Previdência foi a vontade popular das ruas. O Congresso, em sua maioria no Norte e no Nordeste, foi eleito pela velha política, com prefeitos, cabresto, emendas parlamentares. O Sul/Sudeste é outro padrão.” (Folha)

Reinaldo Azevedo: “Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade na sua mais recente investida contra o Congresso e o Supremo? Nada menos de nove. Impeachment nele? Não agora. Inexiste o mínimo de 342 deputados para levá-lo a julgamento no Senado. Rodrigo Maia mandaria a petição para o lixo. Seria um erro político admitir uma denúncia que morreria já na Comissão Especial. É tempo de acumulação de forças no terreno democrático para conter a fascistização do governo e da política. Mais: as lideranças da Câmara e do Senado comprometidas com a institucionalidade têm de ficar atentas ao comportamento de figuras exóticas que integram as suas fileiras. Aqueles que marcharem contra as próprias Casas que os abrigam têm de ser denunciados ao Conselho de Ética por quebra do decoro e cassados.” (Folha)

Bernardo Mello Franco: “A escalada autoritária do governo tem estimulado comparações entre Jair Bolsonaro e Nicolás Maduro. Mas ele não parece se inspirar na Venezuela, e sim no Peru de Alberto Fujimori. Em 1990, o escritor Mario Vargas Llosa entrou na sucessão peruana como favorito. Foi atropelado pelo azarão Fujimori, que seduziu o eleitorado com a imagem de homem simples e a promessa de combater a violência e a corrupção. O novo presidente assumiu sem maioria no Congresso, onde passou a sofrer sucessivas derrotas. Acuado, cercou-se de militares e iniciou uma ofensiva contra o Legislativo. Em abril de 1992, deu um autogolpe e passou a governar com plenos poderes.” (Globo)

Quando o presidente Jair Bolsonaro rompeu a linha da separação dos Três Poderes, esta semana, uns gritaram falta — mas a confusão não foi pequena. A lógica é óbvia: se os Poderes são separados, ninguém tem poder absoluto. Só que não foi nada simples chegar ao conceito que praticamente descreve o que faz de uma democracia moderna democrática. É, porém, uma história fascinante. Uma história que começa com Robin Hood. Isso. A democracia moderna nasce de um personagem das lendas inglesas medievais. Este nascimento democrático, e como se chega ao conceito da Separação dos Três Poderes, é o tema do Meio de Sábado. Assine para ler. Neste período de ataques à imprensa, se informar é arma de cidadania. E a ela nos dedicamos com ajuda de vocês, leitores.


Baile de máscaras: pandemia ou pandemônio?

Tony de Marco

 
Pandemonio

Histórias para ouvir

Histórias para ouvir


Cá no Meio temos uma parceria com a Storytel, e toda sexta-feira recomendamos um livro, um podcast, informação para ouvir. Hoje entramos no mundo em que ficção e realidade se encontram, onde o Brasil como ele é fica mais evidente. É uma sugestão, mas não precisa ficar aí. Nossos leitores têm acesso à vasta biblioteca de áudio por 30 dias. Sem custo. Experimente.

Ponto Quarenta, A Polícia para Leigos, não é um romance policial comum. Lançado sem editora, os poucos exemplares iniciais rapidamente viraram motivo de disputa. É que nesta trama pelas internas da Polícia Civil de São Paulo, numa briga entre delegados e governantes, cada detalhe parece longe da ficção. Não à toa: o autor, Roger Franchini, antes de ser escritor foi policial. Sua descrição é detalhista e, se tudo é mesmo ficção, ainda assim este é um livro que ensina sobre como funcionam por dentro as forças de segurança do mais rico estado brasileiro. Escute.

Viver


A lista de países com casos do coronavírus continua crescendo: já são 47, em todos os continentes. O aumento da disseminação fez com que pelo sexto dia seguido, as bolsas ao redor do mundo operassem em queda, chegando ao seus piores níveis. A S&P 500 de Nova York fechou em queda de 4,4%, seu pior dia desde 2011. As bolsas da Ásia e Europa também abriram em queda. A FTSE 100 do Reino Unido caiu 2,8%, pior marca desde 2008. (New York Times)

A OMS ainda não declarou o vírus como pandemia, termo usado para uma doença contagiosa que causa mortes em três continentes. Mas disse que o vírus tem potencial pandêmico e os países estão em momento decisivo para conter a disseminação. (Valor)

No Brasil, já são 132 casos suspeitos. Mas o Ministério da Saúde acredita que o número deve chegar a 300 pessoas. (Estadão)

Enquanto isso, pesquisadores italianos anunciaram que isolaram o coronavírus que circula no norte do país e afirmaram que é diferente do chinês. O passo é importante para descobrir se o vírus está sofrendo mutações e desenvolver vacinas. (Folha)

Ana Lucia Azevedo: “Passados dois meses de epidemia, ainda sabemos pouco sobre o vírus. Mas, baseados no observado até agora, especialistas acreditam que a Covid-19 será como uma nova gripe (influenza). Ela trará risco de morte principalmente para idosos e pessoas com doenças pré-existentes. Só poderá ser de fato controlada quando houver uma vacina. Mas, a despeito de anúncios sobre testes in vitro ou com animais, esse é um processo complexo e deverá levar, no mínimo, muitos meses. O maior perigo é que, ao se tornar endêmico, instalado como uma nova gripe, o vírus fatalmente sobrecarregará os sistemas de saúde.” (Globo)

O Brasil foi incluído na lista de países onde há preocupações sobre direitos humanos. Michelle Bachelet, a alta comissária da ONU disse que ataques contra defensores dos direitos humanos no país indicam retrocessos em políticas públicas de proteção do meio ambiente e dos indígenas e esforços para deslegitimar o trabalho de movimentos sociais.

Pois é. Relatório da Anistia Internacional aponta que o governo Bolsonaro falhou em apresentar respostas adequadas para diversas violações de direitos humanos, como proteção dos indígenas.


A Finlândia deu mais um passo para igualdade e removeu a palavra mulher no nome de sua liga feminina de futebol. (CNN)

Enquanto a Arábia Saudita terá sua primeira liga feminina de futebol. A medida vem depois de oito anos que o país permitiu a participação de uma atleta em uma Olimpíada. O torneio para mulheres, no entanto, não será vinculado à entidade com representação na Fifa, como a masculina. (Folha)

Cultura


Ainda tem Carnaval em São PauloNavio Pirata, do BaianaSystem, shows de Nação Zumbi e Bixiga 70, além dos blocos Siga Bem Caminhoneira e Carnakoo. Tudo no sábado. No domingo, a Orquestra Voadora sai em cortejo no encontro da Ipiranga com São João. Quem não quer mais badalação pode conhecer a trajetória do arquiteto Rino Levi, responsável pela verticalização do Centro, no Itaú Cultural. Também lá, domingo, o professor Vladimir Safatle apresenta suas composições para o disco Músicas de Superfície (Spotify) acompanhado da cantora Fabiana Lian.

Já o Rio de Janeiro celebra os 80 anos do poeta Armando Freitas Filho, a partir de quarta-feira, no Instituto Moreira Salles. Amanhã a festa Auê, no HUB RJ, recebe Baco Exu do Blues. O Quarteto em Cy comemora seus 55 anos de carreira no Teatro Rival — também amanhã. E Felipe Hirsch volta com seu musical Lazarus, trilha de David Bowie, no Teatro Multiplan. A partir da quinta.

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Cotidiano Digital


Por falar no coronavírus… o Facebook cancelou a sua conferência anual, a F8. O evento, que apresenta as novidades da empresa, estava programado para acontecer no início de maio nos EUA. Esse é mais um evento entre vários que foi afetado pelo vírus.

A disseminação na China ainda continua afetando o mercado de eletrônicos: aproximadamente 65% dos fabricantes relataram que os seus fornecedores vão atrasar nas remessas, de acordo com uma pesquisa. Isso inclui peças para produtos que vão de carros elétricos a smartphones. No Brasil, a produção do primeiro trimestre deverá ficar 22% abaixo do esperado.

A Microsoft é uma delas. A empresa disse que com a sua produção afetada na China, provavelmente não alcançará sua meta de receita trimestral na divisão de computação pessoal, responsável pelo Windows.

A Apple também já disse que não cumprirá suas projeções por conta do coronavírus. Aliás, a Foxconn, responsável pela produção do iPhone, está oferecendo salários quatro vezes maiores aos seus funcionários para enfrentar a demanda de entrega.

O sucesso do TikTok está se tornando um espaço lucrativo para anúncios. Empresas têm investido em propagandas pela plataforma em valores que podem chegar a US$ 50 mil por dia para ter cinco milhões de visualizações garantidas. Os anúncios são sutis, como músicas ou hashtags para serem usadas nos vídeos dos usuários. Mas, apesar do alcance, investir no TikTok ainda é um território incerto. Comparado com Instagram e YouTube, a plataforma ainda não tem funcionalidades especificas para anúncios, como direcionar para usuários de acordo com suas informações. A sua única vantagem, por enquanto, é o seu efeito viral.

Aliás. O TikTok está começando a incomodar o Facebook. “Eles são enormes, estão crescendo muito rapidamente, chegaram a números maiores mais rapidamente do que nós alcançamos”, disse Sheryl Sandberg, diretora de operações do Facebook.





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