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18 de março de 2020
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Seis capitais fazem panelaços contra Bolsonaro


Parecia um prenúncio — quando chegava ao Palácio do Alvorada, na noite de segunda-feira, o presidente Jair Bolsonaro foi interpelado por um imigrante haitiano. O vídeo rapidamente se espalhou pelas redes e mostra um Bolsonaro inicialmente confuso. Acostumado a encontrar ali uma claque só com apoiadores, ficou surpreso com um crítico. “Você está entendendo”, disse o rapaz. “Estou falando brasileiro. Bolsonaro, acabou. Você não é presidente mais.” Quando amanheceu a terça-feira, a frase estava no topo dos trending topics, do Twitter. #BolsonaroAcabou. À noite, espontaneamente, pelo menos seis capitais registraram panelaços contra o presidente — São Paulo, Rio, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife. Já havia protesto similar marcado para hoje, às 20h. (Poder 360)

Pois a reação do presidente foi concluir que seu ministro da Saúde está provocando histeria na população. Ele cobra de Luiz Henrique Mandetta que não tenha defendido em público sua decisão de participar das manifestações pró-governo, no domingo. Desde o ano passado, o perfil considerado excessivamente técnico de Mandetta incomodava ao núcleo ideológico. (Folha)

Se por um lado se queixa do que chama histeria, por outro atua. Ontem à noite, o presidente pediu ao Congresso Nacional que reconheça estado de calamidade pública. (G1)

Enquanto isso... Economistas de todas as linhas ideológicas cobram do governo ampliação do gasto público com foco no trabalhador informal — representam 41% dos ocupados. A crise será séria. (Globo)

Joel Pinheiro da Fonseca: “Alguma chave virou em mim na semana passada, dia 9 de março, quando Bolsonaro afirmou ter provas de que a eleição teria sido fraudada. Até então, eu era contra sequer pensar em impeachment. Afinal, o custo do impeachment para o país é muito alto. Mas ali, naquele momento, com a acusação grave e mentirosa à Justiça Eleitoral, algo deveria ter sido feito. Foi, para mim, a gota d’água. O copo transbordou. Desde então, as indignidades de Bolsonaro só aumentaram. Para piorar, há evidências de que Bolsonaro acredita que a Covid-19 seja um plano chinês para prejudicar o Ocidente. Teorias da conspiração e pseudociência estão no posto mais alto da República. Não é à toa que vozes públicas, outrora apoiadoras, estejam se arrependendo publicamente. É o caso de Francisco Razzo, filósofo conservador. E também de Janaina Paschoal, em discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo. No caso, ela não só se diz arrependida como defende o impeachment, no que tem razão. É impossível derrubar um presidente ainda popular. A resistência seria grande demais. Além disso, o momento de crise pede toda a atenção do setor público. Não podemos nos dar ao luxo de paralisar a política por meses em meio à crise do coronavírus. Assim, por enquanto, o melhor é deixar o presidente esquecido, isolado, enquanto os adultos do Congresso e de alguns ministérios trabalham. Ao final da crise, no entanto, caso a popularidade de Bolsonaro tenha caído devido aos problemas econômicos e à sua incompetência, que o Congresso faça logo seu trabalho.” (Folha)

Christian Lynch, do Iesp-Uerj: “Bolsonaro vê as nuvens negras no horizonte (a falência administrativa de seu governo, a ineficácia da política econômica, o coronavírus etc). Mas não quer abdicar da política autoritária de antagonizar as instituições, reiterando a estratégia populista que o elegeu. Como o cruzamento desses cenários costuma resultar em renúncia ou deposição desde o tempo de dom Pedro I, ele adota táticas defensivas. Denuncia o suposto ‘parlamentarismo branco’; cerca-se de generais estrelados no palácio presidencial; e acena com o espantalho do autogolpe. Mas Maia e o Alcolumbre não querem impeachment agora. Querem Bolsonaro falando sozinho, perdendo credibilidade junto ao mercado, à sociedade civil e às forças armadas. Acreditam que, deixado a si mesmo, ele vai acabar enrolando o chicote em torno do próprio pescoço. O timing do impeachment só poderia ser o começo do ano que vem, depois das eleições municipais. Durante o recesso, eles mediriam o estrago da popularidade bolsonarista. Quando o presidente se der conta do cálculo dos adversários, vai tentar antecipar o impeachment para o quanto antes, enquanto ainda guardar popularidade. Um processo nessas condições lhe daria a oportunidade de jogar o único jogo no qual é mestre: o do tumulto e do caos. No centro das atenções, se colocaria como vítima para incitar a metade do país contra a outra, ameaçar fechar o Congresso a pretexto de contragolpe, e como sempre — o mais importante — jogar areia nos olhos de todos. Esta parece ser a situação do xadrez político HOJE. Pode-se argumentar que muita coisa vai acontecer no caminho. É certo. Mas é o juízo de probabilidade de que elas aconteçam que orienta os atores políticos. Então, essas coisas não só ‘acontecem’, como também ajudam a construir os caminhos.” (Facebook)

A bolsas fecharam em alta depois de medidas dos bancos centrais. O Ibovespa subiu 4,85% e o Dow Jones 5,2%. O banco central americano anunciou compra de dívida corporativa de curto prazo. O BC também realizou leilão com oferta de até US$ 2 bilhões. A expectativa ainda é que hoje seja anunciado o corte da taxa de juros. Esse otimismo, no entanto, não foi suficiente para as bolsas da Ásia. Elas abriram em alta, mas fecharam no vermelho. Os índices da Europa também abriram em queda de 2% a 3%. (G1)

Essa crise levou o Brasil a ser um dos países emergentes onde mais os investidores tiraram dinheiro: US$ 10 bilhões desde 21 de janeiro. A consequência direta tem sido a desvalorização acentuada da moeda. (Folha)


O ex-vice-presidente americano Joe Biden venceu por larga margem, ontem, as primárias de Arizona, Flórida e Illinois. Ohio também votaria, mas seu governador achou prudente adiar a eleição para 2 de junho, para evitar sessões eleitorais lotadas em plena pandemia. Nos outros três estados, a cultura estabelecida de voto antecipado por correio dilui o risco. O senador Bernie Sanders ainda vence entre algumas comunidades hispânicas e entre os jovens, mas não tem mais chances de vitória. Em seu discurso transmitido por live, ontem à noite, Biden reconheceu isto. “O senador Sanders e seus eleitores trouxeram uma paixão e uma tenacidade incrível a respeito de uma série de questões”, ele disse. “Eles transformaram a natureza da conversa política no país. Então me permitam dizer, especialmente para os mais jovens que foram inspirados pelo senador: eu estou ouvindo. Entendi o que está em jogo. Sei o que temos de fazer.” Ainda não está claro se o senador pretende deixar o pleito, mas as primárias democratas estão definidas. Joe Biden enfrentará Donald Trump em novembro. (FiveThirtyEight)

Assista ao discurso de Biden.

Viver


Quem descumprir quarentena obrigatória poderá ser preso. O governo publicou decreto que autoriza agentes de saúde utilizarem força policial caso o paciente não siga ordens de internação ou isolamento compulsório.

O Brasil registrou sua primeira morte pelo coronavírus: um homem de 62 anos de São Paulo. Mas tem pelo menos outras seis mortes registradas por suspeita de coronavírus. Os últimos números do Ministério da Saúde apontam 291 casos confirmados no país. O Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde prevê até 4.970 casos nos próximos 10 dias, com a sua maioria no estado de São Paulo. O país deve ter pico no número de pacientes até junho.

A China e EUA começaram a realizar testes clínicos de possíveis vacinas contra o vírus. Os americanos estimam que a sua fique pronta entre 12 a 18 meses.

Enquanto isso… a Eurocopa e a Copa América foram adiadas para 2021. O adiamento das competições de futebol, que aconteceriam entre junho e julho, colocam ainda mais pressão sobre a organização das Olimpíadas, que continuam mantendo os Jogos para julho.

Por aqui, 20 dos 27 campeonatos estaduais já foram afetados pela pandemia, seja por jogos cancelados ou partidas com portões fechados.

Eventos sem público, ruas vazias, filas em supermercados e aulas por vídeo. Em fotos, o dia a dia na era do coronavírus.

Cinco anos desde que foi criada, a lei do feminicídio ainda sofre com problemas. Especialistas estimam que o Brasil concentra 40% dos assassinatos de mulheres pela América Latina e Caribe. Mas essa falta de dados contribuiu na confusão sobre como classificar um feminicídio. Ou seja, quando uma mulher é morta por razões da condição do sexo feminino. Isso resulta em decisões judiciais que nem sempre são proporcionais com a severidade do crime. A lentidão na resolução dos casos também deixam inúmeras mulheres sem ter onde ficar quando saem de casa, já que grande maioria é ameaçada por conhecidos. São poucos os estados que oferecem abrigos, mas a estadia também é só até três meses.


Após 20 anos, Tom Brady deixou o Patriots. O astro do futebol americano anunciou sua saída da equipe pela qual conquistou seis títulos do Super Bowl e três prêmios de melhor jogador da temporada. Enquanto ainda não se sabe sobre o seu próximo time, sua carreira em fotos.

Cultura


Começa na sexta-feira o festival de música #tamojunto — e será todo virtual. A ideia, que partiu da equipe de Cultura do diário carioca O Globo, é que entre sexta e domingo, até o fim da quarentena, no período entre 18h e 22h, artistas de todo o país façam shows intimistas, caseiros, de trinta minutos cada. Serão transmitidos em lives nas contas de Instagram de cada um e retransmitidos pelo site e redes do jornal. Já há dezenas de confirmados, entre eles Martinho da Vila, Adriana Calcanhoto, o gaúcho Duda Leindecker, Marcos Valle e Zé Renato. (Globo)

Aliás... Não é só aqui. Neil Young anunciou em seu site, ainda sem hora marcada para o primeiro, uma série de shows intimistas à beira da lareira — as Fireside Sessions. Serão também transmitidas por lives nas redes sociais. Tudo será filmado pela mulher do velho roqueiro, a atriz Darryl Hannah.

Cotidiano Digital


Em um movimento bem inusitado, as big techs estão se juntando para coibir as fake news durante a pandemia. Sem dar detalhes, Facebook, Microsoft, Apple, LinkedIn, YouTube, Twitter e Reddit disseram que estão trabalhando com o governo americano para melhorar suas ferramentas contra a desinformação. A ação vem depois da Casa Branca se reunir com as empresas para pedir ajuda contra o coronavírus. A OMS já havia declarado que as fake news são tão perigosas quanto o próprio vírus. O Reddit, por exemplo, está colocando em “quarentena online” os usuários que publicam informações falsas.

Mas… na Europa, cerca de 70 mil sites com desinformação ganharam US$ 75 milhões com anúncios no ano, em sua maioria pelo Google, segundo a agência The Global Disinformation Index. Um dos anúncios identificados alegava que os EUA culpava o governo russo pela pandemia.

Uma seção do G1 sobre o que é verdadeiro ou fake sobre o coronavírus.

YouTube avisou que o número de vídeos removidos pode aumentar durante esse período. O motivo é que, com os mais funcionários em casa, a inteligência artificial (IA) que irá fazer a maioria da moderação de conteúdo, eliminando a etapa de revisão humana.

Aliás. A IA ajudou a prever a disseminação inicial do coronavírus, mas a tecnologia ainda está longe de ajudar na contenção da pandemia. A Bluedot conseguiu identificar quais cidades o vírus se espalharia primeiro por ligar notícias globais, dados de companhias aéreas e relatórios de surtos de doenças animais pelo mundo. Mas com a disseminação, o seu sistema e outros semelhantes se tornam menos específicos. Para ajudar em prevenções e diagnósticos, a IA precisaria de uma base de dados que fosse atualizada constantemente sobre o que está acontecendo. Isso implicaria dados dos hospitais e como as pessoas estão se comportando. O mesmo seria necessário para usar a tecnologia para uma possível vacina. Ainda não tem informações suficientes das mutações do vírus para usar algoritmos no desenvolvimento.





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18 de março de 2020
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