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13 de abril de 2020
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‘Brasileiro não sabe se escuta ministro ou presidente’


O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, deu ontem uma longa entrevista ao Fantástico, quase 15 minutos, tempo grande para a televisão. “A população olha e fala: mas será que o ministro é contra o presidente?”, ele comentou. “Não há ninguém contra nem a favor de nada. Nosso inimigo, é o coronavírus. Se estou ministro da Saúde, estou por obra de nomeação do presidente.” Ele escolheu cautela, mas não deixou de marcar que há divergência. “O presidente olha pelo lado da economia. O Ministério da Saúde entende a economia, entende a cultura e educação, mas chama pelo lado de equilíbrio de proteção à vida. Espero que essa validação dos diferentes modelos de enfrentamento possa ser comum e que a gente possa ter uma fala unificada. Porque isso leva para o brasileiro uma dubiedade: ele não sabe se escuta o ministro da Saúde, se ele escuta o presidente.” Mandetta também afirmou que, no Brasil, o pior momento da pandemia ainda está longe.“A segunda quinzena de abril seria a que aumentaríamos e que os meses de maio e junho seriam os de maior estresse pro nosso sistema de saúde”, comentou baseando-se nas projeções com as quais trabalha. Mandetta e sua mulher passaram o fim de semana da Páscoa hospedados pelo governador Ronaldo Caiado no Palácio das Esmeraldas, em Goiás. Caiado rompeu recentemente com Bolsonaro por conta, justamente, da pandemia. O ministro reiterou o pedido de isolamento social. Assista ou leia. (G1)

O presidente Jair Bolsonaro tem impressão distinta — para ele, a pandemia já está acabando. “Tenho dito desde o começo, há 40 dias”, falou em uma live de pouco mais de duas horas a líderes religiosos. “Temos dois problemas pela frente, o vírus e o desemprego. Quarenta dias depois, parece que está começando a ir embora a questão do vírus, mas está chegando e batendo forte o desemprego”, completou, na conversa com pastores, padres e rabinos por conta da Páscoa e do Pessach. (Estadão)

Pois é... No sábado, em Goiás mesmo, Mandetta teve um evento público com Bolsonaro. Durante as festas pela inauguração de um hospital de campanha em Águas Lindas, o presidente apertou mãos e abraçou pessoas, provocando constrangimento ao ministro, que se queixou da aglomeração. Segundo o Painel, Mandetta disse que pretende evitar mais aparições com Bolsonaro. (Folha)

Gente próxima do presidente tem uma leitura própria do que está ocorrendo. Acreditam que Mandetta saiu se sentindo fortalecido do episódio da última segunda, quando quase foi demitido. E de que, agora, ele está forçando a barra para ser demitido, conta Chico Alves. (UOL)


Ariel Dorfman, escritor chileno: “Críticos focam na ação irregular, inação confusa, na enxurrada de desinformação que sai diariamente de sua boca. Já está claro que houve avisos suficientes, sinais desde janeiro de que preparação urgente era necessária e que tudo, escandalosamente, foi ignorado. A cena mais recente desta farsa trágica é a exigência, por parte de Trump, de que hidroxicloroquina seja usada no combate à Covid-19. Apesar de este remédio não ter sido testado de forma padronizada e de que seus efeitos colaterais ainda não foram estressados, ele a trata como uma droga milagrosa. Pensamento mágico é esperado em religião, em literatura, ou em shows nos quais a estrela tira coelhos de cartolas, mas não como substituto para medicina profissional e ciência testada. ‘O que temos a perder?’, Trump indagou em uma de suas entrevistas coletivas intermináveis. Algumas respostas: levantar falsas esperanças? Jogar fora recursos e tempo? Perda de vidas?” (Guardian)

O premiê britânico Boris Johnson deixou registrado no Twitter, ontem, um vídeo de cinco minutos no qual agradece ao sistema de saúde público do país. “O sistema salvou minha vida, sem dúvidas”, ele afirmou, após ter criticado duramente o serviço durante a campanha eleitoral. “Poderia ter terminado de outra forma.” Johnson esteve por três dias numa UTI, por conta da Covid-19. O PM já está em casa, mas não retomará imediatamente ao trabalho por recomendações médicas. (BBC)

Viver


Um quarto dos mortos por Covid-19 no Brasil, desde o primeiro registro da doença no país, não faz parte dos chamados grupos de risco — ou seja, 25% das vítimas fatais são pessoas com menos de 60 anos e sem comorbidades que agravam os sintomas. Esse número disparou nos últimos 15 dias, segundo levantamento do Globo feito com base em dados no Ministério da Saúde — 25% das mortes ocorrem entre pessoas com menos de 60 anos, e 26% dos óbitos foram em pacientes sem registro de doenças preexistentes, como diabetes, cardiopatias e pneumopatias. No Brasil, a proporção de pessoas abaixo dos 60 anos de idade que morreram pela Covid-19 é mais de cinco vezes maior que a registrada na Espanha (4,6%).

E uma alta de 2.239 mortes por problemas respiratórios, em um mês, levanta a suspeita de que vítimas da covid-19 estejam entrando em estatísticas de outras doenças. O número de óbitos por insuficiência respiratória e pneumonia cresceu em março após quedas em janeiro e fevereiro, na comparação com o mesmo período de 2019.

Em 24 horas, foram mais 1.442 casos e 99 mortes somadas às estatísticas. O balanço dos casos de Covid-19 divulgados pelo Ministério da Saúde ontem aponta 1.223 mortes e 22.169 casos confirmados. No sábado (11), havia 1.124 mortes e 20.727 casos confirmados. Uma alta de 7% nos casos e de 9% nas mortes em 24 horas.

As internações de pacientes com a confirmação de Covid-19 em leitos de UTI em São Paulo cresceram 2.260% desde 20 de março. Elas saltaram de 35 para mais de 820 na semana passada. Já o número de mortes por Covid-19 subiu 158,5% em uma semana, chegando a 540 óbitos desde que o primeiro caso foi registrado no estado.

Ainda sobre o estado de São Paulo, estratégias de combate à covid-19 podem ser endurecidas nesta segunda-feira. O governador João Doria prometeu na semana passada tomar medidas mais rigorosas caso a adesão popular ao isolamento não tenha aumentado espontaneamente durante o fim de semana. Ao longo da semana passada, apenas cerca de 50% da população paulista estava reclusa. O mesmo percentual foi verificado, na média, no restante do país, segundo dados da startup de geolocalização In Loco. De acordo com o governo estadual, é preciso alcançar o índice de 70% de isolamento social para que o sistema de saúde dê conta de atender os pacientes que serão infectados pela covid-19. Doria cogita implementar a aplicação de multas e até a prisão de quem desrespeitar o distanciamento social.

A Espanha voltou a registrar ontem uma alta no número de mortos diários pela covid-19. Foram 619 óbitos no país nas últimas 24 horas. O crescimento quebra uma sequência de 3 dias com decréscimo de mortes pela doença. Já a quantidade de casos confirmados por dia continua caindo.

Os Estados Unidos registraram 1.514 mortes relacionadas à pandemia de coronavírus nas últimas 24 horas, de acordo com uma contagem da Universidade Johns Hopkins às 20h30 de ontem. É o país com o maior número de casos e mortes no mundo com 555 mil casos confirmados e 22 mil mortes.

O ex-grande rabino de Israel Eliahou Bakshi-Doron morreu ontem de complicações provocadas pelo novo coronavírus, anunciou o hospital Shaare Tzedek em Jerusalém. Líderes israelenses lamentaram sua morte, saudando-o como um grande guia espiritual. Nascido em 1941 em Jerusalém, Bakshi-Doron, 79 anos, foi o primeiro rabino-chefe em Bat Yam e depois em Haifa, antes de receber em 1993 o título de Rishon LeZion, nome dado ao rabino-chefe sefardita de Israel, cargo que ocupou até 2003. Líder favorável ao diálogo interreligioso e a não violência, ele manteve contatos com líderes muçulmanos e cristãos.

O mercado do turismo no Brasil sofreu um baque com a pandemia do novo coronavírus, e tudo indica que este será o segmento que levará mais tempo para se recuperar dos efeitos da crise. Na segunda quinzena de março, o setor perdeu R$ 11,96 bilhões em volume de receitas, o que representa uma queda de 84% no faturamento em relação ao mesmo período de 2019, de acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Sobre a indústria da moda, o The Business of Fashion com a McKinsey & Company atualizaram suas previsões sobre os efeitos do Covid-19 no setor. As descobertas, como esperava-se, são pessimistas e apontam para milhões de empregos em risco.

Fotos: o mundo celebra a Páscoa remotamente em meio à pandemia do novo coronavírus. Na Itália, os hospitais receberam doações de ovos de chocolate para a equipe médica e pacientes. Líderes religiosos do Quênia à Califórnia prestaram serviços a pequenos grupos, com muitos transmitindo ao vivo seus sermões.

No Vaticano, em sua mensagem Urbi et Orbi (À cidade de Roma e ao mundo), que acontece sempre nos dias de Páscoa e no Natal, o líder da Igreja Católica fez coro aos pedidos de nações como Cuba, Irã e Venezuela, que são alvos de sanções promovidas pelos EUA. Segundo o Papa, a UE tem diante de si um ‘desafio histórico’, do qual dependerá não apenas seu futuro, mas de todo mundo.

Francisco: “Não se perca a ocasião de dar novas provas de solidariedade, inclusive recorrendo a soluções alternativas. A outra opção é apenas o egoísmo dos interesses particulares e a tentação de um retorno ao passado, com o risco de submeter a dura prova a convivência pacífica e o desenvolvimento das próximas gerações.”

Cultura


No âmbito cultural, o interesse do público em sites e redes sociais culturais cresceu. É só olhar os números. No Facebook do MASP, a média de interações por publicação dobrou. No Instagram, triplicou. Já o app Masp Áudios, com comentários sobre obras do acervo, obteve mais de 500 downloads em duas semanas. O MAM ganhou cerca de 10 mil novos usuários na sua plataforma online. Eles hoje somam 33.634 visitantes desde que a campanha #mamonline começou. A Pinacoteca, por sua vez, atraiu 5 mil visitas ao site apenas em março. Esse numero é cinco vezes maior do que a média mensal de dois anos para cá. No Instagram, com a campanha #pinadecasa, o museu também ganhou outros 5 mil novos seguidores do dia 18 de março até a data de hoje. Na SP-Arte, houve crescimento de 37% nas oportunidades de negócios para as galerias parceiras. (Estadão)

Por falar...um guia de arte e cultura em Nova York para apreciar sem sair de casa. (Conde Nast Traveler)

Cotidiano Digital


Apple e Google se juntaram para ajudar no rastreamento da disseminação do coronavírus. A ideia é lançar uma plataforma que permitirá a troca de dados entre dispositivos Android e iOS, ao todo mais de três bilhões de celulares e tablets no mundo. Por meio do Bluetooth, os aparelhos serão capazes de passar informação um para o outro. Trata-se de uma API — ou seja, um método pelo qual dispositivos podem conversar uns com os outros para troca de dados. A partir daí, governos podem desenvolver apps utilizando os recursos. Desta forma, se alguém é testado positivo para a doença, uma pessoa com quem teve contato até duas semanas antes será informada. O funcionamento dependerá de como cada app for desenvolvido. Segundo as big techs, as informações serão anônimas e o usuário é quem decide compartilhar seus dados de localização. O lançamento está previsto para meados de maio.

Nada de emojis novos em 2021. Por causa do coronavírus, o consórcio por trás das figurinhas virtuais teve que adiar seu lançamento para daqui a dois anos.





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