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23 de abril de 2020
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O Planalto contra-ataca


O general Walter Braga Netto se apresentou ontem para a coletiva diária do Palácio do Planalto com o intuito de inaugurar uma nova fase na gestão política da crise provocada pelo novo coronavírus. A ação, como em estratégia militar, inclui quatro frentes. Uma, na política, é a operação para neutralizar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Consiste em cooptar ao menos parte do Centrão, oferecendo cargos no governo. A segunda é o Plano Pró-Brasil, que visa lançar uma série de obras públicas para dar partida na economia assim que o vírus passar. A terceira é na comunicação. O vereador carioca Carlos Bolsonaro foi afastado, com ele o gabinete do ódio, e a intenção é pôr na rua mensagens mais propositivas. Os técnicos do ministério da Saúde, que vinham trazendo um retrato diário do momento da pandemia, estão fora da coletiva. O general Luiz Eduardo Ramos, ministro da secretaria de Governo, apelou à imprensa que não dê tanto destaque a covas, caixões e mortes. Por fim, há um não tão discreto empurrão para que a população deixe suas casas. O novo ministro da Saúde, Nelson Teich, afirmou que apresentará um plano de retorno na semana que vem. E o governo decidiu segurar a segunda parcela do auxílio emergencial de R$ 600, que pretendia adiantar. Dificulta, assim, às famílias mais pobres que mantenham o afastamento social.

O deputado Baleia Rossi, presidente nacional do MDB, deixou ontem o Palácio do Planalto com um discurso simpático ao presidente e afirmando que o momento é de união nacional. “Está todo mundo preocupado”, afirmou, ao mesmo passo em que negava a intenção de ocupar cargos no governo. “Este tema não deve nem circular”, afirmou, e completou. “Neste momento.” (Poder 360)

Já Arthur Lira, do Progressistas, gravou vídeo com Bolsonaro que circulava, ontem, pela Câmara. Um dos mais importantes líderes do Centrão, com inúmeros processos, já está atuando pelo governo na Câmara. (CNN Brasil)

Aliados de Rodrigo Maia avaliam que ele pode ter passado do ponto. A questão não é apenas o conflito com o Executivo — a pressão real por parte de empresários e do mercado financeiro pelo retorno da economia. “Quando o Rodrigo brigava só com o Planalto, todo mundo achava que era do jogo”, afirmou um deles. “Quando começou a brigar com a equipe econômica, aí o negócio mudou de patamar.” (Crusoé)

Sem participação da equipe econômica, o Plano Pró-Brasil — apelidado Plano Marshall — será tocado driblando o teto de gastos. Para isto, usará o artifício dos créditos extraordinários, que são permitidos em casos como o de calamidade pública. Não há dinheiro internacional para tocar as obras calculadas em R$ 300 bilhões. A esperança do Planalto é que parte venha de concessões e, outra, de investimento público. O ministério da Economia tenta segurar o projeto. (Estadão)

Segundo Igor Gielow, a avaliação generalizada é de que Paulo Guedes saiu enfraquecido. (Folha)

Os governadores também sentem a pressão e começam, vários deles, a falar em abertura. Em alguns casos — como do paulista João Doria e do gaúcho Eduardo Leite — é com cautela. Em Santa Catarina já há shoppings reabertos. (Mais na editoria Viver.) “Mas em todos os casos talvez seja cedo demais”, comenta Míriam Leitão. “O Brasil continua subindo o Everest. O coronavírus não nos deu trégua ainda.” (Globo)

Enquanto o ministro Luiz Eduardo Ramos pede que a imprensa mostre menos corpos, um estudo da FioCruz aponta que está aumentando muito o número de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave. Até 4 de abril deste ano, o Brasil teve 33,5 mil internações por SRAG. A média desde 2010 é de 3,9 mil casos. Mesmo em 2016, quando houve um surto de H1N1, foram registrados 10,4 mil casos no mesmo período do ano. (G1)

O pior ainda está ali na frente. Esconder caixões não vai mudar a realidade.

Meio em vídeo: Esta semana entrevistamos o cientista político Cláudio Coutro, da FGV. Quais os riscos de um Golpe de Estado no Brasil? O que, afinal, quer Jair Bolsonaro? Que tipo de dificuldades a Constituição impõe a governantes? Assista.

Viver


O Brasil registrou ontem 165 novas mortes provocadas pelo novo coronavírus e 2.678 novos casos da doença nas últimas 24 horas, segundo informações do Ministério da Saúde. O número de mortes de pessoas infectadas pelo novo coronavírus chegou a 2.906, com um total de 45.757 casos confirmados. O boletim médico foi fechado às 15h30.

Pernambuco bateu novo recorde ao registrar 390 novos casos da Covid-19, totalizando 3.298 casos confirmados. Também foram confirmadas laboratorialmente 22 mortes nas últimas 24 horas, subindo o número de óbitos para 282. No Recife, o Hospital Provisório Recife 2 começou a receber pacientes. O início dos atendimentos estava previsto para a próxima segunda-feira (27), mas foi antecipado com o objetivo de desafogar a rede de saúde do estado que, até terça-feira, atingia 89% de ocupação com pacientes diagnosticados com Síndrome Respiratória Aguda Grave.

Embora o país ainda não tenha atingido o pico da doença, ao menos sete Estados – Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás, Espírito Santo, Paraíba, Sergipe e Tocantins – e o Distrito Federal já afrouxaram desde a semana passada o isolamento social, imposto para conter o avanço do novo coronavírus.

Em São Paulo, testes, monitoramento da capacidade hospitalar e dados regionalizados regerão a reabertura do estado a partir de 11 de maio, quando os 645 municípios entrarão em uma fase de "quarentena heterogênea", anunciou o governador João Doria. A reabertura de escolas não é ainda prevista.

Ignorando todas as recomendações médicas, o comércio de Santa Catarina reabriu por decisão do governador Carlos Moises (PSL). Em shopping de Blumenau, teve saxofone e aglomeração. Veja o vídeo.

No Rio de Janeiro, as máscaras de proteção deverão fazer parte do cotidiano de quem precisa sair às ruas a partir de hoje. Obrigatórias após decreto do prefeito Marcelo Crivella, quem não estiver usando o acessório não estará sujeito a multa. Pelo menos por enquanto. O prefeito também baixou decreto hoje proibindo as feiras livres por dez dias, por causa das aglomerações. Ontem, a cidade do Rio de Janeiro alcançou a marca de 3.656 casos confirmados de coronavírus. No total, 303 pessoas morreram.

Pois é.. por falar em máscaras, a pergunta "Como fazer máscaras?" é uma das mais buscadas no Google. Buscas recentes na ferramenta indicam que a população vem procurando orientações ligadas a temas como saúde, finanças, alimentação e lazer.

No mundo, são 2.637.314 milhões casos confirmados e 183.559 mil mortes (última atualização às 6h21). Nos Estados Unidos, são 842.624 casos e mais de 46 mil mortes.

O Ministério da Saúde britânico registrou 759 novas mortes em hospitais de pacientes doentes com covid-19 na quarta-feira, elevando o número de mortes para 18.100 desde o início da crise no país, um dos mais afetados na Europa. Teme-se que o número seja muito maior, uma vez que os números oficiais não incluem mortes que ocorreram em residências ou asilos. O Reino Unido pode manter medidas de distanciamento devido ao coronavírus por mais um ano se uma vacina ou tratamento eficaz não forem encontrados antes disso.

Chris Whitty, consultor médico do governo britânico: “A saída disso será uma das duas coisas, uma vacina altamente eficaz ou medicamentos altamente eficazes para impedir que as pessoas morram com esta doença. Até que tenhamos isso, e a probabilidade de obtê-los a qualquer momento do ano que vem é muitíssimo pequena e acho que devemos ser realistas sobre isso, teremos que confiar em outras medidas sociais, que obviamente são muito perturbadoras”.

Por falar em vacina, um grupo independente baseado nos EUA está angariando voluntários que aceitem ser infectados deliberadamente com o novo coronavírus. O objetivo é acelerar o teste de uma vacina contra a doença. Batizada de 1 Day Sooner, a iniciativa angariou mais de 1.700 voluntários em mais de 40 países, em menos de um mês. Ensaios clínicos com infecção deliberada de voluntários, chamadas no meio de pesquisa de "estudos de desafio humano", já foram usados em pesquisas de doenças de baixa letalidade, e não são muito comuns.

Pois é...mais de 232.000 pessoas podem ter sido infectadas na primeira onda do Covid-19 na China - quatro vezes a mais que os números oficiais registrados, de acordo com um estudo realizado por pesquisadores de Hong Kong.

Para ler com calma... Quando as autoridades suspenderam o confinamento em Wuhan, cidade chinesa, o número de divórcios teve um aumento nunca antes visto. Tem sua lógica. As dificuldades nas relações pessoais afloram com mais intensidade quando se convive em casas pequenas, sem a possibilidade de sair à rua. Entretanto, existe uma alternativa: aprender com tripulantes de embarcações comerciais, com militares da Marinha, com os pescadores de alto-mar, e, especialmente, com os embarcados em submarinos, que permanecem isolados durante meses. Para ser tripulante de submarino, é preciso completar uma formação específica de um ano. Durante esse tempo, o candidato avalia, entre outras coisas, se será capaz de viver em um habitáculo de 100 metros quadrados durante oito semanas seguidas com um só chuveiro e duas privadas para serem divididos entre os 70 tripulantes. O texto completo. (El País)

Hora de Panelinha no Meio. Para te ajuda a manter uma alimentação saudável nesses tempos de incerteza. Nesta quinta escolhemos falar de massas porque prepará-las é um bom jeito de aproveitar o tempo extra e ampliar o repertório de técnicas culinárias. Nesta playlist, você encontra, além de receitas, vídeos em que Rita Lobo tira dúvidas sobre alguns preparos. No seu canal no Youtube, ela também ensina como fazer massa de pizza caseira. Uma das receitas mais acessadas do site.

 

Cultura


Os Bulls eram idolatrados. Eles tinham Michael Jordan, podiam ganhar o sexto título da NBA e sentiam que a temporada 1997-1998 seria a última do grupo. Seguir com uma câmera o interior dos vestiários, dos escritórios, dos hotéis e dos aviões onde se tecia a obra suprema daquele astro e daquela equipe parecia um sonho utópico. Mas no outono de 1997, Michael Jordan, o treinador Phil Jackson e o proprietário da franquia de Chicago, Jerry Reinsdorf, permitiram que uma equipe de filmagem da NBA Entertainment acompanhasse o time durante toda a temporada. As 500 horas de imagens inéditas compõem a matéria-prima da série de dez episódios The Last Dance (Arremesso Final, na versão em português), que estreou essa semana na Netflix. “Michael Jordan e os Bulls dos anos 90 não eram só superestrelas mundiais do esporte, eram um fenômeno mundial”, diz o diretor da série, Jason Hehir. Mais de uma centena de protagonistas da época contribuem com seus testemunhos para a série, caso de Barack Obama, ex-presidente dos Estados Unidos, e torcedor. Assista.

Michael Jordan nunca foi de falar muito, nunca escreveu uma biografia, de seu punho, em que revelasse coisas incríveis de bastidores. A série, porém, mostra o Jordan no dia a dia, o camisa 23 que cobrava seus companheiros com fervor nos treinamentos e que era um alucinado por treinamentos. E mais cinco motivos para não perder a série documental sobre os Bulls.

Cotidiano Digital


A próxima atualização da Apple vai consertar uma falha que permitia ataques hackers. Segundo uma empresa de segurança digital, mais de meio bilhão de iPhones e iPads podem ter uma vulnerabilidade no aplicativo Mail. Os ataques vinham acontecendo desde pelo menos 2018. As vítimas recebiam um email aparentemente em branco por meio do app que forçava o aparelho a ser reiniciado. Com o reboot, os hackers acessavam os dados.

A China está mais perto de se tornar o primeiro país com sua própria moeda digital. O banco central chinês confirmou que começou a testar a moeda em quatro cidades. O governo diz que ela protegerá a privacidade dos usuários e será projetado para evitar a inflação. Mas, para o Wall Street Journal, qualquer yuan digital seria centralizado e se tornaria parte do estado de vigilância da China. O objetivo do banco central é que fique pronta para ser usada na Olimpíada de Inverno em Beijing em 2022.





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