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27 de abril de 2020
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Investigação sobre Zero Dois pode ter levado à demissão de Moro


Antes das mudanças em seu comando que levaram à exoneração do ministro Sergio Moro, a Polícia Federal havia identificado Carlos Bolsonaro como articulador de um esquema criminoso de fake news. O inquérito, aberto pelo Supremo em março de 2019 para investigar ataques online à instituição e aos ministros, está próximo de ver encerrada sua fase de investigação. Segundo apurou o jornalista Leandro Colon, dentro da PF há convicção de que Maurício Valeixo foi demitido justamente para impedir que o elo entre o filho Zero Dois do presidente e a campanha contra STF e Congresso fosse desvendado. (Folha)

Pois é... No Planalto, e em Brasília no geral, o temor é de que o Supremo peça já esta semana a prisão de aliados do presidente. Segundo Vera Magalhães, não devem chegar em Carlos, ainda. (BR Político)

Esta não é a única preocupação do presidente Jair Bolsonaro. Ele recebeu, no domingo, Frederick Wassef, advogado do filho Zero Um no caso Queiroz. A Andreia Sadi, Wassef negou que a conversa tenha envolvido o nome para substituição de Valeixo na PF. (G1)

Então... O favorito para o cargo é Alexandre Ramagem, atual diretor da Agência Brasileira de Inteligência, Abin. Ele é amigo pessoal de Carlos e uma foto dos dois, no réveillon em que celebravam a vitória para o Planalto do presidente, circulou nas redes. Questionado num comentário de Facebook sobre esta proximidade do novo diretor de seu filho investigado pela PF, Bolsonaro respondeu. “E daí? Antes de conhecer meus filhos eu conheci o Ramagem. Por isso deve ser vetado? Devo escolher alguém amigo de quem?” (Poder360)

A ADPF, Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, pediu em carta pública ao presidente autonomia financeira para a PF e o estabelecimento de um mandato para diretor-geral. (G1)

Já o novo ministro da Justiça, que substituirá Moro, deve ser Jorge Oliveira, o atual chefe da Secretaria-Geral da Presidência. Ele é filho de um amigo de décadas de Bolsonaro, foi chefe de gabinete de seu filho Eduardo. (Estadão)

Agora está em curso uma campanha de popularidade que ocorre, inicialmente, nas redes sociais. A consultoria Quaest mantem um ranking chamado IPD, Índice de Popularidade Digital, com pontuação e vai de 0 a 100 e é calculado a partir de Twitter, Facebook, Instagram, YouTube, Google e mesmo Wikipédia. Desde que surgiu o IPD, Bolsonaro se mantém o político mais popular. Continua sendo. Mas, de 82,9 na quinta, o presidente caiu para 70,3, no sábado. Enquanto Sergio Moro, que estava abaixo até de nomes como Luiz Henrique Mandetta, Luciano Huck e Lula, saltou de 30,7 até 55,3. (Folha)

Sobre popularidade fora das redes ainda há muito pouco. De Cesar Maia, pai do presidente da Câmara e especialista em análise de cenários políticos: “Pesquisas deste sábado mostram que Lula não ganhou nada, Moro não perdeu nada, Mandetta não perdeu nada e Bolsonaro perdeu algo.” (BR Político)

Impulsionados pelo ex-presidente Fernando Henrique, que se mostrou favorável à renúncia do presidente, partidos de oposição se articulam para montar uma frente ampla anti-Bolsonaro. O conjunto poderá incluir siglas que vão de PSDB, DEM, Novo e Cidadania a PT, PDT, PSOL, PCdoB e PSB. (Globo)

Meio em vídeo. Entramos numa daquelas crises políticas que não temos como prever como sairão. Sem Moro e com Centrão, Jair Bolsonaro distribui cargos e tenta se salvar enquanto brasileiros morrem aos milhares. Ele não está nem aí. Assista.

Viver


O levantamento da universidade norte-americana Johns Hopkins desta segunda-feira aponta que há mais de 2,9 milhões de casos confirmados de coronavírus e mais de 206 mil mortes em todo o mundo por complicações da Covid-19. Quase um terço de todas as confirmações de casos de coronavírus do mundo está nos Estados Unidos. O país tem cerca de 965 mil confirmações e ao menos 54 mil mortes.

Por falar em EUA, a cidade de Nova York observou um aumento de chamadas de emergência sobre ingestão de desinfetante caseiro nos últimos dias. Isso aconteceu depois que o presidente Donald Trump disse que a injeção do produto poderia ser uma boa maneira de combater o coronavírus.

Aliás, Nova York registrou ontem 367 novas mortes, o número mais baixo desde 31 de março.

No sábado, cerca de 1.000 pessoas participaram de um protesto que pedia o fim das medidas de isolamento social impostas pelo governo alemão para conter a pandemia de coronavírus. Se concentrou na Praça Rosa Luxemburgo, na região central de Berlim, e foi dispersada pela polícia. Segundo as autoridades, 105 pessoas foram brevemente detidas ou tiveram seus dados registrados. Elas devem sofrer sanções por violação das regras de quarentena. A polícia também informou que deve indiciar alguns participantes por divulgação de símbolos ou mensagens anticonstitucionais e agressões contra policiais. Pelo menos cinco policiais ficaram feridos no sábado.Houve também o registro de um protesto similar em Stuttgart, que atraiu cerca de 300 pessoas.

Um dos últimos sobreviventes do Holocausto na Bélgica, Henri Kichka morreu de covid-19 no sábado, em uma casa de repouso em Bruxelas, aos 94 anos. Kichka foi um dos poucos homens e mulheres que sobreviveram a Auschwitz, o campo de extermínio criado pelos nazistas no sul da Polônia durante a 2ª Guerra Mundial.

Uma boa notícia. O governo da Nova Zelândia afirmou que a transmissão comunitária do Covid-19 chegou ao fim no país. Mas as autoridades alertaram que isso não significa o fim total de novos casos de coronavírus. A partir de amanhã, algumas atividades não essenciais serão retomadas. A maioria das pessoas ainda precisará permanecer em casa.

No domingo, o Brasil passou da marca de 60 mil casos confirmados —são 61.888 ao todo - e 4,2 mil mortes. Em relação ao número de mortes, São Paulo chegou à marca de 1.700 óbitos desde o início da pandemia. Desde a segunda-feira (20), o Ministério da Saúde não divulga o boletim mais detalhado.

Manaus terá uma semana dura. Após completar sete dias seguidos com mais de 100 óbitos por dia, a capital do Amazonas vê o colapso no sistema funerário se intensificar. E o prazo para evitar que faltem caixões para os mortos fica ainda mais apertado. Na última sexta, o sindicato das empresas funerárias do Estado do Amazonas alertou para o fato de que o estoque de caixões só seria capaz de atender a alta demanda provocada pelo coronavírus por mais dez dias. No entanto, com cerca de 600 urnas ainda à disposição, o presidente da entidade Manuel Viana se viu obrigado a rever esta conta. Com mais de cem enterros diários, não vai durar mais do que cinco dias. Membros do governo estadual tentam disponibilizar um avião para buscar as urnas funerárias em Campinas. A falta de caixões já não é o único sintoma do caos funerário na capital do Amazonas. Com a alta demanda por sepultamentos, a força de trabalho atual já dá sinais de esgotamento. E o serviço se acumula. De acordo com Viana, o cemitério do Tarumã abrirá nesta segunda com uma fila de 40 enterros.

No Rio de Janeiro, o necrotério do Hospital Municipal Moacyr Rodrigues do Carmo, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, amanheceu no sábado com os corredores lotados de corpos. De acordo com a prefeitura, pelo menos 10 dos cadáveres são de vítimas da Covid-19 cujas famílias não têm condições de arcar com o sepultamento.

Pois é...O Rio de Janeiro perdeu mais três profissionais de saúde nas últimas 72 horas, todos vítimas de Covid-19. O caso mais recente confirmado é o do cardiologista Luiz Sérgio Peixoto Herthal do Espirito Santo, que por muitos anos atuou no Hospital Federal dos Servidores do Estado. De acordo com dados divulgados pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), 12 profissionais de saúde do Rio, entre técnicos e enfermeiros, também tiveram suas mortes em decorrência do novo coronavírus.

E o ventilador pulmonar emergencial criado por um grupo de engenheiros da Escola Politécnica da USP foi aprovado em testes técnicos e agora será enviado para aprovação da Anvisa. Testes com animais também comprovaram a eficiência do respirador, que pode ser fabricado em 2 horas e custa 15 vezes menos do que os aparelhos comerciais mais baratos, segundo os pesquisadores.

Fotografia. Milhares de crianças menores de 14 anos foram às ruas neste domingo na Espanha, depois de passar mais de 40 dias trancadas em casa, após um leve relaxamento das regras da quarentena para impedir a propagação do coronavírus. Veja.

Cultura


Em janeiro de 1927, poucos anos depois de fazer história como a primeira negra eleita ao Congresso, a deputada Shirley Chisholm, de Nova York, anunciou publicamente que pretendia concorrer à presidência. Essa era constitui o pano de fundo da minissérie da FX, Mrs America, que explora o movimento de liberação das mulheres dos anos 1970 justapondo figuras liberais que lutaram pela aprovação da Emenda para a Igualdade dos Direitos contra os esforços da oposição da ativista de direita, Phyllis Schlafy (Cate Blanchett). Entre os liberais retratados está Chisholm, que, como observa a criadora da série, Dahvi Waller, foi “uma pessoa totalmente independente” e, como mulher negra de destaque na política americana, expôs a necessidade do feminismo interseccional. Uzo Aduba (Orange Is the New Black) interpreta Chisholm.

Cotidiano Digital


Mesmo com a pandemia, o mercado mundial de 5G continua no ritmo planejado. A Ericsson reduziu a demanda no segundo trimestre, mas não retirou as metas financeiras para 2020. Os atrasos nos investimentos europeus em 5G com o coronavírus estão sendo compensados pelo aumento das vendas na China. Em outros mercados asiáticos, o investimento também está aumentando e as redes comerciais foram lançadas conforme planejado desde o final de fevereiro, segundo a Strategy Analytics. A Huawei também está lucrando com o seu mercado doméstico. Ganhou um contrato de US$ 4 bilhões da operadora chinesa China Mobile para ajudar na retomada econômica do país pós-pandemia. Por aqui, para a Anatel ainda é cedo para falar em adiamento de leilão do 5G previsto para final do ano.

Para competir com o Zoom, o Facebook lançou o Messenger Rooms. A plataforma permite conversar por vídeo com até 50 pessoas, mesmo para quem não tem conta no Facebook. As chamadas serão gratuitas e sem limite de tempo — uma vantagem em relação ao rival que limita por até 40 minutos.





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