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4 de maio de 2020
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“Se levamos tolerância até àqueles que são intolerantes, se não estamos preparados para defender a sociedade tolerante contra o ataque dos intolerantes, então os tolerantes são destruídos e, a tolerância, com eles. Devemos nos reservar o direito de suprimir a intolerância. Primeiro reagimos com argumentos. Eles talvez impeçam seus seguidores de seguirem argumentos racionais e os ensinem a responder com punhos cerrados ou mesmo armas. Neste momento, temos o direito, em nome da tolerância, de não tolerar os intolerantes.”

Karl Popper, A Sociedade Aberta e seus Inimigos (Amazon)


Bolsonaro pressiona democracia


O presidente Jair Bolsonaro se juntou novamente, ontem, a uma manifestação que pregava o golpe de Estado com repúdio aos poderes Legislativo e Judiciário através do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal. Não havia mais do que cinco mil pessoas no movimento, que salpicadas entre a imensa Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes mal eram vistas nas imagens aéreas. Pareciam um grupo maior, porém, na live transmitida pelo presidente. “Chegamos no limite”, ele afirmou. “Não tem mais conversa.” Mais cedo, Bolsonaro havia se reunido com um grupo de generais. “Vocês sabem que o povo está conosco, as Forças Armadas também estão ao nosso lado, e Deus acima de tudo. queremos o melhor para o nosso país. Queremos a independência verdadeira dos três poderes e não apenas uma letra da Constituição, não queremos isso. Chega interferência. Não vamos admitir mais interferência. Acabou a paciência.” O presidente estava irritado com uma série de decisões do Supremo, entre elas a ordem para interditar a nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da Polícia Federal e, no sábado, a de suspender a expulsão da equipe diplomática venezuelana do país. (G1)

Assista aos principais momentos de Bolsonaro na manifestação. (Poder 360)

Os militantes governistas, muitos vestindo a camisa amarela da Seleção, chutaram e deram murros em jornalistas, dentre eles o veterano e premiado fotógrafo Dida Sampaio, do jornal O Estado de S. Paulo. (Estadão)

Do general Hamilton Mourão sobre o ataque aos repórteres: “Sou contra qualquer tipo de covardia e agredir quem está fazendo seu trabalho não faz parte da minha cultura.” (Folha)

Pelo menos três generais da reserva declararam que o presidente está enganado. Maynard Santa Rosa, ex-secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência, o deputado federal General Peternelli e o ex-candidato ao governo do Distrito Federal, Paulo Chagas, o disseram ao jornalista Chico Alves. “O presidente está enganado, está interpretando do jeito que ele quer. As Forças Armadas jamais vão entrar numa aventura. O povo está dividido, o Brasil quer que cada um faça sua parte de forma responsável”, declarou Chagas. (UOL)

Então... Ao longo do dia de ontem, como quem não quer nada, o general Paulo Sérgio tuitava sobre o envolvimento do Exército no combate à Covid-19. (Twitter)

Enquanto isso... O ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, prestou um depoimento de oito horas na Polícia Federal, em Curitiba. Ele foi ouvido por ordem do STF sobre suas acusações de que Bolsonaro tentou interferir na PF. À porta havia militantes bolsonaristas assim como lavajatistas, agora divididos em grupos adversários. Os técnicos extraíram do celular de Moro, suas conversas com o presidente via WhatsApp — incluindo aquelas que ele acreditava ter apagado. (Estadão)

Sérgio Moro: “Reitero tudo o que disse no meu pronunciamento. Esclarecimentos adicionais farei apenas quando for instado pela Justiça. As provas serão apresentadas no momento oportuno, quando a Justiça solicitar.” (Veja)

As rusgas estão custando ao presidente em popularidade. A pesquisa Ideia Big Data, que colhe semanalmente por telefone avaliações sobre o governo, registrou entre 28 e 29 de abril, uma queda de oito pontos no intervalo de uma semana. Bolsonaro tinha 36%, caiu para 28% de ótimo e bom, de acordo com José Roberto de Toledo. (Piauí)

O DataPoder360 registrou queda similar. De 36% para 29% num intervalo de 15 dias. (Poder 360)

A redação do Estado soltou uma nota. “A diretoria e os jornalistas de O Estado de S. Paulo repudiam veementemente os atos de violência cometidos hoje contra sua equipe durante uma manifestação diante do Planalto em apoio ao presidente Jair Bolsonaro. Trata-se de uma agressão covarde contra o jornal, a imprensa e a democracia. A violência, mesmo vinda da copa e dos porões do poder, nunca nos intimidou. Apenas nos incentiva a prosseguir com as denúncias dos atos de um governo que, eleito em processo democrático, menos de um ano e meio depois dá todos os sinais de que se desvia para o arbítrio e a violência. Esperamos que a apuração penal e civil das agressões seja conduzida por agentes públicos independentes, não vinculados às autoridades federais que, pela ação e pela omissão, se acumpliciam com o processo em curso de sabotagem do regime democrático.” (Twitter)

Os outros grandes jornais publicaram editoriais.

O Globo: “O presidente Jair Bolsonaro parece ter decidido se manter de vez na trajetória de desobediência institucional para fazer um teste mais forte dos limites que a Constituição impõe ao Executivo. Tem pregado a sedição, com ameaças claras à ordem constituída. A participação de Bolsonaro em mais uma manifestação antidemocrática em Brasília, duas semanas depois da primeira, marca a radicalização. Bolsonaro garantiu que as Forças Armadas estão ao seu lado nesta empreitada inconstitucional. Estaria certo disso depois de ter se reunido, sem registro na agenda, com chefes militares. A ver se as Forças Armadas aceitam manchar sua imagem reconstruída com muito esforço, profissionalismo e disciplina.”

Folha de S. Paulo: “Mais uma vez, Jair Bolsonaro achou por bem juntar-se aos manifestantes e gritar palavras de ordem que os legitimam. Ele sabe que as bandeiras afrontam a Constituição, mas não se importa. É o agitador de sempre, o antiestadista, o eterno deputado medíocre do baixo clero. De novo, entre as sandices proferidas pelo atual ocupante do cargo máximo do Executivo brasileiro, estavam ataques ao jornalismo. Uma imprensa livre e independente faz parte desse sistema. Ela seguirá vigilante, apesar das agressões da marcha dos covardes.”

Exibido pela TV Globo, o Fantástico de domingo também tratou de forma contundente a manifestação. Assista. (G1)

Viver


São 3.519.901 milhões de casos de Covid-19 no mundo, segundo contagem da John Hopkins University, e 247.630 mil mortes (última atualização às 6h40).

O Brasil registra 101.147 infecções confirmadas e 7.025 mortes (sendo 275 óbitos nas últimas 24 horas) segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde. Epicentro do coronavírus no Brasil, com 31.772 casos, São Paulo vê a doença avançar entre jovens, com o salto da proporção de óbitos desse grupo de 14% para 26% em um mês.

Não há vagas. Hoje, a Fiocruz vai divulgar uma pesquisa que aponta: 70% das unidades de saúde do interior do país já enfrentam lotação. (Fantástico)

Veja como o seu Estado está preparado para o coronavírus.

Pois é... o país se transformou em um dos principais motivos de preocupação mundial diante da pandemia. Dados divulgados no domingo pelo Centro de Prevenção e Controle de Doenças da Europa indicam que o Brasil já é quarto com maior número de casos registrados por Covid-19 nos últimos 14 dias.

A Itália registrou 174 mortes devido à pandemia da Covid-19 no domingo, o menor número desde o início do confinamento no país, e uma queda brusca em relação aos 474 mortos do sábado. As restrições aos contatos sociais começam a ser suspensas a partir de hoje, de forma gradual. O número diário de casos também caiu para 1.389 em relação aos 1.900 reportados no sábado. Atrás apenas dos EUA e da Espanha, o país é o terceiro com mais diagnósticos do novo coronavírus: 210 mil, com 28 mil mortes. (O Globo)

Na Espanha, todos puderam deixar suas casas novamente no sábado para passear ou praticar esportes, após 48 dias de confinamento rigoroso para deter a epidemia.

Para ler com calma... em 1918, um cemitério precisou ser construído às pressas em Maceió, já que o cemitério do Estado, o Nossa Senhora da Piedade, não comportava mais as mortes em séries por conta da gripe espanhola. O mesmo cemitério recebe hoje corpos de uma nova pandemia, a do novo coronavírus, 102 anos depois. (BBC)

O virologista Eurico Arruda, da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto, diz que a Covid-19 é, como outros coronavírus surgidos no Século 21, agressivo, e "diferente", causando complicações inesperadas para o paciente - por exemplo, AVCs em jovens e problemas renais, cerebrais e de pressão. Mas se mostra otimista quanto à possibilidade de uma vacina chegar rapidamente à população - o que, avalia, deverá ocorrer até o início de 2021. Entrevista completa. (Estadão)

Sobre imunidade: “Então, já é sabido há muito tempo que esses coronavírus não induzem - eu estou falando dos coronavírus antigos, anteriores - eles não induzem uma imunidade protetora, duradoura. Tanto que tem experimentos clássicos feitos na Inglaterra em que o indivíduo é experimentalmente infectado com o coronavírus, portanto, você tem certeza de que inoculou, porque você pingou o vírus no nariz dele. Ele desenvolve uma infecção respiratória, no caso um resfriado. Daí ele se cura, daí você fica testando e vendo que o indivíduo tem anticorpo, tem anticorpo, tem anticorpo… Depois de um ano, eles foram lá e pingaram de novo o vírus no nariz do indivíduo. E o indivíduo pegou o vírus de novo”.

Imagens do primeiro dia do hospital de campanha do Ibirapuera, em São Paulo, onde 800 profissionais vão atender 240 leitos de enfermaria e 28 de estabilização. (El País)

Cultura


Alceu Valença fez uma live ontem por meio de seu canal no YouTube em apoio a uma ação para distribuir recursos a profissionais da música que não estão trabalhando por causa da quarentena. Em entrevista, Alceu explicou por que sua obra atravessa gerações.

Alceu sobre o Brasil neste momento: “Estamos passando por essa pandemia e eu faço tudo ao contrário do que o presidente manda. Quando ele fala pra ir para a rua, eu não, eu fico dentro de casa. É gripezinha? Não, a gripe é forte. Tem muita gente morrendo”.

Cotidiano Digital


O Zoom é uma das poucas empresas se beneficiando com as quarentenas. Mas a imagem não é tão otimista assim. Apesar de alguns problemas de segurança, a empresa divulgou no mês passado que seus usuários ativos diários saltaram de 10 milhões em dezembro para 300 milhões em abril. Mas entraram na conta o número de participantes em reunião, não os usuários individuais. A empresa silenciosamente corrigiu o post sem fornecer uma contagem diária de usuários ativos. Mesmo assim, os seus rivais não têm ficado tão para trás. A Microsoft alcançou 75 milhões de usuários ativos diários — um crescimento de 70% em relação ao mês passado. E o Google Meet tem ganhado três milhões de novos usuários por dia.

Enquanto isso… O TikTok ultrapassou dois bilhões de usuários. No primeiro trimestre de 2020, teve o maior número de downloads já alcançado por qualquer aplicativo — acumulou mais de 315 milhões de instalações na App Store e no Google Play, segundo o Sensor Tower.

O governo adiou para maio de 2021 a entrada em vigor da Lei de Proteção de Dados. A LGPD estava prevista para agosto deste ano.





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