Assine o Meio: notícia confiável para quem não tem tempo de ler jornal.



22 de maio de 2020
Consultar edições passadas

Prezadas leitoras, caros leitores —

Neste sábado, o Meio será sobre tecnologia: o que acontece após a quarentena? Mergulhamos, repentinamente, num mundo em que todos nossos encontros são virtuais, os restaurantes viraram delivery e apenas, as aulas ocorrem na tela. No princípio foi o choque, aí começamos a nos acostumar. E muitas coisas, incrivelmente, funcionam.

O quanto disso veio para ficar? Muito mais do que parece. Muitas empresas estão descobrindo que a perda de eficiência ligeira compensa a economia no aluguel. Que o ensino à distância tem ainda muitos problemas — mas funciona. Quando a quarentena acabar, ali na outra ponta, estaremos transformados. E é sobre este assunto que a edição premium, distribuída aos assinantes pagos, tratará.

Assine o Meio. O período de pandemia estrangulou o mercado publicitário, porém propulsionou a importância do jornalismo. Dependemos de vocês, leitores. Cada assinatura — e não cansamos de dizer, são dez reais ao mês ou cem ao ano — faz imensa diferença para nós.

— Os editores


Bolsonaro pede paz em dia que STF soltará vídeo


No dia em que o Brasil registrou a perda de 1.188 vidas em 24 horas, no qual o total de mortos cruzou a linha dos vinte mil e o número de vítimas dobrou em 12 dias, o presidente Jair Bolsonaro procurou enfim parlamentares e governadores pedindo trégua. “Quero exaltar a forma com que essa reunião está sendo conduzida”, afirmou o governador paulista João Doria, durante a teleconferência. Bolsonaro pedia apoio para manter no Congresso os vetos a reajustes dos funcionários públicos. “A cota de sacrifício dos servidores, pela proposta que está aqui, é não ter reajuste até 31 de dezembro do ano que vem”, pediu. “É assim que vamos construir nossa política, nos entendendo cada vez mais.” Em contrapartida, prometeu soltar ajuda financeira a estados e municípios, o que foi cobrado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia. “A união de todos no enfrentamento à crise vai criar com certeza as condições para que no segundo momento possamos tratar do pós-pandemia da recuperação econômica, da recuperação dos empregos.” (G1)

Cristiana Lôbo: “ O ministro da Fazenda, Paulo Guedes, disse ter sentimento de alívio com o resultado da reunião entre o presidente Jair Bolsonaro e governadores. ‘Nossa democracia é barulhenta, mas é virtuosa. E faz as entregas necessárias’, disse o ministro, numa referência aos conflitos que marcam a relação entre os poderes. Para ele, na hora necessária, todos convergiram. ‘Parecia que o presidente Bolsonaro era só economia e que os governadores eram só saúde. Agora, está todo mundo junto’, disse o ministro a respeito do aval dos governadores ao veto presidencial à possibilidade de aumento dos servidores públicos.” (G1)

Pois é... Mas a pressão por volta às ruas, ao trabalho cotidiano, se manteve. Após reunião pessoal com o presidente, no Planalto, o prefeito carioca Marcello Crivella saiu falando em reabrir a cidade. O pedido lhe foi feito pelo próprio Bolsonaro. Crivella foi ao encontro precisando de ajuda. Não tem em caixa os R$ 1,1 bilhão necessários para pagar o funcionalismo público municipal este mês, informa Berenice Seara. (Extra)

A ofensiva política em busca de base que o sustente tem frentes por todo lado. Ao todo, os cargos oferecidos pelo Planalto a PP, PL, Republicanos e PSD — o Centrão — somam um orçamento de R$ 86 bilhões. Só o Fundo Nacional de Desenvolgimento da Educação, do MEC, tem em caixa R$ 54 bilhões. (Globo)

Marcelo de Moraes: “O clima de beligerância alimentado pelo presidente e por seus seguidores contra Congresso, Judiciário e governadores produziu uma crise política que deixou o Brasil vulnerável na luta para conter os efeitos do coronavírus. Por isso, os presentes ao encontro fizeram questão de lembrar da importância que essa paz seja estabelecida para valer e os gestos sejam os mesmos diante e distante das câmeras. É sintomático que o agravamento da crise, a sombra de investigações e a queda nas pesquisas de opinião pública resultem num movimento de tentativa de reaproximação política da parte de Bolsonaro. O presidente nunca esteve tão pressionado e desgastado como acontece neste momento. E os grupos que foram alvos constantes dos seus ataques não esqueceram como foram tratados. O fim para valer da guerra política vai depender dos próximos gestos do presidente.” (BR Político)

Bolsonaro está sob pressão de criar notícias boas, e não à toa — o decano do Supremo, ministro Celso de Mello, decide até 17h de hoje se levanta o sigilo na íntegra ou parcialmente do vídeo que registra a reunião ministerial na qual sobraram palavrões, ofensas ao STF e à China, e principalmente ameaça de intervenção na Polícia Federal. Segundo testemunho de quem assistiu, o presidente queria proteger filhos e um amigo. (Estadão)

É a notícia que deve agitar o dia — e que nos fará, cá neste Meio, soltar a qualquer momento uma edição extraordinária.

Aliás... Moro falou à Time sobre a possibilidade de ser candidato. Disse não com discurso pronto. “Não estou preocupado com isso no momento”, afirmou, “acabou de deixar o governo. Preciso restabelecer minha vida pessoal e estamos no meio de uma pandemia. Não entrei no governo para servir a um mestre, mas para servir a meu país e à lei.” (Time)

Regina Duarte: “Ao aceitar o convite para ocupar a Secretaria Especial da Cultura, tinha plena consciência de que minha gestão seria alvo de críticas. Assumi a missão com a firme convicção de que, para contribuir com a cultura brasileira, teria que enfrentar interesses entrincheirados em ideologias cujo anacronismo não parece suficiente para sepultá-las. O que me causa espanto, isto sim, é a total ausência de substância das sentenças condenatórias que me dirigem na praça pública das redes sociais – esse potente megafone usado por grupos organizados dentro e fora da classe artística. Com o Brasil irremediavelmente polarizado, o posto de projeção que ocupei parece ter servido de instrumento a enfurecidos gladiadores entrincheirados nos dois extremos do espectro político. Amo meu país, sim, e tenho deixado isso sempre bem claro, a ponto de, numa recente entrevista à TV, ter cantado a conhecida marchinha dos anos 70, que fala de ‘todos ligados na mesma emoção’. Nada a ver com defesa da ditadura, como quiseram alguns, mas com o sonho de brasilidade e união que venho defendendo ao longo de toda a minha vida. E me desculpo se, na mesma ocasião, passei a impressão de que teria endossado a tortura, algo inominável e que jamais teria minha anuência, como sabem os que conhecem minha história. Dito isso, não será o veneno destilado nas redes sociais que me fará silenciar nem renegar amor à minha pátria. O que mais me dói é ver o Brasil à mercê de uma ignóbil infodemia, termo cunhado para designar a pandemia de informações tendenciosas em que conta o viés de quem as veicula e não o factual isento, não a verdade.” (Estadão)

Desculpe, Décio Pignatari

Tony de Marco

 
Tubaina

Viver


O Brasil tem mais de 20 mil mortes e 300 mil casos, no total, pelo novo coronavírus. Nas últimas 24h foram registradas 1.188  mortes e 18.508 novos casos, segundo dados do Ministério da Saúde. Mais um recorde da doença no país.

O número de mortes dobrou em um intervalo de 12 dias. Em menos de dois meses de pandemia, mais de 60% dos municípios do país já registram casos — um aumento de quase 12 vezes em 53 dias. (G1)

Mais de 7,8 milhões de brasileiros estão a pelo menos 4 horas de distância de atendimento adequado para casos graves, segundo a Fiocruz. A situação é pior nos estados do Amazonas, Pará e Mato Grosso. (Estadão)

As mortes têm se espalhado pelas periferias. As favelas do Rio de Janeiro somam mais mortes por Covid-19 do que 15 estados do Brasil. Até quarta (20), eram 174 entre as 13 comunidades da capital que registraram óbitos, segundo a ONG Voz das Comunidades. (G1)

Ainda sobre o Rio, o estado é o que mais tem mortes de médicos. Foram 30 desde que o primeiro óbito entre a categoria foi registrado no país, em 16 de março. No total, o Brasil tem 113 médicos mortos por Covid-19. É uma média de quase dois profissionais por dia. O número é similar ao de outros países duramente atingidos pelo vírus. Pelo menos 121 médicos morreram na Itália. (Globo)

E boa parte dos governos estaduais e municipais não cumprem regras de transparência nos gastos emergenciais feitos durante as pandemias. Roraima e São Paulo são os piores estados na divulgação dos contratos emergenciais. E entre as capitais, o pior índice é o da Prefeitura de Belém. (G1)

A extensão do uso da cloroquina pode atrapalhar o término das pesquisas que já estão sendo realizadas com o medicamento. O receio dos médicos é que fique mais difícil encontrar pacientes que não fazem uso da cloroquina para compor o grupo de estudo. (Folha)

Ao menos oito estados já sinalizaram que não vão aderir ao protocolo do uso da cloroquina, entre eles, São Paulo, Bahia, Pará e Rio Grande do Sul. (Estadão)

Sem ainda um remédio ou vacina, o isolamento continua sendo a medida mais efetiva. Segundo estudo da Universidade Columbia, se os EUA tivesse decretado lockdown uma semana antes, cerca de 36 mil pessoas teriam sido salvas. Duas semanas antes, poderia ter evitado cerca de 83% das mortes, ou seja, 54 mil vidas. Até agora, a pandemia já matou 93.400 pessoas nos EUA, e deixou mais de 1,5 milhão de infectados. (New York Times)

Sobre testagem, o Hospital Albert Einstein desenvolveu uma técnica para o diagnóstico de coronavírus capaz de analisar até 16 vezes mais amostras por vez em comparação com o teste mais utilizado hoje: o RT-PCR. De acordo com a instituição, é o primeiro exame de Covid-19 a ser patenteado no mundo que utiliza a tecnologia de sequenciamento genético de nova geração, baseada na leitura de pequenos fragmentos de DNA para a identificação de doenças ou mutações genéticas. (Estadão)

Wuhan anunciou que vai proibir por cinco anos a venda, consumo e caça de animais silvestres. Os primeiros casos do novo coronavírus no mundo foram vinculados a um mercado na cidade chinesa onde animais vivos eram mantidos próximos. As novas regras vêm em um momento em que 122 países pediram uma investigação independente sobre a origem do vírus, a qual a China se recusa.

Erramos. O Panelinha que saiu ontem foi repetido, um pecado. Mas eis a redenção com uma dica para o fim de semana, testada por um dos nossos editores: a panqueca de banana.

Pois é... Uma dieta balanceada é aquela que tem todos os nutrientes que o corpo precisa, nas proporções certas. O nosso pê-efe é um símbolo disso: de um lado do prato, arroz e feijão (e carne, para quem come); do outro, hortaliças. Só fica faltando o grupo das frutas. Mas é só transformar sobremesa! No Panelinha, o site da Rita Lobo, isso está bem explicado.

Cultura


Bunka Matsuri #EmCasa, como foi batizada a 14ª edição de um dos mais tradicionais eventos dedicados à cultura japonesa em São Paulo, troca o bairro da Liberdade por uma edição virtual neste sábado e domingo. A festa terá programação online transmitida pelo YouTube e pelo Facebook, que permite interação com o público. O bloco de apresentações musicais, por exemplo, terá bate-papo, no qual os artistas respondem perguntas e falam de suas trajetórias.

Quase 90% dos museus e instituições museológicas fecharam suas portas no mundo e cerca de 13% correm o risco de não voltarem à atividade, segundo estudos realizados pela Unesco e pelo Conselho Internacional de Museus, o Icom. Na Europa, os museus já iniciaram um processo de abertura, entre eles, os da Alemanha. Na França, alguns museus locais de menor porte foram autorizados a reabrir no dia 11, mas o governo ainda não anunciou as datas de reabertura de grandes instituições como o Louvre. Durante o período de isolamento social, as instituições têm disponibilizado conteúdo online, ainda que de forma tímida ou pouco inovadora, segundo especialistas da área.

A Netflix adiciona nesta sexta sete filmes e uma série ao seu catálogo. Dentre os destaques estão Hulk (2003), filme do herói da Marvel dirigido por Ang Lee, a comédia Ted (2012) e Psicose (1960), clássico de Alfred Hitchcock. Também estreia a segunda temporada de Sunset - Milha de Ouro, reality com os corretores dos imóveis mais sofisticados de Los Angeles.

Em entrevista histórica, Lima Duarte, 90 anos, conversou ontem com Pedro Bial. Sobre o cinema, disse que “agora vai ser tudo por streaming”.

E dedicou Democracia e Arte para a ex-parceira de Roque Santeiro, Regina Duarte. Vídeo.

Cotidiano Digital


A Apple está considerando uma mudança radical para a família MacBook em 2021.Uma tela maior de 14 polegadas para o MacBook Air. Um MacBook Pro menor. E o primeiro MacBook com processador ARM e não com Intel. Grandes mudanças também no teclado. Segundo Ewan Spence, colunista da Forbes, com base em documento de patentes, um dos recursos adicionaria às teclas sensibilidade ao toque permitindo que o teclado funcione como um grande touchpad.





Bem-vindo ao Meio. A assinatura básica é gratuita, comece agora mesmo.



22 de maio de 2020
Consultar edições passadas